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Arquitetos: IR arquitectura
- Ano: 2020

A cidade de Buenos Aires possui uma extensão territorial vasta e uma malha urbana heterogênea e de escalas variáveis. Grande parte dos bairros residenciais é constituída por um tecido de uso misto, onde as construções predominantes de décadas atrás são a chamada "casa chorizo" e as habitações em propriedade horizontal, comumente denominadas PH. É interessante observar como, ao longo dos anos, essas edificações foram modificadas devido às mudanças nos códigos de obras, que permitiram a criação de novas tipologias para responder, principalmente, a novas formas de habitar a cidade. A renovação dessas construções, muitas delas destinadas ao uso residencial, também tem sido uma resposta consciente para evitar a sobreedificação em uma cidade já densamente povoada. Embora esse tipo de projeto seja uma prática recorrente em Buenos Aires há vários anos, muitos/as jovens arquitetos/as das novas gerações assumem esses desafios, gerando uma tendência que parece não ter fim e na qual encontramos novas soluções a cada reforma.



Por volta de 1949, a cidade de Buenos Aires liderava a construção do Sexto Panteão no bairro da Chacarita. De caráter monumental e estilo brutalista, esta necrópole subterrânea revelou-se a primeira e maior experimentação de arquitetura moderna no âmbito funerário. Projetada por Ítala Fulvia Villa, uma das primeiras arquitetas e urbanistas argentinas, além de pioneira do modernismo sul-americano, juntamente com sua equipe formada por Leila Cornell, Raquel S. de Días, Gunter Ernest, Carlos A. Gabutti, Ludovico Koppman e Clorindo Testa, esta obra foi investigada por Léa Namer, que desenvolveu um profundo trabalho de estudo e análise, refletindo sobre o legado de uma utopia moderna e de uma releitura feminista da história.

O ‘Prêmio Latino-Americano de Arquitetura Rogelio Salmona: espaços abertos / espaços coletivos’ busca reconhecer as obras de arquitetura construídas que criam espaços significativos para a cidadania, contribuindo para a consolidação de cidades mais acolhedoras. Diferentemente das edições anteriores, este ano foram estabelecidas duas categorias: América Latina e Colômbia.
“A cidade é cidadania, com sua gente, instituições, monumentos, sua cultura, sua arquitetura e espaço público, e com a fisionomia que foi adquirindo e construindo ao longo do tempo é a grande proposta civilizatória da humanidade.” - Rogelio Salmona

O conceito de permacultura refere-se a um sistema de design capaz de criar meios ambientes humanos sustentáveis com base em uma ética e em uma série de princípios de design ecológico, ambiental e de resiliência. Ao articular plantas, animais, construções e infraestruturas como água, energia e/ou comunicações, a permacultura analisa as relações possíveis entre esses elementos de acordo com seu posicionamento na paisagem. Seus 12 princípios de design podem ser aplicados em múltiplos projetos de arquitetura de diversas escalas e programas, colaborando, por exemplo, na difusão de novas maneiras de reduzir o consumo de energia nas residências, economizar água por meio da captação de água da chuva ou da reciclagem de águas cinzas para sistemas sanitários, hortas e afins, além de contribuir para a produção de alimentos, entre outras frentes.

De Tafí del Valle a San Carlos de Bariloche, a implementação da pedra natural na arquitetura argentina contemporânea revela a decisão dos arquitetos de dialogarem com seu entorno, bem como destacar a pureza dos materiais. Embora a pedra seja um dos materiais de construção mais antigos que perdurou ao longo da história, sua aplicação em residências no Uruguai, Brasil ou México apresenta características diferentes em relação às texturas, formas, tons e padrões.


Tijolos fazem parte do imaginário coletivo quando pensamos em construção. Tratam-se de materiais elementares, onipresentes, modulares, leves e confiáveis para erigir edifícios. No entanto, a fabricação tradicional de blocos cerâmicos depende da queima de argila em fornos a altas temperaturas, muitas vezes alimentados por combustíveis fósseis não renováveis, como carvão ou gás natural. Além disso, o processo de transporte aumenta significativamente sua pegada ambiental, por se tratarem de materiais pesados e volumosos. Com um interesse crescente em materiais de construção alternativos, que oferecem menor impacto ambiental e maior sustentabilidade, tijolos de solo cimento são um bom exemplo, apresentando uma pegada ambiental menor por utilizar matérias primas locais e dispensar o processo de queima, mas mantendo muitas das qualidades intrínsecas dos tijolos tradicionais.

