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Arquitetos: Michel Macedo Arquitetos
- Área: 404 m²
- Ano: 2025





Em uma era em que a fabricação digital e a automação se fazem cada vez mais presentes na prática arquitetônica, o ofício manual é frequentemente visto como um artigo de luxo — restrito a projetos de alto padrão, cujos clientes podem arcar com prazos estendidos e processos colaborativos que exigem diálogos constantes com artesãos. Esse cenário poderia soar contraditório há algumas décadas, quando Lina Bo Bardi denunciava que um processo de "desculturação" estava em curso e que se fazia urgente um balanço da civilização brasileira "popular" para enfrentar universalismos totalizantes e o folklore — este último visto por ela como um instrumento de alienação do Estado para neutralizar o caráter subversivo e transformador da cultura popular:

A arquitetura na América Latina este mês reflete uma negociação contínua entre desafios ambientais, patrimônio cultural e novas abordagens para as esferas pública e profissional. Desde o terremoto na Colômbia e seu impacto na arquitetura histórica até novos projetos culturais na Argentina e soluções de projeto sensíveis ao clima no Equador e em Medellín, os acontecimentos recentes destacam como a arquitetura continua a responder tanto às condições regionais quanto aos desafios globais. Questões de patrimônio e infraestrutura também se mantiveram em evidência, com a UNESCO manifestando preocupação com os impactos do Trem Maia no sítio de Calakmul, no México, considerado Patrimônio Mundial, ao mesmo tempo em que novas iniciativas no Chile e na Costa Rica exploraram o design ecológico e práticas sustentáveis. Os acontecimentos do mês apontam para um panorama arquitetônico regional moldado pela resiliência, adaptação e pela relação entre o ambiente construído e seus contextos sociais e naturais mais amplos.


O colapso da seção inferior de uma geleira no Himalaia na quarta-feira, 26 de agosto, provocou uma avalanche de gelo e rochas no vale do rio Lhende, desencadeando graves enchentes repentinas na fronteira entre o Nepal e o Tibete. As inundações destruíram vilarejos inteiros, com pelo menos 350 mortes confirmadas e mais de 1.300 pessoas ainda desaparecidas. Caracterizadas por sua natureza súbita e violenta, as enchentes repentinas ocorrem nas primeiras seis horas após fortes chuvas ou outra fonte de inundação. Neste caso, o evento foi atribuído ao colapso de uma geleira em uma altitude mais elevada no Himalaia, associado, segundo algumas análises, a uma onda de calor na região. A velocidade do deslocamento também é uma característica desse tipo de inundação, cujo rastro de destruição, neste caso, segue a bacia do rio Trishuli, no Nepal. De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, as áreas mais afetadas são os distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot. Uma avaliação mais detalhada é esperada para os próximos dias, à medida que o nível da água baixar; enquanto isso, já é possível delinear algumas das consequências sob o ponto de vista territorial.

A pesquisa é um processo estruturado e ativo de análise, teste, interpretação e resolução que, em última análise, leva a um conhecimento que pode ser considerado disruptivo. O processo criativo por trás da pesquisa é um convite à imaginação: buscar respostas, soluções e alternativas para a realidade que conhecemos. Para ir além da teoria, essa prática afasta-se dos livros e computadores para adentrar espaços projetados especificamente para fomentar a experimentação. Nestes seis projetos não construídos, laboratórios, oficinas, observatórios, jardins, auditórios e espaços de exposição articulam-se como terrenos férteis para a imaginação. Trata-se de espaços que devem apoiar o trabalho colaborativo e a criatividade, permitindo que mentes curiosas e céticas encontrem caminhos para futuros alternativos.






