Atual situação da Bagley House. Imagem Cortesia de Patrick Mahoney, AIA
Relegada ao esquecimento até poucos meses atrás, uma das casas projetadas por Frank Lloyd Wright em estilo colonial holandês não parecia estar caminhando para um final muito feliz. Naquela ocasião, a residência projetada e construída pelo arquiteto em 1894 na região suburbana de Chicago, estava correndo sérios riscos de demolição quando foi colocada à venda por um valor de aproximadamente um milhão e trezentos mil dólares. Pouco tempo depois, ou melhor, na semana passada, a histórica Frederick Bagley House, definida pela organização sem fins lucrativos responsável pela conservação da obra construída de Frank Lloyd Wright como “uma obra exordial única e insubstituível”, parece agora caminhar em direção a um futuro bastante promissor—ou melhor, para um novo recomeço.
Há apenas 18 meses, a população global teve sua vida virada de cabeça para baixo pela pandemia de COVID-19. Quase imediatamente, arquitetos/as e designers começaram a especular sobre como projetar um mundo melhor, que fosse flexível, funcional e saudável. Embora a pandemia esteja longe de acabar — com muitos avanços científicos e políticas de saúde pública ainda necessários para de fato nos permitir vivenciar o nosso “novo normal” —, talvez seja o momento de refletir sobre nossas previsões e analisar quais aspectos da pandemia foram reações de curto prazo e quais aspectos da vida podem se refletir permanentemente na forma como pensamos o ambiente construído.
O Pavilhão Finlandês para a Expo 2020 de Dubai procura evidenciar a profunda conexão do país escandinavo com a natureza e a sustentabilidade—algo que contribui e muito para com a alta qualidade de vida de seus habitantes. Intitulado “Snow Cape”, o pavilhão projetado pela JKMM Architects evoca sutilmente os cenários naturais finlandeses através de sua materialidade e atmosfera, ao mesmo tempo que incorpora muitos dos princípios de economia circular defendidos pelo país nórdico. A estrutura de acesso, onde os visitantes são recebidos, assume a forma de uma tenda, criando um importante espaço de encontro e socialização entre os povos, lembrando a herança nômade do povo Finlandês— conectando ainda com o título do pavilhão escrito em árabe.
The Second Studio (antigo The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais da área criativa em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma grande variedade de temas é abordada com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros apresentam dicas para profissionais de design, análises de edifícios e projetos, ou reflexões descontraídas sobre a vida cotidiana e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Nesta semana, David e Marina recebem Randy Collins, S.E., fundador e diretor da FTF Engineering, Inc., para discutir o papel e as responsabilidades de engenheiros/as estruturais, o dimensionamento de estruturas resistentes a terremotos, as limitações dos requisitos estruturais dos códigos de obras, a contratação de profissionais de engenharia, a colaboração com arquitetos/as, a geração de valor para clientes e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130959/the-second-studio-podcast-entrevista-com-randy-collins-engenheiro-estruturalThe Second Studio Podcast
Observando rapidamente o continente africano, encontraremos uma enorme diversidade de padrões de assentamentos humanos, variando desde pequenos ambientes urbanos, enclaves rurais até extensas metrópoles. Sobrevoando este vasto território, podemos concluir também que muitas cidades africanas estão trabalhando para superar a lacuna histórica que as separa do resto do mundo—embora essa “evolução”, na maioria dos casos, esteja apenas acentuando as desigualdades estruturais que permeiam este continente de norte a sul. E esta dinâmica não é uma novidade, pois a aparência de muitas das cidades africanas ainda hoje é resultado de uma longa história de opressão e segregação.
Muitas vezes despercebida ou desconsiderada, a desigualdade de gênero na arquitetura traz consequências tanto às mulheres e suas carreiras quanto aos espaços e produtos criados. Há, porém, um nicho de trabalho dentro da construção civil que contradiz essa lógica, propondo a criar um espaço de trabalho mais igualitário. Este texto propõe uma reflexão sobre essa desigualdade e como ela é desafiada pelas práticas autogestionárias.
A arquitetura pode promover a equidade nas cidades? Existem limites para isso? A partir de uma perspectiva crítica, discutimos o assunto por meio de uma pergunta inicial ao nosso público leitor: Quão equitativa é a arquitetura?
Após ler e compilar todos os comentários recebidos, tanto de profissionais da construção quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, concordamos que a equidade na arquitetura é, antes de tudo, um tema multiescalar, um problema global e de todos nós.
O projeto “Tequiocalco. Campa tlachializtli mozcalializtli in totlamatiliz huan toyuhcatiliz” – localizado no estado de Tlaxcala, México - que se traduz para o espanhol como Centro Autónomo de Investigación y Revitalización de Saberes Comunitarios (CAIRSCO), é o "lugar onde observamos ou investigamos e revitalizamos nossa sabedoria e cultura, formas de ser ou o que é vivido na comunidade".
https://www.archdaily.com.br/pt/968865/a-re-existencia-do-habitar-da-lingua-e-do-territorio-arte-a-360-grados-plus-comunalArte a 360 grados + Comunal Taller de Arquitectura
Grandes cidades se tornaram os lugares mais perigosos durante a pandemia, além disso, toda a situação pandêmica validou o trabalho remoto e colocou em questão a necessidade de morar em centros urbanos e densos. Por esse motivo, o êxodo urbano provavelmente será um tema constante num futuro próximo e levantará grandes discussões no campo da arquitetura e urbanismo sobre como lidar com esse movimento.
A canção do grupo inglês Pink Floyd “Another brick in the wall” (Outro tijolo na parede) traz à crítica um sistema educacional alienante e pouco motivador. As pessoas, ou as crianças, são retratadas como tijolos, por conta de sua homogeneidade, seja na forma de viver ou de pensar em uma sociedade pouco afeita à contestação. Os tijolos funcionam muito bem nessa comparação, por terem mudado muito pouco na história e pelo mundo em suas formas retangulares. Mas isso não vale em relação às suas cores. Ainda que estejamos acostumados a remeter ao vermelho quando falamos de tijolos, há infinitas possibilidades de tons, conforme a composição e o processo de fabricação das peças.
Matosinhos, ao norte de Portugal, receberá o mais novo projeto do BIG, escritório dinamarquês liderado por Bjarke Ingels. Intitulado Fuse Valley, o projeto consiste em um complexo corporativo de uso misto localizado nas adjacências da cidade dedicado a Farfetch, plataforma global para moda de luxo, e ao Castro Group, empresa que atua nas áreas de promoção imobiliária e construção.
Vendendo a ideia de um empreendimento "sustentável" que abrirá caminho para um "futuro vale tecnológico" que nascerá em Matosinhos nos próximos quatro anos, as empresas destacam que mais de 80% dos espaços exteriores serão "totalmente abertos à comunidade, numa total harmonia e respeito pelo meio-ambiente envolvente."
O muro é um dos principais problemas de nossas cidades. Materialização divisionista por excelência, tira o sentido da convivência nas ruas e transforma o caminhar por nossas calçadas em uma experiência vazia, monótona e insegura. Os “olhos na rua” são essenciais para a vida urbana, especialmente em uma sociedade violenta como a brasileira.
Por que nossas cidades têm tantos muros? Usualmente se culpa o setor imobiliário, eterno vilão para os que costumam confundir causa e consequência. Mas, na verdade, casas já antigas também se valem deles.
O Pavilhão de Cingapura para a Expo 2020 Dubai ilustra a aspiração da cidade por um futuro sustentável que mescla arquitetura, natureza, tecnologia e cultura. Sob o título "Nature.Nurture.Future", o pavilhão projetado pelos arquitetos WOHA e o escritório de design de paisagismo Salad Dressing apresenta uma amostra do ambiente urbano de Cingapura que resume sua visão de Cidade na Natureza. O espaço verde em várias camadas cria um ecossistema autossuficiente, destacando ideias de sustentabilidade e resiliência por meio do casamento de tecnologia e natureza.
Um projeto de arquitetura nasce de nuances, da empatia para com os usuários e de uma compreensão profunda de seu contexto específico. Melhores soluções são aquelas que atendem tanto às necessidades e os anseios dos clientes quanto questões de contexto e identidade. Neste sentido, o projeto interseccional pode ser entendido como uma abordagem que leva em conta diversos fatores —de identidade, gênero, raça, sexualidade, classe e muitos mais — e como estes interagem entre si. Considerando isso, quanto melhor compreendermos as questões de relativas ao contexto específico e ao usuários para os quais projetamos nossos espaços, melhor serão nossos edifícios e, consequentemente, as cidades que estaremos construído para o futuro.
Ecossistema Urbano, um dos vencedores do Prêmio J. Irwin e Xenia S. Miller, propõe Cloudroom como parte da edição de 2021 da Exhibit Columbus em Columbus, Indiana. Trata-se de uma instalação que procura repensar os espaços públicos para a educação através da conscientização a respeito dos desafios ambientais contemporâneos. Esta nuvem inflável flutuando sobre uma estrutura de madeira está localizada na área verde da Escola de Ensino Médio Central e cria um espaço comunitário com um microclima sombreado para aprender, brincar e compartilhar. Incentivando novas metodologias de aprendizagem através da experiência direta, o projeto apresenta um ambiente acolhedor e adequado para uma série de atividades entre a escola e o espaço público.
Um enfoque ecológico e social conforma os dois pilares que norteiam o projeto da Cloudroom, esta instalação projetada com a participação dos alunos e funcionários da escola, e que responde ao mote "New Middles: From Main Street To Megalopolis, What Is The Future of The Middle City?", proposto pelos curadores Iker Gil e Mimi Zeiger.
Archivo de Ideas Recibidas é um projeto interdisciplinar de pesquisa e difusão que busca registrar e relacionar as ideias de pessoas que contribuem para o ecossistema criativo contemporâneo a partir da arte, do design e da arquitetura. O projeto se constrói a partir das conversas que a equipe mantém com diversas mentes criativas, nas quais se aprofundam temas relacionados à memória, à academia, ao contexto cultural, às suas principais influências e metodologias de trabalho. Nesta ocasião, compartilham conosco a entrevista sobre cinema e arquitetura com Mauricio Freyre (Estudio Rien).
Pablo Salazar compartilha seu trabalho de pesquisa intitulado "Design de estandes comerciais no bairro de La Floresta, Quito, Equador". Este abrange temas como a pegada climática gerada pela atividade em escala urbana, a análise de radiação, de ventos e heliografia, além do design e detalhamento de materiais de quatro tipos de estandes comerciais.
A arquitetura pode ser engraçada. Naturalmente, ela costuma ser um alvo fácil e bem-humorado de piadas, como quando Frank Gehry é satirizado em Os Simpsons; no entanto, os próprios edifícios também podem ser divertidos. Filósofos como Kant acreditavam que o humor residia na incongruência entre o que se espera e o que se vivencia. Existe todo tipo de expectativa depositada sobre as edificações, bem como uma infinidade de maneiras pelas quais essa incongruência pode se desenvolver entre tais expectativas e o que o edifício realmente entrega. Este vídeo explora alguns dos edifícios humorísticos mais interessantes da história, desde o Maneirismo de Giulio Romano até as lojas BEST do SITE Architects, entre muitos outros. Por fim, o vídeo aponta para algumas práticas contemporâneas que recorrem ao humor para alcançar algo que vai muito além de uma simples risada.
A tipologia dos edifícios de escritórios vem evoluindo em direção a projetos mais fluidos, espacialmente diversos e flexíveis, a fim de acomodar as necessidades das novas gerações de profissionais e dos novos modelos de negócios. A seleção com curadoria desta semana de arquitetura não construída foca em projetos de escritórios e edifícios comerciais e administrativos enviados pela comunidade do ArchDaily, mostrando como profissionais da arquitetura em todo o mundo visualizam os ambientes de trabalho e sua contribuição para o ambiente urbano.
Desde o retrofit de um edifício de escritórios desatualizado em Londres até um projeto comercial e administrativo moldado como um passeio arquitetônico no Irã, passando pelo jogo de cheios e vazios em um edifício corporativo na Turquia, os projetos a seguir apresentam algumas das ideias que moldam a tipologia de escritórios. Essas preocupações incluem a necessidade de atualizar o parque edificado existente, uma maior conexão entre áreas internas e externas ou o distanciamento da planta de escritório genérica.
Diante do cenário atual, a pandemia de COVID-19 provavelmente exercerá uma influência duradoura sobre a próxima era da construção e do design, moldando a forma como construímos em cada fase, incluindo projeto, materiais e protocolos de obra. É possível que profissionais de arquitetura e engenharia continuem trabalhando remotamente, revisando projetos e especificações de forma virtual. Fabricantes talvez precisem ampliar o distanciamento em suas áreas de produção ou, ainda, recorrer a uma maior automatização.
O Museu de Arte Contemporânea Garage anunciou o projeto vencedor para o cinema de verão de 2022. Selecionada entre 118 propostas, a proposta desenvolvida pelo escritório LIPMAN ARCHITECTS, com sede em Moscou (Dmitry Limpan, Angelina Yashkevich, Maria Oganian), apresenta paredes de gabião preenchidas com garrafas plásticas de água, propondo um diálogo sobre temas como reciclagem de materiais e o impacto ambiental da arquitetura temporária.
CRA-Carlo Ratti Associati e Italo Rota Building Office, junto com Matteo Gatto e F&M Ingegneria projetaram o Pavilhão Italiano na Expo Dubai 2020 com foco na arquitetura re-configurável e circularidade. Os arquitetos usaram casca de laranja, pó de café, algas e areia como materiais de construção, juntamente com plástico reciclado para as cordas da fachada e cascos de barco para o telhado. O projeto arquitetônico do pavilhão e os materiais usados criam um sistema natural de mitigação do clima que substitui o ar-condicionado.
O escritório de arquitetura Sordo Madaleno Arquitectos (agora SOMA) revela o projeto do novo empreendimento de uso misto Park Hyatt, cujo programa inclui um hotel de luxo, residências e escritórios, localizado na região de Polanco, na Cidade do México. Este projeto constitui o primeiro complexo da Hyatt Hotels Corporation no país.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131254/sordo-madaleno-arquitectos-projeta-o-primeiro-complexo-park-hyatt-na-cidade-do-mexicoArchDaily Team