Muitos edifícios costumam cair em desuso devido às constantes transformações econômicas, sociais e tecnológicas que nossas cidades enfrentam. A inconsistência programática dos tempos atuais exige grande versatilidade e capacidade de adaptação de nossas infraestruturas, fazendo com que, cada vez mais, as edificações fiquem desabitadas, entregues ao abandono e à deterioração.
Apresentamos a seguir uma seleção de 20 projetos latino-americanos nos quais antigos galpões, residências, prisões, moinhos e mercados foram recuperados e transformados em centros culturais, museus e galerias.
Voltar a estar nas ruas em segurança: essa começa a ser uma nova realidade para a nossa sociedade que se reinventou frente a pandemia da Covid-19. Mas como gostaríamos que fosse esse novo estar no espaço público? Nossas cidades estão de fato preparadas para acolher crianças, adultos, mulheres, famílias e todos os grupos sociais? A partir desses questionamentos, Gabriela Callejas , cofundadora da Cidade Ativa, defende a “Cidade do Sim”, com um olhar voltado a todas as pessoas e que tem no centro das decisões de projeto e investimentos na cidade a família, em suas mais diversas composições.
Fachada de malha metálica ondulada em aço inoxidável no Centre Aquatique, Vic-le-Comte, França. Imagem cortesia de Haver & Boecker
Desde a criação de um novo edifício de estacionamento com uma estética impressionante até o retrofit de uma edificação existente, a malha metálica arquitetônica oferece versatilidade e durabilidade que a tornam única em relação a outras opções de materiais de projeto.
Render aéreo del proyecto del Nodo Náutico de Mestres Wage. Image Cortesía de MWA
O escritório internacional de arquitetura Mestres Wåge será o autor do futuro polo formativo e tecnológico do setor náutico em Barcelona. O projeto apresentado em abril do ano passado destacou-se por sua relação com o entorno, pela permeabilidade e apropriação do espaço público e pela coerência de sua organização funcional.
O escritório Morphosis passou a integrar o DesignClass, uma coleção crescente de aulas online que reúne nomes inovadores nas áreas de arquitetura, design e liderança criativa. Cada curso busca desenvolver uma "confiança curiosa e criativa" nas futuras gerações de profissionais de criação. Aprofundando-se no processo de projeto, na lógica e na arquitetura, a nova aula foca em como traduzir ideias em uma arquitetura dinâmica com um dos escritórios mais influentes da atualidade.
Hydro Healing Center, Yerevan, Armênia, 2015. Imagem cortesia de Nishan Kazanian
O que se segue a esta breve introdução é minha entrevista singularmente pessoal com o arquiteto e artista libano-americano Nishan Kazazian. Seu trabalho é inspirado por inúmeras fontes vindas de diversas direções, como o Kintsugi — a arte japonesa de reconstituir peças de cerâmica quebradas —, abstrações geométricas em cores primárias que evocam o Construtivismo Russo, além de pinturas de Piet Mondrian e Paul Klee. No entanto, uma inspiração ainda mais forte vem de suas memórias afetivas e da história familiar. A sobreposição e a estratificação de culturas e idiomas estiveram constantemente presentes em sua vida desde a infância e continuam sendo forças orientadoras para Kazazian, que é tanto arquiteto habilitado quanto artista profissional.
A agência de criação Accept & Proceed projetou uma quadra de basquete para a Nike usando 20.000 tênis reciclados em Nova Belgrado, Sérvia. Inspirado no ethos "Move to Zero", o projeto apresenta a quadra, um playground infantil, bancos de arquibancada, gradis, academia ao ar livre, lixeiras de coleta, itens da campanha na loja e restauração dos elementos existentes. A renovação pretendia revitalizar o bairro e, ao mesmo tempo, proporcionar um espaço para a comunidade e para o esporte entre crianças e adultos.
Foi perfeita a opção pela transparência na cúpula que o arquiteto chileno Smiljan Radic projetou na cobertura de um estacionamento vizinho ao histórico Tobacco Dock – um antigo armazém de tabaco, agora usado para grandes eventos corporativos e comerciais em Londres.
Equipamiento Agroindustrial PRISMA, proyecto de Urzúa Soler. Fotografía de Felipe Ugalde (arriba izquierda); Oratorio de la Peregrina, proyecto de Sebastián Mejías. Fotografía de Edgard Torres (abajo izquierda); Recorrido entre rocas, proyecto de Angélica Méndez (arriba derecha); Portada Arquitectura Maulina (abajo derecha). Image Cortesía de Arquitectura Maulina
A Escola de Arquitetura de Talca desempenha, há anos, um papel importante na valorização arquitetônica da Região do Maule, no centro-sul do Chile. E é aqui que a nova editora Arquitectura Maulina tomou a decisão de continuar este caminho, não apenas apresentando algumas de suas produções, mas também reunindo artigos de profissionais, estudantes e fotógrafos/as para estabelecer diálogos, questionamentos e registros sobre como observamos este território e o que deveríamos fazer em prol dele.
Na entrevista a seguir, a equipe compartilha suas inspirações ao abordar o tema, trazendo reflexões sobre a academia e a disciplina na região.
Conversamos com a arquiteta mexicana Lucía Villers sobre seu interesse em compreender o tempo na arquitetura, por meio de projetos e pesquisas de transformação e recuperação. Seu trabalho divide-se entre a prática arquitetônica e os projetos de pesquisa. O tempo é uma obsessão que Lucía carrega desde a infância. “Quando viajava de carro e observava a paisagem, de repente percebia que uma montanha se movia mais devagar e o que estava perto de mim parecia ir mais rápido. Sempre tive muitas perguntas sobre a percepção do tempo. Às vezes parece passar muito rápido, outras vezes muito devagar”.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130456/lucia-villers-arquitetura-centrada-em-compreender-o-tempoBob J. Barraza
Todo o espaço deve ser ligado a um valor, a uma dimensão pública. Não há espaço privado. O único espaço privado que você pode imaginar é a mente humana. — Paulo Mendes da Rocha
Hoje, celebraríamos o aniversário de 93 anos de Paulo Mendes da Rocha. Nascido em Vitória, formou-se em São Paulo em 1954 na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tornou-se um dos arquitetos brasileiros mais reconhecidos mundialmente e um dos grandes nomes da Escola Paulista. Foi também professor de projeto da FAU-USP entre 1961 e 1999, afastado em 1969 pela ditadura militar e sendo reintegrado ao corpo docente da universidade somente em 1980, após a anistia. Além disso foi presidente do IABsp em duas ocasiões.
Com 'Patrimônio e Modernidade’ como tema principal, o curador José Ángel Medina Murua já havia nos antecipado a "capacidade de Carme de amplificar todos os valores com os quais atua, de trabalhar com o seu entorno de uma maneira em que todos os elementos saiam beneficiados, melhorados".
Às vésperas da abertura oficial, trazemos uma entrevista com Carme Pinós sobre sua participação nesta nova edição.
Espaços criam ambientes de convivência, e o design do espaço tem efeito direto no humor e no comportamento das pessoas. Os vencedores do iF Design Award deste ano mostram como materiais, elementos e formas de alta tecnologia se destacam por sua singularidade e criam atmosferas muito especiais.
Nordic Office of Architecture venceu o concurso de design de interiores para o novo Terminal 3B do Aeroporto Internacional de Chongqing Jiangbei, na China, com uma proposta que integra programas experienciais e faz referência à identidade da cidade chinesa. Desenvolvido em colaboração com o UDG, o ADC e o Lichtvision, o projeto busca facilitar a orientação de forma intuitiva, ao mesmo tempo que oferece aos/às viajantes uma série de espaços interativos e atrações ao longo de seu percurso.
Na reprodução desta semana do The Architect's Newspaper, o autor Patrick Sisson aborda as implicações e a participação das comunidades de Nova York na configuração de seu ambiente construído, especialmente de sua orla. Ele também questiona o papel da representatividade e se "os conselhos comunitários da cidade e o Procedimento Uniforme de Revisão de Uso do Solo (ULURP) atuam mais como guardiões do que como catalisadores para o desenvolvimento equitativo?", sobretudo porque muitos novos empreendimentos são rotulados como projetos habitacionais.
Para a Alape, aperfeiçoar o material, o aço vitrificado – não apenas em termos visuais, mas também como uma experiência tátil, como na série de superfícies Aqua – é particularmente importante. Imagem cortesia de Alape
Há 125 anos, a marca alemã Alape vem aperfeiçoando a experiência visual e tátil de cubas e lavatórios feitos de aço vitrificado.
Escadaria labiríntica. Screenshot da série. Cortesia de Netflix
Pessoas morrem em Squid Game. Muitas pessoas. Mas apesar de violência ser um dos ingredientes mais apelativos para o sucesso (ou fracasso) de uma produção para televisão, não é por isso apenas que a série se tornou tão popular no mundo todo. Cultura pop, cenários hipnotizantes e uma trama repleta de metáforas sociais contribuem para isso.
Lançada pela Netflix no dia 17 de setembro deste ano, Squid Game (conhecida também como Round 6) já é a maior série realizada em um idioma que não o inglês, disse Ted Sarandos, co-CEO e Chefe de Conteúdo da plataforma de streaming, e tem grandes chances de se tornar a maior série já produzida pela gigante do entretenimento. Escrito e dirigido por Hwang Dong-hyuk, o survival thriller narra a jornada de 456 pessoas mergulhadas em dívidas que competem por um generoso prêmio em dinheiro de 45.6 bilhões de wons – aproximadamente R$210 milhões.
A neurociência ambiental é um campo emergente, dedicado ao estudo do impacto dos ambientes sociais e físicos, sobre os processos e comportamentos do cérebro. Desde várias oportunidades de interação social aos níveis de ruído, e acesso a áreas verdes, as características do meio urbano têm implicações importantes para os mecanismos neurais e o funcionamento do cérebro, influenciando assim nosso estado físico. O campo ilustra uma imagem diferente de como as cidades impactam nossa saúde e bem-estar, proporcionando assim uma nova camada científica de compreensão, que poderia ajudar arquitetos, urbanistas e tomadores de decisão a criar ambientes urbanos mais equitativos.
Quando consideramos o contexto das cidades, ao mesmo tempo que a violência urbana é um reflexo dos problemas e das desigualdades sociais, ela também reflete no território e na nossa forma de viver. Em outubro, no dia 2, foi celebrado o Dia Internacional da Não-Violência – inspirado nisso, destacamos aqui uma série de projetos para refletir sobre formas não-violentas de ocupar os espaços públicos.
Paradoxalmente, o confinamento que vivenciamos durante a atual crise sanitária também desencadeou uma série de encontros que ignoram as fronteiras. Para o Estudio Diagonal, escritório emergente que conquistou reconhecimento internacional por projetos como o Refúgio 3x3, o trabalho remoto permitiu que se abrissem ao mundo e às múltiplas oportunidades que este oferece, sem precisar abandonar seu lugar de origem. A partir da cidade de Osorno, situada no sul do Chile, a equipe interdisciplinar liderada pelo arquiteto Sebastián Armijo projeta e constrói uma série de obras que se nutrem tanto da paisagem local e de seus recursos, quanto das influências arquitetônicas que descrevem a tendência global atual.
A perspectiva crítica em relação ao regionalismo preponderante no discurso acadêmico local, a importância da materialização da obra na conceituação de seu trabalho e a busca por alcançar altos padrões de projeto com o mínimo de recursos são alguns dos temas transversais ao seu pensamento e obra. Na entrevista a seguir, Sebastián Armijo discorre sobre os interesses e influências que o movem a desenvolver uma variedade de projetos a partir do conceito de “irredutibilidade pragmática”.
Josep Ferrando é arquiteto radicado em Barcelona. É reitor da Escola Técnica Superior de Arquitetura La Salle (ETSALS) e diretor do Centro Obert d´Arquitectura de Barcelona e do Departamento de Cultura do Colégio de Arquitetos da Catalunha (COAC). Integrando sua trajetória acadêmica e suas frequentes palestras, seu escritório desenvolve projetos que exploram diferentes escalas e materiais, experimentando sistemas construtivos e soluções inovadoras. Conversamos com ele sobre a importância dos materiais na arquitetura e sobre as sinergias que ele encontra entre a prática e a docência.
O impacto que a crise climática teve no planeta na última década é uma influência crítica de como os arquitetos e urbanistas projetam as cidades do futuro. É claro que, tanto em nível individual quanto corporativo, é importante agir e proteger a Terra antes que os impactos negativos mudem nossos ambientes familiares para sempre - e o tempo esteja se esgotando rapidamente. Quando se trata de criar formas para salvar nossas cidades do “the next big one”, seja um furacão, enchente, nevasca ou incêndio, a maneira como projetamos a infraestrutura preventiva negligencia um número significativo de pessoas. A mudança climática não afeta apenas os lugares mais ricos do mundo, na verdade, tem efeitos maiores sobre os mais pobres.
Projeta-se que, até 2025, a população mundial ultrapasse 8,1 bilhões de pessoas — e a grande maioria estará concentrada em áreas urbanas. Embora grande parte do foco esteja em preparar e reconfigurar nossos centros urbanos já hiperdensos para absorver ainda mais habitantes, na periferia, cidades e vilas menores ao redor do mundo têm apresentado uma expansão significativa, definindo-se como locais “em ascensão”. Lugares que antes talvez passassem despercebidos agora ganham destaque por seu rápido crescimento, vitalidade econômica e custo de vida acessível, entre outras características.
A Editora Romano Guerra lançou campanha de venda antecipada para viabilizar o livro Arquitetura e escrita: relatos do ofício, coletânea que reúne 24 entrevistas com importantes historiadores(as) e críticos(as) brasileiros(as) e estrangeiros(as), pertencentes a distintas gerações e matrizes intelectuais. O livro tem organização de José Lira, Felipe Contier, João Sodré, Jonas Delecave, Paula Dedecca, Samira Chahin e Victor Próspero.
Realizadas pelos organizadores ou por colaboradores convidados, as entrevistas iluminam suas trajetórias de formação, filiações e principais trabalhos na área, suas posições metodológicas e interpretativas, além de seus diálogos com outros autores e disciplinas.