São José dos Campos. Foto por wtrilhas - Flickr, via Wikipedia. Licença CC BY-SA 2.0
O presente artigo parte da premissa de que cidades não são espaços neutros. Os territórios, assim como a arquitetura, o urbanismo, a literatura, a cultura e a política, são elementos condicionados por valores de uma determinada sociedade em um dado período de tempo. Assim sendo, a configuração desses espaços é concebida a partir de valores de uma sociedade; sociedade esta patriarcal, racista e capitalista. Por conseguinte, a ausência de neutralidade para a produção do espaço urbano implica em diferentes usos por parte dos usuários das cidades. Essas singularidades de vivências permeiam, ao seu turno, questões relacionadas à classe social, raça e gênero.
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Cedric Price. Potteries Thinkbelt. Cedric Price fonds, Canadian Centre for Architecture, Montréal. Imagem cortesia de CCA
Todos os edifícios se movem — naturalmente, alguns mais do que outros. Há uma série de considerações projetuais que profissionais de arquitetura levam em conta para permitir, ou até mesmo promover, o movimento em quase todas as edificações. Contudo, há profissionais que recorrem à sua formação multidisciplinar e à sua capacidade de resolver problemas para conceber soluções que literalmente percorrem o mundo. Seja na forma de minicasas sobre rodas, instituições de ensino em trens ou programas de design instalados em caminhões, às vezes as edificações e a própria arquitetura precisam se deslocar até o público que atendem ou para outros ambientes. Este vídeo apresenta alguns exemplos desse espectro, a começar pela maneira como profissionais de arquitetura costumam lidar com o movimento em estruturas e fundações, passando pelo projeto Potteries Thinkbelt, de Cedric Price, e chegando ao Chicago Mobile Makers, uma oficina maker itinerante para crianças fundada por Maya Bird Murphy.
Uma equipe liderada por Foster + Partners em colaboração com Marge Arkitekter ganhou um concurso de projeto para a reconstrução da estação central de Estocolmo, a maior instalação de transporte da Suécia. O projeto vencedor pretende reunir vários meios de transporte em um hub que priorizando pedestres e cria um novo distrito de uso misto que combina arquitetura antiga e contemporânea.
A crise climática tem sido um dos principais assuntos de 2021, tanto no discurso político quanto na área da arquitetura, acompanhada por um novo reconhecimento da gravidade do problema. Durante o ano passado, o relatório do IPCC revelou as graves consequências da falta de ações paliativas, enquanto a COP26 e a cúpula do G7 resultaram em comprometimentos insuficientes com medidas imediatas e palpáveis. O setor de construção, responsável por impressionantes 39% dos gases de efeito estufa emitidos, pode trazer uma contribuição significativa para a contenção das mudanças climáticas. A seguir, as medidas de descarbonização de 2021 que afetam essa indústria.
Este artigo de Maya Orzechowska foi publicado originalmente com o título "Cinco princípios para uma arquitetura vulnerável e íntima: desenhando limites e aberturas alternativos para o lar e para o eu" no número 31° da revista Dearq em 01 de setembro de 2021 (DOI: https://doi.org/10.18389/dearq31.2021.04).
Investiga-se como os limites e as aberturas do lar não estão separados entre si; eles desempenham um papel ativo nas políticas de saúde corporal e social. Tanto a ideia de lar quanto a de moradia falham diariamente para um número cada vez maior de pessoas; por isso, este artigo busca alternativas à narrativa do lar, da intimidade interna utópica, que endossa o recolhimento, e de uma relação de desresponsabilização frente ao âmbito público. Sugere-se que o resultado é distópico ao ocultar e exacerbar a vulnerabilidade e sua resistência à mudança. Em contrapartida, uma arquitetura vulnerável e íntima centra-se no corpo vulnerável, que desenha o estranho, o reprimido e o emocional no lar.
A seguir, apresentamos o artigo como parte de uma colaboração conjunta para contribuir com a difusão de pesquisas, análises e opiniões que a comunidade acadêmica nacional e internacional elabora sobre a arquitetura, os temas da cidade e áreas afins.
O escritório Ennead Architects foi selecionado para projetar a nova sede da fabricante e desenvolvedora de eletrônicos Xiaomi em Shenzhen. O projeto vencedor, desenvolvido para um concurso realizado em celebração ao décimo aniversário da empresa, reflete a relação entre tecnologia e vida cotidiana ao integrar uma interface digital à estrutura do edifício. A construção se assemelha a um Cubo de Rubik com uma tela de LED de 360 graus que envolve o embasamento do edifício, representando o sucesso e as aspirações futuras da Xiaomi.
O Royal Institute of British Architects (RIBA) anunciou os vencedores do President's Medal and Awards for Research de 2021, destacando as melhores pesquisas sobre arquitetura e ambiente construído. A Medalha do Presidente foi concedida a John Lin e Sony Devabhaktuni, da Universidade de Hong Kong, pelo projeto de pesquisa As Found Houses, que explora práticas vernáculas na China rural. Outros dois prêmios foram concedidos ao desenvolvimento de um guia de ética para profissionais da arquitetura e a um estudo sobre abóbadas de tijolos finos em Cuba.
Captain's House. Imagem cortesia de Vector Architects
Em 2014, foi lançado na China um programa de reconstrução residencial chamado "Dream Home", convidando arquitetos/as e designers de interiores a redesenharem casas antigas que apresentavam problemas. Algumas dessas residências tinham formatos irregulares, outras eram minúsculas e algumas sofriam com uma iluminação extremamente inadequada. Os conceitos de projeto transmitidos em conjunto pelos/as profissionais no programa baseiam-se no respeito pelas pessoas, na compreensão das relações humanas e na definição de lar. Essas reformas ou reconstruções não são apenas atualizações físicas para os/as clientes, mas uma reinterpretação do "lar" que lhes devolve a dignidade e uma nova vida.
No que diz respeito à Covid, 2022 tende a se parecer mais com 1920 do que com 2020 ou 2021. “Mudar ou morrer” é um clichê, mas muitas vezes verdadeiro. Os últimos dois anos de pandemia forçaram diversas mudanças na sociedade que podem ter ajudado a evitar muitas mortes. No entanto, muitos outros aspectos da nossa cultura já vinham se transformando em movimentos anteriores à pandemia — transições graduais que, com a chegada da Covid, tornaram-se instantâneas e onipresentes: o trabalho remoto, o ensino a distância, a dominância do comércio eletrônico, o declínio do varejo físico e o foco obsessivo na saúde e no bem-estar. Tudo isso, e muito mais, agora faz parte fundamental do nosso cotidiano.
Ao olharmos para trás, em 2021, dois acontecimentos tiveram um impacto transformador no mundo da arquitetura e do design.
O primeiro deles foi o falecimento de Richard Rogers, pioneiro da arquitetura High-Tech. O historiador de arte alemão Hans Belting disse certa vez: “Quando as pessoas clamam por uma nova arte, são a arquitetura e o design que se posicionam como símbolos de uma nova sociedade, carregando a esperança de transformar o espaço habitável; e, enquanto as pessoas anseiam por essa transformação espacial, elas próprias também mudam”. Rogers foi um dos primeiros a se posicionar no final do século XX. Sua abordagem de design ousada, rebelde e subversiva abriu novos horizontes para a paisagem urbana. Tendo se aposentado apenas no ano passado, ele sempre nos mostrou, por meio da prática, a importância do direcionamento do design. Diante disso, não posso deixar de me perguntar: à medida que os heróis de nossa era partem gradualmente, seremos capazes de assumir a missão da arquitetura?
O segundo acontecimento envolveu o/a arquiteto/a Tao Lei, que, no programa de TV "Dream Home", gastou 1,32 milhão de yuans para construir uma casa de tijolos vermelhos para um idoso, o que desencadeou uma forte onda de ataques cibernéticos por parte do público. Este episódio refletiu diretamente o conflito entre a arquitetura, a estética e a vida cotidiana. Diante disso, também me pergunto: a estética perseguida pelos/as arquitetos/as é a mesma desejada pelas pessoas comuns? O projeto de arquitetura tem o poder de transformar a percepção estética? A classe social influencia o projeto arquitetônico? E, sem nunca ter vivenciado o espaço, é justo rejeitar uma obra com base apenas em manchetes fragmentadas e superficiais?
“O desespero é tão vão quanto a esperança”. A palavra-chave do ArchDaily para este ano é: Equilíbrio entre o Interno e o Externo.Internamente: o papel de plataforma, oferecendo ferramentas, inspiração e conhecimento vindos de todas as direções, superando obstáculos e impulsionando mudanças para construir um ecossistema de design ainda maior.Externamente: o papel de disseminação, saindo da zona de conforto do “meio arquitetônico”, fortalecendo a conexão com as necessidades do público, apresentando processos informativos mais claros e desenvolvendo curadorias de conteúdo de arquitetura mais criativas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135054/2022-aprimorando-o-interior-e-o-exterior-resolucoes-de-ano-novo-do-archdaily韩爽 - HAN Shuang
Como a qualidade da arquitetura pode ser protegida, promovida e incentivada? Uma questão sobre qual a Espanha avançou este mês. Em 18 de janeiro, o Conselho de Ministros aprovou o Projeto de Lei de Qualidade Arquitetônica para sua posterior apresentação ao Parlamento espanhol, iniciando assim seu procedimento parlamentar.
Trata-se de uma nova proposta legislativa, promovida pelo Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana, atualmente sob a direção da Ministra Raquel Sánchez Jiménez, que visa proteger, promover e fomentar a qualidade arquitetônica como um bem de interesse geral, promovendo vínculos que incentivem a aproximação da arquitetura com a sociedade.
O ano de 2021 foi turbulento – a pandemia causada pelo novo coronavírus persiste, obrigando as indústrias de design e construção a continuar se adaptando por dois anos seguidos. À medida que os métodos de trabalho remoto e comunicação continuam a ser ajustados e aprimorados, uma infinidade de eventos virtuais fez com que o discurso arquitetônico fora dos paradigmas ocidentais e eurocêntricos pudesse ocupar um espaço central na discussão da arquitetura global.
O Concurso Público de Anteprojeto Arquitetônico para o desenho do Velódromo no Parque Metropolitano Gibraltar em Bogotá D.C. foi promovido pelo Instituto Distrital para la Recreación y el Deporte (IDRD). A ser realizada na localidade de Kennedy, a licitação, assessorada pela Sociedad Colombiana de Arquitectos (SCA), teve como objetivo selecionar uma proposta de anteprojeto arquitetônico para a execução do projeto, estudos técnicos, coordenação arquitetônica e técnica, além de demais atividades de projeto.
O júri foi composto pelos/as arquitetos/as Leonardo Álvarez Yepes, representando a SCA Bogotá D.C e Cundinamarca; María Elvira Madriñan Saa e Fernando Montenegro Lizarralde, pela SCA Presidencia Nacional; Nelson Yovany Jiménez e Felipe Alberto Morales Sánchez, pelo Instituto Distrital de Recreación y Deporte. Dentre as 17 propostas apresentadas, foram concedidos três prêmios e uma série de menções honrosas. A seguir, conheça os trabalhos premiados.
O prêmio United States Artists Fellowship é uma bolsa anual que reconhece "artistas de destaque que vivem e trabalham nos Estados Unidos, em todas as disciplinas e em qualquer fase de suas carreiras". A cada ano, artistas são indicados/as anonimamente por um grupo diversificado de pesquisadores/as, críticos/as, produtores/as e outros/as profissionais das artes. Entre os/as 63 premiados/as de 2022, 5 foram escolhidos/as nas áreas de arquitetura e design, com o objetivo de fortalecer e enriquecer o setor e suas comunidades.
O MAXXI Museum está celebrando a presença das mulheres na arquitetura em uma nova exposição que mostra o papel transformador das arquitetas na evolução da profissão ao longo do último século. Com curadoria de Pippo Ciorra, Elena Motisi, Elena Tinacci, e com exposição desenhada por Matilde Cassani, "Good News. Women in Architecture" une em quatro seções temáticas a história das mulheres na arquitetura através do trabalho de profissionais contemporâneas e as vozes de jovens coletivos, contando as histórias de mais de oitenta arquitetas.
Este ano marcou o 10.º aniversário do lançamento do primeiro episódio de Black Mirror. A série antológica de ficção científica distópica e onerosa, explora metaversos distorcidos de alta tecnologia, onde, segundo a IMDb, "as maiores inovações da humanidade e os instintos mais obscuros colidem". É por isso que esta série britânica, criada por Charlie Brooker para a Netflix, gerou reações diferentes entre os telespectadores. Embora apresentasse cenários futuros, a proximidade com os mesmos criava um certo sentimento de paranoia, medo e incerteza.
https://www.archdaily.com.br/pt/974500/metaversos-da-ficcao-cientifica-ao-presente-extremoBob J. Barraza
Recentemente inaugurada em dezembro de 2021, a Plaza de Toros Real de San Carlos foi restaurada e refuncionalizada com o objetivo de se transformar em um centro de eventos multiuso, com capacidade para cerca de 2.500 pessoas nas arquibancadas e mais de 2.000 na arena. Localizada em Colonia del Sacramento, Uruguai, esta obra originalmente construída por Josip Marković (arquitetura) e Dupuy (engenharia) adotou um estilo neomudéjar, assemelhando-se às praças de touros da Espanha daquela época.
O projeto da Nova Piscina Municipal de La Calera, na Região de Valparaíso, está prestes a iniciar sua construção, conforme anunciado pelo escritório Gubbins Polidura Arquitectos em suas redes sociais.
Com base em três eixos principais — "a cidade europeia: um modelo de cidade inteligente e sustentável", "a definição de uma cultura europeia comum que reflita a diversidade de expressão" e "uma arquitetura que gere impacto social e transmita uma mensagem cultural" —, agrupamos os projetos selecionados pelo júri (composto por Tatiana Bilbao, Francesca Ferguson, Mia Hägg, Triin Ojari, Georg Pendl, Spiros Pengas e Marcel Smets) para oferecer um panorama mais claro dos critérios de seleção e do cenário arquitetônico na Europa.
À medida que continuamos a lidar com as repercussões da pandemia, o futuro dos escritórios e espaços de trabalho tem sido amplamente debatido. No entanto, alguns efeitos imediatos já são evidentes: o modelo rígido, essencialmente presencial, foi rapidamente substituído pelo trabalho híbrido, no qual a adaptabilidade e o conforto se tornaram as principais prioridades. Assim, embora as consequências a longo prazo ainda não estejam totalmente claras, as empresas certamente precisarão buscar o equilíbrio ideal entre os métodos tradicionais e o trabalho remoto, visando promover a eficiência e o bem-estar das equipes. Sob a perspectiva do design e da arquitetura, a demanda se concentrará em ambientes de trabalho flexíveis que estimulem a criatividade, a produtividade e o conforto – além de responderem aos desafios tecnológicos, econômicos e de sustentabilidade associados.
O novo Museu de Arte Contemporânea Atchugarry (MACA) está localizado na Rota 104 km 4,5 em Manantiales (Uruguai), onde atualmente se encontra a Fundação Pablo Atchugarry. Aberto ao público em geral, a obra do arquiteto Carlos Ott visa promover o desenvolvimento de artistas nacionais e, ao mesmo tempo, colocar o Uruguai no mapa das maiores exposições internacionais.
Fundado pelo arquiteto e professor Angelo Bucci, o spbr arquitetos atua em diferentes escalas de construção de edificações com uma linguagem distinta e particular em suas obras. Seus projetos são resultado de um intenso exercício de pensar arquitetônico somado ao uso do desenho como ferramenta de diálogo entre arquitetos e clientes.