Pela primeira vez na história a população urbana superou a rural. Hoje 55% das pessoas vivem em centros urbanos e as projeções mostram que esse número deve chegar a quase 70% em 2050. Isso representa um aumento de 2.5 bilhões de pessoas vivendo em áreas urbanas. Dessa forma nos perguntamos, qual é o modelo de urbanização que queremos para as próximas décadas? A resposta a essa pergunta depende da compreensão do aumento nos índices de urbanização como um desafio não só para as áreas urbanas mas também para as áreas rurais e periurbanas – sejam elas produtivas ou naturais.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
Neste episódio Sara conversa com o arquiteto João Maria Trindade sobre a Estação Biológica do Garducho e a importância na preservação da biodiversidade. Ouça a entrevista completa e leia parte da transcrição da conversa, a seguir:
“Se você é pintor/a, precisa de uma tela. Se é escultor/a, precisa de mármore ou gesso. Se quer construir uma casa, precisa de um terreno.” Boas-vindas ao fascinante universo de Not Vital. Neste vídeo, o multifacetado artista suíço nos apresenta seu parque de esculturas, fundações e castelos.
O canal de televisão Louisiana Channel encontrou-se com Not Vital em seu ateliê em Sent, uma pequena comuna suíça onde cresceu e onde ainda reside hoje. Desde a infância, ele constrói abrigos: “Meu primeiro trabalho foi mais uma tentativa de construir uma casa ou um habitat. A primeira vez foi em 1951, quando eu tinha apenas três anos. Havia nevado tanto que meu irmão e eu construímos um túnel,” ele continua: “Acho que ali percebi pela primeira vez que gostava de construir meus próprios habitats. Embora fosse muito mais confortável morar dentro de casa, passei o dia no túnel. Lembro-me do cheiro do sol e da neve. Foi uma sensação maravilhosa.”
Com o objetivo de impulsionar a transição sustentável de recursos na indústria da construção, a ETH Zurich, em colaboração com a FenX AG, está utilizando a impressão 3D de espuma (F3DP) para fabricar fôrmas de geometria complexa destinadas à produção de elementos especiais de concreto.
Tsz Yan Ng é diretora, professora, pesquisadora e artista de uma empresa com sede em Michigan, cujo trabalho interdisciplinar e colaborativo busca desafiar e melhorar as práticas modernas de construção e processos de manufatura. “Não mudamos a maneira como construímos há tanto tempo”, disse Ng. “Precisamos pensar nisso de forma mais produtiva – não apenas economicamente – mas como uma coleção de vozes diferentes. A arquitetura é um ecossistema global de pessoas, onde a soma é maior do que as partes.”
O ensino de arquitetura nunca foi concebido para preparar você para o lado empreendedor da gestão de um escritório. Na mente dos criadores que construíram o sistema que hoje define o caminho para a obtenção do registro profissional, a ideia nunca foi que você iniciasse um negócio de arquitetura de forma precoce. Existe um código, um conjunto de regras que o/a impulsiona a obedecer e a seguir uma visão unilateral de sucesso.
Royal Manor Mobile Home Park. Imagem Cortesia de MH Village
O futuro das casas fabricadas pode reinventar algo que já existe amplamente nos Estados Unidos – os estacionamentos de trailers. Por todo o país, essas pequenas casas estão sendo reimaginadas por arquitetos, que estão utilizando materiais mais sustentáveis e técnicas de construção inventivas para criar casas acessíveis e ressignificar a conotação negativa que já cercou esse tipo de moradia.
Casa John Chapman. Imagem cortesia de Plus Architecture
As moradias estudantis assumem muitas formas ao redor do mundo, porém, a tipologia mais comum é um alojamento fechado. Enquanto os futuros alunos escolhem as universidades com base no rigor acadêmico, programas esportivos, atividades extracurriculares e futuras oportunidades de carreira, eles agora querem saber como será viver dentro e fora do campus. Isso forçou os arquitetos a repensarem os projetos tradicionais de dormitórios buscando algo mais inovador que reflita melhor o que os alunos querem (e esperam) em suas residências universitárias.
Enquanto a vida útil de um edifício médio é de cerca de 50 a 100 anos, uma cobertura costuma durar entre 15 e 30 anos.
Por que essa diferença tão marcante?
Por estar em contato direto com a radiação solar, umidade, chuva, variações de temperatura e vento, as coberturas e lajes são as áreas mais críticas e expostas de um edifício. Sendo assim, sem manutenção e cuidados adequados, há o risco de surgirem danos que reduzem drasticamente sua vida útil.
Una ciudad de habitaciones: La casa compartida como laboratorio urbano. Image Cortesía de Paula Olea Fonti
“Uma cidade de quartos” é um trabalho de pesquisa da arquiteta Paula Olea Fonti que se centra no estudo da moradia compartilhada, uma das formas mais utilizadas por jovens estudantes e profissionais para habitar a cidade. Uma casa popular e comum, por assim dizer. Uma que muitos/as arquitetos/as caracterizariam por seu escasso valor arquitetônico.
Islas de los Uros en el lago Titicaca. Image Cortesía de Leyda Aza Medina
A importância da arquitetura voltada para a sustentabilidade leva os/as arquitetos/as a explorar novas alternativas de materiais de construção sustentável que possam ser implementados em novas edificações. A pesquisa “La totora como material de aislamiento térmico: propiedades y potencialidades” foi publicada pela arquiteta Leyda Aza Medina como dissertação de mestrado em 2016 e venceu o prêmio de práticas acadêmicas ADUS 2021. O estudo apresenta uma alternativa sustentável, utilizando como base o recurso renovável da totora para o uso de isolantes térmicos em edificações no altiplano peruano.
Superior, da esquerda para a direita: Bernard Tschumi, Anupama Kundoo, Catherine Opie. Centro, da esquerda para a direita: Erin Besler, Héctor Esrawe, Ana María León. Inferior, da esquerda para a direita: Mario Gooden, Sekou Cooke, Liam Young. Imagem cortesia de SCI-Arc
O SCI-Arc (Southern California Institute of Architecture) foi fundado em 1972 com base no conceito de uma "faculdade sem paredes". Seu nome original era New School, simbolizando uma mudança de paradigma no ensino de arquitetura, com foco em uma relação horizontal entre docentes e estudantes e na experimentação, tornando a instituição uma das poucas escolas de arquitetura independentes do mundo. Em 2022, a instituição completa 50 anos e planejou um calendário repleto de eventos e projetos que acontecerão ao longo do ano.
O escritório de arquitetura australiano Angelo Candalepas and Associates foi selecionado pelo Governo de Victoria e pela National Gallery of Victoria para projetar a NGV Contemporary, a maior galeria da Austrália dedicada à arte e ao design contemporâneos. O marco urbano de 30.000 m² em Victoria contará com imponentes entradas em arco, um hall esférico de 40 metros de altura, mais de 13.000 m² de galerias de exposição, além de um amplo terraço na cobertura e um jardim de esculturas com vista para Melbourne.
O escritório MVRDV, em parceria com a equipe de arquitetura espanhola GRAS Reynés Arquitectos, está transformando o emblemático bairro de El Terreno, em Palma de Maiorca, em uma vibrante área residencial, por meio de reformas e novas construções. Após décadas de declínio, uma série de lotes vizinhos na Plaza Gomila será revitalizada através de uma iniciativa público-privada, com o objetivo de recuperar a essência do bairro boêmio. Cada um executado com uma cor e material distintos, os sete edifícios diversos formam um distrito reconhecível com uma variedade de tipologias.
Essa frase chamou a atenção durante a palestra de Diébédo Francis Kéré no AAICO (Architecture and Art International Congress), que ocorreu no Porto, em Portugal, entre 3 e 8 de setembro. Após ser introduzido por ninguém menos que Eduardo Souto de Moura, Kéré iniciou sua fala com a simplicidade e humildade que pautam seu trabalho. Suas obras mais conhecidas foram construídas em locais bastante remotos, onde materiais são escassos e a força de trabalho é dos próprios moradores, utilizando os recursos e técnicas locais.
Qual é, exatamente, o sentido da crítica de arquitetura? A palavra “crítica” deriva do termo grego krinein, que significa separar, peneirar, distinguir, discernir, examinar ou julgar. Segundo Wayne Attoe, arquiteto e educador que discorre sobre a crítica de arquitetura em seu livro Architecture and Critical Imagination (infelizmente hoje fora de catálogo), isso não significa necessariamente desaprovar ou apontar falhas. A crítica pode ser favorável ou desfavorável; pode elogiar ou condenar.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134199/para-que-serve-a-critica-de-arquiteturaMichael J. Crosbie
Desde 2017, a ONU-Habitat, juntamente com Shigeru Ban Architects, Philippe Monteil e a ONG Voluntary Architects' Network, desenvolveu várias tipologias de abrigos para um bairro piloto no Assentamento Kalobeyei, no Quênia. As Casas Turkana destinam-se a abrigar os sudaneses do sul e outros refugiados que vivem no norte do Quênia e não puderam retornar às suas aldeias originais devido a intermináveis guerras civis e conflitos. Ao contrário dos abrigos de refugiados típicos, essas estruturas foram feitas para fornecer um lar para longos períodos de deslocamento e as quatro tipologias desenvolvidas são informadas pela vasta experiência do Shigeru Ban Architects com projetos de suporte a desastres e as técnicas de construção da população local.
Ao longo do último século, os carros foram o elemento dominante no planejamento de cidades e municípios. Pistas para veículos, expansão de faixas, estacionamentos e garagens foram sendo criados e usados enquanto continuamos nossa dependência pesada em carros, deixando os planejadores urbanos com a tarefa de desenvolver maneiras criativas para tornar as ruas mais seguras para ciclistas e pedestres. Mas muitas cidades, especialmente algumas na Europa, se tornaram exemplos de ideologias progressistas sobre como projetar novos espaços para nos tornarmos livres dos carros e repensar as ruas para torná-las mais amigáveis aos pedestres. Será que já estamos experimentando a morte lenta dos automóveis pelo mundo e favorecendo os que preferem caminhar ou andar de bicicleta? E se sim, como isso pode ser feito em uma escala ainda maior?
Biblioteca Jose Vasconcelos / Taller de Arquitectura X / Alberto Kalach. Image Cortesía de Taller de Arquitectura X / Alberto Kalach
Ao longo dos anos, o design de interiores evoluiu de acordo com as necessidades que vão se apresentando, mas sobretudo de acordo com as experiências que se busca provocar no usuário. Nos últimos dois anos, testemunhamos uma mudança radical e um interesse especial por este assunto, pois a pandemia nos obrigou a prestar mais atenção na configuração dos espaços que habitamos. Isto fez com que surgissem projetos muito mais integrais, que atendem ao bem-estar do usuário, combinando cores, experiências sensoriais, tecnologia e elementos naturais que promovem a saúde.
A artista mexicana Perla Krauze apresenta a mostra “NONSITE: el Pedregal revisitado” no Museo Universitario de Ciencias y Artes (MUCA Campus), localizado na Facultad de Arquitectura da UNAM, Cidade do México. Apresenta-se como uma instalação de grande escala que explora o Pedregal da zona sul da Cidade do México, região que abriga diversos sítios arqueológicos, incluindo as ruínas mais antigas do Vale do México: Cuicuilco e Copilco. Sua topografia se deve ao fato de que, há cerca de 1.700 anos, o vulcão Xitle entrou em erupção, espalhando imensos mares de lava e forçando a população local a abandonar a região.
Março é o mês em que se comemora o St Patrick's Day, ou Dia de São Patrício, uma homenagem ao padroeiro da Irlanda que faleceu no dia 17 de março de 461. Para além da comemoração religiosa, o St. Patrick's Day, é marcado por grandes festas nas ruas, bares e pubs de países de colonização inglesa como Canadá, Estados Unidos e, claro, a República da Irlanda.
A República da Irlanda está localizada na Ilha da Irlanda, a noroeste da Europa Continental e faz fronteira com a Irlanda do Norte, um dos países que compõem o Reino Unido, do qual conquistou sua independência logo no começo do século XX, em 1919, após um intenso conflito. Desde a Guerra da Independência o país tem lutado para valorizar e reconhecer sua cultura local, incluindo sua arquitetura, histórica ou contemporânea. Conheça um pouco mais da arquitetura do país através da obra dos sete escritórios contemporâneos reunidos a seguir.
Polígonos en pendiente en Barcelona. Image Cortesía de Matías Falero
La mancha urbana contemporánea parece ampliar sus fronteras sin mayores restricciones al mismo tiempo que aumenta su complejidad. Las grandes ciudades como Barcelona se han expandido a tal punto que sus límites políticos ya solo representan las líneas de demarcación de una gestión territorial que en la imagen satelital o en el intercambio vivencial, en muchas ocasiones, prácticamente ya no existe o son difícilmente reconocibles. La lectura actual de su Área Metropolitana, extendida entre las sierras, los ríos y el mar, por otro lado, demuestra que esta expansión progresiva ha estado siempre condicionada por su particular enclave geográfico.
Render de design paramétrico feito pelo graduado da Oneistox, Alab Adviento. Imagem cortesia de Oneistox
Embora o design computacional, como técnica aplicada ao campo da arquitetura, já exista há duas décadas, as infinitas possibilidades que ele apresenta estão apenas começando a ser descobertas. Os horizontes do projeto que utiliza softwares de programação estão se expandindo paralelamente à crescente popularidade de ferramentas como o Rhino 3D e o Revit. O que futuros/as arquitetos/as devem ter em mente a partir de agora, ao se prepararem para o mercado de trabalho, é que os softwares de design computacional não devem ser tratados apenas como um “item pendente” a ser riscado da lista para preencher o currículo. Em vez disso, trata-se de uma oportunidade de aprofundar os próprios instintos criativos.
À altura do marco de dois anos do início da pandemia de COVID-19, quase nada parece igual a março de 2020 — seja o modo como trabalhamos, como estudamos ou mesmo como nos movimentamos em nossas próprias casas. Muitos títulos nesta seleção de lançamentos de livros de arquitetura e design de primavera evidenciam como autores/as e profissionais de design estão lidando com as grandes transformações do nosso tempo. Volumes como Why Design Matters, de Debbie Millman, e Design Emergency, de Paola Antonelli, compartilham os diversos pontos de vista e soluções de design de algumas das principais vozes criativas do mundo; Making Trouble, de Otto von Busch, e Yes to the City, de Max Holleran, avaliam formas de ativismo habitacional e do conceito "faça você mesmo" (DIY); enquanto Queerness of Home, de Stephen Vider, e Form Follows Feeling, de Suchi Reddy, exploram uma abordagem do espaço mais empática e centrada no ser humano. Todos eles, de alguma forma, voltam-se para o passado como um caminho para enxergar com clareza o futuro do ambiente construído.