A fotografia de arquitetura tem sido historicamente um gênero dominado por homens, assim como a própria arquitetura e a indústria da construção em geral. Mas esse cenário está mudando rapidamente. Alguns dos maiores nomes da fotografia de arquitetura muntial agora são mulheres e no campo nacional, não é diferente. Ao enfrentar barreiras de gênero, sendo uma das principais dificuldades a exposição ao espaço público em horas não usuais, carregando equipamentos valiosos — como a fotógrafa Ana Mello já afirmou em entrevista — essas profissionais estão rompendo paradigmas e eternizando as obras com seus olhares aguçados e sensíveis.
Profissionais de arquitetura assumem uma responsabilidade significativa ao conceber projetos que devem ser bem-sucedidos não apenas para seus clientes, mas para qualquer pessoa que habite ou seja impactada por seus espaços. Temas como sustentabilidade, inclusão social, oportunidades econômicas e equidade urbana global têm estado constantemente em pauta nos últimos anos, resultando em uma nova abordagem holística de projeto para um futuro melhor, que muitos vêm chamando de métricas Ambientais, Sociais e de Governança, mais conhecidas como ESG.
O escritório Snøhetta revelou o projeto de sua maior obra no Japão até o momento, o Shibuya Upper West Project, desenvolvido para a Tokyu Corporation, L Catterton Real Estate e Tokyu Department Store. O projeto busca oferecer experiências culturais em sintonia com o vibrante distrito de Shibuya, em Tóquio, conhecido por suas multidões movimentadas, grandes telas e pelo cruzamento em frente à Estação de Shibuya Hachikō. A torre de 36 andares incluirá um complexo cultural, espaços comerciais, um hotel contemporâneo e residências para aluguel.
Vista externa do hospital l’Eau Vive, Soisy-sur-Seine, França, anos 1960. Imagem cortesia dos Arquivos de Nicole Sonolet, coleção de Christine de Bremond d’Ars
O que significaria projetar edifícios que transcendam a contabilidade econômica da biopolítica liberal, oferecendo, em vez disso, uma lógica inteiramente diferente para a promoção da saúde? Nos anos em que Michel Foucault conceituou o termo biopolítica, ele fazia parte de uma constelação de pesquisadores/as e arquitetos/as que desenvolveram práxis de cuidado que definiam o valor da vida e de sua manutenção por meio de um cálculo baseado no desejo. As instituições do Estado de bem-estar social da arquiteta Nicole Sonolet, em particular — hospitais psiquiátricos, conjuntos de habitação social e novas tipologias de aldeias construídas principalmente na França do pós-guerra e na Argélia pós-colonial, entre as décadas de 1950 e 1980 —, foram projetadas não apenas para apoiar, mas para centralizar as necessidades de pessoas frequentemente excluídas dos processos de projeto. Os centros de saúde mental de Sonolet para residentes do 13º arrondissement de Paris, em especial, foram projetos fundamentais para a descoberta de uma prática projetual vinculada à prestação do cuidado em si.
The Smile. Imagem cortesia de Alison Brooks Architects.
A arquiteta estabelecida em Londres Alison Brooks nasceu e cresceu no Canadá, onde estudou arquitetura na Universidade de Waterloo, em Waterloo, Ontário. Após se formar em 1988, partiu para Londres, onde, depois de trabalhar com o designer Ron Arad por sete anos, fundou o escritório Alison Brooks Architects em 1996. Suas obras mais representativas incluem o Accordia Brass Building em Cambridge (vencedor do Stirling Prize), o Cohen Quad do Exeter College em Oxford, o pavilhão The Smile para o London Design Festival de 2016 e diversas residências unifamiliares expressivas em Londres: VXO House, Fold House, Lens House, Mesh House e Windward House.
Entre os projetos atuais do escritório estão o The Passages em Surrey, no Canadá; o Homerton College em Cambridge, além de outros projetos residenciais e culturais no Reino Unido e na América do Norte. Este mês, a proposta do escritório foi selecionada para a lista de finalistas do LSE Firoz Lalji Global Hub e do Institute for Africa, em Londres. Junto ao escritório nigeriano Studio Contra, a equipe liderada pelo ABA foi uma das seis finalistas escolhidas entre 190 propostas internacionais.
A edição de 2022 da Shenzhen Fashion Home Design Week (doravante denominada "Semana de Design") chegou ao fim com sucesso. Em meio aos desafios impostos pela pandemia, o ArchDaily, em parceria com a MEFine, apresentou o fórum temático "Um Passo à Frente: Reflexões Contemporâneas sobre o Habitar". Integrado ao "Design Loud" — espaço de debates focado em design e criatividade idealizado pelo Design Dome —, o evento foi concluído com êxito, deixando reflexões marcantes.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134773/forum-archdaily-x-shenzhen-creative-home-design-week-um-passo-a-frente-reflexoes-contemporaneas-sobre-o-habitarDai Le
Plano Diretor para o Terminal Rodoviário Port Authority New York New Jersey Midtown. Imagem cortesia de Foster + Partners
A Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey anunciou a escolha de Foster + Partners e da empresa de design multidisciplinar A. Epstein and Sons International Inc, com sede nos EUA, para repensar o terminal de ônibus de Manhattan, o mais movimentado do mundo. O projeto visa expandir a sua capacidade, substituindo o antigo terminal de ônibus de 72 anos por uma nova instalação de padrão internacional. O novo terminal será projetado para oferecer a melhor experiência ao usuário, atendendo às necessidades de transporte público da região no século XXI, ao mesmo tempo em que impulsiona a comunidade ao redor e permite a remoção de ônibus intermunicipais das ruas locais.
A consultoria digital japonesa Gluon planeja preservar no metaverso a Nakagin Capsule Tower em Tóquio, um dos exemplos mais representativos do Metabolismo japonês de Kisho Kurokawa. O "3D Digital Archive Project” está usando uma combinação de técnicas de medição para registrar o icônico edifício em três dimensões e recriá-lo no metaverso. A torre encontra-se em fase de demolição devido ao estado precário da estrutura e à incompatibilidade com as normas sísmicas vigentes, bem como ao estado geral de decadência e falta de manutenção.
O Laboratorio Arte Alameda (LAA) –espaço da Rede de Museus do Instituto Nacional de Bellas Artes y Literatura (Inbal)– em colaboração com a Fundación Telefónica, apresenta Joanie Lemercier. Paisajes de luz, primeira exposição individual de Joanie Lemercier, artista de origem francesa, no México. A proposta oferece "um percurso por diferentes paisagens que transportam desde a contemplação de linhas abstratas depuradas e o fascínio provocado por majestosas montanhas virtuais geradas por computador, até a preocupante realidade de uma natureza superexplorada."
https://www.archdaily.com.br/pt/1134648/joanie-lemercier-apresenta-a-instalacao-paisagens-de-luz-no-laboratorio-arte-alameda-cidade-do-mexicoArchDaily Team
Ao longo dos anos, as configurações urbanas foram mudando e assumindo novas formas. Os espaços de trabalho tornaram-se mais flexíveis, os escritórios em casa são comuns e os crescentes custos na construção levaram a mudanças na forma como as edificações são concebidas e construídas, nos direcionando para áreas externas públicas e comunitárias destinadas à atividades de lazer e encontros sociais. Nossos estilos de vida em constante transformação estão, portanto, moldando uma nova paisagem urbana que influencia na maneira como concebemos e usamos esses espaços. Entretanto, algumas tipologias menores e muitas vezes não reconhecidas persistiram e permanecem tão necessárias como sempre foram.
Estes não são lugares de função definida, mas abrigam instâncias valiosas em nosso dia-a-dia. São os espaços intersticiais (ou intermediários) que atuam como amortecedores e conectam nossos espaços privados aos edifícios ou ambientes públicos e funcionais. São os corredores, áreas de espera, elevadores, escadas, entradas e outras zonas de transição que entrelaçam nosso ambiente construído.
https://www.archdaily.com.br/pt/987010/espacos-intersticiais-e-vida-publica-pequenas-intervencoes-que-tecem-nosso-ambiente-construidoHana Abdel & Paula Pintos
As últimas duas décadas mostraram ao mundo novas maneiras de viver como resultado de diferentes mudanças sociais, econômicas e ecológicas. Naturalmente, essas mudanças chegaram à arquitetura e à prática urbana, provocando novos conceitos dentro das tipologias tradicionais. Ao projetar um espaço, independentemente de sua função, sempre se priorizaram as necessidades dos usuários, garantindo-se a praticidade e funcionalidade, mas, recentemente, palavras-chave como flexibilidade, privacidade, inclusão e consciência ecológica tornaram-se forças motrizes por trás dos processos de design. Neste Interior Focus, veremos como as cidades atuais e as tendências de vida em todo o mundo reformularam o design de interiores e introduziram modificações nas tipologias típicas.
Neste dia 19 de agosto, celebra-se o Dia Internacional da Fotografia. Para homenagear a data, apresentamos os registros vencedores do recente concurso fotográfico "Interculturalidade e Patrimônio Habitado".
O A' Design Awards — a principal competição internacional anual de design com júri do mundo — foi criado para promover e reconhecer os melhores trabalhos de design de todos os países e em todas as disciplinas criativas. A premiação conta com 100 categorias principais, incluindo Design de Arquitetura, Edificações e Estruturas, Design de Interiores e Exposições e Design de Mobiliário, além de outras relacionadas às áreas de Iluminação, Paisagismo, Materiais de Construção, entre muitas outras. A edição deste ano já está com inscrições abertas; profissionais de design podem inscrever seus projetos aqui.
Entre todas as tendências inusitadas de design de interiores residencial que estão voltando com força, o poço de conversa — ou espaço de conversa rebaixado — é talvez uma das mais inesperadas. Esse famoso elemento dos anos 1970, simultaneamente retrô e moderno, oferece um refúgio acolhedor na residência, totalmente livre das distrações da televisão e do cinema. Longe de ser um local para se conectar a dispositivos eletrônicos, trata-se de uma ampla área projetada para que as pessoas se sentem e conversem de verdade — um espaço de que, talvez, todos nós precisemos atualmente.
Trampoline Bridge / AZC Architects. Imagem Cortesia de AZC Architects
As cidades humanas giram em torno das relações entre pessoas e lugares. As comunidades prosperam com recursos compartilhados, espaços públicos e uma visão coletiva para sua localidade. Para nutrir cidades felizes e saudáveis, arquitetos e o público em geral aplicam métodos de placemaking ao ambiente urbano. Placemaking - a criação de lugares significativos - depende fortemente da participação comunitária para produzir efetivamente espaços públicos atraentes.
A arquitetura molda nossas vidas todos os dias, mas como ela pode ser descentralizada? No centro dos esforços para projetar ambientes de realidade estendida (XR) está o desejo de tornar esses projetos mais humanos e mais relacionáveis. À medida que tecnólogos, arquitetos e os próprios usuários desenvolvem novas ferramentas para o metaverso, bem como espaços aumentados e virtuais, novos projetos são cada vez mais democratizados e de código aberto. Ao mesmo tempo, o processo de design está sendo reimaginado.
A arquitetura é criada para as pessoas, mas como se projeta além da escala humana? Com o interesse pela biodiversidade e habitats de animais em alta, acelerado pela crise climática, há também a questão do abrigo e o que significa projetar espaços de interação e reabilitação. À medida que o olhar dos arquitetos vai além das estruturas para as pessoas, sua atenção é voltada para diferentes tipos de recintos e espaços abertos que repensam o envolvimento com os animais e seu bem-estar.
Colagem: Kevin Fu Fang, Cristobal Palma, Eduardo Hirose, Renzo Rebagliati, Iván Salinero
O mundo da gastronomia não envolve apenas a comida; o espaço desempenha um papel fundamental na experiência culinária dos participantes. Nesse sentido, a arquitetura vai além da funcionalidade, gerando atmosferas com um controle minucioso da luz, da acústica, das cores, das texturas e das formas, proporcionando privacidade e conforto aos comensais.
A cidade de Lima, capital do Peru — país gastronômico por excelência —, reúne uma variedade de restaurantes e cafeterias que refletem a diversidade peruana. A seguir, apresentamos uma lista com 10 restaurantes e cafeterias que proporcionam diferentes experiências culinárias na cidade.
99+Imaginaris foi um convite a renomados/as arquitetos/as de diversas partes do mundo para especular sobre o futuro de Barcelona. No contexto do Festival Model, os/as curadores/as Eva Franch i Gilabert e Josep Maria Montaner, juntamente com o projeto, coordenação e montagem expográfica da Fundación Enric Miralles, deram origem a uma ampla série de esboços, ideias, visões e modelos: de uma Barcelona comestível de Areti Markopoulou a uma Barcelona com pontos de inflexão de Zaida Muxí.
O catálogo da exposição resultante é um arquivo diverso de manifestos desenhados — um documento que nos permite analisar e debater sobre os próximos modos possíveis de habitar a cidade. Apresentamos a seguir o texto curatorial de 99+Imaginaris, junto a cada uma das visões dos/as autores/as.
Para mais um episódio da série sobre Habitação de Interesse Social (HIS), o Arquicast selecionou um recorte importantíssimo da nossa história recente: o Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). São discutidas as bases e os fundamentos do chamado déficit habitacional, os avanços do programa e suas mazelas.
Cortesia de Saint-Gobain's Architecture Student Contest
A 17ª edição do "Architecture Student Contest” chegou ao fim, com a participação de mais de 220 universidades de 32 países. Neste ano, o desafio era transformar um distrito em Varsóvia, Polonia, com o objetivo de revitalizar uma área localizada ao lado da Estação Ferroviária de Warszawa Wschodnia, trabalhando simultaneamente no desempenho, bem como nos aspectos arquitetônicos, ambientais e sociais. Isso envolveu o design de uma nova moradia de estudantes e novas habitações, além de um centro de reuniões e entretenimento em um antigo prédio industrial que foi classificado como patrimônio histórico da cidade. O objetivo do concurso é desenvolver um projeto com impacto positivo para seus usuários e no planeta, com baixas emissões de carbono durante todo o seu ciclo de vida.
Os escritórios Gênesi e EVO Arquitetos foram premiados com o terceiro lugar no concurso nacional Iconicidades, promovido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul e lançado em abril deste ano. A iniciativa buscava selecionar as melhores propostas de transformação de espaços públicos em locais de estímulo à economia criativa nas cidades de Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, Cachoeirinha e São Leopoldo.
https://www.archdaily.com.br/pt/986972/genesi-e-evo-arquitetos-sao-premiados-no-concurso-de-requalificacao-da-casa-da-feitoria-e-museu-do-imigrante-em-sao-leopoldoArchDaily Team
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast explícito sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais de áreas criativas em conversas espontâneas que dão espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou reflexões informais sobre o cotidiano e o design. O Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina recebem o arquiteto Tom Kundig, sócio e diretor de design da Olson Kundig, para conversar sobre sua infância cercada por artistas e arquitetos/as; montanhismo, esqui e uma experiência de quase morte; sua filosofia e visão positiva de vida; a prática profissional e a parceria com Jim Olson; processos arquitetônicos, ferramentas e sua experiência com a materialidade; a abertura de um escritório em Nova York e muito mais.
Hoje em dia está cada vez mais fácil notar a presença da tecnologia nas grandes cidades devido à velocidade em que nos movemos e ao capital. “Smart Cities” ou “Cidades Inteligentes”, é um termo popular para descrever a relação do planejamento urbano e tecnologia, cujo eixo norteador é a informação em prol da conectividade dos edifícios. Entretanto, a acessibilidade a essas novas tecnologias, revelou como é possível, a partir de nossas experiências únicas como cidadãos, acompanhadas de uma grande preocupação com o registro dos ambientes urbanos, mapear e vivenciar as cidades a partir de outras perspectivas.