No último dia 19 de outubro, foi inaugurada em Nova York a exposição 'In Praise of Caves: Organic Architecture Projects from Mexico, de Carlos Lazo, Mathias Goeritz, Juan O\'Gorman e Javier Senosiain', que ocupa diversas galerias no primeiro andar do Museo Noguchi. O espaço – concebido pela Fundação Isamu Noguchi e Garden Museum, fundado em 1985 pelo artista que desafia categorizações, Isamu Noguchi – reúne uma seleção de projetos desses quatro artistas-arquitetos que exploram a adaptação de estruturas naturais à vida moderna, os benefícios práticos e ambientais de habitar o subsolo e como a humanidade poderia se reconectar com a felicidade essencial de viver em harmonia com a natureza.
Pensar o layout, rever questões estruturais. Projetar um apartamento requer o diálogo com uma construção prévia que podem desafiar arquitetos e designers. Trazer amplitude para pequenas áreas, levar iluminação para ambientes menos favorecidos, trazer características ímpares para uma planta tipo replicada em inúmeros pavimentos. Enfim, planejar uma residência é o tema que sempre orbitará a profissão - e se destacar no assunto nem sempre é fácil -, por isso, e para levantar distintas referências, apresentamos os apartamentos brasileiros que mais foram visitados pelo público no ArchDaily Brasil em 2022.
Em toda a Europa, cada vez mais empresas estão investindo em renovação e revitalização de espaços. Redes hoteleiras buscam, de forma crescente, soluções criativas de design para desenvolver propostas mais originais e exclusivas. Aeroportos e estações de trem estão contratando especialistas em experiência do passageiro para criar soluções de design mais centradas no ser humano. Empresas estão reduzindo seus escritórios físicos, ao mesmo tempo em que buscam formas de aprimorar a cultura do trabalho remoto. Profissionais, por sua vez, priorizam trabalhos com propósito, equipes menores e oportunidades para colaborar, mentorar, desenvolver habilidades e buscar inspiração.
À medida que a linha entre o mundo físico e o digital se torna cada vez mais tênue, a perspectiva de interagir em espaços virtuais, como o Metaverso, consolida-se rapidamente como realidade.
The Lofts of La Baume / Serge Botello, C + B Architect. Image Cortesia de Fundermax
Para tentar explicar a passagem do tempo, os gregos contavam com dois deuses: Cronos e Kairós. Enquanto o primeiro é representado como impiedoso tal qual um relógio que nunca para, Kairós evocava a um momento adequado ou oportuno para uma ação. Ou seja, enquanto Cronos é quantitativo, Kairós tem uma natureza qualitativa e permanente. De fato, a relação da humanidade com a passagem do tempo nem sempre é amigável.
Com as edificações não é diferente. John Ruskin, em seu seminal The Seven Lamps of Architecture (1849), dizia que somente edificações em ruínas preservariam nossas percepções passadas e, simultaneamente, nos permitiriam enfrentar nosso estado de mortalidade. Nesse sentido, as manchas de tempo e escombros eram testemunhas cruciais para demonstrar o envelhecimento na arquitetura, que, em sua concepção, atingiam uma estética entre o sublime e o pitoresco. Ainda que esta seja uma opinião um tanto contraditória, a ideia de considerar como uma edificação irá perdurar no tempo vem ganhando mais atenção. É sabido que alguns materiais envelhecem melhor que outros: enquanto uma parede branca rebocada rapidamente apresenta trincas e manchas, um muro de pedra parece melhorar com os anos, se fundindo com o seu entorno, por exemplo. O tempo traz matizes novas, conta a história do que passou e dá autenticidade às superfícies.
Annabelle Tan (Bartlett School of Architecture, UCL) por 'Past, Present and Post-Tropicality: Viewing Singapore through an ‘Infra(-)structural’ Field'. Imagem cortesia de RIBA 2022 President’s Medals
O Royal Institute of British Architects (RIBA) acaba de anunciar os projetos vencedores do 2022 President’s Medals, destacando os melhores trabalhos acadêmicos de arquitetura do mundo. Em sua 186ª edição, a premiação mais antiga do RIBA registrou um recorde histórico de inscrições, recebendo 347 propostas indicadas por 100 escolas de arquitetura de 27 países.
No ciclo de 2022, a RIBA Silver Medal (Medalha de Prata), concedida ao melhor projeto de design desenvolvido na Etapa 2 do RIBA (Part 2) ou equivalente, foi entregue a Annabelle Tan, da The Bartlett School of Architecture, UCL, pelo projeto A Journey through Past, Present, and Post-Tropicality, que também recebeu a RIBA Dissertation Medal (Medalha de Dissertação). Já a RIBA Bronze Medal (Medalha de Bronze), destinada ao melhor projeto de design da Etapa 1 do RIBA (Part 1) ou equivalente, foi para Mary Holmes, da Universidade de Cambridge, pelo projeto Out of the Closet, Into the Garden.
Impulsionado em grande parte pela migração rural para as cidades e pelo crescimento populacional geral, 68% das pessoas em todo o mundo viverão em áreas urbanas até 2050. Com isso, grande parte da população se beneficiará de um maior acesso a serviços básicos, da proximidade com o transporte público e de melhores oportunidades de educação e emprego. No entanto, a busca por uma vida urbana também leva ao isolamento do ambiente externo — seja uma floresta, um campo ou as montanhas —, o que pode impactar negativamente nossa saúde física e mental. Há muito se comprovou que a exposição à natureza reduz os níveis de estresse, melhora o humor, estimula a produtividade e, acima de tudo, potencializa o bem-estar. Portanto, considerando que costumamos passar cerca de 93% do nosso tempo em espaços fechados (e que a pandemia ampliou essa estatística), hoje, mais do que nunca, buscamos uma conexão com o exterior e todos os seus benefícios inerentes. Assim, os/as arquitetos/as enfrentam o importante desafio de trazer a natureza para o interior, que é justamente onde o design biofílico entra em cena.
O arquiteto Daniel Libeskind revelou planos para transformar a torre Boerentoren, localizada no centro de Antuérpia, na Bélgica, em um novo centro cultural público. A torre Art Déco será ampliada para abrigar espaços de exposição, uma plataforma de observação panorâmica, um jardim de esculturas na cobertura e novos restaurantes e bares. Segundo o arquiteto, as características originais do edifício histórico serão preservadas, ao mesmo tempo em que o seu estatuto de marco será reforçado com a intervenção. Se os planos forem aprovados pelas autoridades patrimoniais e urbanísticas e pelos bombeiros, o edifício deverá ser inaugurado em 2028.
O Buffalo AKG Art Museum (anteriormente conhecido como Albright-Knox Art Gallery) anunciou que receberá seus primeiros visitantes em 25 de maio de 2023. Renovado e ampliado, o novo campus projetado por OMA/Shohei Shigematsu em colaboração com Cooper Robertson apresenta um “edifício completamente novo e uma extensa renovação dos blocos existentes”.
Uma das mais importantes descobertas da humanidade, o vidro é usado pelo homem há cerca de 75 mil anos – originalmente empregado como ferramenta de corte. Os primeiros registros de fabricação do vidro, porém, datam da civilização Egípcia e Mesopotâmica. Desde então, o domínio da técnica da fabricação foi se desenvolvendo em diferentes civilizações e nações, até que a Revolução Industrial popularizou o material e permitiu sua produção em larga escala. Na arquitetura, o vidro começa a aparecer como elemento de vedação em meados de 100 d.C. e é até hoje largamente utilizado.
Proposta vencedora do Pavilhão do Brasil na Expo Osaka 2025. Autoria Studio MK27 e Magnetoscópio. Image Cortesia de Apex Brasil
O projeto liderado pelo arquiteto Marcio Kogan, de São Paulo, foi o vencedor do concurso para o Pavilhão Brasil na próxima Exposição Universal, a Expo Osaka 2025, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil). O projeto é assinado pelos profissionais dos escritórios MK27 e Magnetoscópio, que além de Kogan, tem os arquitetos Renata Furlanetto e Marcello Dantas como autores.
https://www.archdaily.com.br/pt/993308/studio-mk27-e-magnetoscopio-vencem-concurso-para-o-pavilhao-brasil-na-expo-osaka-2025ArchDaily Team
Áustria – Projetado por Büro Wagner – Fabricado por Bau- und Möbelschreinerei Leutenbauer / Fotografia de Florian Holzherr . Imagem
Este ano trouxe mais uma rodada de projetos impressionantes inscritos no FritsJurgens Best Pivot Doors 2022, reunindo uma quantidade surpreendente de portas pivotantes de alto padrão — abrangendo portas internas e externas, divisórias móveis, passagens ocultas e muito mais. Após um período de deliberação, o júri tomou sua decisão: confira a seguir os vencedores do FritsJurgens Best Pivot Doors de 2022.
Pode-se dizer que a qualidade do ar no interior dos ambientes nunca recebeu a atenção devida na história. Enquanto a poluição atmosférica é considerada uma ameaça desde a época de Hipócrates, em 400 aC, tornando-se uma preocupação real com a industrialização na Revolução Industrial, pouco é falado sobre como estão as condições de conforto nos ambientes internos. Essa é uma questão cada vez mais grave visto que a humanidade tem passado cerca de 90% de seu tempo em ambientes internos e a qualidade desses espaços interfere diretamente no bem-estar e na saúde a longo prazo. Na verdade, a qualidade ambiental interna (IEQ, do inglês Indoor Environmental Quality) abrange bem mais que a poluição interna. Refere-se a um equilíbrio entre a qualidade do ar, da acústica, da iluminação, temperatura, e outros fatores que contribuirão para um ambiente agradável e, acima de tudo, saudável aos seus ocupantes. A empresa Armstrong, sob o mote “todo espaço pode ser um espaço saudável”, tem desenvolvido soluções para contribuir com a melhoria de espaços que passamos mais tempo, como edifícios educacionais, de saúde, escritórios e residências.
Com a urbanização desenfreada das cidades, os animais que originalmente chamavam esses ambientes de lar foram deslocados e forçados a encontrar outros meios de refúgio.
Os pássaros talvez sejam uma das espécies mais atingidas pelo crescimento urbano já que são atraídos durante o vôo por estímulos como iluminação e correntes de ar que podem ser transformadas dependendo de como se deu o processo construtivo e de organização territorial de uma cidade.
Penthouse Tuymans - Arocha. Imagem cortesia de Glenn Sestig
Seja um edifício de apartamentos, uma casa, uma fachada comercial, o interior de um escritório ou um restaurante, a arquitetura de Glenn Sestig revela-se consistentemente em fragmentos organizados de uma geometria robusta e determinadamente monumental que tende a evocar qualidades urbanas. Suas fachadas austeras, colunatas, patamares de escadas e até mesmo balcões de recepção e prateleiras de exposição parecem bastante robustos e substanciais. De fato, cada projeto, seja uma pequena boutique ou galeria, começa com um planejamento rigoroso – eixos visuais primários e secundários são estabelecidos, o fluxo de circulação é traçado e os principais pontos de ancoragem são identificados antes que o/a arquiteto/a passe a abordar os materiais, superfícies e detalhes apropriados. Cada espaço é, antes de tudo, arquitetura; seu programa e aparência se adaptarão a ele.
O escritório de arquitetura Herzog & de Meuron divulgou seu projeto de intervenção na estação Liverpool Street, em Londres. A proposta inclui “atualizações vitais” destinadas a transformar a estação da era vitoriana em um centro de transporte totalmente acessível e adequado para acomodar as 135 milhões de pessoas que usam o equipamento todos os anos.
A proposta também inclui a construção de 84 mil metros quadrados de escritórios e um hotel de mais de 17 mil metros quadrados em duas novas estruturas, de 10 e 6 pavimentos, respectivamente. Essas intervenções atraíram críticas de grupos conservacionistas e, no momento, a proposta está em sua primeira rodada de consulta pública. O projeto é supervisionado pela Stellar, que trabalha junto a MTR, a operadora de serviços de transporte ferroviário e a Network Rail.
O Airbnb é uma forma confiável de encontrar uma estadia. Desde sua criação em 2008, o site já cadastrou mais de 7 milhões de residências ao redor do mundo, onde os viajantes podem ficar em um quarto, ou alugar uma casa inteira. Recentemente, muitas cidades têm reprimido estadias de curta duração, citando questões de segurança, listagens falsas e aumento dos preços dos imóveis, causando a saída das pessoas de suas casas quando a moradia é usada apenas para o aluguel do Airbnb. O que as cidades estão fazendo em relação a estas questões? O que o Airbnb está fazendo para ajudar a resolvê-los? O Airbnb será viável por muito mais tempo?
"Biodomos" nas montanhas dos Emirados Árabes buscam promover o ecoturismo. Cortesia de Baharash Architecture
A obsessão de Buckminster Fuller pelas formas geodésicas as colocaram na história da arquitetura. A aparência esférica e o complexo tramado estrutural ganharam diferentes apropriações e escalas ao longo dos anos, sendo uma das obras mais icônicas a Biosfera de Montreal, o pavilhão dos Estados Unidos para a Exposição Mundial de 1967, projetada pelo próprio arquiteto. Essas estruturas emergiram dos seus interesses na eficiência material, integridade estrutural e modularidade, aspectos que, já na década de 60, o arquiteto entendia como primordiais para o que se esperava de uma intervenção sustentável e facilmente replicável.
Já há algum tempo as coberturas se tornaram espaços de lazer, seja nos grandes edifícios luxuosos, seja nas casas da periferia. Essa condição, porém, não se limita aos nossos tempos. Variando seu uso e sua forma, diferentes culturas em diferentes momentos fizeram o uso das coberturas planas em sua arquitetura, residencial ou não.
Nos últimos anos, o termo “cocriação”, uma palavra da moda no setor de negócios e gestão, entrou no discurso da arquitetura e do planejamento urbano. O termo é usado para definir um conceito amplo que descreve o trabalho intencional para a criação de algo em conjunto. Mas a arquitetura já é o resultado de uma colaboração entre vários atores como arquitetos, clientes, investidores e governo local, para citar alguns. Dessa forma, poderia o termo ainda ser aplicado a este campo, trazendo novas formas de conhecimento que diferem do design participativo?
Fonte: captura de tela de "Os Anéis do Poder" (2022) - Amazon Prime Video
Na obra cinematográfica, a arquitetura escolhida e desenhada para compor a imagem pode se comunicar com o espectador de muitas formas. Edifícios e cidades podem informar a localidade através de monumentos conhecidos ou tipos de construções específicas para determinados climas, assim como pode indicar o recorte temporal através de estéticas construtivas. Obras de fantasia possibilitam um infinito campo de criação na composição de detalhes arquitetônicos e design de interiores.
É provável que você já tenha ouvido falar do uso de estruturas de bambu na construção de abrigos temporários em ações de ajuda humanitária pós-terremotos. No entanto, o uso desse material na execução de edifícios capazes de resistir a abalos sísmicos é, na verdade, uma técnica amplamente consolidada. Por que, então, tratamos o bambu apenas como uma solução temporária pós-desastre, em vez de utilizá-lo desde o início para salvar vidas? As estruturas de bambu são excelentes opções para habitações e abrigos em regiões propensas a terremotos, desde que sejam adequadamente projetadas, construídas e mantidas. De estruturas vernaculares antigas a edifícios contemporâneos, exemplos ao redor do mundo comprovam que esse material pode resistir a forças da natureza que frequentemente derrubam construções de concreto e alvenaria.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134363/diante-de-desastres-naturais-o-bambu-e-um-material-de-construcao-seguroLayane Al Madani
Espelhos, módulos, teclas - centenas de elementos individuais da JUNG passaram com sucesso pelo processo de certificação Cradle to Cradle. As séries LS 990, LS CUBE, AS 500, A 550, A FLOW, A CREATION da JUNG em branco agora possuem certificação Cradle to Cradle. Imagem cortesia de JUNG
Anualmente, apenas 13% dos resíduos gerados pela humanidade são reciclados, mas para onde vão os 87% restantes? A combinação de diferentes tipos de resíduos está preenchendo gradualmente os oceanos e aterros sanitários do planeta, causando um impacto negativo na fauna, no meio ambiente e na saúde humana. Entre as grandes quantidades de resíduos sólidos produzidos nas cidades desenvolvidas, os aparelhos eletrônicos descartados são um exemplo claro de como os materiais podem ser gerenciados de forma eficiente após o término de seu ciclo de vida. Compreender o comportamento desses materiais e recursos antes, durante e depois de sua vida útil tem norteado a busca por novas soluções, como a metodologia Cradle to Cradle (C2C).
O C2C propõe o desenvolvimento de produtos ou processos que funcionem como um sistema ecológico saudável, no qual os recursos são gerenciados de forma eficiente e cíclica. Ao aplicar essa metodologia a componentes elétricos, a JUNG desenvolveu estratégias de design circular para seus interruptores e tomadas mais utilizados em tecnologias prediais convencionais e inteligentes, permitindo que sejam desmontados e reutilizados quando o produto não estiver mais apto para o uso.
O lema do Solar Decathlon Europe 21/22 era converter e expandir em vez de demolir e reconstruir. A reciclagem de janelas, o uso de materiais biodegradáveis nas luminárias e a conexão da luz com sensores são apenas alguns exemplos inovadores da competição internacional de estudantes universitários em Wuppertal, na Alemanha. Pela primeira vez, o concurso apresentou um prémio de iluminação arquitetónica sustentável. Esta era uma questão de qualidade e de quantidade, e se aplica à luz do dia e à luz artificial.
Muito tem se falado sobre o poder da inteligência artificial e de como sua ascensão pode transformar a profissão de arquiteto. Esse tema já foi assunto de alguns artigos por aqui.
A principal ferramenta que tem assustado os especialista do mercado é o Dall-e, um software baseado em aprendizagem de máquina que gera imagens a partir das palavras que o usuário informa em um campo. Há outras com a mesma proposta, como o Midjourney e a Stable Diffusion.