Eduardo Souza

Editor Sênior de Brands & Materials no ArchDaily. Arquiteto e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Liberdade formal e customização em massa: desafios técnicos da impressão 3d

Ao examinarmos a tag 3d printing no ArchDaily é visível como essa tecnologia tem se desenvolvido rapidamente. Se nos primeiros anos observávamos o conceito como um futuro distante ou com exemplos em pequena escala, nestes últimos temos observado construções inteiras impressas e volumes cada vez mais complexos sendo produzidos. Desenvolvido através da leitura de um arquivo de computador, a manufatura aditiva com concreto - ou outro material construtivo - apresenta inúmeras dificuldades para proporcionar um processo eficiente e que possibilite que a técnica construtiva torne-se realmente massificada. O exemplo do pavilhão impresso pelo consórcio De Huizenprinters ilustra bem este processo.

Como funcionam as estruturas tensionadas e quais materiais podem ser usados?

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Voltemos à primeira aula de estrutura e a classificação dos esforços estruturais. Na maioria das estruturas, sejam elas naturais ou criadas pelo homem, primordialmente são as forças de compressão as que mais atuam. Tratam-se dos esforços empreendidos com cargas iguais e opostas, aplicadas na direção interna à superfície, tendendo a um encurtamento da peça em uma direção, ou comprimindo-a, como o nome diz. Não é difícil encontrar exemplos disso: por exemplo, uma parede de pedra ou um tronco de madeira resistem ao peso de uma cobertura através dos esforços internos de compressão, inerentes de cada material. Esforços de tração, por outro lado, tendem a alongar a peça no sentido da reta de ação da força aplicada. O aço é um material com boa resistência à tração, por exemplo. Ele é utilizado no concreto armado justamente nas partes onde a peça é tracionada. Mas também é possível que uma estrutura somente apresente peças tracionadas. É o caso das estruturas de membrana, tensionadas, ou tenso-estruturas, que consistem no uso de superfícies tracionadas por conta da ação de cabos ou cordas e cabe aos mastros absorverem os esforços de compressão.

Um pavilhão que une upcycling de materiais, fabricação automatizada e realidade virtual

A indústria da construção tem experienciado mudanças severas nas últimas décadas. Se antes era possível contar com mão-de-obra abundante e uma falsa noção de que os recursos naturais eram infinitos, hoje em dia o setor tem se esforçado a buscar inovações para tornar-se mais sustentável, sobretudo considerando o seu enorme impacto e importância no mundo. Além disso, a recente pandemia do COVID-19 alterou diversos contextos e dinâmicas e exigiu dos projetistas criatividade para superar os desafios. Isso pode abranger o próprio processo projetual que precisou ser revisto em alguns casos. O projeto S'Winter Station, desenvolvido por alunos e professores da Ryerson University’s Department of Architectural Science, é um destes exemplos, já que se amparou na tecnologia existente de visualização e fabricação para ser concretizado.

Reduzir o custo de uma edificação sem sacrificar a qualidade: a experiência de VAGA

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Desde os primeiros rabiscos de um projeto, é imprescindível que as restrições estejam bem definidas. Isso guiará o projeto, tornando-o mais adequado ao local, às possibilidades dos proprietários e às condicionantes locais. Dentre as restrições mais comuns, reduzir o custo da obra talvez seja a mais comum. Conversamos com a equipe do VAGA, escritório sediado em São Paulo, sobre os desafios e as possibilidades que trabalhar em obras com orçamentos apertados impõem:

Durabilidade e Sustentabilidade podem ser sinônimos: o exemplo dos tijolos

É crucial considerar o impacto ambiental futuro de tudo o que criamos. As mudanças climáticas continuam no topo da agenda global e todos os setores devem participar da meta de alcançar o Net Zero, ou neutralidade em carbono. Uma das indústrias mais desafiadoras diz respeito à construção, que desempenha um papel vital no processo de descarbonização e enfrenta constantemente desafios para se tornar mais verde. Portanto, exige técnicas inovadoras e desenvolvimento de dados para encontrar processos novos e sustentáveis. Uma solução é introduzir e projetar materiais mais limpos e eficientes. Os tijolos são um bom exemplo, pois podem ser usados na construção civil para garantir um processo circular e minimizar as emissões de carbono, sendo um material extremamente durável que pode ser produzido com técnicas mais sustentáveis.

Uma tinta para paredes que previne a proliferação de vírus e bactérias

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O que antes estava restrito a ambientes hospitalares ou laboratórios de alto controle tornou-se uma preocupação para a maioria de nós, especialmente considerando que passamos cada vez mais tempo em espaços internos. Com a detecção de novos surtos da variante Delta da Covid-19 em diversos estados, que chegaram a elevar a curva epidêmica em 9%, as famílias continuam buscando proteção e os recursos necessários para cuidar de seus ambientes, garantindo a segurança sanitária contra a exposição constante a infecções, vírus e bactérias que representam fatores de risco. 

Design de Interiores na Educação: O Papel da Luz Natural em Jardins de Infância

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O ambiente em que vivemos influencia a forma como nos sentimos — algo que todos nós já vivenciamos. Para estudantes, é mais fácil estudar em um local iluminado; artistas buscam atmosferas inspiradoras; e o nosso humor pode melhorar com a paleta de cores certa. Esses aspectos também são fundamentais para creches, jardins de infância e escolas, já que um design voltado para as crianças pode estimular a curiosidade e a imaginação de forma lúdica. O design de um espaço apoia o aprendizado e a criatividade infantil. Sistemas de iluminação natural, por exemplo, inundam os ambientes de luz, fazendo com que pareçam mais amplos e acolhedores.

Telhados de sapê: história, desempenho e possibilidades na arquitetura

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À primeira vista, o projeto de Dorte Mandrup para o Wadden Sea Centre parece se mimetizar à paisagem. Sua altura baixa, suas linhas horizontais e, principalmente, sua materialidade torna-o um edifício moderno em perfeita harmonia com a natureza local. Mas sua conexão também abrange o patrimônio construído da região, mais especificamente por conta de seu revestimento com palha, colhida e seca próximo ao terreno. Trata-se de uma técnica construtiva extremamente tradicional e histórica, mas que é pouco atribuída a edificações contemporâneas. Neste artigo resgataremos um pouco da história deste material natural, suas características construtivas e alguns exemplos de uso.

Projetando edifícios virtuosos: 6 projetos que combinam sustentabilidade e desempenho

As vestimentas utilizadas pelos povos nômades no deserto (beduínos, berberes, tuaregues, entre outros) são geralmente escuras, compridas e de tecido pesado. Ao contrário do senso comum, que recomendaria roupas leves, claras e curtas para um clima quente, as roupas pesadas e soltas do corpo favorecem a convecção, criando um fluxo de ar constante junto ao corpo, conferindo um conforto térmico no clima árido. Para edificações a analogia funciona. Ao abordarmos eficiência energética e desempenho dos projetos, inevitavelmente falaremos da sua envoltória, entre outros aspectos do projeto. Nem sempre uma solução exitosa em um local será eficiente em outro. 

Durante os últimos 2 anos, temos criado uma série de artigos sobre bem-estar e sustentabilidade focados na indústria da construção. Mas de que forma os projetos, conforme suas demandas e contexto, aplicam as soluções para torná-los, de fato, eficientes e de bom desempenho?

Cinco décadas do SCI-Arc celebradas com um ano de programação pública

O SCI-Arc (Southern California Institute of Architecture) foi fundado em 1972 com base no conceito de uma "faculdade sem paredes". Seu nome original era New School, simbolizando uma mudança de paradigma no ensino de arquitetura, com foco em uma relação horizontal entre docentes e estudantes e na experimentação, tornando a instituição uma das poucas escolas de arquitetura independentes do mundo. Em 2022, a instituição completa 50 anos e planejou um calendário repleto de eventos e projetos que acontecerão ao longo do ano.

Francis Kéré: "Eu desenho em papel, mas prefiro desenhar no solo"

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Essa frase chamou a atenção durante a palestra de Diébédo Francis Kéré no AAICO (Architecture and Art International Congress), que ocorreu no Porto, em Portugal, entre 3 e 8 de setembro. Após ser introduzido por ninguém menos que Eduardo Souto de Moura, Kéré iniciou sua fala com a simplicidade e humildade que pautam seu trabalho. Suas obras mais conhecidas foram construídas em locais bastante remotos, onde materiais são escassos e a força de trabalho é dos próprios moradores, utilizando os recursos e técnicas locais.

A importância dos detalhes na arquitetura: entrevista com Building Science Fight Club

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É difícil mensurar, observando uma edificação concluída, a quantidade de trabalho, recursos e conhecimentos que ali foram depositados. Todas as decisões tomadas influenciam de alguma forma o desempenho da edificação e sua durabilidade. Quanto aos detalhes de execução, nem todos os arquitetos permitem a divulgação das suas soluções construtivas. Há profissionais, no entanto, que vão na contramão e se concentram na disseminação do conhecimento, identificando decisões comuns de projeto que podem levar a patologias (como vazamentos, podridão, corrosão, mofo e odores) e formas mais econômicas de evitá-las. Essa é a ideia por trás do Building Science Fight Club, um perfil do Instagram que tem como objetivo explicar algumas questões e analisar criticamente alguns detalhes construtivos e formas de instalação de materiais. Conversamos com Christine Williamson, criadora da plataforma, sobre sua jornada. Veja a entrevista completa abaixo:

Usando o BIM para construir edifícios de madeira engenheirada com baixo teor de carbono

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No projeto original para a Ópera de Sydney, Jørn Utzon imaginou as conchas suportadas por nervuras de concreto pré-moldado sob uma estrutura de concreto armado, o que se revelou proibitivamente caro. Sendo um dos primeiros projetos a utilizar cálculos computacionais, a solução final atingida em conjunto entre o arquiteto e o engenheiro estrutural consistiu em um sistema nervurado pré-moldado de cascas de concreto criadas a partir de seções de uma esfera. Já no Museu Guggenheim de Bilbao, a equipe de projeto utilizou o software CATIA - utilizado principalmente pela indústria aeroespacial - para conseguir modelar e materializar as complexas formas curvilíneas do volume revestido em titânio projetado por Frank Gehry. Projetos desafiadores tendem a suscitar a criatividade dos envolvidos para torná-los possíveis. Mas há sistemas construtivos que interagem bem com as tecnologias existentes. É o caso, por exemplo, da madeira engenheirada e do sistema BIM. Ao serem utilizados simultaneamente, costumam atingir projetos altamente eficientes e sustentáveis.

Quais materiais de construção podem ser prejudiciais à nossa saúde?

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Em cada uma das nossas narinas dois tipos de nervos assumem uma função imprescindível à nossa saúde. Os nervos olfativos e trigêmeos captam os odores e enviam informações ao cérebro, mais especificamente ao bulbo olfativo, para interpretação. Por sua vez, este se comunica com o córtex, responsável pela percepção consciente dos odores, mas também com o sistema límbico, que controla o humor e as emoções inconscientes. Esta é uma defesa do corpo quanto a maus cheiros ou odores irritantes ou fortes demais, criando aversão aos que poderiam nos prejudicar de alguma forma.

Mas nem todos os poluentes podem ser detectados neste sistema sofisticado e estes possuem uma capacidade intrínseca de influenciar positiva ou negativamente nossa saúde. De fato, pesquisas têm demonstrado que a qualidade do ar pode ser bastante pobre e até preocupante em muitos ambientes fechados, onde passamos cerca de 90% da nossa vida. Geralmente isso é causado por uma ventilação inadequada do espaço, poluição externa, contaminantes biológicos mas, principalmente, contaminantes químicos de fontes internas. Ou seja, dos materiais de construção utilizados no espaço. Há alguns produtos que devem ser evitados, sempre que possível.

Dando um lar à natureza nas cidades: tijolos para ninhos de abelhas

A relação da humanidade com os insetos é antiga e complexa. Enquanto eles podem disseminar doenças e arrasar plantações, também são vitais para nossa sobrevivência no Planeta Terra, como polinizadores e recicladores. Edward Osborne Wilson, importante biólogo norte-americano, afirmou, em um de seus artigos, que “se os insetos desaparecessem, quase todas as plantas com flores e as teias alimentares que elas sustentam desapareceriam. Essa perda, por sua vez, causaria a extinção de répteis, anfíbios, aves e mamíferos: na verdade, quase toda a vida animal terrestre. O desaparecimento de insetos também acabaria com a rápida decomposição da matéria orgânica e, assim, interromperia a ciclagem de nutrientes. Os humanos seriam incapazes de sobreviver.”

Sobretudo com as abelhas a opinião pública tem mudado nos últimos anos e sua importância para a produção de alimentos tem acendido alertas sobre o uso indiscriminado de venenos e agrotóxicos pelo mundo. Mas diferente da natureza, com meandros e inúmeras possibilidades de locais para repouso, nossas cidades e edifícios modernos geralmente não criam bons locais para receber os insetos, e mesmo pássaros ou outros animais. A empresa inglesa Green&Blue tem trabalhado nisso e criado refúgios para incorporar a natureza às nossas edificações. Conversamos com eles para entender sobre estes produtos.

Readaptando a configuração e o uso dos espaços com um sistema de construção leve

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A partir da pandemia iniciada em 2019, muitas organizações optaram por uma nova metodologia de trabalho desenvolvida de forma remota, visando proteger contra o contágio o maior número possível de seus colaboradores e colaboradoras. O teletrabalho ou “Home Office” tem mostrado uma alta porcentagem de eficácia, pois estima-se que a produtividade de funcionários e funcionárias subiu até 45%. Por essa razão, concluiu-se que, em nível mundial, quase 64% das empresas consideram muito viável que grande parte de sua equipe continue trabalhando remotamente, enquanto outros 30% planejam implementar este sistema de trabalho no curto prazo.

Tudo isso significa que as pessoas agora necessitam de um novo espaço em seus lares, o qual deve ser inteiramente destinado ao cumprimento de suas atividades profissionais, tendo como principal requisito a ausência de elementos de distração. Paralelamente, a economia de tempo gerada pelo “Home Office” (evitando o deslocamento até o escritório), bem como o crescimento acelerado das plataformas de negócios digitais, motivou muitas pessoas a empreender ou a monetizar seus hobbies. Isso também significa destinar outro espaço em suas residências para o desenvolvimento e/ou administração de tais projetos de negócios.

6 Lições do design escandinavo para interiores

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É curioso pensar como uma região geográfica tão pequena tenha uma influência tão marcante no design, desde o meio do século XX e continuando em voga por todo o mundo atualmente. O design escandinavo é conhecido por unir simplicidade, craftsmanship, elegant functionality e quality materials. A sofisticação fica a cargo dos detalhes e seus mobiliários caracterizam-se pelas dimensões bem estudadas, economia de materiais e o não excesso de informações. De fato, há inclusive um termo dinamarquês e sueco que define a filosofia: “hygge” diz respeito ao aconchego que proporciona a sensação de bem-estar e contentamento. Mas de que forma podemos incorporar algumas lições do design escandinavo para que nossos projetos de interiores possam tornar-se mais aconchegantes e confortáveis?

Como deverão ser as fachadas com as mudanças climáticas?

Como deverão ser as fachadas com as mudanças climáticas? - Imagem de Destaque
House with Gable / mia2/Architektur. Image © Kurt Hörbst

Ao falarmos de eficiência energética de edificações, é inevitável mencionarmos o isolamento térmico. Dificilmente vemos ele numa edificação acabada e, mesmo nos desenhos técnicos, a camada isolante figura como uma hachura fina. Mas trata-se de um elemento que exerce vital importância, já que atua como uma barreira ao fluxo de calor, dificultando as trocas de energia entre o interior e o exterior, diminuindo a quantidade de calor que escapa no inverno e a energia térmica que entra no verão. Em uma edificação com bom isolamento térmico há menor necessidade de meios mecânicos e gasto de energia para manter a casa em uma temperatura agradável, reduzindo também a sua pegada de carbono. Atualmente há muitos países que exigem um nível mínimo de isolamento térmico para as edificações, com parâmetros cada vez mais rígidos. Mas como essa questão deverá ser tratada num futuro próximo, com uma previsão nada animadora em relação à crise climática?