Camilla Ghisleni

Camilla Ghisleni é Arquiteta e Urbanista, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e Mestre em Urbanismo, Cultura e História da Cidade pela mesma universidade. É sócia-fundadora do escritório Bloco B Arquitetura e colabora com o ArchDaily Brasil desde 2014.

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Cidades policêntricas: um velho novo conceito como futuro urbano pós-pandemia

O ano de 2020 trouxe consigo um turbilhão de desafios, colocando em xeque muitos aspectos da vida cotidiana. Marcados pela pandemia todos nós precisamos, de alguma forma, nos reinventar para resistir a esse momento único. Com a cidade, não foi diferente. A Covid-19, assim como outras doenças infecciosas (peste negra, gripe espanhola, etc.) escancarou a relação entre a sua proliferação e a urbanização. Uma análise fácil de ser feita quando os dados mostram que a propagação do vírus tem sido muito maior em grandes centros urbanos.

Nesse sentido, a crise sanitária tem trazido à tona discussões sobre o modelo de urbanização ao qual nossas cidades são submetidas, um modelo de aglomerações dispersas que prioriza a mobilidade através de veículos automotores. Wilson Ribeiro dos Santos, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, em artigo elaborado em parceria com Sidney Piocchi Bernardini e Gabriela Celani, afirma que esse modelo de urbanização no qual o comércio e os serviços se concentram no centro da cidade, enquanto áreas estritamente residenciais e os condomínios fechados se situam na periferia, acabou acelerando a dispersão do vírus, pois pessoas de todas as partes da cidade precisam circular diariamente pelo mesmo local, onde trabalham, estudam, vão ao médico, fazem compras etc.

Grelhas estruturais em casas brasileiras: ordem e eficiência

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O tramado ortogonal é a manifestação de um princípio de ordem, condição reforçada pela repetição de elementos que expressam a racionalidade construtiva incorporada a um sistema estético. Há também a liberdade enaltecida pela desvinculação entre estrutura e paredes que, aliada à eficiência pragmática, faz com que as grelhas estruturais se mantenham presentes nas construções de diferentes escalas no Brasil e no mundo.

Em uma linguagem técnica, as grelhas são compostas por estruturas lineares, no caso vigas, situadas em um mesmo plano por meio do qual formam uma malha capaz de resistir a cargas estruturais. Geralmente, são vistas com espaçamentos regulares cruzados em ângulos retos que variam em dimensões conforme o material utilizado.

Ko Panyi: uma aldeia flutuando no mar tailandês

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Quando se fala em cidade ou suas variações menores, – aldeia, vila, comunidade – somos habituados a evocar cenários estereotipados que correspondem a ruas, carros, construções e, muitas vezes, acabamos esquecendo que sempre podemos nos surpreender com outras formas dotadas de originalidade.

Muito se especula sobre momento exato no qual as cidades foram inventadas, sendo obras abertas, inacabadas e objeto dos mais variados estudos desde então. Há quem pressupõe que sua natureza se deu pela necessidade de proteção, o que fez com que o homem deixasse a vida nômade e se agrupasse em um determinado território a fim de aumentar suas chances de sobrevivência.  

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Assentamentos informais em 7 cidades vistas de cima

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Segundo relatório da ONU-Habitat, em 2013 aproximadamente um bilhão de pessoas viviam em assentamentos informais e a expectativa é que esse número duplique até 2030. Vistos como resultado de falhas políticas – nacionais e urbanas –, leis e sistemas de provisão habitacional, os assentamentos informais não podem ser entendidos apenas como uma manifestação da explosão demográfica e globalização.

O que é Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável – DOTS ?

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Diante da urgência climática a qual estamos vivenciando hoje, nosso modelo de cidade ditado pelo crescimento acelerado e desordenado que favorece a segregação social e impacta negativamente o meio ambiente precisa ser substituído.

Em meio a este cenário, o conceito DOTS, Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável, surge para romper com os padrões de planejamento territorial vigentes. Como o próprio nome diz, o DOTS propõe estratégias de atuação que integram o desenho urbano e o planejamento de transportes e mobilidade podendo ser concretizadas por meio de políticas públicas ou de projetos urbanísticos.

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O ensino livre de arquitetura no Brasil: da teoria à prática

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O primeiro curso de arquitetura no Brasil foi criado há mais de 200 anos como parte da “Missão Francesa” de 1816. A Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios do Rio de Janeiro ofereceu o único curso do país por mais de cinquenta anos e era uma instituição orientada para o ensino da elite brasileira, sem finalidade de pesquisa, e que formava um “arquiteto-artista, à serviço da corte”.

Segundo a arquiteta e pesquisadora Sônia Marques, as exigências para ingresso na Escola Real eram “saber ler, escrever e contar” e o currículo do curso de arquitetura era composto por disciplinas como: desenho de ornatos; escultura de ornatos; arqueologia e matemática aplicada; perspectiva e sombras; estereotomia (técnica para corte de materiais de construção); entre outras. Sua base visava corresponder às necessidades de uma clientela consumidora de bens simbólicos, desenvolvida e fomentada principalmente pela recente presença da corte portuguesa no Brasil. [1]

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O que é permacultura e como ela se aplica à arquitetura?

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Cuidar da terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro. Estes são os três princípios éticos que orientam a prática da permacultura desde a elaboração do termo, no final da década de 70, pelos ecologistas australianos David Holmgren e Bill Mollison. Esta foi uma época em que o movimento ambientalista ganhou bastante força com o surgimento de diferentes entidades e correntes unidas em uma tentativa de frear a destruição dos recursos naturais do planeta.

Seus três princípios básicos representam a preocupação e cuidado com os recursos naturais, a busca por uma vida social em harmonia com a natureza e criação de sistemas de compartilhamento do uso de recursos naturais.

O que é arquitetura biomimética?

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Em 1941, o engenheiro suíço George de Mestral, acompanhado de seu cão, fazia uma das suas caminhadas recorrentes pelos Alpes quando observou que as sementes de uma determinada espécie dotada de espinhos e ganchos colavam constantemente na sua roupa e no pelo de seu cachorro. Foi a partir dessa observação e do estudo de tal planta que, sete anos mais tarde, ele criou o conhecido velcro, um tecido repleto de minúsculos ganchos que possibilitam a sua fixação em determinadas superfícies.

Traçados medievais em 9 cidades vistas de cima

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Traçados medievais em 9 cidades vistas de cima - Image 1 of 4Traçados medievais em 9 cidades vistas de cima - Image 2 of 4Traçados medievais em 9 cidades vistas de cima - Image 3 of 4Traçados medievais em 9 cidades vistas de cima - Image 4 of 4Traçados medievais em 9 cidades vistas de cima - Mais Imagens+ 5

Fernando Cuenca Goitia em seu livro “Breve História do Urbanismo” afirma que a cidade da época medieval surge no começo do século XI e se desenvolve somente entre os séculos XII e XIII. Segundo o autor, esse crescimento esteve devidamente atrelado ao desenvolvimento do comércio que possibilitou ocupações laborais fixas, fazendo com que a cidade não fosse mais composta majoritariamente por viajantes. Ou seja, formou-se uma sociedade burguesa desenvolvida a partir das mais diversas atividades – como artesãos, feirantes, ferreiros, armadores de barco – que serviu de estímulo à cidade medieval.

Da utopia à realidade: os desafios da prática urbana no Brasil

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A busca pela cidade ideal sempre permeou a história da humanidade constituindo uma utopia perseguida por governantes, artistas, filósofos e, na história mais recente, por nós, urbanistas. Desde o século XIX foram propostos – e, por vezes construídos, - diversos modelos de cidades ideais, passando das cidades-jardim de Howard, às cidades mecanizadas, às radiais, às caminhantes do grupo Archigram, às nômades como a Nova Babilônia de Constant Nieuwenhuis, às modernistas, entre outras.

O que é arquitetura vernacular?

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A arquitetura vernacular pode ser definida como uma tipologia de caráter local ou regional, na qual são empregados materiais e recursos do próprio ambiente onde a edificação está inserida. São, portanto, arquiteturas diretamente relacionadas ao contexto, influenciadas e atentas às condições geográficas e aspectos culturais específicos da sua inserção e, por esse motivo, surgem de modo singular nas diversas partes do mundo, sendo consideradas, inclusive, um dispositivo de afirmação de identidades.

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Interiores brasileiros: 8 projetos com mobiliário flexível

Projetar em uma época marcada por rápidas e constantes transformações significa estar atento ao surgimento de novas demandas e, mais do que isso, significa desenhar espaços que abarcam tal mutabilidade.

O mobiliário flexível, seja por sua capacidade de movimentação, por sua facilidade de transformação ou por assumir diferentes funções em uma mesma forma, é reflexo desse comportamento contemporâneo. São peças que possibilitam diferentes opções de organização espacial remodelando suas configurações conforme requisitos específicos e necessidades de mudanças servindo, também, para otimizar os espaços internos.

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A seguir, selecionamos oito projetos brasileiros que trabalham a versatilidade e flexibilidade no mobiliário interno.

A efemeridade do corpo e do espaço: um convite ao abandono

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A cidade abandonada é um típico cenário de suspense, um lugar de terror e degeneração, a estimulante mistura entre perigo e liberdade. Uma ambiência que incita, ambiguamente, repúdio e curiosidade. Um espaço sombrio, oculto e marginal que parece lamentar, no silêncio assustador, o vazio deixado por aqueles que ali viveram. Nos seus fragmentos espalhados pelo chão, o medo, a descoberta e a inevitável nostalgia de um passado que não é necessariamente seu recriam histórias de abandono. Espaços que tiveram nome, data, função, e agora decompõem-se lentamente na solidão do presente.

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Dia Mundial das Cidades: desafios enfrentados pelas cidades emergentes da América Latina

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No próximo sábado, dia 31 de outubro, comemora-se o Dia Mundial das Cidades, uma data estipulada pela Organização das Nações Unidas desde 2015, e que faz parte da iniciativa anual intitulada “outubro urbano”. Essa comemoração tem como objetivo promover o interesse da comunidade internacional na urbanização global, aumentar a cooperação entre países para debater o enfrentamento dos desafios da urbanização e contribuir para o desenvolvimento urbano sustentável ao redor do mundo.

Porém, quando se fala em cidade, apesar do vocábulo significar uma genérica “aglomeração de pessoas situadas em uma área geográfica delimitada”, na prática sabemos que cada um desses agrupamentos é fruto de fatores muito singulares em termos de desenvolvimento e cultura. Nesse sentido, decidimos aproveitar a comemoração mundial do dia das cidades e fazer um recorte específico na nossa realidade, trazendo à tona os desafios enfrentados pelas cidades latino-americanas nos dias de hoje. 

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Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU aplicados em projetos de arquitetura

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 e fazem parte de uma agenda mundial que visa a implementação de políticas públicas para guiar a humanidade até 2030, rumo a um futuro sustentável.

Segundo a própria organização, eles são um apelo global para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima, garantindo que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. São abordadas, portanto, diferentes temáticas como saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, padrões sustentáveis de produção e de consumo, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, entre outras.

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Casas brasileiras: 10 residências construídas com alvenaria estrutural

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Considerada uma das técnicas construtivas mais antigas do mundo, a alvenaria estrutural no Brasil começou a ser implementada ainda no período colonial com o uso de pedra, adobe e taipa de pilão. De lá para cá, este método vem evoluindo, com sua viabilidade recuperada por meio de materiais contemporâneos como os blocos modulares de concreto ou cerâmicos auto-portantes.  

Neste processo construtivo, no qual estrutura e vedação são executadas simultaneamente, o uso de pilares e vigas é dispensado. Sendo assim, as paredes carregam a dupla função de conformar espaços, ao mesmo tempo em que assumem o papel de estrutura da edificação.

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A arte de misturar os usos: a história de 10 edifícios mistos

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Edifícios mistos são dispositivos urbanos que se caracterizam pela diversidade de usos. Eles compartilham uma existência repleta de obstáculos e contratempos e, aqueles que conseguem ser construídos, resistem como verdadeiros sobreviventes de uma espécie vigorosa que cresce em lugares de oportunidade, abrindo caminho através da especulação imobiliária.

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O papel da arquitetura na questão dos refugiados e migrantes latino-americanos

Juliana Coelho é arquiteta e urbanista com experiencia no setor humanitário, de desenvolvimento público e privado. Nos últimos três anos vem atuando no setor com o ACNUR, Agência da ONU para Refugiados. Durante este período, esteve envolvida no planejamento, design e implementação de 21 abrigos temporários, centros de trânsito e centros de recepção/documentação para refugiados e migrantes no Brasil, além de participar da elaboração de um plano de contingência e de projetos de melhoria de ocupações espontâneas e espaços cedidos prestando apoio técnico junto à Operação Acolhida, resposta do governo brasileiro ao fluxo de refugiados e migrantes venezuelanos para o Brasil que, neste ano de 2020, também incluiu ações de resposta à emergência da COVID-19.

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