Imagem cortesia do usuário do Flickr Dennis Keller
O arquiteto de origem austríaca Victor Gruen é talvez mais conhecido por seu pioneirismo no desenvolvimento da tipologia do shopping center americano. Suas visões para esses espaços buscavam incorporar diversos aspectos da cidade em um único espaço fechado ou coberto, com um foco especial no consumo e na atividade comercial. Seus projetos de grande escala funcionavam como o complemento perfeito para a florescente cultura de consumo voltada ao lazer nos Estados Unidos, à medida que uma economia em expansão e o aumento das viagens de carro reforçavam as possibilidades desse novo estilo de vida pós-guerra. No entanto, talvez menos conhecida seja a encomenda feita pelo governo iraniano a Gruen para projetar um plano urbanístico para a cidade de Teerã no final da década de 1960.
Desde sua fundação em 1994, o escritório Allied Works tornou-se conhecido por seu portfólio de obras delicadamente equilibradas e de forte caráter cívico. Seu Clyfford Still Museum, em Denver, foi especialmente reconhecido em diversas premiações e publicações — mas talvez venha a ser eclipsado por seu projeto construído mais recente.
O National Veterans Memorial and Museum, localizado em Columbus, Ohio, eleva o que poderia ter sido um programa austero e solene a um espaço público de vocação urbana. O museu, composto por faixas que se cruzam em concreto branco, abre-se para uma paisagem exuberante (projetada pelo escritório OLIN) e conecta a outrora negligenciada orla fluvial ao centro da pequena cidade.
A seguir, apresentamos um trecho do recente livro de Andrew Levitt, "Listening to Design: A Guide to the Creative Process".
Ouvir plenamente, sem qualquer desejo de julgar ou provocar mudanças, pode abrir a porta mais obstinadamente fechada. Com uma escuta mais profunda, o desejo de mudar ou julgar o outro desaparece, dando lugar à disposição de apenas estar presente. No início, eu temia que ouvir não fosse suficiente, mas, com o tempo, aprendi que o processo de criatividade depende da capacidade de escuta. Precisamos criar o hábito de reconhecer a autenticidade de nossas vozes interiores. Ao ouvir essa voz sem julgamentos, podemos acessar todo tipo de riqueza. Todas as ideias do mundo de nada adiantarão se caírem em ouvidos moucos. Quando temos uma ideia, existem inúmeras maneiras de ignorá-la ou sabotá-la. Manter-se fiel ao comando interno é o momento sagrado do design. No entanto, a escuta é a chave para o sucesso de qualquer colaboração e feedback.
Nas últimas viagens que nossa equipe editorial fez à Rússia, nas quais visitamos cidades como Moscou, Kaliningrado, Belgorod e até Grozny, a capital da República da Chechênia - documentamos os sutis exteriores em tons pastéis vistos nas cidades do maior país do mundo. De edifícios neoclássicos, modernos e brutalistas a espaços públicos e infraestruturas urbanas, como metrôs, pontes e praças, os tons pastéis se destacam como parte essencial de sua identidade. Confira, a seguir, uma pequena seleção de fotografias desses edifícios.
Durante a segunda metade do século XX, o Brasil recebeu uma série de arquitetos vindos de diversas partes do mundo, mas sobretudo da Europa, e que deixaram um legado de projetos brutalistas seguindo alguns dos cânones de mestres como Le Corbusier. Nomes como Lina Bo Bardi, Hans Broos e Franz Heep tiveram inegável influência na arquitetura brasileira.
Nos últimos anos o país voltou a receber uma diversidade de edifícios projetados por arquitetos estrangeiros e que transformaram-se em ícones arquitetônicos, indo além da simples função de abrigar determinado programa, mas em alguns dos casos, contribuindo para o ciclo turístico. Compilamos, a seguir, 10 edifícios projetados por arquitetos de renome internacional e implantados em solo nacional, confira!
Varrer de uma cidade a sua arquitetura é como se pudéssemos apagar por completo partes de sua história. Apesar da aversão generalizada por grande parte da população, a arquitetura brutalista na Polônia pós-stalinista andava de mãos dadas com o movimento político que prometia uma sociedade mais justa e igualitária. A arquitetura que hoje em dia é vista como a materialização de um antigo regime opressivo, austero e arrogante, foi originalmente concebida para ser tudo menos isso; estes edifícios carregam hoje um legado bastante ambíguo, apreciados como ícones do seu tempo ou rejeitados como memórias que as pessoas preferem esquecer.
Em um artigo recente publicado pelo New York Times, o escritor Akash Kapur compartilha as emoções de sua mais recente visita à Polônia, aonde nos convida à refletir sobre esta complexa história construída, tantas vezes contraditória e quase sempre, mal compreendida. Acompanhado por arquitetos locais comprometidos à defender com unhas e dentes alguns dos exemplos mais extraordinários da arquitetura moderna do final do século XX, Kapur visitou inúmeras obras decadentes do brutalismo na Polônia, conversando com a população local e descobrindo suas histórias.
Plastic Island. Imagem cortesia de Emily-Claire Goksøyr
Kanye West é, segundo o próprio Kanye West, um homem transformado. Após meses nas manchetes por conta de suas visões políticas excêntricas, ele declarou na quarta-feira que “meus olhos agora estão bem abertos e percebo que fui usado para espalhar mensagens nas quais não acredito. Estou me afastando da política e me concentrando totalmente em ser criativo!!!”
Embora isso muito provavelmente signifique um retorno à sua carreira musical, a declaração também pode indicar um interesse renovado em seus projetos de design. O interesse do rapper pela arquitetura está longe de ser passageiro; ele já colaborou com arquitetos e arquitetas de renome, como Jacques Herzog e Rem Koolhaas, e declarou em várias ocasiões seu desejo de que tudo seja “arquitetado”.
https://www.archdaily.com.br/pt/1116993/esta-semana-na-arquitetura-um-pouco-menos-de-conversaKatherine Allen
O uso de luz e sombra na arquitetura pode ter várias aplicações. A cultura tradicional japonesa se destaca por trabalhar com espaços de pouca luz, por outro lado, a arquitetura moderna e o minimalismo trabalham espaços bem iluminados, com superfícies brancas e amplas aberturas.
Assim, a cor preta, espaços escuros e minimalismo convergem na mesma linguagem, oferecendo novas possibilidades para o projeto de iluminação e uso de novos materiais. Apresentamos a seguir uma seleção dos melhores espaços internos contemporâneos que usam o preto como elemento protagonista, criando ambientes introspectivos e dramáticos.
Praça pela Ponte Williamsburg. Imagem Cortesia de Lasse Lyhne-Hansen
Paul Rudolph, apesar de ter saltado para o sucesso internacional no início das décadas de 1940 e 1950 por suas estruturas brutalistas, viu um abrupto fim à popularidade de seu característico estilo à medida que o pós-modernismo ganhou destaque. Como os gostos mudaram para uma tarifa diferente, o mesmo aconteceu com a abordagem de Rudolph - deixando uma série de propostas não construídas acumular poeira.
É compreensível estar cansado do modernismo. Aquilo que despontou no início do século vinte como uma mudança radical em nossa disciplina - afastando-se dos cânones então tradicionais da arquitetura - acabou se tornando apenas uma sombra daquilo que um dia fora, uma fantasia por trás da qual muitos arquitetos passaram a se esconder. A racionalidade (genuína ou não) passou a ser assumida como uma estratégia para defender-se das críticas e justificar os resultados. O limite entre a arquitetura moderna de fato e suas outras tantas formas oportunistas e perversas, tornou-se invisível e praticamente impossível de identificar.
https://www.archdaily.com.br/pt/904951/destaques-da-semana-o-que-significa-modernismo-hojeKatherine Allen
Encerrando as ações do “outubro urbano”, que comemora todos os anos, a ONU designou 31 de outubro como o “Dia Mundial das Cidades” com o objetivo de promover uma maior troca de experiências entre os países sobre como enfrentar os desafios da crescente urbanização global e contribuir para o desenvolvimento sustentável.
Não é segredo que, em muitas regiões, a integração entre áreas internas e externas se torna ainda melhor com a transição do verão para o outono. Os insetos desaparecem, a umidade diminui e as noites mais frescas pedem o aconchego de uma lareira ou fogueira. A seguir, apresentamos cinco de nossos espaços integrados favoritos para o outono de 2018.
Recentemente, o escritório KPF divulgou as imagens mais recentes do canteiro de obras do “The Royal Atlantis”. Localizado na Palm Jumeirah, o principal destino de lazer do emirado de Dubai, o edifício de 45 pavimentos abriga 806 quartos de hotel e 256 apartamentos residenciais. O volume principal se estende ao longo da linha costeira, funcionando como um “biombo ao ar livre” diante do mar.
No partido geral do projeto, o típico bloco linear de hotel e residência foi fragmentado em volumes independentes. Esses volumes suspensos e empilhados formam 14 “pátios suspensos” e 20 terraços elevados. Acessíveis a partir dos apartamentos e suítes, esses espaços ao ar livre totalmente abertos oferecem uma experiência única de transição fluida entre as áreas internas e externas. Cada apartamento conta com piscina privativa e jardim, elementos que potencializam o sombreamento e a brisa constante que sopra sobre a água e a vegetação, mantendo esses oásis particulares frescos e agradáveis durante a maior parte do dia. Nas fotos do canteiro de obras, já é possível identificar a volumetria principal do edifício, embora os pátios suspensos ainda não tenham sido totalmente configurados.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117451/kpf-divulga-imagens-recentes-da-obra-do-atlantis-the-royal-erguendo-um-biombo-na-costa-de-dubai舒岳康 - SHU Yuekang
Após a eleição, o novo governo já começou a anunciar algumas mudanças nos ministérios. Entre elas está a extinção do Ministério das Cidades. Na tentativa de levantar a discussão e evitar esta dissolução, foi organizada uma petição que pode ser assinada aqui.
Olhe o Degrau Jardim Nakamura. Image Cortesia de Cidade Ativa
Caminhando pelas ruas, nos deparamos com diversas formas, cores, texturas, sons e cheiros. Nossos sentidos são ativados e esses estímulos nos fazem conectar com o lugar em que estamos. As cidades são, muitas vezes, sinônimo de fumaça, ruídos de motores e buzinas, tons de cinza. A escassez de elementos naturais ou construídos que transmitam a sensação de segurança, conforto e que nos agradem esteticamente influencia para que sigamos descontentes e frustrados no ambiente urbano. Esses sentimentos alimentam a falta de conexão entre pessoas e lugares, a falta de empatia com o outro e descompromisso com aquilo que é público.
Certamente, todo arquiteto se perguntou como as formas fluidas, mas complexas, da arquitetura de Zaha Hadid Architects são trazidas à realidade. E é lindo ver como uma ideia conceitual inicial - provavelmente desenhada como um esboço rápido - se materializa em desenhos planimétricos precisos e detalhados.
Nós compilamos uma série de detalhes construtivos de 9 projetos desenvolvidos pelo escritório Zaha Hadid Architects que dão uma visão sobre seu estilo e abordagem distintos, nos mostrando que, com um pouco de criatividade e muita experiência, até mesmo os sonhos mais impossíveis podem ser construídos.
Centro de Estudos e Pesquisas de Petróleo Rei Abdullah por Zaha Hadid Architects, finalista da categoria "Ensino Superior e Pesquisa - Edifícios Concluídos"
O World Architecture Festival é considerado um dos eventos arquitetônicos mais abrangentes e influentes do mundo. A edição deste ano será realizada em Amsterdã, no Centro de Convenções e Exposições RAI, de 28 a 30 de novembro. Reunindo vozes globais na arquitetura, os palestrantes deste ano incluem o apresentador Rem Koolhaas, Jeanne Gang, David Adjaye e Li Xiaodong. Este ano, cinco leitores do ArchDaily podem ganhar um ingresso para o World Architecture Festival 2018 (no valor de € 1.525). Participe aqui.
Dia das Bruxas. Um dia atormentado por fantasmas, vampiros e duendes. Historicamente, a noite de Todos os Santos era tida como o momento em que os espíritos poderiam retornar ao mundo terreno. Aqui, compilamos alguns exemplos em que "fantasmas" do além aparecem como coadjuvantes na fotografia de arquitetura. Veja-os a seguir... se tiver coragem.
Quando o mundo passa por grandes mudanças (sejam elas sociais, econômicas, tecnológicas ou políticas), o mundo da arquitetura precisa se adaptar junto. Mudanças na política do governo, por exemplo, podem trazer novas oportunidades para a arquitetura prosperar, como o influxo de moradias sociais de alta qualidade que estão sendo projetadas atualmente em Londres. Os avanços tecnológicos são mais fáceis de perceber, mas as mudanças sociais têm tanto impacto sobre a indústria de arquitetura e os edifícios que projetamos.
Hoje, estima-se que só no Brasil sejam depositados 30 milhões de toneladas de lixo anualmente em aterros sanitários, e que só em São Paulo sejam 14 mil toneladas de resíduos sólidos direcionados a estas áreas todos os dias. [1] Não é de se espantar que aterros sanitários ocupem enormes parcelas territoriais, que não param de crescer, e que são problemas críticos para quase todas as cidades. Mas o que pode ser feito quanto os aterros já não podem mais receber resíduos e são fechados? É possível dar uma nova vida a essas montanhas de lixo? Quais as possibilidades e cuidados?
Classificar arquitetos ou tentar criar uma lista – que, de partida, pressupõe um ponto de vista e gostos particulares – parece ser uma tarefa, no mínimo, inútil. No entanto, à medida que deixamos de buscar inspiração apenas em fontes reconhecidas e premiadas, os grandes nomes da arquitetura mundial, é importante lançar luz sobre produções que nós, como editores do ArchDaily, consideramos particularmente valiosas. Dos milhares de escritórios já selecionados para publicação em nossos sites, ocasionalmente notamos profissionais cujo trabalho se destaca. Seja por suas abordagens inovadoras em relação à prática projetual, pela contribuição às suas comunidades locais ou pela generosidade, estes profissionais chamaram nossa atenção – e aqui os apresentamos na esperança de que suas produções sejam vistas como exemplos que inspiram a desafiar o status quo na arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/904783/os-profissionais-mais-inspiradores-da-arquitetura-contemporaneaAD Editorial Team
O seguinte trecho do Guia Arquitetônico de Viagem: Mid-Century Modern Architecture Travel Guide: East Coast USA — e as excelentes fotos de Darren Bradley diga-se de passagem - fornecem uma introdução à charmosa e inspiradora arquitetura moderna Mid-Century da Costa Leste dos Estados Unidos. O livro inclui mais de 250 projetos e pode ser considerado um novo catálogo de um dos mais importantes movimentos arquitetônicos dos EUA.
Poucas experiências encontram-se tão enraizadas no senso comum do ser humano ocidental quanto a ideia de atravessar os Estados Unidos por suas rotas mais famosas - um rito de passagem descrito e transformando em literatura por uma série de autores tais como Alexis de Tocqueville e Jack Kerouac. E a rota da arquitetura moderna? Ela não parece ser assim tão conhecida. Mas, podemos considerar que essa é uma das muitas razões pelas quais, a rota da arquitetura mid-century pode ser tão fantástica e surpreendente. Na atual era digital, novas descobertas tornaram-se momentos cada vez mais raros em nossas vidas. A redescoberta da costa leste dos Estados Unidos - principalmente no contexto de uma das mais inspiradoras obras de arquitetura do mundo - pode ser um verdadeiro deleite.