A cada edição da Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo (BIAU), o evento concede um reconhecimento aos grandes nomes da arquitetura ibero-americana: o Prêmio Ibero-Americano de Arquitetura e Urbanismo.
O Prêmio Ibero-Americano de Arquitetura e Urbanismo reconhece um trabalho "diretamente relacionado com a arquitetura e/ou com o urbanismo, no qual devem se destacar aspectos estéticos, funcionais, técnicos, sociais, econômicos e ambientais. Pode tratar-se de obra construída, de planejamento, de conservação e restauração do patrimônio, de produção de conhecimento ou de engajamento social", conforme explicam as bases do concurso.
Cortesia de Atelier Cho, via CommonEdge. Atelier Cho Thompson projetou os escritórios da Food Corps, uma organização sem fins lucrativos de Portland, Oregon.
Economia e tecnologia afetam todas as profissões. Mas, desde a Segunda Guerra Mundial, talvez nenhuma profissão tenha experimentado mais mudanças tecnológicas do que a arquitetura. Essas mudanças ocorreram, paradoxalmente, dentro de um modelo profissional bem estabelecido de desenvolvimento pessoal: a estrutura tradicional de aprendizado na academia, e o posterior estágio para o licenciamento, tem sido a estrutura da prática há quase dois séculos nos Estados Unidos.
Foi-se o tempo que os edifícios eram construídos a partir de desenhos feitos por homens brancos, a partir de uma folha mestre de especificações. E apenas isso era o mercado da arquitetura.
A recente morte do presidente George H.W. Bush motivou avaliações das conquistas legislativas de seu governo, entre as quais se destaca a abrangente lei de direitos civis Americans with Disabilities Act (ADA), sancionada em 1990. A legislação estabeleceu adaptações em edifícios para pessoas com deficiência. Nas décadas seguintes, a ADA causou um impacto significativo no projeto e na construção do ambiente construído nos Estados Unidos. Para avaliar o impacto da lei, sua evolução, os equívocos mais comuns e seu papel na promoção da equidade social na arquitetura, conversei com Peter Stratton, vice-presidente sênior e diretor administrativo de Serviços de Acessibilidade da Steven Winter Associates, que trabalha diretamente com arquitetos/as e outros/as profissionais da indústria da construção na aplicação das normas de projeto da ADA. (Trabalhei na Winter, sediada em Connecticut, entre 1996 e 2006; Stratton foi meu colega.)
https://www.archdaily.com.br/pt/1118574/por-que-os-as-arquitetos-as-ainda-enfrentam-dificuldades-com-as-exigencias-de-acessibilidadeMichael J. Crosbie
Para estudantes recém-ingressantes de arquitetura, a “banca”, “avaliação” ou “crítica” está longe de ser algo glorioso—soando mais como uma sentença de morte do que como uma sessão rotineira de feedback. O conceito, como Kathryn Anthony explora em DesignJuries on Trial: The Renaissance of the Design Studio, remonta à década de 1980, quando a École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts, em Paris, tornou-se a primeira escola de arte e arquitetura a experimentar um formato que logo seria adotado por faculdades de arquitetura em todo o mundo. Embora algumas instituições tenham tomado medidas para flexibilizar as hierarquias tradicionais, outras continuam a reforçá-las, para o terror de estudantes do primeiro ano que não estão acostumados/as a passar por esse tipo de “julgamento”.
O que se pode fazer, então, para encarar com mais tranquilidade esse aspecto bastante desconfortável do ensino de arquitetura? Abaixo, apresentamos uma lista simples de recomendações práticas sobre o que fazer e o que evitar que podem ser de grande ajuda.
https://www.archdaily.com.br/pt/1116847/como-sobreviver-a-sua-primeira-banca-na-faculdade-de-arquiteturaZoya Gul Hasan
A primeira vista, projetar um edifício em Harvard parece algo tão sério quanto a própria estrutura desta instituição, uma das mais importantes e renomadas universidades do mundo. Por outro lado, o programa para o novo Museu de Arte de Harvard era tão simples quanto inovador, o tipo de encargo que todo arquiteto sonha um dia receber. Mas, apesar de toda a liberdade e disponibilidade de recursos, o processo de projeto foi muito mais complexo do que poderia parecer em um primeiro momento - foram mais de seis anos até que a obra fosse finalmente concluída.
O arquiteto espanhol Fran Silvestre é amplamente reconhecido por seu portfólio de obras sutis, limpas e decididamente modernas. Cada projeto é tão impressionante quanto o anterior — o tipo de residência que aparece em filmes de James Bond e povoa os painéis do Pinterest de quem sonha em conquistar a casa própria.
Apesar das legislações apontarem para o necessário adensamento e, consequentemente, verticalização dos edifícios residenciais nos centros urbanos, em busca da melhor eficiência e acesso à infraestrutura das cidades, há alguma coisa que foge ao plano absolutamente racional e adentra a esfera subjetiva quando pensamos em casas térreas.
La Casa Ensamble Chacarrá / Ruta 4. Image Cortesía de Ruta 4
Como uma subespécie de bambu, a guadua consolidou-se como material de construção desde o período da colonização espanhola até os dias atuais. Sua resistência, leveza e elasticidade garantem diversas vantagens e aplicações estruturais. Por ser uma espécie nativa das florestas da Colômbia e do Equador, ela é amplamente empregada em diferentes projetos de construção locais. Além disso, a facilidade de cultivo e processamento faz dela um recurso altamente sustentável.
Nesta seleção, apresentamos seis projetos nos quais a guadua foi utilizada como recurso construtivo e estético.
Por que construímos? Como construímos? Para quem, em última análise, construímos? Essas perguntas dominam o universo tanto da prática quanto da pedagogia desde os primórdios da arquitetura. Em um nível básico, tais questionamentos podem ser respondidos de maneira quase reflexiva, com fórmulas prontas. Contudo, será que não é hora de olhar além do simples porquê, como e quem?
Em um mundo onde os processos físicos da arquitetura se tornam cada vez menos importantes e os processos digitais se proliferam por todas as fases de conceituação e documentação arquitetônica, talvez devêssemos buscar compreender os modos como os/as arquitetos/as trabalham, examinando como reivindicar os processos — e não apenas os produtos — de nossos esforços.
A equipe '3 Construcciones' criou um sistema construtivo para habitações sustentáveis baseado em madeira e módulos de plástico recuperados, que busca se posicionar como um método de massa, de baixo custo e baixo impacto energético, em resposta ao déficit habitacional da Argentina.
Olson Kundig é conhecido por desenvolver projetos de arquitetura que procuram conectar as pessoas à seu contexto natural e cultural. Mas em Zooraji, seu mais recente projeto, ele não buscou inspiração no contexto, mas em uma das fábulas de Esopo: "o rato do campo e o rato da cidade", para ser mais preciso.
Nos anos que antecederam sua morte, o falecido fuzileiro naval, astronauta e senador norte-americano John Glenn idealizou um espaço de encontro e memória para veteranos de todos os conflitos. Não seria um memorial de guerra tradicional ou um museu militar, mas sim um local para homenagear os veteranos e promover o debate cívico, compartilhando histórias de serviço por meio de exposições interativas, relatos orais, imagens e objetos pessoais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1119402/o-novo-museu-do-allied-works-em-columbus-e-projetado-para-a-historia-do-futuroKatherine Allen
Projetar um espaço comercial é um tremendo desafio, já que a distribuição espacial desempenha um papel fundamental e pode significar o sucesso ou fracasso do estabelecimento. Nesse sentido, a análise das plantas e cortes arquitetônicos de exemplos construídos se mostra importante pois permite não apenas compreender a logística adequada por trás da circulação dos clientes, mas também encontrar variações e inovações eficientes que permitirão que seu projeto se destaque dos demais.
Selecionamos, a seguir, 25 exemplos de estabelecimentos comerciais com menos de 100 m², acompanhados de suas plantas e cortes, que podem lhe servir de inspiração.
A família de José Antonio Coderch [1913-1984] entregou o importante acervo do arquiteto catalão ao Museu Reina Sofía de Madri. Com isso, o famoso museu madrilenho busca seguir o caminho iniciado por outros museus de arte contemporânea, como o MoMA de Nova York ou o Pompidou de Paris. Essas instituições já contavam com departamentos voltados ao universo da arquitetura, razão pela qual o Reina Sofía tem como objetivo ampliar seu acervo, abrangendo tanto movimentos arquitetônicos quanto profissionais que marcaram a arte da construção. Toda essa iniciativa vem sendo promovida, há alguns anos, sob a direção de Manuel Borja-Villel à frente do museu.
O arquivo, que se encontrava em um depósito na residência de um dos filhos de Coderch, é composto por 9.800 documentos, organizados em 875 pastas e datados entre 1941 e 1978. Nele, estão incluídos plantas e croquis de seus projetos arquitetônicos; desenhos, fotografias e clichês de suas obras, além de fotos de família; correspondência profissional; faturas e recibos de cada projeto, bem como revistas, livros, publicações e maquetes; retratos do arquiteto, alguns de seus inúmeros prêmios e objetos pessoais.
Por mais imaginativos e hipotéticos que seus trabalhos possas parecer, muitos visionários criaram obras de arte admiráveis que miram além do ordinário e repensam a arquitetura e os espaços urbanos. Xinran Ma, designer e ilustrador de Nova Iorque, visualizou suas fantasias arquitetônicas e criou algumas séries de desenhos, duas das quais enviadas para o concurso Fairy Tales 2016 e 2017, organizado pela Blank Space.
Inspirando-se no artista italiano Giovanni Battista Piranesi, conhecido por seus desenhos labirínticos de Roma, e as obras colaborativas de Alexander Brodsky e Ilya Utkin, que produziram representações de vanguarda de cidades e paisagens, o ilustrador compartilhou mais uma vez suas criações conosco, expressando sua paixão “pela visualização de fantasias arquitetônicas que transcendem o tempo através de narrativas gráficas."
O modelo de habitação social parece uma utopia atualmente na Espanha. Sob o domínio de incorporadoras e imobiliárias, o país se vê imerso em uma política de Estado que não atende — nem nunca atendeu — ao problema da moradia.
Ao longo dos anos, promoveu-se a ideia de que alugar um imóvel era quase um crime, um desperdício de dinheiro que poderia ser investido na compra da casa própria. Boas-vindas ao maravilhoso mundo da especulação imobiliária. Com aluguéis abusivos, cujos preços são estipulados por imobiliárias ou particulares, sem qualquer tipo de regulação estatal ou provincial que os controle, o próprio sistema empurra a população a contrair hipotecas e a alimentar a incorporação privada. Se na década de 1950 mais de 50% das moradias na Espanha eram alugadas, esses números hoje estão muito distantes do declínio progressivo que nos trouxe ao cenário atual: quase 80% dos imóveis hoje são próprios, reduzindo a apenas 20% o total de habitações sob regime de aluguel.
Cristóbal Caro nos apresenta uma mostra fotográfica intitulada "Cadeiras, microarquitetura no espaço público", cujo conceito busca vincular os objetos dispersos na trama urbana aos símbolos e vestígios implícitos que contêm.
Cortesía de Colegio Oficial de Arquitectos de Madrid [COAM]
Com José Antonio Corrales e Ramón Vázquez Molezún, repete-se uma situação bastante comum na arquitetura espanhola posterior a 1950: a falta de projeção internacional de talentos da arquitetura, em grande parte devido à ausência de teoria. Além disso, um caráter intrinsecamente misterioso e enigmático permeia sua obra, profundamente reforçado pela atitude de ambos em relação à própria produção. Nunca se detiveram a explicá-la. Jamais demonstraram interesse em dotá-la de fundamentação teórica. Tudo isso dificulta extraordinariamente a compreensão de sua arquitetura, deixando inúmeras perguntas sem resposta, abertas apenas à interpretação de quem se propõe a refleti-las.
Corrales e Molezún colaboraram desde 1952 em diversos projetos. Eram personalidades muito distintas. José Antonio costumava se definir como uma “pessoa mais rigorosa”, enquanto Ramón aproximava-se mais do “gaie”, dotado de um toque mais leve, quase romântico. A dupla poderia ser vista como a personificação dos dois hemisférios cerebrais: o esquerdo — visual, verbal, linear, controlado, dominante, quantitativo — em Corrales; e o direito — espacial, acústico, holístico, contemplativo, emocional, intuitivo — representando mais fielmente Molezún. Mais uma dupla para a longa história da criação: Dom Quixote e Sancho Pança, Sherlock Holmes e Dr. Watson...
Se perguntado sobre conforto, qual é a primeira coisa que vem à mente? Acabamentos de luxo, cadeiras caras e interiores elegantes? Poucos pensariam em seu escritório, e o provável culpado é uma ignorância fundamental de uma definição alternativa de conforto. Quando definido como um estado de bem-estar físico derivado das disposições necessárias para que os ocupantes desempenhem tarefas específicas no espaço, é evidente que os arquitetos possuem um papel fundamental - e que o conforto não não diz respeito a apenas espaços confortáveis para atividades de lazer.
Arquitetos e designers são responsáveis pelas qualidades visuais, térmicas e acústicas dos espaços, sem mencionar a qualidade do ar interior dos nossos escritórios e residências. Isso é fundamental, considerando que o típico cidadão urbano do século XXI gasta em média 90% do seu tempo em ambientes fechados. Estamos constantemente experimentando as consequências físicas, psicológicas e fisiológicas do equilíbrio (ou desequilíbrio) dos desenhos nos espaços internos.
Com isso em mente, o conforto térmico parece óbvio (e é), mas infelizmente o conforto como objetivo holístico da arquitetura nunca foi levado a sério o suficiente. Além de medir os aspectos acústicos e visuais de um espaço construído, os arquitetos devem ter uma sólida compreensão dos conceitos subjacentes que orientam as melhores práticas. Uma compreensão sólida de como as seleções de materiais afetarão as avaliações qualitativas de salas de conferências, residências, teatros etc. melhora a tomada de decisões tectônicas básicas que podem, por sua vez, criar espaços mais confortáveis.
Frequentemente empregado em projetos residenciais e atuando como uma extensão da laje, o beiral abandonou na contemporaneidade a timidez dimensional e aplicação intimamente ligada a proteção das faces externas contra a chuva e, indo muito além, é reinventado, garantindo novos espaços de convívio, como a varanda por exemplo, que parece ressignificar o antigo alpendre bandeirista e cria uma extensão dos interiores quebrando os limites entre interno e externo.
À medida que 2018 chega ao fim, voltamos nossos olhos para os projetos que estamos mais aguardados de 2019. Muitos dos projetos listados aqui estão em andamento há anos, tendo já experimentado as frustrações inerentes de uma profissão que depende de investimentos significativos e longos prazos - para não mencionar as mudanças de políticas.
Como anunciado anualmente, o Pantone Color Institute divulgou há alguns dias a cor 2019: Coral Living. Com nuance vibrante, mas, ao mesmo tempo, suavidade, a cor que promete ser a tendência do novo ano, "nos acolhe com sua aura cálida e nutritiva, flutuando e reconfortando num ambiente em constante transformação". [1]