Na última bienal de arquitetura de Seul, a equipe interdisciplinar de Medellín ARQUIURBANOjunto com a equipe multidisciplinar de Bucaramanga TABUÚ, apresentaram sua proposta Transformação de espaços coletivos: “O espaço público, a pele da Democracia". Nela, evidenciam o processo colaborativo e de cocriação realizado no projeto de Revitalização do Centro Histórico de Rionegro e na reativação e recuperação de espaços públicos em Bucaramanga.
Seja do ponto de vista do turista francês, da narrativa do filósofo Jean Paul Sartre, ou como ponto de partida das investidas desbravadoras de Marco Polo em suas Viagens, a cidade de Veneza faz parte de um imensurável repertório literário global, ocupando o lugar de objeto misterioso e belo que instiga qualquer um que se disponha a experienciá-la. Ela figura em livros de artes e história, quando o foco está nas grandes obras de arquitetura e artes visuais que a cidade carrega, ou quando há interesse nas divergentes e lendárias narrativas que dizem respeito à sua origem. Nos livros de ficção, a áurea calma de seus canais, as pequenas vielas, as cores e texturas de sua paisagem são plano de fundo para uma miríade de histórias imaginadas.
Esta entrevista faz parte de uma colaboração com a revista digital Hysteria.mx. Foi originalmente publicada em 24 de janeiro de 2020 com o título "Historias de la frontera entre México y Estados Unidos" como parte da edição nº 31, intitulada "Cuerpos y Territorios", e conduzida por Tadeo Cervantes.
Alejandra Aragón é uma artista visual, fotógrafa, documentarista e ativista oriunda de Ciudad Juárez, Chihuahua, cidade localizada na fronteira norte do México, tristemente famosa pelos casos de feminicídio registrados desde o início dos anos 90 até hoje. É a partir desse lugar que Alejandra narra diferentes aspectos que atravessam a vida cotidiana das mulheres em um território marcado por violências, conflitos e complexidades.
Embora a tecnologia e a construção tenham progredido rapidamente nos últimos anos, permitindo que as estruturas sejam construídas mais altas e mais rápidas do que nunca, os remanescentes dos colossais monumentos antigos lembram-nos que as técnicas construtivas de centenas de anos atrás possuíam um mérito enorme. De fato, muitas das inovações da antiguidade servem como fundamentos para construções modernas, com a invenção romana do concreto servindo como um exemplo persuasivo. Outras técnicas essenciais de construção antiga, como o arco e a cúpula, agora são abordadas como florescimentos estilísticos, com projetos como o Met Opera House reinterpretando tipologias clássicas em um contexto moderno. No entanto, talvez as reinterpretações mais relevantes da construção antiga hoje sejam as que o fazem no interesse da sustentabilidade, renunciando aos métodos modernos de construção de alta energia em favor de técnicas mais antigas e naturais.
https://www.archdaily.com.br/pt/933056/o-futuro-do-antigo-como-as-tecnicas-tradicionais-de-construcao-estao-sendo-atualizadasLilly Cao
A laje grelhada, ou nervurada, é um sistema eficiente para vencer grandes vãos, pois a seção em “T” constituída pelas mesas e nervuras funciona como um conjunto de vigas, representando assim uma economia de pontos de apoio quando comparada à laje maciça. Apesar da possibilidade de acrescentar aos vazios formados pela grelha materiais leves ou isolantes, é comum encontrar lajes nervuradas aparentes e sem preenchimento, o que também atribui à esse sistema construtivo um aspecto estético.
Construção de um hospital de 1.000 leitos em Wuhan, China. Via Shutterstock
O coronavírus nos diz respeito? Sim. Para além da busca urgente por tratamentos de saúde, observa-se que as cidades reagem utilizando tanto a arquitetura quanto o planejamento estratégico urbano como ferramentas para a contenção do vírus, desestruturando nossas noções de cidade e de planejamento de resiliência.
No meio da rua, depois de adquirir um campus de tecnologia abandonado em Mountain View, Califórnia, o Google contratou a Clive Wilkinson Architects para criar um novo campus corporativo - Googleplex 1.0 - com ele. Cortesia: Benny Chan / Fotoworks
A energia incorporada no ambiente construído é um recurso não natural precioso. É hora de começar a tratá-la como um.
Na sede do Googleplex em Mountain View, Califórnia, o Google tem o que é, sem dúvida, um dos campi corporativos mais sustentáveis da América. Possui um novo complexo de 1 milhão de metros quadrados em um terreno de 42 acres, com edifícios futuristas monumentais do arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels e do britânico Thomas Heatherwick. Mas esses lugares não são os mesmos. Embora o novo campus tenha, sem dúvida, sido desenvolvido com um senso de dever ambiental, o campus radicalmente sustentável é o vizinho, usado pelo Google desde 2003. Previsivelmente - e felizmente - eles continuarão usando-o. Construído em 1994, já foi o lar corporativo de uma empresa de tecnologia anterior de Palo Alto, a Silicon Graphics.
https://www.archdaily.com.br/pt/933006/inovacao-na-arquitetura-chega-de-novos-edificiosThomas de Monchaux
A megacidade chinesa de Shenzhen exibe todas as marcas de uma metrópole moderna em rápida ascensão. Autoestradas movimentadas (e barulhentas) de cinco faixas serpenteiam por ilhas de arranha-céus de vidro cintilante, que se erguem sobre embasamentos repletos de lojas de grife, voltados para vastas praças e esplanadas, movimentadas por jovens profissionais conectados que impulsionam a próspera economia tecnológica da cidade. Um cenário impressionante, sobretudo se considerarmos que, antes de 1980, Shenzhen não passava de uma vila de pescadores provinciana com 60 mil habitantes. Hoje, esse número passa dos 13 milhões.
Diante disso, surge a questão de como o ambiente urbano conseguiu acolher uma explosão demográfica tão rápida em tão pouco tempo. A resposta está nas "aldeias urbanas" da cidade, manifestações notáveis do passado e do presente de Shenzhen, embora dificilmente de seu futuro.
A série Open More Doors é uma iniciativa realizada pelo ArchDaily em parceria com o MINI Clubman. Por meio de entrevistas em vídeo dinâmicas e ensaios fotográficos exclusivos, o projeto convida o público a explorar os bastidores dos escritórios de design mais inovadores do mundo.
Nesta entrevista, conversamos com Kai Uwe Bergmann, sócio do BIG (Bjarke Ingels Group). Apesar da escala monumental e do prestígio global da empresa — que conta com 500 colaboradores e escritórios em Copenhague, Nova York, Barcelona e Londres —, Bergmann destaca que a amizade e a conexão humana são as características definidoras do escritório. Esse posicionamento é duplamente evidenciado no layout aberto e horizontal de seus espaços de trabalho.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126331/open-more-doors-episodio-7-por-dentro-do-escritorio-do-big-em-nova-yorkLilly Cao
Ao longo da história, a simplicidade estrutural constituiu algumas das formas mais habituais de prática e expressão da humanidade. Habitações, refúgios e mirantes de pequena escala foram configurados por uma infinidade de materiais que conformaram de maneira eficaz, através da técnica, diferentes formas de respostas a uma mesma necessidade.
Veja uma seleção de 20 detalhes construtivos de projetos que se destacam por seu tamanho reduzido e por sua estrutura de execução prática.
“As configurações arquitetônicas onde se realiza o desenvolvimento cultural de uma cidade — ateliês, estúdios de gravação, salas de ensaio, fábricas, lares e escritórios — são, muitas vezes, espaços privados, invisíveis e de acesso restritoal público geral”. Partindo dessa premissa, o Urban Backstages — uma investigação realizada pela organização Theatrum Mundi que representa a primeira etapa do projeto-piloto Making Cultural Infrastructure —, busca revelar como são as áreas dedicadas à produção de arte, design e artesanato da Cidade de Buenos Aires, evidenciando a maneira como as práticas culturais da região são gestadas e desenvolvidas “nos bastidores”.
Não por acaso, as formas curvas na arquitetura fazem parte do imaginário da arquitetura brasileira ao redor do mundo. As curvas, formas que invariavelmente evocam a obra de Oscar Niemeyer, são marcas emblemáticas dos conjuntos arquitetônicos da Pampulha e de Brasília, mas também de exemplos no âmbito da arquitetura residencial, como a Casa das Canoas, no Rio de Janeiro.
O recém-paisagístico parque White Flowers Boulevard em Kazan. Imagem cortesia de Foundation Institute for Urban Development of the Republic of Tatarstan
Com um custo menor do que o de parques mais suntuosos em Moscou, a iniciativa do Tartaristão está revitalizando as bases locais de design e fabricação com uma abordagem de "ensinar a pescar".
Em locais sem uma comunidade de design consolidada, historicamente existiram duas abordagens opostas: contratar especialistas do exterior ou fomentar uma comunidade local de design, à maneira do ditado "dê um peixe a alguém ou ensine essa pessoa a pescar". Na república russa do Tartaristão, situada na interseção entre a Europa e a Ásia, um recente Programa de Desenvolvimento de Espaços Públicos criou mais de 350 parques em cinco anos — optando por esta última abordagem.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126325/programa-de-parques-na-russia-cria-mais-de-350-espacos-publicos-e-fomenta-o-talento-local-de-designElissaveta M. Brandon
Vista aérea de São Paulo. Foto de Sergio Souza via Unsplash
Quantos postos de trabalho alguém consegue acessar em menos de uma hora usando transporte público? Quanto tempo se leva para chegar até o posto de saúde ou escola mais próxima da sua casa? As respostas a essas perguntas dependem diretamente das políticas de transporte e de desenvolvimento urbano das cidades. Essas políticas determinam, em larga medida, a acessibilidade urbana, isto é, a facilidade com a qual pessoas de diferentes grupos sociais e níveis de renda diversos conseguem acessar oportunidades de emprego, serviços de saúde e educação, atividades culturais e de lazer. No entanto, o tema da acessibilidade urbana tem recebido pouca atenção dos gestores públicos no Brasil, e a pesquisa sobre o tema ainda se encontra restrita a estudos de casos de algumas poucas cidades. Isso se deve em parte a dificuldades de disponibilidade de dados.
https://www.archdaily.com.br/pt/932079/desigualdades-socioespaciais-e-o-acesso-a-oportunidades-nas-cidades-brasileirasRafael Pereira, Carlos Braga, Bernardo Serra e Vanessa Nadalin
O campo da arquitetura não é exatamente um tema de grande interesse para a maioria de estudantes de graduação. O contato mais próximo que costumam ter com o assunto ocorre em disciplinas panorâmicas de história da arte, nas quais a arquitetura é apresentada como um desfile de estilos ao longo dos milênios — apenas mais uma forma de expressão visual.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126583/ensinando-a-apreciar-a-arquitetura-atraves-do-cinemaMichael J. Crosbie
O design de interiores oferece possibilidades criativas quase ilimitadas, sobretudo no âmbito comercial. Nesse segmento, o setor de alimentação traz um fator que permite vivenciar a experiência de habitar temporariamente esses espaços. Tais experiências são determinadas tanto pela comida quanto pela atmosfera dos ambientes, e é justamente neste último aspecto que o design de interiores desempenha um papel crucial.
Como locais de abrigo para diferentes práticas, os ginásios esportivos demandam projetos que envolvam mais do que o cumprimento de padrões normativos de dimensionamento e posicionamento de quadras, pistas, piscinas, etc.: desafios como a previsão de espaços flexíveis e integração entre eles, cálculo de arquibancadas a partir da capacidade de espectadores e a inserção no contexto urbano são algumas das muitas variáveis de projeto que atuam para a elaboração dos mais diversos partidos arquitetônicos.
Nos edifícios destinados ao desenvolvimento de atividades laborais, o correto desenho dos espaços desempenha um papel fundamental. A consideração de variáveis como iluminação, isolamento acústico, a relação entre os postos de trabalho ou a altura dos espaços permite, em muitos casos, otimizar o rendimento das empresas garantindo, ao mesmo tempo, o conforto de quem os utiliza. Os requisitos específicos dependerão do uso do edifício, em que certas atividades exigirão maior concentração e outras, por outro lado, demandarão a interação de seus protagonistas, dando lugar ao desenvolvimento de processos colaborativos. A arquitetura deverá ser capaz de oferecer soluções a essas demandas considerando, inclusive, a possibilidade de as atividades se transformarem ao longo do tempo.
Como um material de construção, a madeira é bonita, prática e versátil. As excelentes propriedades de resistência, leveza e excelente isolamento da madeira a tornam ideal para muitas aplicações, especialmente no momento em que a madeira oferece soluções eficientes em diferentes escalas. Apesar desses benefícios, a madeira é altamente suscetível à deterioração, principalmente quando usada ao ar livre.
A arquitetura de Gana está relacionada à materiais de construção locais. Dos tradicionais telhados de palha e paredes de barro às estruturas contemporâneas de concreto e vidro, o ambiente construído no país é um reflexo do contexto circundante. Isso se materializa tanto nos projetos urbanos quanto rurais e, à medida que novas edificações educacionais são criadas em Gana, esses espaços refletem a imagem do país ao contemplar o futuro do aprendizado.
Com dezembro e janeiro praticamente superados, muitos de nós estivemos ocupados elaborando relatórios. Há um número cada vez maior de ferramentas para mensurar o valor de relações públicas (RP) sendo vendidas a empresas como forma de justificar sua própria importância. Não há dúvida de que é útil fazer um balanço periódico de iniciativas passadas e futuras, e a elaboração de um relatório pode até ser prazerosa ao reforçar uma sensação de realização e direcionamento. O problema é que essa cultura excessivamente dependente de relatórios gera uma comunicação de RP focada em gestão, que prioriza como algo parecerá no papel — em termos de estatísticas, gráficos e imagens — em detrimento do que foi de fato realizado.
A The Architecture Foundation, em Londres, por exemplo, está destacando o crescente cansaço em relação às bienais em seu próximo evento de março, intitulado “Bored of Biennales” [Cansados de Bienais]. É fácil imaginar como, com frequência, a melhor experiência desses eventos se dá não in situ, mas sim por meio de relatórios cuidadosamente editados ou da cobertura da mídia, conforme sugere a Fundação.
Antigamente, as pessoas viviam de seus cultivos, materializavam suas construções a partir dos elementos disponíveis em seu entorno e percorriam grandes distâncias em busca dos recursos necessários para sua subsistência. Isso levou a uma maior compreensão do território por parte do ser humano, a uma observação atenta do comportamento da natureza e ao entendimento e utilização dos materiais locais para a construção de suas habitações. É nessa estreita relação entre o ser humano e o meio ambiente que surge a arquitetura vernácula de San Pedro de Atacama, composta materialmente por terra, pedra, breu, palha e madeira de chañar e algaroba. Atualmente, o crescimento da cidade, impulsionado pelo aumento constante das atividades turísticas, somado à ausência de normas que protejam a identidade construtiva do local, tem gerado o surgimento de novas edificações que ameaçam o patrimônio construído da região.
Todos nós sabemos que a arquitetura desempenha um papel fundamental na construção de espaços educativos, entretanto, ela é ainda mais importante na criação de espaços capazes de construir comunidades, espaços onde se forjam as bases paras as próximas gerações. Espaços como este exercem uma influência determinante na vida das pessoas, construindo um cenário que ficará gravado para sempre nas memórias dos alunos mais jovens.
Algo que une todos os seres humanos é o fato de que, durante os primeiros anos de vida, absorvemos o ambiente ao nosso redor para podermos nos desenvolver à medida que crescemos. Por isso, a educação desempenha um papel de importância insubstituível. No entanto, na primeira infância, a educação difere dos métodos mais teóricos, já que as crianças assimilam o aprendizado por meio da experiência contínua, desenvolvendo suas capacidades motoras, o sentido de dimensão e a percepção do espaço em relação à sua escala e ao seu próprio corpo.