Conjunto habitacional do MCMV em Juazeiro do Norte, Ceará. Via Caos Planejado
Um dos problemas estruturais da sociedade brasileira é o crescimento excessivo da mancha urbana das cidades, comumente denominado de “espraiamento”, que resulta em uma ocupação urbana de baixa densidade. Essa ocupação dispersa dificulta a provisão de serviços públicos e compromete a qualidade de vida dos moradores, pois não gera demanda suficiente para o transporte de massa e induz à adoção do automóvel particular como modo de deslocamento. Para reverter esse quadro, a política urbana procura aumentar a densidade da cidade existente, seja construindo edificações novas nos lotes ociosos, seja recuperando edificações degradadas nas áreas centrais. No entanto, tal como atualmente concebida, a política habitacional favorece o espraiamento urbano.
O levantamento de edifícios é uma das etapas fundamentais no início de qualquer projeto de arquitetura. Embora essa tarefa seja hoje frequentemente terceirizada para especialistas em projetos de maior escala — sobretudo no atual contexto do BIM —, intervenções menores, como reformas e ampliações residenciais, ainda demandam que o/a próprio/a arquiteto/a realize o levantamento. Pensando nisso, preparamos uma lista de considerações e dicas específicas para a medição de espaços internos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126781/dicas-para-medicao-e-levantamento-de-espacos-internosNiall Patrick Walsh
Cortesia de Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados
Neste artigo, compartilho o processo de análise e decisão que conduzimos na Königsberger Vannucchi Arquitetura ao iniciarmos nossa transformação BIM em 2017. Foram seis estudos de investimento, realizados entre os anos de 2013 e 2017, até o dia em que finalmente o plano virou uma iniciativa. Era setembro de 2017 e acabávamos de começar aquele que seria o mais importante, transformador e arriscado investimento do ciclo estratégico KV2020: adotar o BIM como padrão do escritório, em 100% dos projetos, ao longo de 100% do ciclo de vida dos projetos.
Uma de nossas responsabilidades como arquitetos e arquitetas é entender como implementar em nossos projetos estratégias que considerem as pessoas que habitam os espaços, nosso consumo de recursos naturais e a viabilidade econômica desses empreendimentos. Tudo isso pode ser alcançado por meio de três objetivos principais: reduzir nossa pegada de carbono, criar ambientes de trabalho saudáveis e projetar edifícios eficientes e lucrativos.
Embora a construção em pedra seja uma técnica construtiva ancestral, o potencial expressivo, as texturas, a eficiência e a durabilidade deste material impulsionaram seu uso contínuo ao longo do tempo. A robustez, a rusticidade, a integridade e a ampla gama de texturas e variações que possibilita fizeram com que muitos/as arquitetos/as valorizassem os elementos pétreos, incorporando-os como recursos construtivos em seus projetos.
“Não é sua responsabilidade concluir a obra [de aperfeiçoar o mundo], mas você também não é livre para desistir dela.” —Rabino Tarfon
Em um voo recente, um senhor sentado ao meu lado notou, em voz alta, que eu estava lendo um livro sobre arquitetura. Atrevendo-me a engajar em uma conversa com mais de duas horas de voo pela frente, confessei que não apenas lia sobre o assunto, mas também praticava a arquitetura. Sua pergunta seguinte, com o tom sincero de um recém-estreante avô, foi se os/as arquitetos/as estavam “resolvendo a crise habitacional”.
O The Midnight Charette é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pela dupla de designers de arquitetura David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diversos profissionais de criação para conversas espontâneas, que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais. Uma ampla gama de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem dicas úteis para profissionais de design, enquanto outros apresentam análises de projetos, entrevistas ou explorações sobre o cotidiano e o design. O The Midnight Charette também está disponível no iTunes, Spotify, e YouTube.
Nesta semana, David e Marina recebem Dwayne Oyler — arquiteto, professor na SCI-Arc e cofundador da Oyler Wu Collaborative — para discutir os prós e contras dos processos de produção física e digital, a construção de triciclos, a evolução de seu escritório, a transposição do trabalho conceitual para edifícios reais, soldagem, ferramentas elétricas, a importância de ser seletivo na escolha dos projetos e muito mais!
https://www.archdaily.com.br/pt/1127058/dwayne-oyler-sobre-o-fazer-digital-e-fisicoThe Second Studio Podcast
Famosa por seu plano urbano e edifícios cívicos, Chandigarh representa um fragmento icônico da arquitetura modernista. Este centro econômico e administrativo foi concebido para mostrar ao mundo o progresso da recém-independente Índia dos anos 50.
Fachada da Villa Müller mostrando as janelas em diferentes alturas: consequência das diferenças internas de nível e pé-direito. Imagem de euphrosyne_3.14. Via Instagram
Entre 1928 e 1930, na cidade de Praga, capital da então Tchecoslováquia, Adolf Loos, com colaboração de Karel Lhota, projetou uma de suas mais influentes obras: a Villa Müller. A casa se tornou não só um marco na trajetória de Loos e na história da arquitetura, mas também um símbolo da expressão do Raumplan, caracterizado por Loos como uma sequência de espaços que, em diferentes níveis e variados pés-direitos, se relacionam e interagem uns com os outros.
A arquitetura tem um impacto no contexto na qual se implanta. No entanto, a experiência dos usuários se dão nos espaços internos. Grandes expoentes como Rogelio Salmona e Antonio Gaudí pensavam suas obras em todos os espectros da escala arquitetônica, para que até os mais finos detalhes de acabamento fossem parte da experiência.
É quase impossível imaginar nossas vidas sem o gás, apesar de raramente pensarmos nele (a não ser quando ele acaba durante o preparo de um bolo ou quando sentimos aquele cheiro que deixa todos preocupados). A conveniência de acender o fogão, aquecer a água para o banho ou deixar a casa quente no inverno é algo que já foi incorporado em grande parte dos cotidianos. No entanto, como toda energia, instalações com baixo desempenho ou manutenção deficiente podem causar vazamentos e incidentes, com o risco de afetar os ocupantes do espaço. Apesar da onipresença e da grande responsabilidade envolvida, quando falamos sobre o assunto, arquitetos tendem a relegar o trabalho para consultores e especialistas. Mas alguns cuidados podem ser tomados para que não haja surpresas desagradáveis no detalhamento do projeto ou durante a obra.
A seleção com curadoria desta semana de projetos enviados por nossos/as leitores/as foca em alguns dos componentes essenciais de nossas cidades contemporâneas.
Apresentando o melhor da arquitetura ainda não construída, o artigo destaca projetos de reutilização adaptativa que transformaram armazéns e fábricas abandonadas, o desenho urbano de uma rua em Luxemburgo, um plano diretor regenerativo em Seul e uma habitação familiar emergencial para abrigar temporariamente pessoas em situação de vulnerabilidade. Além disso, a seleção destaca uma biblioteca na Coreia do Sul e a extensão de um museu em Helsinque, uma vez que o aspecto cultural é parte integrante do nosso ambiente urbano.
Este artigo faz parte de uma colaboração com o site coolhuntermx, foi originalmente publicado em 2 de fevereiro de 2020 com o título "Un parque moderno para Guadalajara" e escrito por David Lozano Díaz.
Em 1971, o arquiteto Fernando González Gortázar, aos 29 anos, recebeu a encomenda de construir o Parque González Gallo. O projeto tinha dois objetivos: homenagear o falecido ex-governador José de Jesús González Gallo e oferecer um novo espaço público de grande escala para os novos bairros do leste de Guadalajara.
Robótica e automação estão presentes em qualquer previsão de como viveremos no futuro. Entre arquitetos e designers, essa tendência cruza uma variedade de escalas, de cidades inteligentes a cozinhas inteligentes. Conforme destacamos em nosso artigo "Tendências que influenciarão a arquitetura em 2019", os últimos anos viram um fortalecimento na forma como os espaços interiores estão sendo transformados pelas tecnologias, com pesquisas em domótica subindo 450% em doze meses.
No apogeu do Império Romano, seu território se estendia a mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, entre Europa, Ásia e África. Roma exercia poder sobre uma população de mais de 70 milhões de pessoas, o que correspondia a 21% da população mundial na época. De fato, como já mostramos em outro artigo, todos os caminhos levavam à cidade de Roma, grande sede do império e o patrimônio material e imaterial deixado pelo império é incomensurável, sendo que até hoje pesquisadores buscam entender todo o seu impacto no mundo atual. Desde o início de sua expansão no século VI a.C. até sua queda no ano de 476 d.C., o legado deixado pelos romanos abrange áreas como o direito, as artes plásticas, o latim que originou diversos idiomas, o sistema de governo e, muito importante, a arquitetura.
Vista aérea do centro de São Paulo. Foto de Sergio Souza, via Unsplash
Por que ficar na cidade?
A resposta dessa pergunta é óbvia para muitos dos moradores dos grandes centros: “é difícil achar emprego numa cidade menor, fora que lá nem cinema tem, são poucas as opções de restaurantes, e as escolas não são lá essas coisas.”
Se pensarmos em uma cidade como um organismo vivo, o que podemos aprender da natureza sobre como gerenciar um sistema tão complexo? Podemos aplicar ideias da biologia para construir cidades melhores e mais sustentáveis? E se sim - quais poderiam ser essas ideias?
O emocionante campo do bio-urbanismo tenta responder a essas perguntas explorando a interseção entre as cidades e o mundo natural ao nosso redor.
Assim como paredes e lajes, os móveis podem delimitar e definir um espaço. No entanto, ao contrário dos elementos construtivos, que fazem a distinção de ambientes de forma mais permanente, o mobiliário pode estabelecer limites entre um espaço e outro de maneira facilmente adaptável.
Climate Care – A Curriculum for Urban Practice foi um programa público de 10 dias com curadoria de Gilly Karjevsky e Rosario Talevi para a Floating University em Berlim. O Climate Care explorou correlações entre meio ambiente, práticas urbanas e educação, abordando de maneira afirmativa não apenas os desafios climáticos no âmbito ambiental, mas também colocando sob a lupa os complexos climas sociais, políticos e econômicos que nos cercam hoje.
Todo dia 8 de março, em nível global, a luta por direitos iguais e sufrágio universal é comemorada como parte de uma data estabelecida pela ONU em 1975. Essa comemoração reúne os esforços de mulheres que exigiram seu direito de votar, estudar, ocupar cargos públicos e combater a discriminação no trabalho. Essa luta é fruto da luta de muitas mulheres que se sacrificaram pela causa. Vários eventos que vivemos todos os dias mostram que a situação social mudou. No entanto, é essencial que homens e mulheres se comprometam com o progresso e a justiça para que as coisas aconteçam.
https://www.archdaily.com.br/pt/935286/mulheres-no-archdaily-refletem-sobre-o-futuro-da-arquiteturaArchDaily Team
A iluminação de cor regulável é uma tecnologia de iluminação inovadora e relativamente nova que permite controlar a cor da luz a qualquer momento após a instalação, adaptando-a a preferências individuais ou a necessidades específicas de cada projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126788/como-a-iluminacao-sintonizavel-afeta-o-humor-e-a-produtividadeDavid Hakimi
Desde os mais renomados institutos de tecnologia da América do Norte a projetos residenciais no Oriente Médio, a ideologia da Bauhaus se espalhou pelo mundo junto com seus principais pensadores, exilados após o fechamento da instituição com a ascensão do nazismo no final dos anos trinta na Alemanha. Sua influência na arquitetura e no design podem ser vistos pelos quatro cantos do mundo, projetos e edifícios construídos são testemunhas do prestígio da escola de Dessau e Weimar. Enquanto a maioria dos projetos em “estilo Bauhaus” apenas reproduz a linguagem universal proposta pela escola, alguns poucos exemplos em particular, combinaram a teoria da Bauhaus com princípios de design local, resultando em uma arquitetura universal entretanto, profundamente enraizada na cultural e no clima específico do lugar onde está inserida.
Este artigo foi desenvolvido através de uma colaboração entre o ArchDaily e a Arieh Sharon Organization. Todas as imagens históricas que ilustram a matéria foram gentilmente cedidas pela Arieh Sharon Org.
O foco da arquitetura deveria se voltar ao bem-estar de quem utiliza seus espaços. Ao pensar na experiência em hospitais, clínicas, consultórios odontológicos e afins, a lembrança que nos vem à mente nem sempre é a mais agradável. Grande parte da responsabilidade por essas experiências vem da percepção através dos nossos sentidos: odores específicos, as cores convencionais utilizadas nesses locais e até mesmo os sons dos instrumentos usados para a saúde bucal. No entanto, tudo isso se deve à atmosfera vivenciada nesses espaços, sendo que muitos deles carecem de um pensamento arquitetônico por trás de seu projeto.
A arquitetura e o design de interiores evolui constantemente para atender as demandas da sociedade e parte de seu papel social é auxiliar no bem-estar daqueles que transitam e utilizam seus espaços diariamente. Nesse sentido, no que se refere a arquitetura hospitalar - nicho responsável pelo desenvolvimento de projetos com foco na área da saúde, a partir de especificações, exigências e regulamentações que garanta e assegure a comodidade de seus pacientes - tem continuamente estudado questões intrínsecas de como o corpo em estado de adoecimento se comporta e estimula-se no espaço, de modo a criar ambientes que auxiliem no processo de reabilitação.