"The Blinkg Eye", Viktor Mayer-Schönberger, Karl-Heinz Machat, 2019
Estamos cada vez mais habituados/as a confiar em tecnologias para ler e processar dados referentes ao passado, de modo a interpretar o presente e prever o futuro. Paralelamente, um número crescente de estudos mostra que a quantidade e os tipos de variáveis que regem nossas sociedades estão em constante mudança. Assim como o mundo natural reage à mudança experimentando a evolução de novas espécies que não estão necessariamente destinadas a sobreviver, também nós deveríamos nos afastar momentaneamente da aplicação determinista de previsões baseadas em dados. Viktor Mayer-Schönberger e Karl-Heinz Machat propõem uma série de cenários possíveis nos quais os "Olhos da Cidade" (Eyes of the City) piscam de tempos em tempos, permitindo que modos alternativos de urbanidade sejam testados e experimentados. Metade estratégia, metade tática, essas falhas (glitches) oferecem o espaço necessário para medir a capacidade de ação do imprevisível em várias escalas.
Para a Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Interações Urbanas" (Urban Interactions) (21 de dezembro de 2019 a 8 de março de 2020), o ArchDaily está colaborando com a curadoria da seção "Eyes of the City" para estimular um debate sobre como as novas tecnologias podem impactar a arquitetura e a vida urbana. A contribuição abaixo faz parte de uma série de ensaios científicos selecionados por meio da chamada de trabalhos (call for papers) da seção “Eyes of the City”, lançada em preparação para as exposições: pesquisadores/as internacionais foram convidados/as a enviar suas reflexões em resposta à declaração dos/as curadores/as Carlo Ratti Associati, Politecnico di Torino e SCUT, que pode ser lida aqui.
O ano é 1985, você está arrumando sua maleta para ir ao escritório onde fica sentado atrás de uma prancheta para desenhar. Avance para 2020, e você estará tendo uma teleconferência com toda a equipe em um café do outro lado da rua. Relativamente, pouco mudou; o trabalho ainda deve ser concluído até o final do dia, apenas com um cenário diferente.
Atualmente, os funcionários procuram algo mais do que apenas um emprego atrás de uma mesa. Eles querem trabalhar em um espaço dinâmico e inspirador que agregue valor ao seu conhecimento e promova o seu bem-estar físico e mental. Mas esse não era o caso um século atrás. Veja como os escritórios evoluíram ao longo dos anos e o que podemos esperar do futuro.
Embora a multidisciplinaridade seja uma das mais interessantes virtudes da formação dos arquitetos e urbanistas, ela pode se confundir com certa imprecisão e desvios a respeito da apreensão das possibilidades práticas da profissão quando interpretada de forma genérica. Vez ou outra, é importante reiterar as particularidades do grande leque que a palavra "projeto" supõe ao campo, já que são elas que produzem tipos de conhecimento específicos e nichos que podem e devem ser ocupados pelos arquitetos.
A pandemia COVID-19 tem sido gerida de forma diferente pelos países. No caso do Brasil, alguns estados e municípios impuseram restrições na liberdade de circulação. Tais medidas levaram a uma forte quebra na atividade econômica e nos volumes de tráfego de veículos e pessoas nas cidades. O Google divulgou dados sobre a alteração nos padrões de mobilidade e, para o caso brasileiro, há diferenças marcantes.
https://www.archdaily.com.br/pt/937338/mobilidade-urbana-em-tempos-de-pandemiaMarcos Paulo Schlickmann
O concreto se posiciona como um dos maiores emisores de CO2 entre os materiais de construção. Por essa razão, nos últimos anos, o material tem estado no centro das atenções, levando muitos/as arquitetos/as a inovar e experimentar com esse sistema para tentar otimizar seu desempenho, extrair suas vantagens técnicas e mitigar suas desvantagens ambientais. Essas explorações construtivas aproveitam propriedades como a inércia térmica do material — que, com uma espessura adequada, viabiliza a construção de edifícios energeticamente eficientes —, exploram as vantagens associadas à durabilidade — permitindo um bom envelhecimento com manutenção nula, mesmo em climas agressivos de alta umidade e salinidade —, consideram suas possibilidades técnicas para, por exemplo, vencer grandes vãos e criar ambientes luminosos e com boa ventilação profissional; e estudam viabilidades como a reutilização das fôrmas ou a redução de custos por meio da minimização de elementos e da industrialização dos processos.
Postales de Cuarentena (ou, Postais de Quarentena) é um projeto de ilustrações de Alvaro Palma e Álvaro Bernis inspirado em cartões postais turísticos que questiona o desejo de compartilhar essa experiência - algo que passa na cabeça de muitos neste período de isolamento social em função do COVID-19.
O movimento smart ganhou força e gerou agitação na última década, mas apesar de todo o hype, o que é uma cidade inteligente? Os princípios por trás de sua definição, e objetivos soltos têm sido bastante inconsistentes. Enquanto alguns afirmam que o sistema deve ser baseado na digitalização de todos os aspectos urbanos, outros argumentam que o aumento na coleta de dados pessoais é o único método para melhorar o estilo de vida urbana. Para uma pessoa, o mundo digital pode ser o paraíso na Terra, já para a outra, tecnofóbica, praticamente o dia do juízo final. Além da mera definição dessas cidades, qual o papel dos arquitetos e pesquisadores na criação desse cenário futurista, ainda pouco identificado? Assim como Corbusier definiu a casa como uma máquina para morar, é hora de redefinirmos como nossos edifícios podem abandonar o exterior passivo, e se tornarem verdadeiras máquinas de trabalho, como sempre deveriam ter sido.
Uma das técnicas construtivas mais difundidas no Brasil certamente é a alvenaria. O tijolo, elemento que pode compor estrutura e fechamentos nos projetos, é um material expressivo e de fácil emprego graças a sua forma de produção e disponibilidade de mão de obra em qualquer região do território nacional.
O lobby, conhecido também como vestíbulo ou hall, é um espaço projetado para a recepção que se localiza de forma contínua em relação ao acesso de um edifício residencial ou uma casa individual, oficializando a área de transição entre o entorno urbano público e o programa privado.
Ele costuma estar localizado nos térreos dos edifícios, em vínculo direto com a rua, definindo-se como a "face visível" do projeto para o exterior. Por conta disso, suas características, seu desenho, sua estética, e todos aqueles elementos que o compõem são de grande relevância. Sua função é relativamente flexível, podendo ser utilizado como lugar de reunião, recepção ou espera.
A nova arquitetura bielorrussa é um reflexo da complexidade histórico-cultural de um país com um passado tão árduo quando diverso. Antiga República Socialista Soviética, a Bielorrússia é um país marcado por uma forte heterogeneidade cultural, especificidades que refletem a pluralidade de seus seis voblasts, ou províncias, e que finalmente caracterizam o ambiente construído diverso deste país. Desde a declaração de soberania do Estado Bielorrússo em 1990, as principais cidades do país passaram a receber um contingente populacional vindo do campo à um ritmo sem precedentes, e atualmente, as dez maiores cidades do país abrigam praticamente dois terços da população bielorrussa.
A chave para projetar ou recuperar com sucesso os espaços públicos de uma cidade é criar estratégias que favoreçam seu uso e os capacitem como ponto de encontro. Independentemente da escala, entre alguns dos aspectos mais importantes estão: o desenho informado pelas necessidades das pessoas; a consideração da escala humana; e uma mistura de usos que permita multifuncionalidade e flexibilidade e proporcione conforto e segurança.
Para lhe inspirar a projetar lugares de encontro e lazer, de praças a parques, de mirantes a playgrounds infantis, reunimos a seguir 100 espaços públicos de todas as escalas.
Seja por uma necessidade de adaptação ao terreno ou qualquer outro fator que leve à verticalização de um edifício, a presença de diferentes níveis requer soluções que os conectem. As escadas cumprem a função de interligar os diferentes pavimentos e desenvolver os fluxos de uma edificação por meio de uma grande variedade de conformações, desenhos e materiais. Quando são feitas de madeira, as diferentes espécies proporcionam ainda uma abundância de cores e texturas que contribuem para dar um aspecto singular a este componente em cada projeto.
De Wuhan a Nova Iorque, o epicentro do coronavírus está se deslocando para o ocidente e deixando um número impressionante de vítimas fatais. Lemos sobre relatórios alarmantes, notícias contraditórias e lembramos todos os dias que vivemos em tempos sem precedentes e difíceis. Uma boa notícia, no entanto: as emissões nas cidades estão diminuindo e a natureza segue seu curso regenerativo. Mas quanto tempo isso vai durar?
Reunindo os melhores projetos de arquitetura não construídos enviados por nossos/as leitores/as, esta seleção curada apresenta programas convencionais, originais e inovadores. Com projetos de todas as partes do mundo, esta compilação propõe uma descoberta conceitual de diferentes abordagens arquitetônicas.
A arte ganha destaque no artigo desta semana com um museu diferente para o Burning Man, um centro de arte futurista na Eslováquia, um museu dedicado à escrita e o Museu Chinimachin, inspirado na malha urbana da cidade de Bayburt, na Turquia. Além disso, a seleção apresenta residências integradas, a requalificação de uma quadra urbana em Londres e projetos de uso misto na Ucrânia e na Polônia. Entre as novas funções em destaque estão um farol de concreto na Grécia, um complexo de aposentadoria nas montanhas rochosas do Líbano e um hotel termal e spa na Capadócia.
O bambu é um material construtivo utilizado desde a antiguidade em diversas edificações que demonstram sua superioridade frente a materiais inovadores como o plástico e o aço, graças a inúmeras qualidades — sem esquecer o incomparável fator estético que o consagrou como uma das principais tendências arquitetônicas da atualidade.
Como já destacamos em diversas publicações e projetos relacionados ao bambu, somos testemunhas de suas qualidades estruturais e sustentáveis, que comprovam que este material pode ser até três vezes mais resistente que o aço e crescer 1,22 m em apenas um dia.
Estudantes da Escola de Arquitetura de Barcelona estão organizando um ciclo de palestras de arquitetura via streaming, com palestrantes locais e internacionais, para refletir sobre a quarentena, o confinamento, a liberdade, a repressão e os vírus.
Funcionalidade, boa ventilação, iluminação confortável e acesso a vistas externas são algumas das importantes características necessárias para o conforto humano em um espaço habitado ou ocupado. No entanto, esses elementos estão se tornando cada vez mais difíceis com habitações e construções urbanas menores. Arquitetos e indivíduos, portanto, recorrem a soluções de design para criar configurações mais agradáveis e personalizadas.
Uma solução para abrir e ampliar espaços é reduzir a quantidade de divisórias ou paredes sólidas e substituí-las por meios alternativos de separação espacial.
A arquitetura moderna nos ensinou um conjunto de lições que são apropriadas até os dias de hoje. Por esse viés, um dos cânones empregados neste movimento foi o uso de extensos panos de vidro sobre as fachadas, como elemento diluidor dos limites visuais entre interior e exterior. Assim, o que anteriormente baseava-se no mistério e resguardo, deu lugar a verdadeiros cubos envidraçados que revelavam a vida interior, a exemplo do Pavilhão de Barcelona e Casa Farnsworth de Mies Van Der Rohe, e Casa de Vidro de Lina Bo Bardi. No entanto, na contemporaneidade, com o boom causado pelas redes sociais, o espírito do voyeurismo parece despertar o desejo em observar a vida do outro e a arquitetura parece reinterpretar essa prática através de singelos detalhes projetuais, utilizando a transparência como elemento fundamental.
O New Generations é uma plataforma europeia que analisa as práticas emergentes mais inovadoras no cenário europeu, proporcionando um novo espaço para troca de conhecimento, debate, teoria e produção. Desde 2013, o New Generations envolveu mais de 300 escritórios em um programa diversificado de atividades culturais, como festivais, exposições, chamadas abertas, entrevistas em vídeo, workshops e formatos experimentais.
O New Generations lançou uma nova plataforma de mídia, oferecendo um espaço único onde arquitetos e arquitetas emergentes podem se encontrar, trocar ideias, buscar inspiração e colaborar. Projetos recentes, oportunidades de trabalho, análises, notícias e perfis serão publicados diariamente. A seção “perfis” oferece um espaço para quem deseja se integrar à rede de práticas emergentes e se apresentar à ampla comunidade de escritórios envolvidos na agenda cultural desenvolvida pelo New Generations.
O ArchDaily e o New Generations unem forças! A partir deste mês, o ArchDaily publica uma seleção de perfis de escritórios escolhidos na plataforma do New Generations.
O que é mais masculino: um estádio ou uma enfermaria? Hannah Rozenberg, arquiteta recém graduada no Royal College of Art (Londres), afirma ser o primeiro e apresenta um algoritmo para comprovar sua opinião.
Tallwood house – Canadá.” Crédito: Cortesia de naturallywood.com
O setor da construção civil é um dos que mais contribuem para a questão das mudanças climáticas, exaustão dos recursos naturais e geração de resíduos. Nessa ótica, é necessário que a forma de pensar as cidades, as edificações e seus diversos elementos sofra alterações. Para isso, é preciso que se mude a forma de pensamento linear para um modelo circular, em que se aumente a eficiência do uso de recursos e diminua a geração de resíduos e poluentes, tornando a cidade e suas construções mais inclusivas, socialmente mais justas e sustentáveis.
Existe um debate em torno da Casa Orozco sobre quem é o verdadeiro autor desta obra: Luis Barragán ou José Clemente Orozco. Embora saibamos que apenas um deles se dedicou formalmente à arquitetura, a resposta não é tão óbvia. Orozco retornou ao México em 1934, a convite do Governo da Cidade do México, após viver por sete anos em Nova York. A encomenda consistia em pintar um mural no interior do Palácio de Belas Artes. Em seguida, o Governo de Jalisco aderiu à iniciativa e solicitou ao artista o mesmo trabalho, mas para três edifícios públicos da cidade de Guadalajara.
A pandemia do COVID-19 caracteriza-se pela abrangência territorial de seu contágio. Não se trata de uma epidemia restrita a um local específico. O contágio ocorre por meio de uma rápida proliferação que se aproveita do mundo urbanizado em que vivemos. O vírus espalha-se pelas aglomerações nos espaços públicos e nos equipamentos privados de serviços, pelos terminais e estações de transporte, pelos assentamentos precários sem saneamento e, em última instância, pelo intenso fluxo nacional e internacional de pessoas e mercadorias que ocorre na rede de cidades que caracteriza o mundo urbano. A rede de aeroportos foi a grande entrada do vírus pelo mundo. Mas, a rede de trabalhadores informais que percorre as ruas da cidade entregando mercadorias em meio à pandemia e que não deixa o comércio parar parece ser uma das faces mais frágeis desse risco. Mas, se a vida urbana facilitou o contágio, alguns padrões de urbanização também podem ajudar a combatê-lo.
Abordando o problema da saúde na África e outros países, o escritório MASS ajudou a definir estratégias de projeto para mitigar e reduzir questões médicas críticas. Com alguns projetos operacionais e outros em andamento, estas instalações ajudam a combater uma ampla gama de doenças.