Quando o período de confinamento e de ampla contaminação da epidemia estiver encerrado não seremos mais os mesmos. Esta frase vem sendo dita e repetida, e realmente a sociedade mundial não será mais a mesma. Possivelmente muitas relações de trabalho irão mudar, e muitas legislações poderão sofrer adequações permitindo que a tecnologia passe a ser uma aliada nas relações entre empregador e funcionário, resultando inclusive em um impacto positivo nos aspectos de mobilidade, meio ambiente e consumo de energia.
https://www.archdaily.com.br/pt/937529/como-a-pandemia-de-covid-19-vai-nos-desafiar-a-criar-novos-espacos-publicosAna Paula Wickert
A palavra e a escuta, com o coração, têm muitos caminhos, muitos modos, muitos calendários e muitas geografias para se encontrar. E esta luta pela vida pode ser um deles. - Comunicado do Exército Zapatista de Libertação Nacional frente à COVID-19
Enquanto os governos do mundo clamam pelo “distanciamiento social” e alguns deles militarizam o espaço público recorrendo à violência e pulverizando a coletividade, o Exército Zapatista de Libertação Nacional faz um chamado para “erguer bem alto a bandeira da luta pela humanidade”, a não perder o contato humano e a não deixar cair as lutas sociais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126771/a-pandemia-torna-visivel-o-que-sempre-esteve-la-desigualdade-e-individualismoMariana Ordoñez y Jesica Amescua
No processo de formação acadêmica, arquitetos iniciantes são educados e incentivados a desenvolverem projetos e trabalhos nos softwares mais “tradicionais”, sejam pelas parcerias que essas empresas fazem com os laboratórios das universidades, pela falta de tempo para aprender um novo programa, ou pelo decorrente da cultura de se manter utilizando softwares mais populares.
Até 2050, a população mundial deverá ultrapassar os 10 bilhões de habitantes, fazendo a superlotação das cidades uma das questões mais prementes da atualidade. A análise de dados, os algoritmos de aprendizado de máquinas, o desenvolvimento de novos sistemas de transporte e a rápida evolução das novas tecnologias estão causando um impacto cada vez maior na maneira com que as pessoas se relacionam com o espaço urbano, algo que influenciará decisivamente o futuro das nossas cidades, e em maior medida, a vida de todos nós.
Etudes é uma obra singular entre os livros de arquitetura. Seu tema não são projetos construídos ou não construídos, mas sim lugares imaginários e composições abstratas do arquiteto de São Francisco, John Marx. Representados em delicadas aquarelas, os espaços de Marx são oníricos, assemelhando-se à estrutura e à sensibilidade de sua poesia concisa, que acompanha as páginas de suas pinturas.
Curiosamente, as ruas silenciosas e as paisagens desertas da imaginação de Marx dialogam conosco de forma extremamente oportuna, no momento em que nos deparamos com um novo mundo de cidades vazias e de atividades suspensas — um mundo que parece ter estagnado.
A arquitetura brutalista responde a um momento histórico. Terminava a Segunda Guerra Mundial e das cinzas surge uma nova forma de Estado, junto com um nova ordem global que vai incluir, com maior protagonismo, a Estados periféricos.
A arquitetura brutalista nasce como resposta a ideias de estados benfeitores, estados robustos que vão sustentar e dirigir a nova sociedade de massas. Como disse o crítico Michael Lewis "o brutalismo é a expressão vernacular do estado benfeitor".
Com o sentido perdido, as cidades buscam novos significados. Hoje dependemos das redes sociais digitais para acessar bens comuns como cultura, lazer, encontros significativos - mas como podemos usufruir das tecnologias para permitir o direito à cidade em tempos de pandemia? Vivemos um movimento global de diminuição do ritmo do desenvolvimento urbano: o esvaziamento das cidades na Índia, o êxodo urbano na França, o retorno às menores cidades e às áreas rurais, onde há menor densidade populacional e maior qualidade de vida. O que significa a cidade se não a promessa do acesso aos bens comuns que ela oferece?
Como expressão de poder e símbolo de vigilância, o panóptico é um notório conceito arquitetônico concebido como um mecanismo disciplinar. O/A fotógrafo/a Romain Veillon compartilha suas imagens da prisão inspirada no modelo panóptico em Autun, na França.
Os arquitetos de hoje enfrentam uma tarefa comum que desafia a intuição - como equilibrar o desempenho da construção e metas estritas de carbono e custos. A sustentabilidade nas edificações é certamente uma meta digna e necessária, mas a quantidade de opções pode ser avassaladora e os custos proibitivos, especialmente aos olhos dos proprietários. Como os projetistas podem convencer melhor seus clientes a integrar sustentabilidade em um projeto? Manter os custos baixos e fazer decisões com análise baseada em fatos são os primeiros passos sólidos.
Ainda que a alguns anos a tecnologia BIM pudesse ser considerada como uma grande novidade ou até um futuro muito distante, o fato é que o termo BIM é hoje algo pra lá de familiar dentro dos escritórios de arquitetura e também de engenharia. Entretanto, vocês já se perguntaram por que o uso dos sistemas BIM cresceu tanto ao longo dos últimos anos? Acontece que os chamados modelos de informação da construção simplificaram e muito o trabalho dos diferentes atores envolvidos nos processos de projeto e construção, uma vez que não apenas facilitam o processo de projeto mas também simplificam a análise global de todos os componentes de um edifício, fazendo da compatibilização de projetos uma brincadeira de criança além de minimizar todos os possíveis erros e conflitos que possam existir em um projeto de arquitetura.
Graças as ferramentas BIM, atualmente é possível trabalhar de maneira colaborativa e simultânea, maximizando a eficiência da gestão e administração de projetos desde a micro à macro escala, permitindo que arquitetos e engenheiros possam compartilhar seus modelos paramétricos que incluem, evidentemente, informações em 2D, 3D e o que é melhor, dados quantitativos e precisos sobre todos os componentes de um edifício.
https://www.archdaily.com.br/pt/937749/curso-online-gratuito-de-revit-para-arquitetos-e-estudantes-durante-a-quarentenaGoPillar Academy
Construção do estádio Al Wakrah. Imagem cortesia do Supreme Committee for Delivery & Legacy
Entre fevereiro de 2014 e setembro de 2015 – poucos meses antes de seu precoce e inesperado falecimento – a arquiteta Zaha Hadid esteve no centro de um acalorado e polêmico debate. Debate esse que teria como foco, de um lado as crescentes e cada vez mais graves denúncias sobre as condições de trabalho no Qatar de forma geral, e em específico nas obras empreendidas para a realização da Copa FIFA – Fédération Internationale de Football Association, de 2022 (ITUC, 2014; Amnesty International, 2016); e do outro o projeto do Al Wakrah Stadium – elaborado pelo escritório de arquitetura sediado em Londres que leva seu nome, e assinado por Hadid e Patrik Schumacher, para o referido evento.
https://www.archdaily.com.br/pt/937775/arquitetura-forma-e-trabalho-reflexoes-sobre-zaha-hadid-e-as-obras-do-estadio-para-a-copa-2022-no-qatarMarianna Boghosian Al Assal
Como parte de uma iniciativa do Makers México, um grupo de cerca de 300 profissionais criativos de diversas áreas continua se unindo para enfrentar a pandemia de COVID-19. Arquitetos como Juan Carlos Baumgartner, Michel Rojkind e o designer Ariel Rojo começaram a se somar a esse esforço para contribuir de diferentes maneiras na criação de peças impressas em 3D que possam ser doadas a vários hospitais do país. Atualmente, eles estão trabalhando em um splitter – que permite que dois pacientes fiquem conectados ao mesmo tempo em caso de escassez de respiradores –, em uma máscara de proteção para médicos/as e pacientes, bem como em outras peças que complementam o funcionamento desses equipamentos.
Hashim Sarkis, curador da 17ª Exposição Internacional de Arquitetura, organizada pela La Biennale di Venezia, lançou um impressionante tema visionário no início deste ano: “Como viveremos juntos?”. Esta questão fundamental finalmente transcende todas as disciplinas e abre um portal existencial para a humanidade. Não se refere apenas aos seres humanos, mas a todas as espécies - os organismos não humanos também.
Pygmalion Karatzas, profissional da fotografia de arquitetura e belas artes, apresenta uma série de recursos online gratuitos de fotografia de arquitetura para os leitores explorarem durante o período da pandemia de COVID-19. Os recursos selecionados incluem e-books, inúmeras entrevistas com profissionais renomados da fotografia de todo o mundo, apresentações educacionais (artigos acadêmicos, palestras, workshops) e vídeos.
Como aponta Jeremy Lent em um recente artigo, a expressão “distanciamento social” tem sido proveitosamente reformulada como “distanciamento físico”, uma vez que esta pandemia está unindo as pessoas em solidariedade de forma inédita. Diante disso, testemunhamos uma comovente redescoberta do valor da comunidade e dos impulsos prossociais da humanidade, como o altruísmo e a compaixão, manifestando-se em diversos setores e fronteiras.
Qual é o tamanho deste cômodo? Como é a vista da sala de reunião? O que você veria se olhasse de fora para dentro? Esses são exemplos clássicos de perguntas feitas a designers. Haveria resposta melhor do que mostrar imediatamente a vista em questão? O XUVER oferece uma maneira prática de compartilhar uma visualização renderizada online do seu projeto em menos de um minuto. Nenhum software adicional é necessário; tudo o que você precisa é de um link e de um navegador de internet. Um módulo de voz também permite discutir o projeto simultaneamente.
Courtesy of the German Design Council. Image Wuhan Panlong Plaza Yinxing Cinema
Design, branding e inovação são três dos principais fatores responsáveis pelo sucesso de uma empresa, especialmente em tempos de mudança e crise como o atual momento que estamos vivendo. Receber um prêmio de excelência é uma ótima oportunidade para chamar a atenção do público e angariar mensagens de apoio e motivação. O German Design Awards - o prêmio internacional concedido anualmente pelo German Design Council - acaba de abrir a convocatória para a inscrição de trabalhos para a edição do ano que vem, uma oportunidade única para muitos escritórios de design e profissionais autônomos. O prêmio procura promover a inovação e a experiência em design, oferecendo à comunidade internacional a possibilidade de promover seu próprio trabalho em um contexto mais amplo.
Aparentemente, a crise humanitária desencadeou um sem-número de ações usualmente escassas, nas quais a vida humana, a saúde e a economia estão no mesmo patamar. As atividades das cidades são interrompidas e, mais uma vez, nos isolamos, nos alienamos. No entanto, a situação se assemelha a algo com o qual já estamos acostumados. Sem grandes questionamentos, voltamos novamente nossas vidas para a tecnologia, nos desligamos das condições naturais de nossa existência e tornamos a quarentena mais suportável em espaços de teletrabajo, aulas virtuais, chats e redes sociais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126840/arquitetura-de-uma-crise-a-pandemia-e-os-espacos-virtuaisJulián Jerez V.
A madeira é um dos materiais construtivos mais antigos usados na arquitetura. Versátil, pode ser empregada em soluções estruturais, revestimentos, divisórias, encaixes e, com muita frequência, no mobiliário. Outra qualidade do material é seu apelo em relação à sustentabilidade - se bem manejada durante o plantio e processos de corte e tratamento, pode ser considerado um bem renovável e de baixa emissão de carbono, agregando valor ao edifício concluído.
Os pisos de taco de madeira, ou simplesmente pisos de taco, são feitos a partir do conjunto de peças retangulares de madeira maciça, que podem ser instaladas seguindo padrões gráficos em diagonal, espinha de peixe, xadrez, entre outros. Os diferentes desenhos, somados aos variados padrões de textura e cores das peças, abrem caminho para inumeráveis arranjos compositivos a partir da aplicação e repetição de unidades de mesma dimensão.
"The Blinkg Eye", Viktor Mayer-Schönberger, Karl-Heinz Machat, 2019
Estamos cada vez mais habituados/as a confiar em tecnologias para ler e processar dados referentes ao passado, de modo a interpretar o presente e prever o futuro. Paralelamente, um número crescente de estudos mostra que a quantidade e os tipos de variáveis que regem nossas sociedades estão em constante mudança. Assim como o mundo natural reage à mudança experimentando a evolução de novas espécies que não estão necessariamente destinadas a sobreviver, também nós deveríamos nos afastar momentaneamente da aplicação determinista de previsões baseadas em dados. Viktor Mayer-Schönberger e Karl-Heinz Machat propõem uma série de cenários possíveis nos quais os "Olhos da Cidade" (Eyes of the City) piscam de tempos em tempos, permitindo que modos alternativos de urbanidade sejam testados e experimentados. Metade estratégia, metade tática, essas falhas (glitches) oferecem o espaço necessário para medir a capacidade de ação do imprevisível em várias escalas.
Para a Bienal de Urbanismo\Arquitetura de Shenzhen (UABB) de 2019, intitulada "Interações Urbanas" (Urban Interactions) (21 de dezembro de 2019 a 8 de março de 2020), o ArchDaily está colaborando com a curadoria da seção "Eyes of the City" para estimular um debate sobre como as novas tecnologias podem impactar a arquitetura e a vida urbana. A contribuição abaixo faz parte de uma série de ensaios científicos selecionados por meio da chamada de trabalhos (call for papers) da seção “Eyes of the City”, lançada em preparação para as exposições: pesquisadores/as internacionais foram convidados/as a enviar suas reflexões em resposta à declaração dos/as curadores/as Carlo Ratti Associati, Politecnico di Torino e SCUT, que pode ser lida aqui.
O ano é 1985, você está arrumando sua maleta para ir ao escritório onde fica sentado atrás de uma prancheta para desenhar. Avance para 2020, e você estará tendo uma teleconferência com toda a equipe em um café do outro lado da rua. Relativamente, pouco mudou; o trabalho ainda deve ser concluído até o final do dia, apenas com um cenário diferente.
Atualmente, os funcionários procuram algo mais do que apenas um emprego atrás de uma mesa. Eles querem trabalhar em um espaço dinâmico e inspirador que agregue valor ao seu conhecimento e promova o seu bem-estar físico e mental. Mas esse não era o caso um século atrás. Veja como os escritórios evoluíram ao longo dos anos e o que podemos esperar do futuro.
Embora a multidisciplinaridade seja uma das mais interessantes virtudes da formação dos arquitetos e urbanistas, ela pode se confundir com certa imprecisão e desvios a respeito da apreensão das possibilidades práticas da profissão quando interpretada de forma genérica. Vez ou outra, é importante reiterar as particularidades do grande leque que a palavra "projeto" supõe ao campo, já que são elas que produzem tipos de conhecimento específicos e nichos que podem e devem ser ocupados pelos arquitetos.
A pandemia COVID-19 tem sido gerida de forma diferente pelos países. No caso do Brasil, alguns estados e municípios impuseram restrições na liberdade de circulação. Tais medidas levaram a uma forte quebra na atividade econômica e nos volumes de tráfego de veículos e pessoas nas cidades. O Google divulgou dados sobre a alteração nos padrões de mobilidade e, para o caso brasileiro, há diferenças marcantes.
https://www.archdaily.com.br/pt/937338/mobilidade-urbana-em-tempos-de-pandemiaMarcos Paulo Schlickmann
O concreto se posiciona como um dos maiores emisores de CO2 entre os materiais de construção. Por essa razão, nos últimos anos, o material tem estado no centro das atenções, levando muitos/as arquitetos/as a inovar e experimentar com esse sistema para tentar otimizar seu desempenho, extrair suas vantagens técnicas e mitigar suas desvantagens ambientais. Essas explorações construtivas aproveitam propriedades como a inércia térmica do material — que, com uma espessura adequada, viabiliza a construção de edifícios energeticamente eficientes —, exploram as vantagens associadas à durabilidade — permitindo um bom envelhecimento com manutenção nula, mesmo em climas agressivos de alta umidade e salinidade —, consideram suas possibilidades técnicas para, por exemplo, vencer grandes vãos e criar ambientes luminosos e com boa ventilação profissional; e estudam viabilidades como a reutilização das fôrmas ou a redução de custos por meio da minimização de elementos e da industrialização dos processos.