Quase dois meses se passaram desde que teve início, em diversos países, o regime de quarentena como estratégia para reduzir a taxa de transmissão do coronavírus. Desde então, parte considerável dos profissionais da arquitetura passaram a adotar o tele-trabalho, ou home office, dando seguimento aos projetos já iniciados, amparados por uma série de novas ferramentas de reunião online, armazenamento de documentos na nuvem e modelos BIM.
A memória é algo singular para cada indivíduo. Muitas vezes, os espaços físicos atuam como gatilhos potentes para as lembranças ou se tornam o próprio cerne da recordação. Na nova e intimista campanha da AXOR, intitulada "AXOR Places", designers parceiros/as da marca compartilham seus respectivos "Lugares de Memória". Complementados por fotografias aéreas de paisagens de Tom Hegen, os relatos dos/as designers revelam suas experiências singulares de lugar. As imagens estabelecem um paralelo entre esses "Lugares de Memória" pessoais e as possibilidades de personalização oferecidas pela coleção de misturadores AXOR MyEdition.
É rijo como cal e madeira o espírito das mulheres que participam dos movimentos de luta por moradia no Brasil. Maioria em ocupações de territórios, elas coordenam com vigor as práticas organizacionais e políticas de assentamento e construção de habitação popular. Não é à toa que muitas das ocupações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ou do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) carregam nomes de mulheres como Dandara, liderança de um quilombo do período colonial.
Muitos de nós já vivemos, ou estamos vivendo atualmente, em algum tipo de moradia comunitária compartilhada. Seja por uma necessidade, durante a faculdade e os primeiros anos depois de formado, ou por uma escolha, em uma comunidade de amigos ou aposentados, compartilhar o espaço da vida cotidiana está se tornando cada dia mais comum, a ponto de se transformar em um mercado muito explorado e porque não, lucrativo. As empresas especializadas em co-living, incluindo a WeLive, a Common, e a Ollie, têm explorado as vantagens da chamada economia compartilhada, oferecendo soluções de moradia acessíveis, e promovendo a diversidade sociais em determinados contextos. Enquanto continuamos a lutar contra o avanço da disseminação da pandemia da COVID-19, procurando nos adaptar as novas regras de distanciamento social, as pessoas que vivem em casas e apartamentos compartilhados passaram a explorar diferentes possibilidades impulsionadas por este estilo de vida, descobrindo novas formas de viver em comunidade, ao mesmo tempo que, procuram minimizar os riscos de contágio. De fato, o que se percebe é que estas comunidades podem estar ainda melhor preparadas para lidar com uma pandemia ao mesmo tempo que proporcionam uma sensação de normalidade, algo tão distante daquelas pessoas que, antes mesmo do início da pandemia, já viviam em uma espécie de isolamento domiciliar.
A ruptura causada pelo coronavírus pode ter aberto portas pelas quais muitos já esperavam. Estudos preliminares apontam que vivemos, nos últimos três meses, uma revolução tecnológica mais rápida do que em qualquer outro período anterior. Diante da necessidade de adaptação e para garantir a habitabilidade do tecido urbano, quem formula as políticas públicas vem revisando protocolos de dados e legislações, abrindo caminho para soluções de saúde urbana baseadas em tecnologia. No entanto, muitas dessas mudanças permanecerão após o vírus. Esse precedente, consolidado como um legado, trará motivos tanto para deslumbramento quanto para preocupação em relação ao nosso futuro urbano.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126710/os-motivos-de-fascinio-e-preocupacao-com-as-cidades-digitais-pos-virusZaheer Allam, Gaetan Siew and Felix Fokoua
A partir deste dia 30 de abril, será realizada uma série de palestras, oficinas, fóruns, exposições e outros eventos sobre a lendária escola Bauhaus e, sobretudo, suas repercussões na América Latina. Diante da conjuntura atual, algumas das atividades foram reformuladas para ocorrer de forma online.
A cidade como a conhecemos está colapsando e é incapaz de propor novas alternativas de vida. O vírus está nos obrigando a assimilar o esgotamento das edificações que compõem a cidade e dos sistemas sobre os quais foi concebida toda a urbe em si mesma. Atividades básicas separadas por quilômetros de distância em ruas intransitáveis, galpões e galerias como invólucros fechados e climatizados artificialmente que já não admitem aglomerações — e que, consequentemente, tornam-se inacessíveis —, cápsulas infra-humanas empilhadas em torres que não contemplam espaços abertos, áreas comuns ou natureza, onde praticamente não há contato com o exterior, serão cada vez mais disfuncionais com o passar do tempo.
A digitalização dos meios de produção e os recursos tecnológicos ligados ao desenvolvimento de ferramentas cada vez mais sofisticadas impactam diretamente na prática contemporânea da arquitetura e do urbanismo. Pensar cidades e edifícios a partir do pressuposto digital representa grandes possibilidades de inovação em termos de desenho, otimização de recursos e processos, melhoria no desempenho e acompanhamento para manutenção de obras, entre outros aspectos. Muitas ferramentas estão disponíveis atualmente, e vão desde inteligência artificial à impressão 3D, passando por diversos artifícios que alteram os paradigmas da profissão e demandam uma nova postura na hora de projetar.
Pouco tempo depois de a Organização Mundial da Saúde declarar o surto do novo coronavírus (COVID-19) — que surgiu em Wuhan em dezembro de 2019 — como uma pandemia, enfatizando o grau de contágio da doença e evidenciando as deficiências em escala global nos métodos de contenção da mesma, a maioria dos países latino-americanos começou a adotar medidas de Emergência Sanitária para mitigar o contágio e fortalecer a capacidade de resposta de seus sistemas de saúde.
De modo geral, existem determinados fatores em projetos de espaços expositivos que contribuem para uma eficaz apresentação das obras: iluminação difusa, distribuição espacial e pé-direito altos são alguns deles. A combinação destas características com a capacidade de transformação dos ambientes (com a presença de elementos que possam ser perfurados, repintados e adaptados de acordo com cada exposição), são recorrentes em muitas galerias de arte e expressam o diálogo entre arte e arquitetura.
Atualmente, mais da metade da população mundial vive em cidades e se espera que esse número cresça para cerca de 70% até 2050, sendo que a maior parte das construções se concentrará em cidades localizadas na África, Ásia e América Latina, de acordo com dados das Nações Unidas (2017).
Dessa forma, as cidades ocupam papel de destaque em relação às mudanças climáticas, já que tendem a ser os locais de maior emissão de gases de efeito estufa (GEE) causado pelas atividades antrópicas e onde muitos dos impactos ocorrerão.
https://www.archdaily.com.br/pt/938224/cidades-inteligentes-mudancas-climaticas-e-vulnerabilidadesLucas Rosse Caldas, Andrea Santos e Luan Santos
No mundo contemporâneo da arquitetura digital, um termo se destaca mais do que qualquer outro: BIM. A Modelagem de Informação da Construção (BIM) diz respeito à inserção e associação de dados em um modelo digital. Profissionais de arquitetura utilizam o BIM por diversos motivos, mas o denominador comum de seu uso é a existência de um único modelo que serve como ponto de contato para a coordenação entre equipes internas e externas.
Flansburgh Architects, um escritório sediado em Boston e especializado em arquitetura educacional, implementou um fluxo de trabalho Big BIM para o projeto de uma nova escola na cidade de Holbrook, Massachusetts. Kent Kovacs, AIA, vice-presidente e diretor responsável, e Brian Hores, AIA, gerente de BIM, compartilharam como esse processo beneficiou o projeto.
Arquitetos da era moderna são personagens que ainda hoje despertam as mais diversas fantasias através de seus projetos e (controversas) histórias de vida. Tomemos como exemplo a paixão que Le Corbusier nutria pela arquiteta Eileen Gray e a sua relação com o projeto da Casa E.1027, a qual ela havia projetado para seu amante, Jean Badovici, então amigo pessoal de Corbu. Sabe-se que o famoso arquiteto franco-suíço, procurando desesperadamente chamar a atenção de Gray, decidiu entrar na casa sem sem convidado, e começou a pintar grandes murais coloridos em uma das paredes brancas da sala. Além disso, sabemos que Corbusier foi um dos piores críticos da obra de Gray, desdenhando publicamente das suas qualidades como projetista, ao mesmo tempo que, contraditoriamente, à elogiava em em suas cartas de amor nunca respondidas. Algo parecido aconteceu na vida de Adolf Loos. Depois de um encontro casual em Paris com a estrela em acensão de apenas 19 anos, Josephine Baker, ele decidiu simplesmente projetar uma casa para ela. Obviamente, o projeto nunca saiu do papel.
O fascínio destes dois personagens por mulheres alheias são um resumo da história de um das mais famigeradas publicações periódicas do mundo, a revista Playboy. Entretanto, para além do seu conteúdo explicito, desde seus primórdios os editores da revista se esforçaram para promover um estilo de vida pontuado pelo design moderno, celebrando algumas das mais importantes figuras (masculinas) no mundo do design americano. Em um esforço para promover a revista como uma publicação moderna e de vanguarda, os editores entrevistavam com frequência alguns dos mitos da arquitetura americana, como Mies van der Rohe, Buckminster Fuller e Eero Saarinen, aproximando tais figuras de um público, que apesar de devoto a harmonia das formas, era totalmente iletrado em arquitetura.
Cortesía de Facultad de Arquitectura y Diseño de la Pontificia Universidad Javeriana
A prática acadêmica da arquitetura deve levar estudantes e docentes a um estado de constante adaptabilidade e exploração. Estudantes do primeiro semestre da Pontifícia Universidade Javeriana construíram no edifício de artes (antes do estado de emergência) uma intervenção de arquitetura efêmera utilizando a madeira como material estrutural. Proporcionando, assim, aos futuros arquitetos e arquitetas a experiência acadêmica do construído logo em seu primeiro semestre na faculdade.
É bastante comum usar o termo acessibilidade ao projetar espaços para pessoas com necessidades especiais ou para idosos. No entanto, para garantir um design universal eficaz para as crianças, é imprescindível conhecer e focar em suas necessidades específicas, com base em ergonomia, segurança, iluminação natural e artificial, cores e acessórios. Neste artigo, abordaremos os parâmetros mais importantes a serem considerados ao especificar dimensões e materiais em banheiros coletivos para crianças pequenas.
A adesão das novas tecnologias na prática da arquitetura vêm crescendo e expandido as possibilidades projetuais os últimos anos. O emprego da automação de processos e funções ligadas ao universo da construção pode ir desde as estratégias de planejamento nas cidades, até a escala mínima das demandas cotidianas de um programa doméstico, por exemplo. Um dos mais relevantes meios de incorporação das tecnologias recentes nos escritórios é por meio do que se conhece como inteligência artificial, que refere-se, em linhas gerais, ao uso de dados que podem "ensinar" as máquinas a funcionarem em níveis diversos de autonomia.
Enquanto a esmagadora maioria do mundo ainda está lutando contra o COVID-19, a situação econômica e social na China mostrou sinais de retorno a um novo estilo de vida normal nas últimas semanas. Em outro sinal de boas-novas, o governo chinês anunciou recentemente que os dois hospitais em Wuhan, que foram construídos desde o zero dentro de 10 dias fechariam suas portas no dia 15 de abril e os 30 pacientes restantes serão transferidos para outros hospitais em Wuhan para receber tratamento adicional. Outras regiões da China seguiram passos similares, também anunciando o fechamento de hospitais temporários, mostrando um sinal positivo de que a pandemia do COVID-19 finalmente está sendo derrotada no lugar onde surgiu pela primeira vez.
Copilamos uma lista com os hospitais temporários construídos nos primeiros dois meses de 2020, desenhados especificamente para tratar pacientes com sintomas de COVID-19. No total, a China construiu mais de 30 hospitais temporários em todo o país. A velocidade a qual completaram essas instalações médicas foi alcançada graças ao árduo trabalho de dezenas de milhares de pessoas que trabalharam 24 horas por dia.
https://www.archdaily.com.br/pt/937809/conheca-os-hospitais-chineses-construidos-para-controlar-a-pandemia-de-covid-19Milly Mo
As expressões regionais da cultura de um país representam um dado significativo que ajuda a entender a relação do contexto e das condições específicas com as mais diversas formas de manifestação social. Essas nuances e singularidades dentro do âmbito da construção se traduzem no que pode ser entendido como arquitetura vernacular. Apesar de sempre ter existido, esse universo dos exemplares locais de arquitetura a partir de materiais, técnicas e soluções construtivas regionais veio a ser bastante estudado no Brasil na segunda metade do século XX, em um projeto de traçado da história arquitetônica nacional encabeçado por Lucio Costa.
As imagens dos escritórios da Autodesk no MaRS, em Toronto, mostram múltiplas iterações e layouts de plantas que atenderam a diversos critérios diferentes, tanto de preferências dos funcionários quanto do programa do projeto e das necessidades ambientais. Imagem cortesia de Autodesk
Embora a ideia de Inteligência Artificial (IA) possa ser assustadora para muitos, o mais importante a se ter em mente é que ela não passa de uma ferramenta. Assim como em tantos outros momentos da história, temos encontrado constantemente maneiras de fazer mais com menos, tornando-nos mais eficientes e superando nossos limites anteriores. O desenvolvimento da IA representa um grande passo para a criação de novas aplicações capazes de impulsionar diversos setores.
Por exemplo, profissionais de design nas áreas de manufatura e saúde têm liderado o uso de IA e design generativo em benefício de suas respectivas áreas. Há excelentes exemplos de casos de uso de vanguarda, desde equipes de corrida até empresas como a Airbus, que utilizam essas ferramentas, além de outras tecnologias como IoT e RV, que também começam a ganhar força em nosso setor.
Em um ambiente visualmente superestimulado, os projetos de arquitetura competem pela atenção por meio de imagens impactantes e representações gráficas intrigantes de seus conceitos. As habilidades de visualização são altamente valorizadas na área da arquitetura, mas seu desenvolvimento exige tempo e esforço significativos. Arch-Vizz é um site dedicado tanto a estudantes quanto a profissionais que buscam aprimorar suas habilidades de visualização e ampliar sua perspectiva sobre a representação arquitetônica.
O ArchDaily criou uma lista com os melhores artigos sobre dicas e recomendações que você precisa saber sobre materiais, construção, projeto, educação, trabalho (e a vida em geral).
Como forma de promover maiores distâncias entre as pessoas e incentivar formas alternativas de transporte tanto para profissionais de atividades essenciais que continuam trabalhando no período da pandemia do novo coronavírus, como para os cidadãos que podem sair para se exercitar, cidades ao redor do mundo estão revisando políticas de transporte e revertendo vias destinadas a veículos motorizados para o uso de ciclistas e pedestres.
Reaproveitar uma pré-existência, atribuindo-lhe novo uso ou simplesmente melhorando suas condições, poder ser uma estratégia inteligente em nosso contexto ambiental de acelerado consumo de recursos. Pensar em modos de recuperar um edifício é tarefa da arquitetura, mas a missão se complexifica quando a pré-existência é imbuída de altos valores e significados culturais e históricos, já que intervir – e alterar – o patrimônio arquitetônico significa redesenhar o passado e prescrever um futuro, que pode ou não conter novos modos de usar a estrutura.
Módulos CURA. Imagem cortesia de Carlo Ratti Associati
À medida que a crise global de saúde se estende, arquitetos/as e designers colocam sua experiência, capacidade técnica e habilidades de pesquisa a serviço do combate ao coronavírus. Metropolis Magazine reuniu uma lista de diversas empresas e suas diferentes iniciativas para ajudar diante dessa situação inédita. Desde a impressão 3D de equipamentos de proteção individual para equipes médicas até o projeto de unidades modulares de terapia intensiva e a pesquisa de etapas para a conversão de edifícios em hospitais, a comunidade criativa está oferecendo sua contribuição para os esforços de enfrentamento da pandemia.