Fachada do pavilhão de Yolana Lemos. Image Cortesia de Cabana de Arte
Ainda pouco visada pela mídia internacional, a produção arquitetônica contemporânea da Angola enfrenta, à semelhança de boa parte de seus vizinhos africanos, realidades sociais e econômicas que não contribuem com sua difusão. Quando às dificuldades habituais da arquitetura são somadas ainda outras, derivadas de intenso processo de neocolialismo, fica realmente difícil tirar as boas ideias do papel, construí-las de fato. Tensionando a relação entre o concreto e o digital, o grupo angolano Banga recorre ao espaço virtual para dar vida a projetos que mesclam arquitetura, experiências sensoriais e arte.
O ambiente em que habitamos nos influencia diretamente. Quando pensamos nas crianças, é sempre desejável que consideremos que este ambiente seja seguro, acessível e, ao mesmo tempo estimulante, para que eles possam se mover e se desenvolver livremente sem colocar sua integridade física em perigo. Já falamos em outra oportunidade sobre como criar playgrounds dentro de casa, mas hoje, decidimos reunir uma série de exemplos que usam o calor e a versatilidade da madeira para criar interiores interativos, criativos e divertidos para as crianças.
O Centro Técnico da General Motors fascina por sua arquitetura repleta de luz. Escritórios internos e showrooms evocam a impressão de um céu nublado e sereno, proporcionando um ambiente humanizado e de grande beleza. O campus projetado por Eero Saarinen é um ícone influente do design de meados do século XX (midcentury). O livro de Susan Skarsgard, "Where Today Meets Tomorrow", abre perspectivas intrigantes sobre a origem desse marco norte-americano.
Em cidades densas, onde os lotes são geralmente definidos por empenas adjacentes, a proximidade de outros edifícios representa um grande desafio quando se trata de projetar espaços de qualidade que incorporem recursos como luz natural ou ventilação cruzada.
No entanto, essa condição pode não ser a única limitação: a natureza múltipla e mutável da cidade, em alguns casos, pode levar ao surgimento de lotes atípicos – originados de glebas subdivididas que resultam em porções muito estreitas de terra. A limitação espacial exige grandes esforços para solucionar o programa de forma eficiente e satisfatória.
A pandemia de COVID-19 transformou a maneira como viajamos e nos reunimos. À medida que as ruas e espaços públicos se esvaziaram e as pessoas passaram a praticar o isolamento social, aeroportos de todo o mundo também sofreram um tremendo declínio no número de passageiros e voos. A indústria da aviação moldou a globalização, mas também contribuiu com a velocidade com que a doença se espalhou pelo mundo. Em uma recente série de imagens aéreas, o fotógrafo Tom Hegen explora o impacto da pandemia na aviação.
Plano de retomada de Barcelona vai alargar calçadas, fechar ruas e criar ciclovias temporárias. Foto: Ayuntamiento de Barcelona
Ciclovias criadas da noite para o dia, vias convertidas em zonas calmas, calçadas estendidas às pressas – tudo para acomodar a necessidade de mobilidade urbana em um cenário de pandemia. A COVID-19 tem gerado grandes intervenções urbanas, muitas vezes sem a possibilidade de grande planejamento ou investimento. Cidades convertem-se em laboratórios de experiências que podem trazer benefícios durante a crise e legar um mundo mais sustentável quando o pior passar.
https://www.archdaily.com.br/pt/940531/com-urbanismo-tatico-cidades-enfrentam-covid-19-priorizando-pedestres-e-ciclistasBruno Batista e Fernando Corrêa
Muitos de nós passamos mais tempo nos escritórios do que nunca e, às vezes, vemos nossos colegas mais do que as nossas próprias famílias. Os locais de trabalho podem ser considerados nossas segundas casas, razão pela qual o projeto planejado desses espaços tem recebido tanta atenção hoje em dia. O design global dos ambientes de trabalho busca criar um equilíbrio perfeito entre o trabalho focado e individual e dinâmicas de colaboração, visando melhorar a produtividade e o bem-estar geral das equipes. Enquanto as tendências de escritórios vêm e vão, uma nova evolução está na mente de todos: a projeção de como será o escritório pós-COVID-19, tanto no futuro imediato quanto a longo prazo. Embora não haja uma resposta definitiva, diversos escritórios de arquitetura, grupos de pesquisa e empresas do setor imobiliário têm sido convocados para idealizar e implementar soluções de design inovadoras e políticas de segurança sanitária que serão fundamentais para redefinir como utilizaremos nossos locais de trabalho nos próximos anos.
Com suas falésias e penhascos rochosos, a costa do Peru é uma paisagem peculiar em permanente transformação devido à erosão causada pelas marés e ventos. Nesse território hostil, projetar uma arquitetura integrada à paisagem não é tarefa fácil. De volumes embutidos nas encostas até casas que incorporam formações minerais em seus espaços interiores, os projetos que enfrentam esse desafio nos permitem refletir sobre como é possível estabelecer uma relação com o ambiente natural, diluindo ou acentuando os limites entre arquitetura e paisagem.
Ao longo dos últimos meses, a interdependência entre interação social e saúde mental nunca esteve tão evidente e manifesta. Entretanto, se isso parece tão óbvio visto desde dentro da nossa própria casa, imagine para aquelas pessoas que não tem onde morar – comunidades forçadas a abandonarem sua pátria para poder sobreviver ou em busca de uma vida melhor e mais segura. Estima-se que atualmente mais de 70 milhões de pessoas, das quais 25 milhões são refugiados, enfrentam traumas e problemas de saúde mental por estarem longe de casa, ou pela falta de um lugar seguro para viver.
A quantidade total de água em nosso planeta é, teoricamente, a mesma desde sua formação. É possível que aquele copo de água tomado mais cedo contenha partículas que já correram pelo Rio Ganges, algumas que passaram pelo sistema digestivo de um dinossauro e outras que resfriaram um reator nuclear. Claro, antes de matar a sua sede, ela evaporou e caiu como chuva milhões de vezes. A água pode ser poluída, desrespeitada, mal usada, mas nunca criada ou destruída. Segundo um estudo da UNESCO, estima-se que a Terra contenha cerca de 1386 milhões de quilômetros cúbicos de água. No entanto, 97,5% deste montante são águas salinas e apenas 2,5%, água doce. Desse tanto, a maior parte (68,7%) está na forma de gelo e neve permanente na Antártida, Ártico e em regiões montanhosas. Em seguida, 29,9% existem como águas subterrâneas. Apenas 0,26% da quantidade total de água doce da Terra está disponível nos lagos, reservatórios e bacias hidrográficas, mais facilmente acessíveis para as necessidades econômicas e vitais do mundo. Com o aumento populacional, sobretudo em áreas urbanas, diversos países já apresentam severos problemas a ofertar a quantidade de água potável a suas populações.
. ¿Cuándo será un gran espacio público? Costa Verde. Lima. . Image Cortesía de Humberto Viccina
Após o estado de emergência, nada voltará a ser igual. A partir de então, os espaços públicos e privados passarão a ser ocupados de uma maneira que evite a possibilidade de contágio por um vírus ainda ativo. No entanto, assim como essa situação nos levou a reconhecer o nosso deficiente sistema de saúde, ela também evidenciou que, em muitos casos, o espaço que habitamos se mostra inadequado.
Mantenha todos integrados: das equipes de projeto aos clientes
A última década testemunhou uma enorme inserção de novas tecnologias na arquitetura. Desde que o CAD revolucionou os métodos tradicionais de desenho com papel e caneta, diversas ferramentas tecnológicas encontraram um espaço consolidado no fluxo de trabalho de arquitetos e arquitetas. Embora a experiência humana sempre tenha sido a pedra angular da arquitetura, as inovações para a indústria de AEC nem sempre são focadas nas pessoas. Altas barreiras de entrada — sejam de preço ou de usabilidade — impedem que muitos profissionais da área atinjam todo o seu potencial.
Conversas de Terraço é uma iniciativa realizada no espaço do escritório OPUS, em Medellín. Nele, são compartilhados debates que extrapolam o campo da arquitetura e que, adaptando-se ao contexto de isolamento decorrente da COVID-19, passaram a ocorrer de forma virtual. Além do Conversas de Terraço, há outro espaço dedicado ao croqui, chamado Club de Dibujo. Nesta ocasião, ambos os formatos se fundem: a equipe do escritório de Medellín e Alejandro Enriquez, de Bogotá, conversaram sobre o esboço e seu processo.
O escritório Territorial Empathy, sediado no Brooklyn, Nova York, com raízes colombianas, apresentou a proposta para o UN-Habitat Global Public Space Programme, na qual repensa a temporalidade do atendimento à migração venezuelana na Colômbia utilizando a área de solo urbano e público mais representativa do distrito capital de Bogotá.
A economia circular tem sido um modelo também aplicado no setor de arquitetura e construção com objetivo de produzir projetos de edificações mais eficientes, funcionais e sustentáveis. Os 3R’s (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) utilizados como estratégias da economia circular já estão famosos, sendo que o primeiro R, “Reduzir", deve ser o item inicial buscado nos projetos. Nessa ótica, um dos itens mais eficientes para reduzir o consumo de materiais, recursos naturais e custos nos projetos de edificações é a diminuição do tamanho dos ambientes ocupados e da área construída (isto é, mantendo os níveis adequados de qualidade do espaço, como acessibilidade, ventilação e iluminação natural, compatibilidade com o layout, etc.).
Quando a cerimônia de início das obras do maior estádio de futebol do mundo em Guangzhou foi anunciada, em 16 de abril, o aspecto mais controverso do projeto não foi o orçamento de 1,7 bilhão de dólares, mas sim seu audacioso formato de flor de lótus — que gerou forte rejeição por parte da comunidade de arquitetura local, mas foi aclamado pelo público geral.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126944/10-estadios-que-lancam-luz-sobre-o-futuro-da-arquitetura-esportivaMilly Mo
Indivisível é o título da história em quadrinhos elaborada por Marília Marz como Trabalho de Conclusão na Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. O trabalho tem como objetivo identificar e analisar as possibilidades narrativas intrínsecas a elementos arquitetônicos e urbanísticos do bairro da Liberdade, em São Paulo, em dois períodos históricos distintos.
Qual é a parcela de culpa da arquitetura nas mudanças climáticas?
Foi com esta seríssima pergunta que decidimos iniciar o debate com os nossos leitores, e a quantidade de respostas recebidas impressionou a todos. Depois de ler e compilar os comentários enviados tanto por profissionais da industria da construção, estudantes e pessoas interessadas, chegamos à conclusão de que nas escolas de arquitetura, pouco se fala à respeito das características e propriedades físicas dos materiais assim como sobre custo energético agregado a estes.
São 12:11 do dia 7 de novembro (de 2018). Um "S" na porta indica a quem supostamente se destina esse banheiro. Estou em um banheiro localizado em um predinho que o Vilanova Artigas, arquiteto modernista brasileiro, projetou na década de 1950 no bairro de Santa Cecília. É a segunda vez que entro nele e para mim ainda é um espaço que vai se revelando. De primeira, o que chamou muito a atenção foi o azul quase roxo causado pela luz negra que faz com que todos os tons do banheiro tendam para essa cor. Traz um sentimento de muita serenidade durante o dia.
La Parleta é um projeto do coletivo equatoriano de arquitetura e construção EseColectivo, que reúne "reflexões, anedotas e experiências de muitíssimo valor em torno do ofício". A seguir, compartilhamos algumas de suas palavras e o seu quarto episódio, "Arquitetura Pós-Apocalíptica".
Poucas cidades do mundo têm uma cultura de design tão vibrante como Austin, Texas. Considerada por muitos como um dos melhores lugares para se viver nos Estados Unidos, Austin vem passando por um enorme crescimento ao longo dos últimos anos, impulsionado sobretudo pela indústria da construção civil. Como uma continuidade do legado modernista na região, os projetos de arquitetura contemporânea construídos recentemente no Texas abrangem uma grande variedade de estilos arquitetônicos. Enfatizando materiais locais e um cuidado com os detalhes, os projetos que apresentaremos à seguir exploram volumetrias e formas simples ao mesmo tempo que procuram integrar-se à exuberante paisagem natural, suas montanhas, lagos e florestas.
A infraestrutura de drenagem urbana existente em grande parte das cidades, principalmente as brasileiras, já se encontram obsoletas, sendo assim, necessário sua expansão e adequação. Mas para isso, é preciso pensar em um novo modelo de gestão dessas águas, que considere aspectos que há muito tempo foram esquecidos, como aqueles ligados à ecologia. Nos últimos anos, o termo ecologia urbana ganhou espaço como uma forma de produzir cidades regenerativas e mais resilientes. Essas cidades têm sido chamadas de cidades ecológicas ou biocidades. Termos semelhantes, mas que variam de autor para autor, e têm em comum o fato de terem como principal linha de condução o uso de soluções baseadas na natureza e nas relações ecológicas.
O Master of Science in Design Theory and Pedagogy do SCI-Arc é um programa de um ano que aborda a crescente ambiguidade entre a prática profissional e a academia, preparando os/as estudantes para a nova carreira híbrida que surgiu na arquitetura: o/a arquiteto/a-teórico/a-educador/a. À medida que a mudança nos paradigmas políticos, sociais, culturais, tecnológicos e ecológicos redefine a arquitetura, o programa especula sobre como será a prática profissional no futuro, questiona os modelos pedagógicos atuais e foca no que precisa ser repensado, aprimorado ou desafiado. Sendo um dos cinco programas de mestrado do SCI-Arc EDGE, Center for Advanced Studies in Architecture, o Design Theory and Pedagogy prepara jovens arquitetos/as para novas formas de prática profissional.
Quando se pensa a arquitetura enquanto uma ferramenta de impacto na vida pública, há um enorme precedente de casos a serem levantados, e sem dúvidas ele inclui a história da aproximação dos arquitetos com o Estado em diversos contextos. De exemplos categóricos, como a formulação do projeto urbanístico e arquitetônico para Brasília, até demonstrações mais contemporâneas das virtudes desse tipo de aproximação, a vocação pública do projeto se mostra em sua forma mais explícita nesse tipo de programa. O desenho de projetos com tal conotação também deve confrontar o fato de que seu cliente não reúne as demandas tradicionais de uma encomenda, mas uma representação dos interesses coletivos e das boas formas de gestão da dimensão pública, o que representa uma grande oportunidade para os profissionais do campo pensarem boas formas de alimentar e reforçar os valores democráticos na sociedade.