Com a maior parte do mundo vivendo em cidades e comunidades em crescimento, as pessoas tendem a passar a maior parte do tempo em ambientes internos. Quando não estamos em casa, estamos trabalhando, aprendendo ou até participando de atividades divertidas em ambientes fechados e construídos. Ao todo, 90% do nosso tempo é ocupado em interiores. É essencial garantir uma qualidade ambiental interna confortável, produtiva e saudável, seguindo parâmetros e práticas de projeto bem regulados que considerem temperatura, iluminação, poluição sonora, ventilação adequada e a qualidade do ar que respiramos. Este último é especialmente importante, pois, ao contrário do que podemos pensar, a poluição do ar é muito maior no interior do que no exterior.
Uma visão de redesenvolvimento para a orla de Toronto, agora descartada, era focada em construção em madeira e soluções tecnológicas que geraram preocupações. (Cortesia de Sidewalk Labs)
Em maio, a Sidewalk Labs, empresa da Alphabet, anunciou que iria cancelar seu projeto Quayside, de grande destaque, devido a uma "incerteza econômica sem precedentes". O comunicado marcou o fim de uma iniciativa de três anos para criar um "laboratório urbano" vivo para "tecnologias, materiais e processos emergentes".
Invertendo a ordem tradicional do planejamento urbano, a Sidewalk Labs concebeu a construção de um novo distrito urbano na orla de Toronto "a partir da internet", com sensores e outras infraestruturas de coleta de dados integradas ao tecido de uma grande quadra urbana. O ambicioso empreendimento — com uma área de 246 mil metros quadrados, incluindo 165 mil metros quadrados de espaço residencial — seria construído inteiramente em madeira engenheirada; de fato, o uso extensivo de madeira laminada cruzada (CLT) modular e madeira laminada colada (MLC) era um dos principais diferenciais do projeto (desenvolvido pelos escritórios Heatherwick Studio e Snøhetta, utilizando um sistema de componentes criado por Michael Green Architecture).
Jardins verticais, paredes verdes ou paredes vivas são algumas das diferentes denominações usadas para uma mesma solução: a disposição vertical de diferentes espécies vegetais como forma de adquirir os benefícios proporcionados pela vegetação, mas em uma menor área projetada. Ou seja, a aplicação vertical das espécies permite um ganho de área útil horizontal, uma vantagem sobretudo para locais onde existe pouco espaço disponível para plantio diretamente no solo.
Oosterdokbrug: ponte para pedestres e ciclistas em Amsterdã. Foto: Mariano Mantel/Flickr
A explicação para algumas pessoas caminharem mais do que outras pode ir além da escolha pessoal: em muitos casos, os níveis de caminhada no dia a dia são determinados pelo desenho urbano. A maneira como as ruas e bairros são traçados ultrapassa questões estéticas ou de planejamento e afeta diretamente o estilo de vida, a saúde, a prática de atividade física e o bem-estar de quem mora ou frequenta cada área da cidade.
Os seres humanos usam espelhos desde 600 aC, empregando a rocha obsidiana altamente polida como superfície reflexiva básica. Com o tempo, as pessoas começaram a usar pequenos pedaços de ouro, prata e alumínio de maneira semelhante, tanto por suas propriedades refletivas quanto por decoração. No século I dC, as pessoas começaram a usar o vidro para fazer espelhos, mas foi apenas durante o Renascimento Europeu que os fabricantes venezianos começaram a fabricar espelhos aplicando suportes metálicos nas folhas de vidro, permanecendo o método geral mais comum hoje em dia. Desde então, os espelhos continuam a desempenhar papel decorativo e funcional na arquitetura, proporcionando uma estética moderna e limpa, apesar de suas origens antigas. Abaixo, investigamos como os espelhos são feitos, fornecemos um pouco de sua história na arquitetura e oferecemos várias dicas para arquitetos que desejam usá-los em seus projetos.
https://www.archdaily.com.br/pt/942185/espelhos-na-arquitetura-possibilidades-de-espacos-refletidosLilly Cao
Ao contrário de uma série de sistemas e materiais construtivos, a paisagem não é um elemento especificável, ou mesmo desenhável, no projeto arquitetônico de um apartamento. No entanto, as paisagens são, de certa forma, atingidas pelas definições projetuais do edifício em questão, tanto do ponto de vista interno, como externo – ou seja, do seu entorno. As orientações das fachadas de um edifício e os tamanhos das janelas, por exemplo, são algumas das formas a partir das quais as vistas de um apartamento são afetadas, enquanto as dimensões da construção e seu gabarito afetam diretamente o contexto em que está inserida.
Arquitetos e arquitetas em geral são pessoas que gostam de falar o quanto influenciam comunidades através de seus desenhos e estão corretos ao dizer isso. Afinal, os espaços junto de diversos fatores sociais influenciam o modo como cada indivíduo se sente ao ocupar a cidade ou um edifício. Mas esses projetos respondem a todos os usuários da mesma maneira? Nos propomos a questionar o modo como a arquitetura lida com a comunidade LGBTQIA+ através de uma chamada aberta em nossos canais das redes sociais, trazendo o depoimento de nossos leitores sobre como eles vivem estes espaços e como seria possível representar, também, a própria comunidade LGBTQIA+ no campo arquitetônico.
Dados Antropométricos - Operador de Cabine de Guindaste vs Operador de Controle Remoto. Desenho de Het Nieuwe Instituut 2017. Imagem cortesia de Het Nieuwe Instituut
Em 2013, Michael Osborne and Carl Benedikt Frey classificaram 702 profissões de acordo com a probabilidade de informatização em um futuro próximo, da menos provável ("terapeuta recreativo/a") à mais provável ("telemarketing"). Os "gestores de arquitetura e engenharia" ficaram em 73º lugar, os "arquitetos/as" em 82º, enquanto os "desenhistas técnicos de arquitetura e engenharia civil" ficaram em 305º lugar. Claramente, os avanços tecnológicos em campos como aprendizado de máquina e robótica nos confrontam rapidamente com as transformações nas demandas e qualificações profissionais. Neste ensaio, Maurizio Ferraris inverte a perspectiva: e se a nossa preocupação não devesse ser a manutenção do elemento humano no trabalho como produção, mas sim o reconhecimento do trabalho humano como consumo? Expandindo os argumentos de seu livro de 2012, "Lasciar tracce: documentalità e architettura", o autor enxerga na automação uma oportunidade extraordinária para definir uma nova centralidade do elemento humano, na medida em que a produção de valor associada ao intercâmbio digital é lida através de três conceitos: invenção, mobilização e consumo.
Catedral de Durham. Imagem cortesia de Pavilion Books
A mais recente edição de The Cathedrals of England apresenta a uma nova geração o clássico guia Batsford da década de 1930 sobre a arquitetura religiosa da Inglaterra. Escrito de forma concisa e voltado a um público amplo, o livro continua a servir como um guia prático hoje, assim como fazia há quase um século, funcionando como um catálogo de referência para todas as catedrais da Igreja da Inglaterra no país à época.
Este artigo é um trecho extraído do capítulo final do livro Draw in Order to See: A Cognitive History of Architectural Design, no qual Mark Alan Hewitt esboça algumas recomendações para uma reforma integral da prática e do ensino da arquitetura. Ele parte da teoria da cognição corporificada — a ciência que estuda a importância dos nossos sentidos no processo de cognição humana, e como através deles, percebemos e nos relacionamos com o espaço — para ressaltar a urgente necessidade de renunciarmos ao legado alienante do racionalismo iluminista que se estende desde a revolução industrial até os dias de hoje e que, tanto nos afasta de uma arquitetura menos visual e consequentemente, mais sensível. Embora a importância da cognição estendida para a nossa compreensão do espaço e portanto, para o desenvolvimento da prática e do ensino da arquitetura já esteja sendo explorada há décadas por muitos arquitetos e algumas poucas instituições de ensino ao redor do mundo, tais conceitos permanecem ocultos em um território inexplorado pela grande maioria de nossos colegas arquitetos.
https://www.archdaily.com.br/pt/942060/12-conselhos-para-reinventar-o-ensino-da-arquiteturaMark Alan Hewitt
A história da representação na arquitetura passou por inúmeras transformações ao longo dos séculos. Sua relação com o objeto construído vai muito além da mera e simples reprodução de sua imagem objetiva, atuando principalmente, como uma ferramenta de expressão e crítica que, tem influenciado diretamente a forma como percebemos, nos relacionamos e até mesmo, como concebemos e construímos nossos edifícios e cidades.
O Equador, por seu clima e características territoriais, possui uma imensa diversidade de bambus: são 6 gêneros e 42 espécies identificadas, das quais 11 são endêmicas. Dentre todas elas, a cana Guadua angustifolia é considerada a espécie mais importante em termos de abundância e propriedades físicas e mecânicas. O termo indígena guadua foi empregado pelas comunidades originárias do Equador e da Colômbia para designar esta espécie de "bambu nativo", que mais tarde seria rebatizada como "Guadua angustifolia" — que significa "folha estreita" — e pertence taxonomicamente à família Poaceae e à subfamília Bambusoideae. O uso deste material é tão antigo que, segundo o livro *Nuevas técnicas de construcción en bambú* (1978), foram encontrados no Equador vestígios de construções que se estima terem 9.500 anos de idade.
As construções e estruturas destinadas ao cultivo de plantas - como as estufas e orquidários - são fundamentalmente espaços arquitetônicos que articulam o controle e a manipulação dos fatores ambientais como temperatura e umidade, permitindo adaptar esses parâmetros a demandas específicas das espécies mantidas - seja para seu cultivo, sua preservação ou sua exposição. Os projetos costumam variar segundo o uso e a localização geográfica da estrutura, sob influência de questões como o clima local, a altura das espécies a alojar, as demandas de ventilação, ou considerações como se a construção será temporária ou permanente, podendo por vezes se configurar a partir de sistemas de partes montáveis e desmontáveis. No entanto, existem alguns parâmetros comuns que atravessam esse tipo de construção. De forma geral, tendem a seguir uma linha similar em termos de materialidade e organização: para aproveitar os efeitos da radiação solar, as estufas apresentam com coberturas e fechamentos translúcidos, como vidro ou plástico, e se estruturam através de sistemas leves de peças que permitam grandes vãos, podendo ser de ferro, madeira, bambu, etc.
A busca por produtos mais sustentáveis deve começar na etapa de projeto. Nessa ótica, é essencial que os projetistas e todos os envolvidos neste processo tenham conhecimentos adequados, sendo que práticas sustentáveis devem fazer parte da formação do Arquiteto e Urbanista.
Verifica-se que ao longo dos anos, muitos cursos de Arquitetura têm incluído, de forma mais significativa e aprofundada, essa discussão em suas grades curriculares, seja através de disciplinas específicas e eletivas ou inserida em disciplinas obrigatórias do curso.
The Midnight Charette é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e cotidiano. Apresentado pela dupla de designers de arquitetura David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diversos profissionais da economia criativa para conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais. Uma ampla variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem dicas úteis para profissionais de design, enquanto outros apresentam análises de projetos, entrevistas ou explorações sobre a vida cotidiana e o design. O The Midnight Charette também está disponível no iTunes, Spotify, e YouTube.
Nesta semana, David e Marina recebem Mabel O. Wilson, Bryan Lee e Akira Drake Rodriguez para debater o racismo nas cidades, como o ambiente construído pode ser um fomentador do racismo, protestos, a derrubada de monumentos confederados, habitação, negritude e branquitude, as principais mudanças necessárias para uma sociedade mais equitativa e muito mais. Divirta-se!
https://www.archdaily.com.br/pt/1127225/racismo-e-cidades-com-mabel-o-wilson-akira-drake-rodriguez-e-bryan-leeThe Second Studio Podcast
A Índia está repensando o futuro da habitação por meio de novas tipologias. Definida por influências históricas e culturais, a arquitetura contemporânea do país centra-se em discussões sobre a melhor forma de se modernizar. Construídos ao longo de milênios, os projetos habitacionais da Índia são feitos para atender a diversas escalas, programas e funções. Explorando uma paisagem urbana revitalizada, estes projetos habitacionais modernos começaram a dar um novo tom para o futuro.
O estúdio de design sediado na Cidade do México, fundado por Manu Bañó, Age Salajõe e Héctor Esrawe em 2017, lança sua nova peça intitulada “Aura”, um dispositivo de iluminação que dá continuidade à sua exploração sobre os elementos religiosos, objetos e locais de culto da cultura mexicana. Nessa mesma linha, surge uma aura construída a partir de quatro formas geométricas de meia-lua, que aludem ao arco dos altares e das igrejas do período colonial.
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Screenshot da série "Chernobyl", produzida pela HBO
Uma das formas mais instigantes de aprender sobre a cidade é através de filmes e séries. A seguir, Anthony Ling, da plataforma Caos Planejado, compartilha seis dicas de séries online para conhececer comunidades brasileiras, cidades soviéticas e outros cantos do mundo.
Quando Rashed Singaby, Diretor na HOK, foi contactado por um antigo cliente sobre como um estádio existente poderia receber um retrofit para sediar esports, ele soube imediatamente que aquela era uma oportunidade para criar o modelo de um tipo de espaço que nunca havia existido antes. Singaby e sua equipe formaram um pequeno grupo de pesquisa para testar e compreender tanto os padrões de cada tipo de jogo de esports quanto para classificá-los em subestruturas operacionais. Como cada jogo exige seu próprio tipo de configuração, era fundamental consolidar as ideias de projeto e fazer recomendações sobre como os espaços existentes poderiam ser modificados para otimizar o consumo e o engajamento com a experiência das atividades de esports.
Capela de Casamento Cloud of Luster / Tetsuya Matsumoto. Imagem Cortesia de A' Design Awards
Nunca é cedo demais para garantir a oportunidade de apresentar seu trabalho a um público global; inscreva seu projeto agora mesmo no A’ Design Award. A competição internacional "nasceu do desejo de destacar os melhores projetos e produtos de excelente design" desenvolvidos por profissionais de design, arquitetura e inovação de todas as áreas criativas. Em meio a outras premiações e concursos de design, o A' Design Award destaca-se por sua escala excepcional, com mais de 100 categorias de design.
O estúdio de design PECA – liderado pela arquiteta mexicana Caterina Moretti – lança sua nova coleção, intitulada "Loto", feita de madeira de faia, vidro fusionado e lã. Composta por duas mesas laterais com tampos de vidro reciclado e fusionado em Tlaquepaque – que proporcionam a transparência necessária para apreciar o interior das peças –, a coleção inclui também um pufe estofado em lã de ovelha tecida em tear de cintura em San Juan Chamula (Altos de Chiapas), que deixa à mostra apenas uma parte mínima de sua base de madeira para ressaltar o contraste entre as duas texturas.
A Colômbia possui um território imenso, com uma das maiores biodiversidades do mundo graças à sua geografia privilegiada, e na maior parte desse território há presença humana, por mais distante que esteja dos centros urbanos. A seguir, Sebastian Contreras, da Estación Espacial Arquitectos, apresenta a experiência e os desafios, tanto humanos quanto arquitetônicos, de construir uma Maloca com e para os Ticuna no coração da Amazônia colombiana.
Casas inteligentes (smart homes), a Internet das Coisas e as tecnologias Contactless (sem contato) tornaram-se parte indelével das indústrias de arquitetura e design de interiores, assim como iluminações e unidades AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) inteligentes, assim como alto-falantes como Alexa ou Google Home se tornando parte principal das residências mais modernas. À medida que novos dispositivos e sistemas concorrentes são lançados continuamente, listamos algumas das tecnologias domésticas mais populares desenvolvidas pela Lutron, juntamente com dicas de como integrá-las e escolher a mais adequada.
https://www.archdaily.com.br/pt/942027/como-projetar-uma-residencia-inteligente-e-contactlessLilly Cao
Publicado originalmente como "El espacio público en asentamientos de origen informal: una construcción colectiva del espacio social" na terceira edição da Revista CLEA — uma publicação anual da Coordinadora Latinoamericana de Estudiantes de Arquitectura (CLEA) —, este artigo propõe que o fator mais importante do espaço público é a possibilidade de nos construirmos como cidadãos e cidadãs.
A produção e a significação do espaço público em assentamentos de origem informal são assumidas por seus próprios habitantes. Assim, o processo de constituição da ideia do público se forja a partir do momento da ocupação do vazio que carece de uma oferta de serviços (Hernández, 2011). Isso parte da necessidade de habitação que molda o vazio por meio da moradia como ideia primária para os interesses da pessoa.