Assim como escolas, restaurantes, centros comerciais e outros locais de aglomeração de pessoas, os museus ao redor do mundo tiveram que fechar as portas com a chegada da Covid-19. Hoje, algumas cidades, onde as taxas de contágio diminuíram significativamente, estão se preparando para a reabertura das atividades consideradas não essenciais. Como parte deste grupo, os museus, que durante o período de isolamento buscaram novas formas de se conectar com o público à distância, devem agora se adaptar a uma nova forma de receber os visitantes.
Tiffany Brown com estudantes. Imagem Cortesia de Tiffany Brown, 400 Forward
Pioneira em justiça, equidade, diversidade e inclusão na profissão da arquitetura, Tiffany Brown é a fundadora do 400 Forward, uma iniciativa que busca, inspira e orienta a próxima geração de mulheres arquitetas. Nomeado à luz do licenciamento da 400ª arquiteta afro-americana em 2017, o programa visa familiarizar as meninas com a arquitetura, fornecendo-lhes ferramentas para lidar com questões de injustiça social.
Impulsionando a presença de mulheres afro-americanas na profissão da arquitetura – atualmente menos de 0,3% nos EUA – 400 Forward também oferece bolsas e material de estudo para exames de licenciamento em arquitetura para mulheres afro-americanas. Para saber mais sobre a iniciativa, o ArchDaily teve a oportunidade de conversar com a fundadora Tiffany Brown sobre o programa, a diversidade no campo e o empoderamento das arquitetas e estudantes.
Antes mesmo da nova presidente do IPHAN ser nomeada em maio de 2020, em conversa na Escola da Cidade no dia 05 de junho de 2019, na disciplina Seminário de Cultura e Realidade Contemporânea, então coordenada pelo professor José Guilherme Pereira Leite, os professores convidados Silvana Rubino e Alfredo Manevy falaram sobre diversas problemáticas e contradições que norteiam a política cultural no Brasil partindo da extinção do Ministério da Cultura (MinC) e discutindo o rebatimento disso principalmente no campo da arquitetura e do urbanismo.
Quer queiramos ou não, todo/a arquiteto/a é um/a reciclador/a.
A expressão “Swamp Yankee” não é uma ofensa nem um estereótipo. Os Swamp Yankees viveram na Nova Inglaterra antes do século XX. Eram pessoas de poucos recursos que só podiam arcar com moradias próximas à água — onde doenças, pragas e o clima severo frequentemente arruinavam vidas. Essas pessoas nunca descartavam nada que pudesse (um dia) ser reaproveitado. O escambo e a recuperação de materiais eram seu modo de vida. Não havia desperdício (“evitar o desperdício é prevenir a falta”). Os Swamp Yankees transformaram a reciclagem em um estilo de vida. A sustentabilidade não era uma escolha ecológica — era a sua forma de sobrevivência.
Minha prática na arquitetura é a de um/a arquiteto/a Swamp Yankee.
O bambu é um material construtivo utilizado desde a antiguidade em diferentes edificações que demonstraram sua superioridade em relação a materiais totalmente inovadores, como o plástico e o aço, devido a uma infinidade de benefícios, sem esquecer o incomparável fator estético que o consagrou como uma das maiores tendências arquitetônicas do momento.
Um dos fatores mais importantes ao projetar é o clima específico do local, o que pode representar um desafio em climas extremos, exigindo o uso de materiais isolantes que se adaptem às constantes mudanças de condições. No entanto, tratando-se do México e de seu clima privilegiado, essa condição joga a favor dos/as arquitetos/as, permitindo a criação de microclimas e espaços que diluem a transição entre o interior e o exterior.
Cosmorama, parte do pavilhão dos EUA na Bienal de Veneza de 2018, compreendeu três conjuntos de histórias geográficas ilustradas: Mining the Sky, Planetary Ark e Pacific Cemetery (uma parte do qual está ilustrada acima). Cortesia Design Earth
Não consigo parar de pensar em refugia. Nos anos, meses e dias anteriores à pandemia da COVID-19, o termo limitava-se à literatura e à filosofia da crise climática, referindo-se a bolsões de vida que, por meio do isolamento geográfico ou da resiliência das espécies, conseguem resistir apesar das forças ambientais adversas. Pense em colônias de cracas do Noroeste Pacífico aninhadas no alto de afloramentos costeiros para evitar se tornarem presas de caracóis marinhos. Ou em florestas antigas isoladas das temperaturas crescentes em vales montanhosos de clima ameno.
À medida que o autoisolamento se impôs no início daquela primavera, a palavra *refugia*, pelo menos para mim, expandiu sua definição de uma condição ecológica específica para uma referência conceitual — um salto metafórico necessário diante de uma crise planetária. A magnitude desta pandemia foge à compreensão humana, mas, para as pessoas mais afortunadas, o refúgio é algo administrável: um local de relativa segurança, de fermento natural e aulas de ginástica on-line.
Ao refletir sobre reciclagem, sustentabilidade, medidas a serem tomadas e soluções tecnológicas inovadoras, é inevitável pensar que existem também abordagens já conhecidas que devem ser levadas em consideração. De fato, ao examinar o impacto do ambiente construído no clima, nota-se que, em muitos países, 80% dos edifícios que existirão em 2050 já foram construídos. A forma mais eficaz de sustentabilidade pode ser, portanto, a economia de energia por meio da eliminação ou minimização de novas construções e da prevenção da demolição de estruturas existentes.
É exatamente isso que o reúso adaptativo propõe: atribuir um novo propósito a um “edifício remanescente” existente. Hoje em dia, o processo de requalificação está se tornando essencial devido a inúmeras questões relacionadas à emergência climática, aos custos de terrenos e de construção, à saturação do solo e à mudança nas tendências de moradia.
A Escola Hessenwald em Weiterstadt, Alemanha, é um exemplo de arquitetura contemporânea e energeticamente eficiente que propõe um novo modelo pedagógico e de ensino. No centro do edifício e desse modelo conceitual, encontra-se um átrio de três andares, muito bem iluminado e ventilado.
Um dos elementos arquitetônicos que mais fortemente promove a relação do interior com o exterior é a varanda. Difícil é precisar sua origem, sendo vista em exemplos de arquitetura vernacular no oriente, no mundo árabe, na Europa e, com grande expressividade, no Brasil.
“Interiores: Conversaciones en línea” é o título do ciclo de encontros a distância organizado pela Faculdade de Arquitetura, Arte e Design da Universidade Diego Portales (UDP). O professor Alberto Sato apresenta nesta primeira temporada reuniões entre grandes nomes da arquitetura, como Álvaro Farrú junto a Enrique Walker, Alejandra Celedón com Cecilia Puga; Mardones com Pezo Von Ellrichshausen; Solano Benítez com Mathias Klotz; Smiljan Radic com Alberto Sato; e Fernando Perez com Francisco Liernur.
Você pode conferir o resultado dessas conversas a seguir.
Até onde os registros escritos alcançam, o que se sabe é que a “pré-história” é um período que vai de 35.000 à 3.000 anos a.C. no Oriente Médio e 2.000 a.C. na Europa Ocidental. Pelo que é possível observar, os construtores da antiguidade tinham uma profunda compreensão das necessidades humanas e como lidar com as condições ambientais através da arquitetura em sua forma mais primitiva. Nos primórdios, famílias e tribos viviam em cabanas construídas a base de ossos e peles de animais. Milhares de anos de passaram até que o homem passasse a construir estruturas mais robustas utilizando pedras e tijolos de barro, assumindo formas prismáticas e dotadas de aberturas para iluminação e ventilação natural.
Ao longo dos próximos meses, publicaremos aqui no ArchDaily uma série de pequenos artigos sobre a história da arquitetura e como ela evoluiu até assumir a forma como à conhecemos hoje. Nesta semana, regressamos a um dos períodos mais importantes e influentes da história da humanidade: a Grécia antiga; mais especificamente os períodos egeu, arcaico, clássico e helenístico.
Ao longo dos últimos 14 anos, o ArchDaily vem oferecendo conteúdo de qualidade para todas e todos. Nossos curadores são encarregados de selecionar os melhores projetos – de escritórios renomados a estúdios emergentes – para fazerem parte da maior biblioteca de arquitetura do mundo, enquanto nossos editores fazem a cobertura dos principais desafios e ideias mais inovadoras que estão redefinindo as cidades.
Soluções de estacionamento totalmente automatizadas e que economizam espaço da U-tron. Redução de 50% na área de implantação do estacionamento e experiência de usuário superior. Imagem cortesia de U-tron Parking
Com o crescimento dos serviços de transporte por aplicativo e o declínio da propriedade de veículos particulares, proprietários/as e incorporadores/as de edifícios de escritórios estão repensando o valor das estruturas de estacionamento, bem como sua capacidade e potencial de reconversão. Como parte da transformação completa do One Post Office Square (OPOS) — localizado no coração do distrito financeiro de Boston e projetado pela Gensler —, um novo estacionamento automatizado otimizará o uso de valiosos espaços locáveis, aprimorará a experiência dos/as usuários/as e criará flexibilidade a longo prazo.
“Da janela vê-se o Corcovado, o redentor, que lindo”. A letra de Tom Jobim, eternizada pela voz e pelo violão suave de João Gilberto, foi uma das músicas que apresentou ao mundo a ideia de um Rio de Janeiro paradisíaco e um Brasil promissor, cada vez mais urbano e com uma capital moderna sendo construída do zero. Quase 60 anos depois, Paulo Mendes da Rocha cita casualmente essa canção em uma entrevista e aponta que para ele, nessa cena, o elemento mais importante é a janela, e não o Corcovado ou o Cristo Redentor. Isso porque é ela que enquadra a vista e direciona o nosso olhar ao que importa. É uma frase que passa quase despercebida, mas que carrega enorme significado poético e artístico sobre o ofício da arquitetura.
O texto a seguir foi elaborado em resposta ao primeiro chamado da série “Post-Pandemic Potentials” do The Architect's Newspaper. Uma resposta anterior, de autoria de Mario Carpo, defendeu que todas as mudanças introduzidas pela pandemia provavelmente serão revertidas. Saiba mais sobre a série aqui (em inglês).
Quando as últimas avaliações de meio de semestre foram concluídas, no início de março, os temidos pontos vermelhos do mapa de monitoramento da COVID-19 ainda estavam bem a leste de New Haven — na verdade, a um oceano de distância. Os ateliês de projeto nos andares superiores do Rudolph Hall estavam repletos dos resíduos típicos de uma maratona de entregas (charrette), enquanto nossos/as estudantes partiam para as férias de primavera e um merecido descanso de duas semanas. Poucos dias depois, no entanto, a Yale University fechou o campus por excesso de cautela (hoje claramente justificada); desocupamos totalmente o edifício, avisamos os/as estudantes de que não retornariam àqueles ateliês pelo restante do período letivo e nos desdobramos para transpor todo o currículo para o formato on-line. Em vez de reorganizar nossos espaços para a reta final do semestre, concentramo-nos em criar uma infraestrutura de colaboração digital, ensinar todos a usar o Zoom e localizar nossos/as estudantes ao redor do mundo para verificar fuso horário, equipamentos domésticos e conectividade.
Como alternativas à produção de materiais na construção civil, caracterizada por altos gastos energéticos e altos índices de poluentes lançados na atmosfera, a reciclagem e o reuso de materiais e estruturas têm se tornado cada vez mais comuns na arquitetura. A principal diferença entre esses métodos é que, enquanto o primeiro emprega certo gasto energético no tratamento do material antes do seu reaproveitamento, o segundo não requer esse processo, reutilizando-o na forma em que foi descartado.
Amateur Architecture Studio, Ningbo History Museum, 2008. . Imagem Cortesia de Louisiana
Ao longo dos dois últimos séculos, a China passou por um vertiginoso processo de expansão demográfica e urbana, resultando na completa descaracterização de sua paisagem histórica, onde inúmeras pequenas cidades e vilarejos acabaram sendo varridos do mapa, substituídos por novas infra-estruturas urbanas e edifícios cada vez mais altos. À medida que a antiga paisagem chinesa vai desaparecendo sob o novo tecido urbano da China do século XXI, importantes elementos da cultura cívica e social também estão sendo esquecidos e negligenciados. Wang Shu, o primeiro arquiteto chinês a ser galardoado com o Prêmio Pritzker, tem lidado com esta delicada situação cotidianamente desde o início de sua carreira, desenvolvendo uma arquitetura que busca construir pontes entre o passado e o presente. Utilizando materiais reciclados e recuperados de antigas estruturas abandonadas ou destruídas, Wang Shu está resignificando a arquitetura tradicional chinesa no contexto de um país em rápido e incansável processo de desenvolvimento e expansão urbana. A seguir, discutiremos algumas das principais obras construídas por Wang Shu, como o Museu de arte contemporânea (2005) e o Museu Histórico de Ningbo (2008), e o Campus da Nova Academia de Arte de Hangzhou (2004).
Ancestralmente, os elementos naturais costumavam ser as únicas matérias-primas com as quais as populações originárias materializavam seus refúgios temporários ou moradias permanentes. Atualmente, a consciência ambiental e o interesse por métodos de construção ecológicos têm dado lugar a práticas mais sustentáveis que buscam adaptar esses procedimentos às exigências contemporâneas. Dessa forma, ao incorporar materiais biodegradáveis e de baixo impacto ambiental em seus projetos, fundindo-os com recursos modernos para potencializar suas vantagens físicas, arquitetos e arquitetas têm conseguido resgatar as têcnicas ancestrais de suas regiões, trilhando um caminho rumo à bioconstrução.
Sobretudo quando falamos de edificações públicas, é imprescindível que os espaços sejam pensados de forma que permitam o acesso de todos os indivíduos com autonomia, independente de suas dificuldades motoras. Entretanto, na hora de projetar, sabemos que “adequar” o projeto às normas pode se tornar uma enorme dor de cabeça, ainda mais quando cada centímetro importa para darmos conta do programa de necessidades pretendido.
Para normatizar essa questão, a NBR 9050, de 2015, estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados em projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.
A pegada de carbono (carbon footprint) pode ser definida como a quantificação, normalmente em quilogramas (kg) ou toneladas (t), das emissões (e remoções) de diferentes gases de efeito estufa (GEE) no ciclo de vida de um produto, processo ou serviço. Existem diversos GEE, sendo que os mais importantes em termos de contribuição para o aquecimento global e mudanças climáticas são: dióxido de carbono (CO2), (CH4) e Óxido Nitroso (N2O).
Monumento às Bandeiras, em São Paulo, pichado em 2016. Foto de Rovena Rosa / Agência Brasil / Fotos públicas
A arquiteta Ayesha Luciano não sabe muito sobre seus antepassados. Assim como outros descendentes de populações afro-brasileiras e indígenas, a história de sua família foi apagada durante o processo de colonização do Brasil. É o que a filósofa Sueli Carneiro chama de epistemicídio: o aniquilamento das saberes e memórias em países de passado escravista.
Mas os perpetradores deste genocídio têm suas figuras lapidadas em pedra, ocupando lugar central em espaços públicos do país. É o caso da estátua totêmica do bandeirante Borba Gato, na capital de São Paulo, ou de Joaquim Pereira Marinho, traficante de pessoas escravizadas cuja estátua está no centro de Salvador (BA). A arquiteta comenta: