Pensando em mundo mais sustentável, no momento de construir são tomadas decisões a fim de gerar o menor impacto possível, e os materiais recicláveis contribuem muito para isso. Ao construir uma parede com materiais reaproveitáveis, pode-se pensar, por exemplo, em garrafas plásticas, e assim evitar seu descarte. Porém, existe uma técnica milenar utilizada em todo o mundo que é possivelmente o material mais sustentável: o adobe.
Desde o irrompimento do surto de COVID-19 há alguns meses, eu, como muitos de vocês, passei os últimos meses trancafiado em casa, ansioso e preocupado com as consequências e desdobramentos disso tudo. Entretanto, ao invés de perturbá-los com mais previsões hipotéticas para um futuro ainda incerto, prefiro compartilhar algumas observações sobre a atual condição das cidades africanas nesta calamitosa situação que estamos vivendo. Como africano, procurarei apresentar uma perspectiva única, desprendida de limitações e fronteiras, por que, afinal de contas, esta é uma crise sanitária mundial que como tal, desconhece tais demarcações.
https://www.archdaily.com.br/pt/945800/carta-aberta-da-nigeria-para-o-mundo-coronavirus-e-o-futuro-das-cidadesMathias Agbo, Jr.
O desafio de desenvolver projetos de conforto, sobretudo acústico, é um tanto quanto ingrato, uma vez que só prestamos atenção nele quando não funcionam adequadamente nos espaços. São muitas as queixas comuns: ouvir mais a conversa da sala ao lado do que a que ocorre no seu espaço, ter que gritar para ser entendido por alguém ao seu lado ou ouvir ecos excessivos nos ambientes que tornam o convívio exaustivo. Justamente esse último problema é bastante comum em espaços com estruturas aparentes, sem materiais de revestimentos. Por geralmente serem materiais pouco absorventes acusticamente, como concreto, vidros ou metais, é bastante comum que espaços com estéticas mais industriais apresentem tempo de reverberação alto. Isso quer dizer que um som emitido demora a desaparecer, pois continua refletindo nas superfícies do espaço e juntando-se aos outros sons produzidos, criando um ruído incômodo e reduzindo a compreensão das falas.
Denise Scott Brown disse uma vez: “A arquitetura não pode forçar as pessoas a se reunirem; ela pode apenas planejar os pontos de cruzamento, remover barreiras e tornar os locais de encontro práticos e atraentes.” Embora não possa garantir o resultado final, a arquitetura tem o potencial de oferecer uma plataforma para encontros e interações sociais. Dessa forma, ao mesmo tempo em que fomenta uma arquitetura de caráter comunitário, ela também molda a própria estrutura da nossa cultura social. Este artigo explora como a arquitetura, por meio de estratégias de projeto e de um planejamento cuidadoso, pode ampliar o capital social de seu entorno, oferecendo um terreno fértil para a interação entre diferentes grupos.
No interior dos espaços residenciais, as arquitetas e os arquitetos decidem dar maior ou menor protagonismo a certas áreas dentro do programa, dependendo das preferências de cada cliente. Há quem prefira priorizar os espaços mais íntimos, e há quem prefira as áreas mais sociais, sendo a cozinha uma delas.
Embora a função pragmática da cozinha seja o preparo de alimentos, são poucos os lares onde esse ambiente não se torne um espaço de convivência. Mesmo em habitações como a ruca mapuche, há um fogo no centro utilizado tanto para cozinhar quanto para aquecer e secar com o calor e a fumaça. Conceitualmente, isso transmite a mesma atmosfera acolhedora das cozinhas urbanas integradas. Hoje em dia, o fogo é controlado por fogões que, por questões de combustível, atualmente tendem a ser substituídos por modelos de indução, mais seguros e com melhor controle de temperatura. No entanto, a essência do lar permanece a mesma, e a arquitetura contemporânea tem permitido que a cozinha se integre novamente às demais atividades e áreas sociais.
Sobre o papel da arquitetura nas relações sociais, Denise Scott Brown disse uma vez: “a arquitetura não deve forçar as pessoas a se conectarem; ela pode apenas definir espaços, eliminar barreiras e fazer dos locais de encontro mais úteis e atraentes.” Embora não possamos controlar o resultado ou a maneira como as pessoas irão se apropriar dos espaços que projetamos, a arquitetura tem o potencial de abrir portas e aproximar pessoas, preparando o terreno para que encontros casuais e interações sociais aconteçam — fortalecendo assim o sentido de pertencimento e identidade que tanto influenciam a estrutura de nossa sociedade. A seguir, procuramos expor — através de exemplos concretos — formas como a arquitetura pode potencializar interações sociais através de estratégias e soluções projetuais inteligentes, proporcionando um terreno comum capaz de aproximar pessoas e construir comunidades.
O concreto é símbolo importante de um período de grande reconhecimento da arquitetura brasileira e até hoje segue como um dos materiais preferidos dos profissionais da área interessados em explorar a flexibilidade e expressividade que seu uso confere aos projetos. Apesar de estar associado sobretudo às estruturas das construções, o concreto pode figurar como protagonista por sua materialidade, temperatura, cores e outros aspectos que vão além de suas qualidades estruturais. Quando mantido aparente, o concreto imprime um caráter marcante nas áreas internas das obras ao dialogar com os demais elementos que compõem a ambiência das propostas.
Malibu Crest, remodelação de uma casa de 1949 do Estilo Internacional, foi desenvolvida pelo Studio Bracket com o objetivo de ampliar a metragem quadrada da estrutura e as vistas panorâmicas para Malibu, mantendo mais de 50% das paredes originais da casa. O projeto foi bem-sucedido, não apenas na renovação de seus espaços internos e reconfiguração do espaço, mas no alargamento das janelas para captar verdadeiramente as vistas da lagoa e das montanhas circundantes. Essa expansão das vistas foi realizada em parte por meio de janelas de cantos abertos e vidros do chão ao teto, fabricados pela Western Window Systems. Esta tecnologia de vidros ininterruptos é uma das formas mais eficazes de abrir um espaço interior para as vistas deslumbrantes de um ambiente natural. Permitem que o espaço interno seja mais aberto para o exterior sem obstruções. A seguir, revisamos suas vantagens estéticas, suas qualidades estruturais e sua aplicação em projetos reais.
https://www.archdaily.com.br/pt/945456/esquadrias-de-canto-ampliando-os-espacos-para-o-exteriorLilly Cao
Em Julho último (2019), na Plataforma habita-cidade [1] foi organizada a Oficina-viagem “Modos de Habitar: Arquiteturas Tradicionais” que levou alunos e professores para a Aldeia Ypawu, em território Kamayurá no Alto Xingu. O objetivo geral das Oficinas-viagem “Modos de Habitar” é a reflexão propositiva sobre as diversas formas do Habitat humano no planeta. Neste ano, a partir de uma demanda dos mestres construtores Kamayurá de produzir um Manual de Arquitetura local, a Oficina-viagem foi preparada para que o grupo para lá deslocado atuasse como apoio para essa importante empreitada. A ideia do Manual de Arquitetura Kamayurá foi inicialmente lançada por Kanawayuri L. Marcello Kamaiurá (liderança local) para a arquiteta Clarissa Morgenroth (arquiteta formada na Escola da Cidade) e para a diretora teatral Cibele Forjaz. A Escola da Cidade foi então convidada a participar do projeto, que foi encampado pela Plataforma habita-cidade, ligada ao curso de Pós-graduação lato sensu ‘Habitação e Cidade’.
https://www.archdaily.com.br/pt/923178/manual-de-arquitetura-kamayuraLuis Octavio de Faria e Silva
Na semana passada, a Global Designing Cities Initiative (GDCI) lançou a Designing Streets for Kids, uma plataforma concebida para estabelecer uma nova hierarquia de critérios para o desenvolvimento de projetos urbanos ao redor do mundo. “Projetando Ruas para Crianças” é uma iniciativa que pretende fomentar abordagens de projeto centradas no usuário e respaldada por princípios de desenho universal, focando na ergonometria do espaço e mobiliário urbano para melhor atender as necessidades específicas das crianças e seus familiares, além de promover a acessibilidade para ciclistas e outros meios de transporte individual não motorizado, estimulando o uso de transporte público no centro de nossas cidades.
Abertura dos eixos rodoviários que definem o plano-piloto de Brasília, marco-zero da nova capital, em 1957. Como descreveu Lúcio Costa no memorial descritivo do plano-piloto, a cidade nasceu de “um gesto de sentido ainda desbravador, nos moldes da tradição colonial. […] Dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.” Mario Fontenelle/ Arquivo Público do Distrito Federal – ArPDF
Ao comemorar 60 anos, Brasília tem a oportunidade de se inspirar nos movimentos antirracistas e anticoloniais que, mundo afora, têm contestado a monumentalidade da história oficial, para se confrontar com a memorialização do colonialismo em sua própria paisagem urbana. Ao invés de eventos comemorativos que reiteram histórias oficiais, celebrando a cidade como marco bandeirante da modernidade nacional, deveríamos fazer uma pausa – ademais imposta pela pandemia – para refletir sobre como certas memórias são eternizadas, enquanto outras são apagadas, e, então, traçar novas cartografias memoriais no tecido urbano da capital.
Com smartphones e tablets cada vez mais potentes, o conceito do escritório de arquitetura tradicional foi profundamente transformado desde a introdução de aplicativos móveis no setor. Essas ferramentas proporcionam fluxos de trabalho muito mais eficientes e práticos diretamente no canteiro de obras ou em trânsito, cobrindo todos os aspectos do projeto graças à sua variedade e versatilidade. Com interfaces amigáveis, modos de operação intuitivos e amplos recursos de informação, alguns são voltados para profissionais do setor, enquanto outros atraem qualquer entusiasta da arquitetura.
O ArchDaily selecionou os aplicativos de arquitetura mais populares de 2022, abrangendo desde desenho técnico e modelagem até esboços em diferentes níveis, plataformas de construção e gerenciamento, ferramentas utilitárias e aplicativos para buscar inspiração. Continue lendo para descobrir os aplicativos mais destacados para sistemas iOS e Android.
O estado de Oaxaca, no México, é um dos estados mais visitados anualmente por turistas de todo o mundo devido à sua extensa oferta gastronômica, cultural e arquitetônica, que o consolidaram como um dos destinos mais populares. Localizado na região sudeste do país, possui uma área de 93.757 km² e é dividido em 570 municípios, o que o torna o quinto maior estado do país.
A densidade sempre foi uma consideração essencial para arquitetos e planejadores urbanos, mas sua importância só aumentou à medida que a população urbana mundial disparou e as cidades se tornaram cada vez mais densas. Durante grande parte da história do planejamento urbano, este termo foi infestado de conotações negativas: superlotação, pobreza, falta de segurança e as chamadas 'favelas'. O movimento da cidade-jardim, iniciado por Ebenezer Howard em 1898, buscou remediar tais males defendendo cinturões verdes e um planejamento anti-densidade. A Ville Radieuse de Le Corbusier é um dos planos urbanos mais conhecidos a partir desses ideais. Ainda na década de 1960, a socióloga Jane Jacobs notoriamente derrubou esses conceitos de planejamento urbano muito influentes: ela apontou que a densidade dos edifícios não tem que ser igual à superlotação; sugeriu que algumas áreas urbanas altamente densas, como sua vizinhança em Greenwich Village, eram mais seguras e mais atraentes do que os projetos de cidades-jardim nas proximidades; e destacou como a concepção americana dos "bairros marginais" costumava estar enraizada em ideologias anti-imigrantes e anti-negros. A densidade não é inerentemente ruim, ela sugeriu, mas deve ser bem feita. Hoje, continuamos a lutar com a questão sobre como projetar para nossas cidades cada vez mais densas - como mantê-las abertas, mas simultaneamente privadas? Livres, mas controladas quando necessário? Em particular, como nos mantemos protegidos - tanto do crime quanto, em épocas de COVID-19, de doenças?
https://www.archdaily.com.br/pt/945652/a-evolucao-do-compartilhamento-dos-espacos-privacidade-e-abertura-em-arquiteturas-cada-vez-mais-densasLilly Cao
A Fundação Charles Correa lançou recentemente alguns trechos de ‘You & Your Neighbourhood’, dissertação de mestrado de Charles Correa no MIT em 1955 — um filme de animação do qual o arquiteto foi roteirista, animador, fotógrafo e diretor. O trabalho apresentava a ideia de um processo participativo para a melhoria dos bairros, com forte ênfase na criação de uma estrutura para aprimorar as condições urbanas por meio de uma abordagem de baixo para cima (bottom-up).
O estado de Baja California Sur localiza-se na região noroeste do país. Suas divisas geográficas limitam-se com o estado de Baja California ao norte, o Oceano Pacífico e o Mar de Cortés a leste e a oeste, respectivamente, abrigando algumas das paisagens e costas mais impressionantes de todo o território mexicano. Devido à sua localização privilegiada, Baja California Sur é um dos estados com maior fluxo turístico de todo o país.
Isometric study of unitised curtain wall elements from The Shard. Image Cortesia de The Donnies
Fachadas são a primeira barreira no exterior das edificações. Recebem chuva, neve, ventos, sol e mudanças de temperatura. Sua função primordial é manter o interior intacto da água, das pontes térmicos e torná-lo o mais confortável possível. É por isso que o detalhamento delas geralmente é feito por arquitetos experientes ou empresas especializadas, que entendem bem as capacidades dos materiais e os métodos de construção e saberão especificar as melhores soluções para cada caso. Mas às vezes, ao ver um projeto, alguns detalhes de fachada chegam a embrulhar o estômago de tão complexos, com milhares de linhas de chamadas, hachuras e cotas. Tornar esses desenhos didáticos, técnicos e, acima de tudo, bonitos, é uma tarefa para poucos. Conversamos com Troy Donovan, o criador da conta do instagram @the_donnies, com mais de 188 mil seguidores, que faz esse trabalho como poucos. Leia a entrevista a seguir.
Desde o final do século XIX até os dias de hoje, a cidade de Nova Iorque se consolidou como o principal epicentro da construção de edifícios em altura ao redor do todo. Muitas destas estruturas, concebidas e projetadas pelos mais importantes personagens da história recente da arquitetura, rapidamente adquiriram o status de ícone, influenciando para sempre a forma como concebemos nossos edifícios e cidades. Ainda assim, muitos arranha-céus históricos da cidade de Nova Iorque acabaram sendo demolidos, dando lugar a estruturas cada vez mais altas e tecnológicas. Neste contexto, novidade e obsolescência parecem duas faces de uma mesma moeda. As recentes disputas e impasses ao redor de algumas das mais icônicas estruturas em altura já construídas na cidade de Nova Iorque, revela o quão rapidamente as coisas podem mudar de figura.
Profissionais de arquitetura e design do ambiente construído são frequentemente vistos na cultura popular como agentes de mudança progressistas, cuja tela de aço e vidro traz luz ao espaço público. Pelo menos uma pesquisa global sobre a confiança do público em várias profissões coloca os/as arquitetos/as em um grupo de destaque que inclui profissionais da saúde e socorristas. No entanto, nos Estados Unidos, a profissão de arquiteto/a é surpreendentemente mais envelhecida e muito menos progressista do que se imagina.
https://www.archdaily.com.br/pt/1126378/the-drawdown-review-sugere-que-os-as-arquitetos-as-caminhem-em-direcao-a-solucoes-climaticas-escalaveisJesse M. Keenan
A New Generations é uma plataforma dedicada a descobrir e promover o trabalho de arquitetos jovens e emergentes no cenário europeu, proporcionando um espaço de troca e aprendizado, voltado tanto aqueles que se dedicam a prática quanto a teoria na arquitetura. Desde a sua fundação em 2013, a New Generations trouxe à público mais de 300 escritórios promissores de arquitetura, apresentando um cenário diversificado de studios e ateliês dedicados às mais diferentes atividades culturais, promovendo festivais, exposições, chamadas abertas, entrevistas e oficinas.
O evento de maior prestígio do território colombiano divulgou o resultado de sua seleção para este ano. A Sociedade Colombiana de Arquitetos (SCA) indicou 118 inscrições em 9 categorias distintas para a XXVII Bienal Colombiana de Arquitetura e Urbanismo: Arquitetura de interiores e efêmera, Desenho urbano e paisagismo, Divulgação, Habitat Social, Intervenção no Patrimônio, Pesquisa e crítica, Ordenamento Urbano e Territorial, Projeto Arquitetônico e Habitação Unifamiliar, bifamiliar ou trifamiliar. O júri, composto por Enrique Norten, Adib Cure, Gloria Serna, Hernando Vargas Caicedo, Ricardo Navarrete, Hildelgard Vásquez, Alberto Saldarriaga, Gilma Mosquera e Doris Tarchopulos, escolherá uma proposta vencedora para cada categoria, e dentre todas será definido o Prêmio Nacional de Arquitetura.
A seleção curada desta semana de Melhores Projetos Não Construídos abrange propostas conceituais enviadas por nosso público leitor. Reunindo funções diversas, a seleção aborda diferentes escalas, desde uma ponte em espiral na China até um hub de transporte voltado principalmente a viagens espaciais no Japão.
Apresentando abordagens projetuais singulares, este artigo introduz uma resposta arquitetônica humanitária voltada às necessidades de habitantes de um assentamento informal no Egito. Na categoria de masterplans, a proposta de uma cidade verde destaca como devemos desenvolver nossas cidades e bairros no futuro, enquanto o primeiro aeroporto de energia líquida zero no México reinterpreta abordagens holísticas de projeto. Além disso, a seleção apresenta diferentes intervenções culturais, como um museu em Botsuana, uma instalação no festival Burning Man desenvolvida pelo AI Studio e um observatório no Vietnã.