The Mirror Mind Without Time / RSAA/Büro Ziyu Zhuang, Shenzhen, China. Image
Enquanto meio de representação da arquitetura, a fotografia apresenta qualidades indiscutíveis. Com ela, é possível apresentar a um público distante obras erguidas em qualquer lugar do mundo, de vistas gerais a espaços internos e pormenores construtivos - ampliando o alcance e, de certo modo, o acesso à arquitetura.
Entretanto, como qualquer outra forma de representação, não é infalível. Na medida que avanços tecnológicos permitem fazer imagens cada vez mais bem definidas e softwares de edição oferecem ferramentas para retocar e, por vezes, alterar aspectos substanciais do espaço construído, a fotografia, por sua própria natureza, carece de meios para transmitir aspectos sensoriais e táteis da arquitetura. Não é possível - ao menos não satisfatoriamente - experienciar as texturas, sons, temperatura e cheiros dos espaços através de imagens estáticas.
Da Chang Muslim Cultural Center / Hejingtang Studio. Image Courtesy of A' Design Awards
O A’ Design Award é um evento internacional cujo objetivo é premiar os mais inovadores projetos de arquitetura e design além de promover e divulgar o resultado do trabalho dos mais proeminentes profissionais das áreas criativas ao redor do mundo. Entre tantos outros prêmios, o A’ Design Award se destaca por sua escala e abrangência: nas onze edições anuais anteriores, foram concedidos mais de 12 mil prêmios em 110 diferentes categorias a projetos e profissionais de 180 nacionalidades. As inscrições para a edição deste ano estão abertas e você pode participar através deste link.
O texto a seguir foi elaborado em resposta ao primeiro tema da série “Potenciais Pós-Pandemia” da AN. Duas reflexões anteriores, de Mario Carpo e Phil Bernstein, abordaram a transição quase sem sobressaltos do ensino de arquitetura do ambiente físico para o virtual. Leia mais sobre a série aqui.
O famoso relato de Michel Foucault sobre a peste descreveu o particionamento da cidade medieval, o confinamento de seus cidadãos e o controle e a distribuição de recursos. Essas ações fundacionais, segundo sua tese, levaram ao disciplinamento das pessoas e dos corpos institucionais no espaço e no tempo. De maneira análoga, o campo da medicina, consolidado pelo Relatório Flexner de 1910 (e seguido logo após pela fundação da Association of Collegiate Schools of Architecture, ou ACSA, em 1912), formalizou-se ainda mais após o surto de influenza de 1918, que expôs a necessidade de maior vigilância e diagnósticos exigidos pela epidemiologia.
Na casa Jeanneret-Perret, conhecida como "Maison Blanche", de 1912, Le Corbusier já colocava em prática algumas reflexões que posteriormente abriram caminho para o modo de habitar moderno.
Neste capítulo da série de artigos de Nikos A. Salingaros, David Brain, Andrés M. Duany, Michael W. Mehaffy y Ernesto Philibert-Petit, que trata do estudo da habitação social na América Latina, os autores apresentam algumas recomendações sobre a sequência de ações para a criação deste tipo de habitação, seja em zona rural ou urbana.
https://www.archdaily.com.br/pt/922288/22-passos-para-projetar-habitacao-social-em-zona-rural-ou-urbanaNikos A. Salingaros, David Brain, Andrés M. Duany, Michael W. Mehaffy & Ernesto Philibert-Petit
Pensando em mundo mais sustentável, no momento de construir são tomadas decisões a fim de gerar o menor impacto possível, e os materiais recicláveis contribuem muito para isso. Ao construir uma parede com materiais reaproveitáveis, pode-se pensar, por exemplo, em garrafas plásticas, e assim evitar seu descarte. Porém, existe uma técnica milenar utilizada em todo o mundo que é possivelmente o material mais sustentável: o adobe.
Desde o irrompimento do surto de COVID-19 há alguns meses, eu, como muitos de vocês, passei os últimos meses trancafiado em casa, ansioso e preocupado com as consequências e desdobramentos disso tudo. Entretanto, ao invés de perturbá-los com mais previsões hipotéticas para um futuro ainda incerto, prefiro compartilhar algumas observações sobre a atual condição das cidades africanas nesta calamitosa situação que estamos vivendo. Como africano, procurarei apresentar uma perspectiva única, desprendida de limitações e fronteiras, por que, afinal de contas, esta é uma crise sanitária mundial que como tal, desconhece tais demarcações.
https://www.archdaily.com.br/pt/945800/carta-aberta-da-nigeria-para-o-mundo-coronavirus-e-o-futuro-das-cidadesMathias Agbo, Jr.
O desafio de desenvolver projetos de conforto, sobretudo acústico, é um tanto quanto ingrato, uma vez que só prestamos atenção nele quando não funcionam adequadamente nos espaços. São muitas as queixas comuns: ouvir mais a conversa da sala ao lado do que a que ocorre no seu espaço, ter que gritar para ser entendido por alguém ao seu lado ou ouvir ecos excessivos nos ambientes que tornam o convívio exaustivo. Justamente esse último problema é bastante comum em espaços com estruturas aparentes, sem materiais de revestimentos. Por geralmente serem materiais pouco absorventes acusticamente, como concreto, vidros ou metais, é bastante comum que espaços com estéticas mais industriais apresentem tempo de reverberação alto. Isso quer dizer que um som emitido demora a desaparecer, pois continua refletindo nas superfícies do espaço e juntando-se aos outros sons produzidos, criando um ruído incômodo e reduzindo a compreensão das falas.
Denise Scott Brown disse uma vez: “A arquitetura não pode forçar as pessoas a se reunirem; ela pode apenas planejar os pontos de cruzamento, remover barreiras e tornar os locais de encontro práticos e atraentes.” Embora não possa garantir o resultado final, a arquitetura tem o potencial de oferecer uma plataforma para encontros e interações sociais. Dessa forma, ao mesmo tempo em que fomenta uma arquitetura de caráter comunitário, ela também molda a própria estrutura da nossa cultura social. Este artigo explora como a arquitetura, por meio de estratégias de projeto e de um planejamento cuidadoso, pode ampliar o capital social de seu entorno, oferecendo um terreno fértil para a interação entre diferentes grupos.
No interior dos espaços residenciais, as arquitetas e os arquitetos decidem dar maior ou menor protagonismo a certas áreas dentro do programa, dependendo das preferências de cada cliente. Há quem prefira priorizar os espaços mais íntimos, e há quem prefira as áreas mais sociais, sendo a cozinha uma delas.
Embora a função pragmática da cozinha seja o preparo de alimentos, são poucos os lares onde esse ambiente não se torne um espaço de convivência. Mesmo em habitações como a ruca mapuche, há um fogo no centro utilizado tanto para cozinhar quanto para aquecer e secar com o calor e a fumaça. Conceitualmente, isso transmite a mesma atmosfera acolhedora das cozinhas urbanas integradas. Hoje em dia, o fogo é controlado por fogões que, por questões de combustível, atualmente tendem a ser substituídos por modelos de indução, mais seguros e com melhor controle de temperatura. No entanto, a essência do lar permanece a mesma, e a arquitetura contemporânea tem permitido que a cozinha se integre novamente às demais atividades e áreas sociais.
Sobre o papel da arquitetura nas relações sociais, Denise Scott Brown disse uma vez: “a arquitetura não deve forçar as pessoas a se conectarem; ela pode apenas definir espaços, eliminar barreiras e fazer dos locais de encontro mais úteis e atraentes.” Embora não possamos controlar o resultado ou a maneira como as pessoas irão se apropriar dos espaços que projetamos, a arquitetura tem o potencial de abrir portas e aproximar pessoas, preparando o terreno para que encontros casuais e interações sociais aconteçam — fortalecendo assim o sentido de pertencimento e identidade que tanto influenciam a estrutura de nossa sociedade. A seguir, procuramos expor — através de exemplos concretos — formas como a arquitetura pode potencializar interações sociais através de estratégias e soluções projetuais inteligentes, proporcionando um terreno comum capaz de aproximar pessoas e construir comunidades.
O concreto é símbolo importante de um período de grande reconhecimento da arquitetura brasileira e até hoje segue como um dos materiais preferidos dos profissionais da área interessados em explorar a flexibilidade e expressividade que seu uso confere aos projetos. Apesar de estar associado sobretudo às estruturas das construções, o concreto pode figurar como protagonista por sua materialidade, temperatura, cores e outros aspectos que vão além de suas qualidades estruturais. Quando mantido aparente, o concreto imprime um caráter marcante nas áreas internas das obras ao dialogar com os demais elementos que compõem a ambiência das propostas.
Malibu Crest, remodelação de uma casa de 1949 do Estilo Internacional, foi desenvolvida pelo Studio Bracket com o objetivo de ampliar a metragem quadrada da estrutura e as vistas panorâmicas para Malibu, mantendo mais de 50% das paredes originais da casa. O projeto foi bem-sucedido, não apenas na renovação de seus espaços internos e reconfiguração do espaço, mas no alargamento das janelas para captar verdadeiramente as vistas da lagoa e das montanhas circundantes. Essa expansão das vistas foi realizada em parte por meio de janelas de cantos abertos e vidros do chão ao teto, fabricados pela Western Window Systems. Esta tecnologia de vidros ininterruptos é uma das formas mais eficazes de abrir um espaço interior para as vistas deslumbrantes de um ambiente natural. Permitem que o espaço interno seja mais aberto para o exterior sem obstruções. A seguir, revisamos suas vantagens estéticas, suas qualidades estruturais e sua aplicação em projetos reais.
https://www.archdaily.com.br/pt/945456/esquadrias-de-canto-ampliando-os-espacos-para-o-exteriorLilly Cao
Em Julho último (2019), na Plataforma habita-cidade [1] foi organizada a Oficina-viagem “Modos de Habitar: Arquiteturas Tradicionais” que levou alunos e professores para a Aldeia Ypawu, em território Kamayurá no Alto Xingu. O objetivo geral das Oficinas-viagem “Modos de Habitar” é a reflexão propositiva sobre as diversas formas do Habitat humano no planeta. Neste ano, a partir de uma demanda dos mestres construtores Kamayurá de produzir um Manual de Arquitetura local, a Oficina-viagem foi preparada para que o grupo para lá deslocado atuasse como apoio para essa importante empreitada. A ideia do Manual de Arquitetura Kamayurá foi inicialmente lançada por Kanawayuri L. Marcello Kamaiurá (liderança local) para a arquiteta Clarissa Morgenroth (arquiteta formada na Escola da Cidade) e para a diretora teatral Cibele Forjaz. A Escola da Cidade foi então convidada a participar do projeto, que foi encampado pela Plataforma habita-cidade, ligada ao curso de Pós-graduação lato sensu ‘Habitação e Cidade’.
https://www.archdaily.com.br/pt/923178/manual-de-arquitetura-kamayuraLuis Octavio de Faria e Silva
Na semana passada, a Global Designing Cities Initiative (GDCI) lançou a Designing Streets for Kids, uma plataforma concebida para estabelecer uma nova hierarquia de critérios para o desenvolvimento de projetos urbanos ao redor do mundo. “Projetando Ruas para Crianças” é uma iniciativa que pretende fomentar abordagens de projeto centradas no usuário e respaldada por princípios de desenho universal, focando na ergonometria do espaço e mobiliário urbano para melhor atender as necessidades específicas das crianças e seus familiares, além de promover a acessibilidade para ciclistas e outros meios de transporte individual não motorizado, estimulando o uso de transporte público no centro de nossas cidades.
Abertura dos eixos rodoviários que definem o plano-piloto de Brasília, marco-zero da nova capital, em 1957. Como descreveu Lúcio Costa no memorial descritivo do plano-piloto, a cidade nasceu de “um gesto de sentido ainda desbravador, nos moldes da tradição colonial. […] Dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.” Mario Fontenelle/ Arquivo Público do Distrito Federal – ArPDF
Ao comemorar 60 anos, Brasília tem a oportunidade de se inspirar nos movimentos antirracistas e anticoloniais que, mundo afora, têm contestado a monumentalidade da história oficial, para se confrontar com a memorialização do colonialismo em sua própria paisagem urbana. Ao invés de eventos comemorativos que reiteram histórias oficiais, celebrando a cidade como marco bandeirante da modernidade nacional, deveríamos fazer uma pausa – ademais imposta pela pandemia – para refletir sobre como certas memórias são eternizadas, enquanto outras são apagadas, e, então, traçar novas cartografias memoriais no tecido urbano da capital.
Com smartphones e tablets cada vez mais potentes, o conceito do escritório de arquitetura tradicional foi profundamente transformado desde a introdução de aplicativos móveis no setor. Essas ferramentas proporcionam fluxos de trabalho muito mais eficientes e práticos diretamente no canteiro de obras ou em trânsito, cobrindo todos os aspectos do projeto graças à sua variedade e versatilidade. Com interfaces amigáveis, modos de operação intuitivos e amplos recursos de informação, alguns são voltados para profissionais do setor, enquanto outros atraem qualquer entusiasta da arquitetura.
O ArchDaily selecionou os aplicativos de arquitetura mais populares de 2022, abrangendo desde desenho técnico e modelagem até esboços em diferentes níveis, plataformas de construção e gerenciamento, ferramentas utilitárias e aplicativos para buscar inspiração. Continue lendo para descobrir os aplicativos mais destacados para sistemas iOS e Android.
O estado de Oaxaca, no México, é um dos estados mais visitados anualmente por turistas de todo o mundo devido à sua extensa oferta gastronômica, cultural e arquitetônica, que o consolidaram como um dos destinos mais populares. Localizado na região sudeste do país, possui uma área de 93.757 km² e é dividido em 570 municípios, o que o torna o quinto maior estado do país.
A densidade sempre foi uma consideração essencial para arquitetos e planejadores urbanos, mas sua importância só aumentou à medida que a população urbana mundial disparou e as cidades se tornaram cada vez mais densas. Durante grande parte da história do planejamento urbano, este termo foi infestado de conotações negativas: superlotação, pobreza, falta de segurança e as chamadas 'favelas'. O movimento da cidade-jardim, iniciado por Ebenezer Howard em 1898, buscou remediar tais males defendendo cinturões verdes e um planejamento anti-densidade. A Ville Radieuse de Le Corbusier é um dos planos urbanos mais conhecidos a partir desses ideais. Ainda na década de 1960, a socióloga Jane Jacobs notoriamente derrubou esses conceitos de planejamento urbano muito influentes: ela apontou que a densidade dos edifícios não tem que ser igual à superlotação; sugeriu que algumas áreas urbanas altamente densas, como sua vizinhança em Greenwich Village, eram mais seguras e mais atraentes do que os projetos de cidades-jardim nas proximidades; e destacou como a concepção americana dos "bairros marginais" costumava estar enraizada em ideologias anti-imigrantes e anti-negros. A densidade não é inerentemente ruim, ela sugeriu, mas deve ser bem feita. Hoje, continuamos a lutar com a questão sobre como projetar para nossas cidades cada vez mais densas - como mantê-las abertas, mas simultaneamente privadas? Livres, mas controladas quando necessário? Em particular, como nos mantemos protegidos - tanto do crime quanto, em épocas de COVID-19, de doenças?
https://www.archdaily.com.br/pt/945652/a-evolucao-do-compartilhamento-dos-espacos-privacidade-e-abertura-em-arquiteturas-cada-vez-mais-densasLilly Cao
A Fundação Charles Correa lançou recentemente alguns trechos de ‘You & Your Neighbourhood’, dissertação de mestrado de Charles Correa no MIT em 1955 — um filme de animação do qual o arquiteto foi roteirista, animador, fotógrafo e diretor. O trabalho apresentava a ideia de um processo participativo para a melhoria dos bairros, com forte ênfase na criação de uma estrutura para aprimorar as condições urbanas por meio de uma abordagem de baixo para cima (bottom-up).
O estado de Baja California Sur localiza-se na região noroeste do país. Suas divisas geográficas limitam-se com o estado de Baja California ao norte, o Oceano Pacífico e o Mar de Cortés a leste e a oeste, respectivamente, abrigando algumas das paisagens e costas mais impressionantes de todo o território mexicano. Devido à sua localização privilegiada, Baja California Sur é um dos estados com maior fluxo turístico de todo o país.
Isometric study of unitised curtain wall elements from The Shard. Image Cortesia de The Donnies
Fachadas são a primeira barreira no exterior das edificações. Recebem chuva, neve, ventos, sol e mudanças de temperatura. Sua função primordial é manter o interior intacto da água, das pontes térmicos e torná-lo o mais confortável possível. É por isso que o detalhamento delas geralmente é feito por arquitetos experientes ou empresas especializadas, que entendem bem as capacidades dos materiais e os métodos de construção e saberão especificar as melhores soluções para cada caso. Mas às vezes, ao ver um projeto, alguns detalhes de fachada chegam a embrulhar o estômago de tão complexos, com milhares de linhas de chamadas, hachuras e cotas. Tornar esses desenhos didáticos, técnicos e, acima de tudo, bonitos, é uma tarefa para poucos. Conversamos com Troy Donovan, o criador da conta do instagram @the_donnies, com mais de 188 mil seguidores, que faz esse trabalho como poucos. Leia a entrevista a seguir.