Museu de Arte Moderna. Projeto do arquiteto carioca Affonso Eduardo Reidy. Imagem cortesia de CAU/BR
O período entre as décadas de 50 e 70 no Brasil se caracterizou, sobretudo, pela produção e difusão da arquitetura brutalista. Apesar da falta de uma definição unânime que caracterize o que pode ser entendido como um desdobramento da arquitetura moderna, o termo “brutalismo” é utilizado de forma geral para denotar edifícios da época que têm um denominador comum: o uso aparente dos materiais construtivos, em especial o concreto.
Em 1936, a Academia Brasileira de Imprensa instituiu um concurso para o projeto de sua nova sede no Rio de Janeiro. Hebert Moses, presidente da Associação estava, segundo Cláudio Pereira (2002), sincronizado com as correntes vanguardísticas internacionais, tendo mesmo sido intérprete de Frank Lloyd Right na ocasião de suas conferências no Rio de Janeiro em 1931. Ele quem escolheu os integrantes do júri, o qual era composto por associados à A.B.I., arquitetos e membros de órgãos especializados.
https://www.archdaily.com.br/pt/952944/propostas-colagens-contexto-urbano-e-o-edificio-sede-da-abiThiago Santos Mathias da Fonseca
A progressiva desindustrialização das cidades, seja devido a mudanças nas regulamentações de proteção ambiental - em termos de ruído e emissões -, ou ao aumento do valor dos terrenos, levou a um deslocamento sistemático dos edifícios fabris em direção à periferia dos conglomerados urbanos. Por conta disso, muitos edifícios industriais tornaram-se vazios e obsoletos, perdendo suas funções originais. Devido às suas dimensões, grandes vãos, flexibilidade e indeterminação espacial, no entanto, estes edifícios são, em geral, espaços apropriados para a realização de reformas que permitem a incorporação de novos programas.
Não há nada sustentável no seu gerador de emergência. A fabricação deste equipamento liberou toneladas de CO2 na atmosfera; assim como seu envio da fábrica para a concessionária e posteriormente para o seu quintal. Lá ele ficará parado, ocioso, esperando para ser utilizado quando a infraestrutura pública, muito mais limpa - mas com recursos insuficientes, falhar. A partir deste momento, ele vai liberar no ar poluentes adicionais. Diversas razões coerentes podem levar a uma pessoa a comprar um gerador de emergência, mas ser ecológico - isto é, proteger o meio ambiente - não é uma delas.
As grandes cidades do mundo estão enfrentando uma crise. As Nações Unidas estimam que até 2050, quase um bilhão de pessoas com deficiências viverão nas cidades, representando 15% do total de seus habitantes. Com paisagens urbanas repletas de metrôs, lojas e banheiros inacessíveis, a ONU declarou que o problema da acessibilidade representa um grande desafio para as cidades. Ao mesmo tempo, a maioria das cidades ao redor do mundo está perdendo a batalha para oferecer moradia segura, digna e acessível aos seus cidadãos, com aluguéis representando mais de 50% de algumas rendas familiares. O Fórum Econômico Mundial recentemente alertou que “um mundo onde que poucos podem pagar por moradia não é sustentável”.
https://www.archdaily.com.br/pt/923729/10-tecnologias-para-cidades-acessiveisNiall Patrick Walsh
Seja por questões ambientais, construtivas ou estéticas, a madeira é um material amplamente usado na arquitetura contemporânea, embora ainda esteja muito aquém de seu verdadeiro potencial. Se bem manejada, torna-se um recurso inesgotável, o que, por si só, deveria atrair grande atenção de arquitetos e outros profissionais da construção civil.
Para desassociar a madeira do uso em revestimentos e fechamentos – ou, ainda, estritamente ornamental –, reunimos a seguir 10 projetos públicos e comunitários de escalas variadas, de pequenas bibliotecas de bairro a centros de conferências, construídos em localidades tão distantes quanto Equador e Bangladesh, que empregam a madeira em suas estruturas.
A existência de centros urbanos como centros de comércio e cultura é milenar. À medida que se desenvolviam as tecnologias de construção, abastecimento de água e transporte, especialmente as embarcações que transportavam grandes volumes de mercadorias e pessoas, as pequenas aldeias se transformavam em centros urbanos.
Em 500 A.C já havia um milhão de habitantes em Roma. Mas foi apenas depois de 1760, após a Revolução Industrial na Inglaterra, que o protagonismo das cidades começa a tomar o seu lugar. Desde então as cidades passaram por grandes desafios e, até o momento, absolutamente nada foi capaz de dissipar as pessoas e desconstruir os grandes centros urbanos.
Exposição Riverbed do artista Olafur Eliasson. Cortesia de Louisiana Museum of Modern Art
Quando pensamos em galerias, museus e espaços expositivos em geral é comum que nos venha à mente a imagem de um lugar fechado, iluminado, com paredes brancas e piso neutro, provavelmente em madeira. A ideia de pensar espaços expositivos como espaços “puros”, seja para dar foco à obra de arte em si, seja para permitir que exista a rotatividade das exposições, talvez seja a maior diretriz na produção de espaços expositivos nas últimas décadas. No entanto, da mesma forma em que a arte transforma o espaço, o espaço também pode ser um agente transformador da arte. É com essa reflexão que emergem produções artísticas pensadas para um espaço específico, mais conhecidas como instalações site specific.
As escadas de madeira podem apresentar um aspecto próprio em cada projeto, graças não apenas às diferentes disposições que podem ocupar no ambiente, mas também à variação de cores e texturas proporcionadas pelas diferentes espécies e cortes das peças e às diferentes maneiras de arranjo de degraus.
Imagem do projeto vencedor de 1981 do Vale do Anhangabaú. Foto: Bruno Niz, 2019
O lugar em que nascemos, onde moramos e as referências das cidades fazem parte da história e compõe nossa identidade. Será que conseguimos decifrar o que esses espaços nos contam? Será que podemos expressar nossa percepção sobre eles? O Vale do Anhangabaú anuncia parte essencial do desenvolvimento de São Paulo e integra o imaginário de quem construiu memórias ali. Esse artigo é um exercício de transcorrer diferentes temas para instigar múltiplas possibilidades, coletivas e individuais, reais e utópicas, de experienciar esse espaço.
Em 2005, quando eu era estudante de arquitetura na Universidade Columbia, visões de Bilbao pairavam na mente de meus colegas de turma, que corriam para um estúdio de arquitetura cujo briefing consistia em projetar um museu Guggenheim totalmente novo na Governors Island. Admito que a perspectiva de exibir um espetáculo na exposição de fim de ano de Columbia era sedutora. No entanto, a pesquisa de campo para aquela disciplina exigia apenas viagens de metrô e balsa, ao passo que uma matéria oferecida pelo programa de preservação histórica prometia uma viagem a Roma. Abri mão de criar mais um ícone de papel para Nova York e viajei para a Esposizione Universale Roma por uma semana naquele outono.
Cuidar da terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro. Estes são os três princípios éticos que orientam a prática da permacultura desde a elaboração do termo, no final da década de 70, pelos ecologistas australianos David Holmgren e Bill Mollison. Esta foi uma época em que o movimento ambientalista ganhou bastante força com o surgimento de diferentes entidades e correntes unidas em uma tentativa de frear a destruição dos recursos naturais do planeta.
Seus três princípios básicos representam a preocupação e cuidado com os recursos naturais, a busca por uma vida social em harmonia com a natureza e criação de sistemas de compartilhamento do uso de recursos naturais.
Sinaloa é um estado localizado na região noroeste do México, limitado geograficamente pelos estados de Sonora, Chihuahua, Durango, Nayarti e a oeste com o Golfo da Califórnia e o Mar de Cortés. Com mais de 58 mil quilômetros quadrados de área, é o estado agrícola mias importante do país.
Para a maioria dos/as profissionais em início de carreira, passar no Architect Registration Examination (ARE) é a etapa final para obter o registro profissional. Infelizmente, milhares de pessoas tiveram que adiar seus objetivos profissionais em meio à pandemia de coronavírus. Desde março deste ano, menos de 1.500 candidatos/as ao registro concluíram o ARE — uma queda de 45% em comparação com o mesmo período em 2019. No entanto, a partir de 14 de dezembro, os/as candidatos/as terão a flexibilidade de fazer o ARE online, em centros da Prometric como ocorre atualmente, ou combinando ambas as opções.
Na última década, a Modelagem de Informação da Construção (BIM) foi amplamente adotada e integrada, em diferentes graus, a todos os aspectos de projeto, construção e manutenção de edifícios. Contudo, o potencial da tecnologia vai além disso: o futuro do BIM incorpora as realidades aumentada e virtual (RA/RV) e tem o potencial de alcançar a gestão automatizada e inteligente do ciclo de vida dos ativos. O conceito de criar um “gêmeo digital” de uma edificação ou sistema físico — com o objetivo de tornar essa entidade do mundo real mais segura, eficiente e resiliente — começa justamente com o avanço em direção ao BIM totalmente integrado.
Casas recém-construídas, com suas pegadas de carbono significativas, não apenas contribuem para as mudanças climáticas. Para muitos estadunidenses, elas também são caras demais — uma ironia amarga em cidades repletas de edifícios desocupados e com recordes de despejos.
Dada a urgência de ambas as questões, projetos de retrofit que transformam estruturas existentes de baixo carbono (cujo carbono incorporado inicial foi consumido há muito tempo) em moradias habitáveis merecem um olhar mais atento. Buscamos por essas iniciativas e encontramos algumas que prometem solucionar a insegurança habitacional e as emissões excessivas de gases de efeito estufa.
oficina de costura comunitária Amairis / ruta 4 taller. Image
O Taller Síntesis de Medellín, Colômbia, compartilhou conosco este artigo enfatizando a importância de reconhecer o ambiente construído rural colombiano, que responde à maior parte do território mas não à maior parte da prática arquitetônica, com o objetivo de conscientizar o público sobre como a arquitetura é desenvolvida e reconhecida no país.
Convidado por Miró Rivera Architects para documentar a obra construída do escritório, o fotógrafo belga Sebastian Schutyser decidiu empregar uma técnica bastante incomum mas que vem ganhando mais e mais adeptos ao redor do mundo. As imagens criadas pelo fotógrafo, criadas com o auxílio de uma câmera pinhole, são capazes de revelar à perfeição o diálogo construído entre a arquitetura e a paisagem, característica marcante nas obras do estúdio com sede em Austin, Texas.
Faz nove meses que o mundo parou de girar, apenas para retomar as atividades em um ritmo diferente. E, embora já víssemos esse novo estilo de trabalho se aproximar no horizonte, ainda não estávamos preparados para ele. Num piscar de olhos, nossos ambientes de trabalho e nossas vidas se resumiram a uma tela e um teclado. A migração para o ambiente virtual tornou-se obrigatória.
O concreto talvez seja o material mais facilmente associado à arquitetura moderna brasileira; de alta resistência à compressão e, quando armado, capaz de assumir variadas formas, sua plasticidade fez com que se tornasse o material favorito de alguns dos mais expressivos arquitetos brasileiros do século passado.
Hoje, ainda é bastante explorado na arquitetura produzida no Brasil, seja por sua robustez estrutural, facilidade de manutenção ou valor estético.
Ao longo do século XX, Miami Beach passou por inúmeras e profundas transformações, desde seu importante papel durante os anos dourados na virada do século, passando a ser conhecida como a capital americana do Art Déco até se transformar em um dos principais destinos de luxo da metade do século—para logo depois cair no esquecimento durante os anos 1970. Depois de quase uma década de abandono e decadência, pouco a pouco esta pequena cidade-distrito de Miami começou a despertar o interesse da comunidade de preservacionistas em meados dos anos 1980. Na década de 1990, Miami Beach ressurge como uma fênix para então se tornar novamente um dos destinos mais procurados dos Estados Unidos, atraindo novos ilustres residentes e personagens famosos como Gianni Versace entre outros.
Com a notícia promissora de uma vacina em potencial que em breve poderá fazer com que o mundo retorne a um modo de vida seminormal, questões estão sendo levantadas sobre como será o futuro do transporte público. Embora alguns prevejam que levará anos até que voltemos às formas de aglomeração, como sardinhas enlatadas em vagões de metrô lotados durante a hora do rush, não se trata apenas de como os indivíduos se sentem estando próximos uns dos outros enquanto se movem pela cidade. Tem mais a ver com como nossos outros hábitos diários, que foram remodelados como resultado da pandemia, podem mudar os objetivos gerais dos sistemas de transporte público em todo o mundo. Que estratégias podem ser implementadas para trazer o número de passageiros de volta aos níveis normais e para trazer o cenário da mobilidade de volta para onde estava, enquanto a sociedade continua a passar por grandes mudanças fundamentais?
O Oregon abriga algumas das geografias e empreendimentos privados mais variados dos Estados Unidos. Lar de paisagens e arquiteturas diversas, o estado é definido pela cordilheira das Cascatas (Cascade), litorais açoitados pelo vento, florestas densas e um ambiente de deserto de altitude a leste. Essas geografias variadas moldaram as técnicas construtivas e o design residencial do estado. No cerne desses esforços de construção estão as casas de madeira e vidro encontradas por todo o estado.
Na Robie House, Frank Lloyd Wright cria um arranjo inteligente de espaços públicos e privados, distanciando-se lentamente da rua através de uma série de planos horizontais. Beirais pronunciados fazem com que o espaço interior se expanda ao exterior. Considerada a primeira fase da carreira do arquiteto americano, as chamadas Prairie Houses tinham marcada horizontalidade, sobretudo por conta dos enormes planos criados por beirais levemente inclinados. Beirais são onipresentes na maioria das arquiteturas tradicionais e além do papel estético, desempenham importantes funções nas construções, em que talvez a principal seja manter a água da chuva longe das paredes e da estrutura. Mas de algum tempo para cá, não nos faltam exemplos de projetos com telhados inclinados sem beirais, conformando volumes puros e esteticamente muito agradáveis. Isso nos traz à pergunta: Nestes projetos, como são resolvidas as questões práticas do escoamento da água da chuva e o encontro dos planos vertical e diagonal?