Sabemos que as cores podem influenciar nossas sensações e provocar diferentes percepções do espaço, o que reitera a importância do seu estudo nos projetos arquitetônicos e a relevância da concepção de uma paleta de cores coerente. O impacto que a cor pode provocar no espaço e nas pessoas que o habitam torna-se ainda mais perceptível quando todo o ambiente é envolvido com apenas uma cor. Nesses casos não há limites para a quantidade de elementos arquitetônicos em que a tonalidade escolhida pode ser aplicada. Pisos, forros, paredes, mobiliário e até mesmo as tubulações e eletrocalhas podem ter uma coloração específica atribuída para estar em concordância com o ambiente monocromático.
Viver na cidade e viver a cidade é estar disposto a todo e qualquer acontecimento. Em um mesmo dia passamos por lugares e espacialidades diferentes, com composições e tempos distintos. Nenhum dia é igual ao outro, já que estamos em constante movimento, diante de uma combinação aleatória de eventos que geram efeitos sobre objetos e sujeitos; e que geram os espaços pelos quais transitamos e as percepções que vivenciamos. Diante dessa reflexão, surge a discussão dos efeitos da arquitetura e urbanismo para além de um campo visual, atrelada ao pertencimento do ser com o espaço e baseada na forma e na dinâmica urbana. Como podemos apreender os efeitos do objeto sobre o sujeito e vice-versa? Qual é a leitura materializada que temos da cidade como reflexo das ações da sociedade?
https://www.archdaily.com.br/pt/956524/tramas-urbanas-a-sociedade-paulistana-como-reflexo-e-extensaoCamila Yumi de Campos
Quando se fala em arquitetura bioclimática, refere-se principalmente às práticas que buscam reduzir o consumo de energia e o impacto ambiental das edificações, seja durante a sua construção – utilizando, por exemplo, materiais que diminuam a pegada de carbono ou incorporando processos responsáveis e adequados ao local de implantação – ou durante a sua vida útil. Essa combinação de elementos resulta em arquiteturas passivas que aspiram a uma redução no consumo de energia a longo prazo – seja complementando certos sistemas mecânicos de ventilação, calefação e resfriamento com outros meios passivos ou utilizando integralmente sistemas alternativos – mediante a adequação do projeto, sua geometria e orientação em relação ao relevo, clima, vegetação natural, insolação e direção dos ventos predominantes do território onde se inserem.
O concreto é frequentemente visto como um material bruto, duro e frio – e é, inclusive, adorado por isso. No entanto, o uso do concreto junto da vegetação pode contribuir para uma espécie de "suavizada" do material, adequando-o a mais aplicações. Veja, a seguir, nove projetos que apresentam soluções interessantes para a fusão do concreto com a vegetação.
Com o adensamento das cidades e redução da disponibilidade de solo, o fenômeno da verticalização tem se intensificado nas cidades de todo o mundo. Assim como a verticalização de edifícios — que costuma dividir opiniões de arquitetos e urbanistas — muitas iniciativas têm buscado na dimensão vertical uma possibilidade para promover a presença do verde nos centros urbanos. Jardins, fazendas ou florestas verticais, hortas em coberturas e estruturas suspensas para agricultura urbana são algumas das possibilidades de verticalização do cultivo de espécies vegetais, cada uma com suas especificidades e impactos específicos para as cidades e seus habitantes.
Mas seria a verticalização a solução ideal para tornar as cidades mais verdes? E quais são os impactos dessa ação nos centros urbanos? Ou ainda, quais os benefícios da vegetação que são perdidos ao adotar soluções em altura, ao invés de promover seu cultivo diretamente no solo?
'Territorios y vivenda' (2018). Image Cortesía de Alberto Kalach
A realidade das grandes cidades, como a Cidade do México é, na maioria dos casos, formada por pessoas de vários estados do país e de vários países ao redor do mundo. No entanto, devido à situação da pandemia e à nova era do trabalho remoto, foi radicalmente despertado um interesse em regressar às províncias e regiões costeiras onde há menos população, superlotação e, aparentemente, menos restrições sanitárias em comparação com as grandes cidades que acolhem os grandes aeroportos.
Todos nós já comentamos sobre o "caráter" de um edifício. Um apartamento, por exemplo, pode tê-lo devido a algum detalhe especial em carvalho, ao passo que outro edifício pode não se enquadrar no "caráter" de seu bairro. Neste vídeo, o designer de arquitetura e professor Stewart Hicks examina de perto as origens e os significados desse conceito fluido. Por que usamos essa mesma palavra tanto para pessoas quanto para edificações? Como os personagens também fazem parte da ficção, será que isso nos ajuda a entender como os edifícios contam histórias? Dos arquitetos iluministas Ledoux, Boullée e Lequeu à casa do filme Beetlejuice, passando por práticas contemporâneas que investigam o que significa um edifício ter um rosto ou uma postura, vamos a fundo para compreender por que profissionais de arquitetura consideram o "caráter arquitetônico" uma proposta tão instigante.
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Caja Obscura / Javier Corvalán + Laboratorio de Arquitectura. Image
Através das formas, cores e, principalmente, dos elementos na fachada, muitos arquitetos têm buscado transmitir uma sensação de movimento a suas obras, que essencialmente são estáticas. Santiago Calatrava, Jean Nouvel e Frank Gehry são alguns dos mestres que conseguem proporcionar um efeito dinâmico a estruturas imóveis, destacando a obra no contexto, com artifícios formais trazidos das artes plásticas. Mas há vezes, também, que por razões estéticas ou funcionais, os arquitetos optem por estruturas móveis que possam trazer algum tipo de diferencial à obra construída.
A reunião de homologação do concurso para o "Projeto Completo de Arquitetura da Escola de Ensino Fundamental (9 anos) da Unidade 4 de Guiwan" foi realizada em 29 de janeiro de 2021. A entidade promotora constituiu legalmente o comitê de seleção que, após votação, definiu a seguinte classificação final:
https://www.archdaily.com.br/pt/1130651/resultado-da-licitacao-do-projeto-integral-da-escola-de-ensino-fundamental-de-nove-anos-da-unidade-4-de-guiwanMilly Mo
Climas e condições extremas exigem abordagens arquitetônicas contextuais. Dos desertos arenosos aos climas frios e glaciais, a forma como construímos está intimamente ligada ao local. A partir de diversos contextos ao redor do mundo, profissionais de arquitetura e design criam propostas que estruturam e organizam novas formas de viver, trabalhar e se divertir. Esses projetos não construídos repensam as formas tradicionais ao mesmo tempo em que respondem a uma ampla variedade de condições de paisagem.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos foca em diversas tipologias em climas quentes e frios ao redor do mundo. Desenvolvidos por diferentes escritórios e em variados contextos locais, eles representam propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily. Os projetos exploram desde o design generativo em um abrigo no deserto de Siwa e uma habitação em caverna na China, até um empreendimento costeiro na Espanha e uma série de habitats em formato de iglu para pinguins na Antártida.
Estrutura de expansão para restaurante/varejo em Nova York. Imagem cortesia de Fantastica & Hollaender Mfg. Co.
A pandemia global de COVID-19 forçou todos nós a nos adaptarmos rapidamente a novos modos de vida: novas maneiras de trabalhar, nos comunicar, fazer compras e muito mais. Essa adaptabilidade é fundamental para navegar por um mundo em constante mudança. Sistemas construtivos modulares e flexíveis podem nos ajudar a adaptar nossos espaços físicos às novas realidades de distanciamento social ou, inclusive, à necessidade de implantar rapidamente hospitais de campanha.
Você já se perguntou qual é a diferença entre espaço aberto e espaço livre? Neste vídeo, o/a arquiteto/a e professor/a Stewart Hicks analisa o que torna o projeto de espaço aberto uma vertente singular do “conceito aberto”. O conteúdo integra uma série de vídeos que explora termos do mercado imobiliário a partir de exemplos contemporâneos, históricos e da teoria da arquitetura. Desta vez, o foco recai sobre as estratégias espaciais de Mies van der Rohe, desde seus primeiros projetos não construídos, passando pelo Pavilhão de Barcelona, até a Casa Farnsworth. Cada obra apresenta uma abordagem específica e em constante evolução — definindo o posicionamento de paredes, pilares e o planejamento da cobertura —, elementos que, em conjunto, constituem o que chamamos de “planta livre”. Outros vídeos da série dedicam-se ao espaço “livre” ou “orgânico”, ajudando a aprofundar a compreensão sobre os conceitos fundamentais da arquitetura.
Nayarit é um estado situado na região oeste do México, limitado geograficamente pelos estados de Sinaloa, Durango, Zacatecas e Jalisco, fazendo frente com o Oceano Pacífico. Conta com uma superfície de 27 815 km², sendo o nono menor estado do país. Sua capital e cidade mais populosa é Tepic. No entanto, outras localidades importantes desse território são Nuevo Vallarta, Valle de Banderas, Ixtlán del Río, San Blas, Santiago Ixcuintla, Acaponeta, Compostela, Jala, Santa María del Oro, Rosamorada, Xalisco, San Pedro Lagunillas, Tecuala e Huajicori.
Existem decisões administrativas que afetam de forma mais ou menos direta a população. A assinatura do acordo de paz entre o governo colombiano — juntamente aos países garantidores — e as FARC-EP foi um dos acontecimentos mais aguardados por mais de 40 milhões de colombianos e colombianas, além de várias gerações afetadas pelo conflito armado interno. No entanto, esse processo não foi simples e gerou forte polarização diante de um acordo que traria um benefício inegável para qualquer pessoa, independentemente de suas orientações políticas: a paz.
O arquiteto Erich Coufal (1926-2021) viajou de sua Viena natal, na Áustria, para Guadalajara, no México, com apenas 24 anos, cidade onde acabou se estabelecendo pelo resto de sua vida. Ali, deixou um legado fundamental para a arquitetura moderna de Guadalajara e do México. Foi um migrante que adotou essa cidade como sua; dizia ter nascido duas vezes: a primeira em Viena, em 1926, e a segunda em Guadalajara, em 1950.
Temporada de liquidações do Shopping Lar Center destaca produtos para todas as necessidades, seja para construção e reforma ou para a decoração dos ambientes.
Desplans e KooZA/rch revelaram os três vencedores finais do concurso #mycityscape. Ao convidar jovens criativos/as para esta conversa, a chamada aberta questiona a definição de cidade, perguntando: “O que estabelece a identidade de uma cidade? O que distingue um ambiente urbano de outro? E o que define nossa relação com a paisagem construída que habitamos?”
Na tentativa de encontrar as ferramentas para mapear a cidade do século XXI, o concurso incentivou jovens criativos/as a registrar a essência de sua paisagem urbana em uma única imagem. Após a seleção de 12 propostas finalistas, o concurso convocou um público mais amplo para decidir os projetos vencedores por meio de votação nas redes sociais. Após a divulgação dos resultados, Christele Harrouk, do ArchDaily, teve a oportunidade de conversar sobre o concurso #mycityscape com os representantes da Desplans e da KooZA/rch, discutindo o tema e todo o processo. Descubra neste artigo como foi a conversa e conheça os projetos vencedores.
Em Her, filme de 2013 dirigido por Spike Jonze, um solitário escritor desenvolve uma relação de amor com a assistente virtual de um sistema operacional. Admirável Mundo Novo, livro escrito em 1932 pelo inglês Aldous Huxley, fala de uma sociedade cujo culto à eficiência, racionalização e à máquina desencadeou uma humanidade que desconhece o esforço e a dor, mas também reprime o amor e a liberdade. Já em Frankenstein, livro de 1823, considerado o primeiro romance de ficção científica, uma vida é criada artificialmente, produzindo um monstro com características humanas: vontades, desejos e medos. Seja, respectivamente, em relação ao receio com a inteligência artificial, as incertezas com a industrialização ou os limites da ciência, obras de ficção científica nos revelam muito mais que apostas certeiras do futuro – no tempo em que foram criadas, falam sobre os temores e anseios da época.
Quando exploramos as visões urbanas do passado sobre o futuro, é comum encontrarmos exemplos exagerados e até engraçados. Acerca das promessas da arquitetura e, consequentemente, das nossas cidades, também não é tarefa fácil apontar caminhos com clareza. Observando as tendências no campo e usando toda a nossa imaginação, será que podemos afirmar como as cidades se parecerão em dezenas ou centenas de anos? Seus materiais, sua aparência, a maneira de construir e pensar? Este futuro será mais minimalista e impoluto ou mais orgânico e complexo? Como as novas tecnologias e materiais de construção afetarão a forma, a estética e a prosperidade das cidades de amanhã?
Ir à Colômbia, sendo brasileira, foi como reconhecer um país irmão. Em um mês, como participante do workshop Field Stations, registrei perspectivas pessoais das impressões que tive dos lugares visitados. O tema é a paisagem fluvial e os registros têm a fragilidade e subjetividade de um diário de bordo. A vontade de compartilhá-los é a de expressar essa identificação, de mostrar como vi semelhanças entre nós: problemas, complexidades e belezas, bem como a clareza e o reconhecimento de que unidos seríamos mais fortes. Vislumbra-se a ideia de eliminar as fronteiras invisíveis que nos afastam e de agregar povos subdivididos pelos colonizadores.
Durante muito tempo, no México e em todo o mundo, a arquitetura de arquitetos e arquitetas pioneiros do Movimento Moderno, como Luis Barragán e Juan O'Gorman, entre muitos outros, tem sido apresentada como uma arquitetura sacra e intocável, com o objetivo de preservá-la ao longo do tempo.
House in the Mountains / GEZA. Image Cortesia de geza
Francis D. K. Ching [1] caracteriza uma chaminé como “estrutura vertical incombustível, que contém um conduto através do qual a fumaça e os gases de uma fogueira ou fornalha são impelidos para o exterior e por meio do qual é criada uma corrente de ar”. Enquanto seus canos podem ficar ocultos em paredes ou outras estruturas, o topo da chaminé geralmente permanece proeminente, com o intuito de levar os gases de dentro para fora, sem sujar o ambiente ou prejudicar a saúde dos ocupantes. Sendo elementos verticais, há chaminés que se tornam grandes marcos na paisagem urbana, sobretudo em projetos industriais. No momento do desenho, decidir sobre o “peso” que terá a chaminé no projeto é imprescindível. Na Casa Milá, por exemplo, Gaudí coroa o edifício de formas sinuosas e curvilíneas com chaminés esculturais. Há casos em que a sobriedade da construção é espelhada em sua chaminé e outros que o elemento vertical busca ser o mais oculto possível. Recentemente, também, muitas chaminés têm sido reformadas para novos usos ou novas tecnologias mais limpas. Seja no papel de destaque, de integração ou oculto na edificação, veja abaixo algumas dicas de projeto e possibilidades de uso.
Poucas tipologias arquitetônicas são tão atemporais quanto as padarias. Uma prática que se estende por milhares de anos, a arte da panificação possui raízes diversas. Hoje, as padarias combinam áreas de convivência, socialização, compras e trabalho. Embora a industrialização e a comercialização tenham transformado a arte da panificação e os produtos assados, as padarias continuam sendo importantes espaços comunitários para encontros e para a definição da identidade dos bairros.
Trecho de HQ. Produção autoral por Bárbara Garcia Souza Bravo
TEIA re(a)presenta a cidade de São Paulo por meio de uma narrativa em quadrinhos. Os personagens foram criados para serem os protagonistas do enredo a partir de uma seleção empírica, na qual foram elencados doze bairros relevantes para a história da cidade em que seus moradores serviram de base para compor os tipos possíveis da trama do roteiro desejado. A narrativa em HQ foi o suporte ideal para desenvolver uma linguagem que permite pensar espacialmente o contexto urbano e observar as relações humanas no universo criado e desenhado, salientando sua dimensão de meio comunicativo. Além de vivenciar e conhecer os bairros, o intuito do trabalho foi explorar a noção de pertencimento do lugar. A experiência in loco dos bairros e a conversa espontânea com alguns moradores – que serviram de referência para os protagonistas criados – proporcionaram ao enredo a possibilidade de refletir sobre a diferença do ser (de um lugar) e do estar (em um lugar) na mais populosa e diversa metrópole brasileira.
A arquitetura de Chicago fica vazia sem o jornalismo de arquitetura local. Desde o lançamento, na década de 1880, da publicação em preto e branco Inland Architect, que cobriu a reconstrução após o Grande Incêndio de Chicago, até uma crítica de 1985 do James R. Thompson Center escrita por Paul Gapp no Chicago Tribune, intitulada “Masterpiece or Ego Trip?” (Obra-prima ou viagem de ego?), que definiu os rumos da recepção pública do edifício, a cobertura e a crítica de arquitetura nos jornais locais e publicações especializadas têm proporcionado um elo fundamental para que Chicago mantenha sua reputação como uma cidade de arquitetura extraordinária. A crítica e o jornalismo de arquitetura ajudaram — e continuam ajudando — Chicago a compreender como chegamos a este ambiente construído e o que o futuro reserva.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131337/o-que-chicago-perde-ao-perder-um-a-critico-a-de-arquiteturaElizabeth A. Blasius