Já faz mais de um ano que fomos todos pegos de surpresa com o então surto de coronavírus que, posteriormente, se transformaria em pandemia e nos mantém ainda hoje em completo estado de suspense. Entretanto, não demorou muito para toda esta situação passasse a ser encarada como um desafio a ser superado, inspirando arquitetos e arquitetas ao redor do mundo a desenvolver soluções e estratégias projetuais para combater a maior e mais longa crise sanitária da modernidade. Neste contexto, é importante mencionar o fato de que a grande maioria destas inovações foram comissionadas ou comercializadas pelo setor imobiliário e portanto, representam um benefício a apenas uma pequena parcela da população. Entretanto, à medida que estas empresas se esforçam para oferecer melhores alternativas aos clientes com melhores condições financeiras, a pandemia faz muito mais vítimas junto à classe trabalhadora, principalmente no que se refere às restrições que lhes são impostas e os poucos benefícios que lhes são oferecidos. Somado a isso, quando observamos as condições de moradia das classes mais baixas, especialmente em países mais pobres ou aqueles de economia emergente, a precarização dos espaços habitáveis é um agravante o qual, resulta diretamente da total liberdade e da falta de fiscalização que gozam os empreendedores do mercado imobiliário nestes países.
Se você frequentou a escola de arquitetura ou design, provavelmente há algo que você notou sobre seus colegas de classe - a maioria deles eram mulheres. E se você trabalha no mundo da arquitetura ou design há alguns anos, provavelmente há outra coisa que você também percebeu - que há menos mulheres em posições de liderança do que homens. Há uma crise que a arquitetura enfrenta desde que a profissão existe: as mulheres abandonam a arquitetura em grande número. Mas o que está causando isso e quais etapas estão sendo tomadas para garantir que alguns dos melhores profissionais estejam posicionados para se tornarem futuros líderes da indústria?
Casa submersa em Dichato, Chile, após o terremoto seguido de tsunami em 2010. Foto de El Increíble Dr. Peligro, via Visualhunt
Desastres naturais, agravados ou não pela ação do homem, são cada vez mais frequentes no mundo atual.
O Chile é um dos países que conta com um longo histórico de desastres naturais, muitos deles ocorridos nos últimos anos, o que revela quão dramático e desanimador é para sua população. É como se o país vivesse em estado permanente de reconstrução.
O arquiteto John S. Chase com seus filhos Anthony (à esquerda) e John, Jr. (à direita). O trio posa em frente à Residência Chase, construída em 1959. Imagem cortesia de John and Drucie Chase Collection, African American Library at the Gregory School, Houston Public Library
O texto a seguir é um trecho deJohn S. Chase — The Chase Residence(Tower Books, 2020), do arquiteto e professor da Universidade do Texas David Heymann e do historiador e professor da Universidade Rice Stephen Fox. Ricamente ilustrado com materiais de arquivo e novos desenhos, o livro é o primeiro dedicado a Chase, que foi o primeiro arquiteto negro licenciado no Texas. O estudo é dividido em duas partes: Heymann analisa o significado pessoal, social e arquitetônico da própria residência de Chase em Houston, enquanto Fox descreve sua carreira arquitetônica.
Este trecho baseia-se na análise de Heymann e destaca a primeira versão da Residência Chase (significativamente alterada por ele em 1968). O texto dá grande ênfase ao notável pátio da casa, uma inovação modernista e uma declaração singular sobre a vida doméstica da época. Novos desenhos de corte, elevação e perspectiva elaborados para o livro ajudam a ilustrar a engenhosidade da configuração da casa. Por fim, o trecho foi selecionado em parte para homenagear Drucie (Rucker) Chase, que faleceu em janeiro de 2021.
O entrelaçamento de linhas elegantes e nítidas contrasta com a beleza delicada do lago e as colinas suavemente onduladas de Brianza. Imagem cortesia de Flexform
Às margens do Lago de Alserio, em Como, na Itália, ergue-se uma residência contemporânea projetada pela arquiteta Annalisa Mauri, que contrasta o entrelace de linhas limpas e precisas com a delicada beleza do lago e das colinas suaves de Brianza que o cercam. A geografia do terreno influenciou profundamente a fluidez da edificação, que se expressa por meio de espaços geométricos bem definidos, com grandes esquadrias de correr e peitoris de vidro que oferecem uma perfeita continuidade visual entre o interior e o exterior.
Simples na forma, mas complexa na substância, “O que é Arquitetura?” continua sendo uma questão existencial para quem estuda arquitetura e para jovens profissionais da área. Na tentativa de definir esse questionamento em constante evolução e expor as diferentes visões existentes, a série de entrevistas : WIA – What is architecture? propõe quatro perguntas diretas a importantes nomes do projeto e do pensamento arquitetônico mundial. Buscando revelar suas opiniões sobre o que é a arquitetura e o que ela pode realizar, estes vídeos curtos trazem respostas para as seguintes perguntas: “O que é arquitetura? O que a arquitetura pode fazer? Qual é o seu posicionamento arquitetônico? e Qual é o seu método de projeto?”.
O ArchDaily fez uma parceria com o WIA para publicar, semanalmente, quatro dessas conversas, além de convidar você a aceitar o desafio e responder a essas perguntas. O terceiro artigo da série apresenta as ideias e visões de Yona Friedman, Oana Bogdan e Leo Van Broeck, do escritório Bogdan & Van Broeck, Ma Yansong, do MAD Architects, e Alessandra Cianchetta, do escritório AWP Architecture.
O Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos arquitetos David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diferentes profissionais criativos em conversas espontâneas que dão espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Diversos temas são abordados com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros apresentam dicas para colegas de profissão, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. O Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina conversam com Alex Proba, designer multidisciplinar e diretora de criação do Studio Proba, para discutir seu processo de design, a busca por um estilo próprio, os limites e as possibilidades de uma linguagem visual, a dissolução de fronteiras entre trabalhos em 2D e 3D, design espacial e muito mais. Aproveite!
https://www.archdaily.com.br/pt/1130719/alex-proba-sobre-as-limitacoes-e-possibilidades-de-um-estilo-de-design-e-a-diluicao-das-fronteiras-entre-obras-em-2d-e-3dThe Second Studio Podcast
Muitos/as arquitetos/as e designers enfatizam a importância de considerar todos os cinco sentidos no processo de projeto para criar uma experiência de usuário bem-sucedida. Felizmente, diversas soluções de design já integram recursos que facilitam a experiência espacial de pessoas com deficiência física. No entanto, raramente se projeta para aqueles/as cujas capacidades de uso e percepção são limitadas por transtornos mentais ou traumas.
O processo de recuperação de pessoas que sofreram traumas exige um esforço significativo por parte das próprias vítimas, de seu entorno e da sociedade como um todo. Geralmente, recomenda-se que sobreviventes de traumas passem mais tempo ao ar livre para usufruir do poder de cura da natureza. Mas e o design de interiores? Dado que hoje passamos cerca de 90% do nosso tempo em espaços fechados, esses ambientes também deveriam, por direito, desempenhar um papel ativo na reabilitação psicológica. Embora espaços internos banhados por luz natural abundante e tons neutros pareçam esteticamente agradáveis, eles são realmente benéficos para a saúde mental dos/as usuários/as?
Sagamihara, Japão. Drone photo by Rob Antill (@digitalanthill) and Ben Steensls (@randomoperator)
Vivemos em um emaranhado de fluxos – de capital, de informação, de tecnologia, de imagens, de estruturas, um constante ímpeto pelo movimento que domina todas as esferas da nossa vivência. As grandes infraestruturas viárias aqui apresentadas são frutos desse poderoso desejo de movimento que, por muitos anos foi também sinônimo desenvolvimento, como o retratado em Fausto, célebre personagem goethiano, na sua defesa pela eterna caminhada rumo ao (falso) sentido de progresso.
Destes emaranhados de concreto e aço, com múltiplos níveis em diferentes direções, um caos geometricamente organizado emerge rasgando as tramas urbanas na busca incessante por priorizar os fluxos com menor impedimento e maior capacidade possível.
Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal fundaram seu escritório de arquitetura Lacaton & Vassal em 1987, anos depois de estudarem e trabalharem juntos na École Nationale Supérieure d'Architecture et de Paysage de Bordeaux. A firma, estabelecida em Paris, foi premiada com o prestigioso Prêmio Pritzker 2021 deste ano. A sua obra construída deixa fortes indícios do que consideram relevante: sustentabilidade, bem-estar, responsabilidade social e a readaptação e respeito ao meio edificado existente.
https://www.archdaily.com.br/pt/958582/lacaton-and-vassal-conheca-a-obra-construida-dos-vencedores-do-pritzker-2021Paula Pintos & Clara Ott
Praça Raul Soares, Belo Horizonte. Foto de Luiz Felipe Silva Carmo, via Unsplash
Os processos de planejamento e desenvolvimento das cidades fazem parte de redes complexas, que muitas vezes demandam a articulação de diferentes ferramentas voltadas para o planejamento físico, mas também social, econômico, político, entre outros. O Plano Diretor é um dos principais instrumentos que existem para isso, e desempenha um papel fundamental para a regulamentação do território de uma cidade.
Segundo a definição da NBR 12267, que estabelece as normas para elaboração de Planos Diretores, estes são o “instrumento básico de um processo de planejamento municipal para a implantação da política de desenvolvimento urbano, norteando a ação dos agentes públicos e privados”.
A fundação da primeira Escola de Arquitetura de Guadalajaraé uma história que costuma ser contada como um ato quase "heroico", concretizado após anos de tentativas. Ao reunir uma série de acontecimentos felizes, conseguiu-se dar à capital de Jalisco essa independência criativa, arquitetônica e urbana, contando com seus próprios profissionais para construir uma Guadalajara melhor.
Este vídeo explora como os cenários e espaços na primeira temporada de Westworld, da HBO, contribuem para a interpretação geral da série. Da cidade sem lei de Sweetwater aos escritórios rigidamente controlados da Delos, Westworld utiliza a arquitetura de maneira precisa para estabelecer seus mundos complexos. Embora a série se passe em um parque temático do futuro próximo, livros como Variation on a Theme Park, de Michael Sorkin, argumentam que já estamos tratando as cidades em que vivemos — na vida real — como parques temáticos. Assim, embora Westworld compartilhe diversas estratégias arquitetônicas com locais como a Disneyland, a produção também não está tão distante de cidades como Chicago, Nova York ou Londres. Afinal, foi o arquiteto Charles Moore quem declarou a Disneyland o ambiente urbano mais influente construído após a Segunda Guerra Mundial. Ir a fundo nessa toca de coelho envolve muitas viagens de trem e uma introdução ao conceito de heterotopia de Michel Foucault, que ajuda a explicar o que acontece quando mundos colidem.
Você sabia que, em quase todo o mundo, pessoas constroem diariamente suas casas sem ajuda de arquitetos e engenheiros?
Comum nas regiões periféricas do Brasil, a autoconstrução é uma opção de quem deseja ter sua casa própria personalizada, sem enfrentar burocracias indesejadas ou dívidas de longo prazo. No entanto, a escolha por construir a própria residência sem o apoio técnico de engenheiros e arquitetos frequentemente é acompanhada pela falta de informação, o que pode acarretar em irregularidades, má qualidade da construção e riscos para os moradores.
A Her City é uma plataforma dedicada a ampliar a participação de mulheres e meninas no planejamento urbano, visando construir cidades melhores para todas as pessoas. Ao propor uma mudança de perspectiva, o projeto posiciona o público feminino no papel de especialista, com o objetivo de criar comunidades e centros urbanos mais sustentáveis, igualitários e inclusivos. Esta iniciativa disponibiliza a gestores e gestoras urbanas de todo o mundo metodologias e ferramentas que facilitam a integração das mulheres no planejamento estratégico de longo prazo das cidades.
Focada em planejamento e desenho urbano, a plataforma foi lançada no Dia Internacional da Mulher de 2021, fruto de um esforço conjunto entre o ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos) e o think tank independente sueco GlobalUtmaning. O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com a equipe responsável pelo projeto para discutir a trajetória de desenvolvimento da plataforma, o processo de elaboração de suas diretrizes e as perspectivas para o planejamento inclusivo em escala global.
Este artigo foi publicado originalmente no Common Edge como "Kate Wagner sobre o McMansion Hell, a crítica e seu amor pelo ciclismo".
Ao contrário do mito do cinema, o sucesso instantâneo não existe. O momento em que uma presença cultural surge na cena, aparentemente pronta, é quase sempre precedido por anos silenciosos de formação autônoma e obsessão obstinada. Esse é o caso de Kate Wagner, que abalou a internet da arquitetura em 2016 com o lançamento do McMansion Hell, uma sátira afiada e hilária sobre as hipertrofiadas residências suburbanas estadunidenses, em toda a sua cafonice e pretensão desesperada. Um ano depois, o site de anúncios imobiliários Zillow enviou a Wagner, então com 23 anos, uma notificação extrajudicial de abstenção de uso (cease-and-desist), alegando que o uso de fotografias por ela violava direitos autorais (embora eles próprios também não fossem donos das imagens!). Foi um passo em falso, que resultou em um recuo corporativo e em uma avalanche de publicidade gratuita para o McMansion Hell.
Este ano, a honraria máxima da arquitetura, o Prêmio Pritzker, foi concedido à arquiteta Anne Lacaton e ao arquiteto Jean-Philippe Vassal, fundadores do escritório francês Lacaton & Vassal. A dupla é amplamente reconhecida por sua atuação em projetos de habitação social e sustentável. Em sua prática profissional ao longo das últimas três décadas, o escritório assumiu como premissa "enriquecer a vida humana", beneficiando as pessoas que habitam e utilizam suas obras nos âmbitos social, ecológico e econômico, além de contribuir de forma ativa para a evolução das cidades.
Piscinas residenciais não são novidade, mas se tornaram um componente único na vida moderna. Cada vez mais popularizadas, as piscinas se tornaram um símbolo de status social, bem como um elemento de recreação. Hoje, piscinas residenciais podem ser achadas pelo mundo todo, em todo o tipo de clima. Ao longo do tempo, quanto mais piscinas foram sendo construídas, mais as técnicas de infraestrutura e equipamentos avançaram.
No universo da arquitetura é recorrente que soluções técnicas ligadas ao conforto dos ambientes sejam transformadas em recursos expressivos ou detalhes únicos nos projetos. Esse é o caso dos espelhos d'água, dispositivos que contribuem amplamente com os parâmetros de conforto térmico nos edifícios e, ao mesmo tempo, funcionam como elementos de interesse estético que criam situações surpreendentes onde empregados.
A HerCity é uma plataforma digital, criada pela UN-Habitat em parceira com o Laboratório de Idéias Global Utmaning, voltada à promoção da participação e inclusão de jovens mulheres nos processos de planejamento e desenvolvimento urbano de nossas cidades. Disponibilizando ferramentas que possam contribuir para a construção de cidades mais inclusivas e equitativas e delegando às mulheres um maior poder de decisão, a plataforma foi concebida com o principal objetivo de fornecer as ferramentas necessárias para se garantir o estabelecimento de processos de planejamento e desenvolvimento urbano mais inclusivos e atentos às reais demandas de todos os usuários—sem exceções.
Lançada no Dia Internacional da Mulher, no último dia 08 de Março, o guia para o planejamento e desenho urbano da HerCity é um esforço colaborativo desenvolvido entre a UN-Habitat e o Global Utmaning, um laboratório de ideias independente com sede na Suécia. Recentemente, o ArchDaily teve a oportunidade de bater uma papo com as líderes do grupo por trás desta importante iniciativa, durante o qual pudemos conversar sobre o processo de criação e as estratégias definidas pela nova plataforma HerCity.
Com foco em propostas de concursos, a curadoria desta semana de melhores projetos de arquitetura não construída baseia-se em propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily para destacar projetos premiados em todo o mundo. Desenvolvidas para programas diversos, as propostas exploram como potencializar a identidade dos contextos locais para vencer suas respectivas competições. Juntos, os projetos apresentam abordagens formais, espaciais e conceituais contemporâneas.
As propostas premiadas abrangem uma variedade de projetos: uma proposta de redesenho de uso misto para um subúrbio pós-guerra de Antuérpia, um arranha-céu no terreno de uma antiga sede histórica da polícia no centro de Frankfurt, uma proposta arborizada contra ilhas de calor urbanas em Abu Dhabi e a "Ireland House" em Tóquio, que reunirá diplomatas e funcionários de órgãos estatais sob o mesmo teto. Estes são apenas alguns dos destaques entre os melhores projetos não construídos da semana.
Cortesía de Angie Milena Espinel para Arquitectas Colombianas. Image Cortesía de Arquitectas Colombianas
O artigo a seguir resulta de uma colaboração com Arquitectas Colombianas, uma iniciativa que busca promover a memória, a contribuição e as atividades das mulheres na arquitetura e no design na Colômbia e no mundo. Explore a seguir a visão delas e a presença de mulheres na cena local, acompanhadas de citações das autoras desta arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1130684/arquitetas-em-todo-o-espectro-da-arquitetura-da-colombiaAna María Pinzón