Quadras urbanas podem ser definidas como o espaço delimitado pelo cruzamento de três ou mais vias, subdivisível em lotes para a construção de edifícios. Para além da definição técnica, no decorrer dos séculos, este elemento morfológico foi sendo moldado em conformidade com o pensamento urbano e as expectativas vigentes podendo configurar um único volume ou vários que variam em altura e profundidade; volumes isolados em meio a natureza ou labirintos de difícil acesso. Independente da composição, a quadra simboliza o elemento mínimo da escala do bairro e assume o importante papel na mediação entre o público e o privado dentro das cidades.
Em seu livro "O Brutalismo em arquitetura, ética ou estética?", Reyner Banham estabelece o que, segundo ele, foi um dos momentos-chave na definição da raiz semântica do termo Brutalismo "há um fato arquitetônico indiscutível: a obra de concreto de Le Corbusier: a Unidade de Habitação de Marselha. E se há uma fórmula verbal simples que tornou o conceito de Brutalismo admissível em muitas línguas do mundo ocidental, é que o próprio Le Corbusier descreveu este trabalho como "Béton brut" (concreto bruto). O termo e o edifício, portanto, surgem juntos". Em seu livro, Banham marca a construção da Unite d' Habitationcomo um marco histórico e enfatiza com especial destaque sua condição material. A partir daí, o concreto armado aparente é definido como o material preferido para este tipo de arquitetura. Embora exista também uma certa indefinição teórica quanto aos limites e ao alcance do termo "brutalista", existem certas constantes sobre seus parâmetros estéticos que nos permitem estabelecer uma linha de análise relativamente concreta. Nestes termos, os edifícios pertencentes ao brutalismo são caracterizados por sua verdade construtiva - mostrando e evidenciando o material que compõe a arquitetura, assim como sua lógica construtiva e estrutural - a geometria de suas formas e a rugosidade das superfícies.
A 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza convidou profissionais da arquitetura a refletir sobre a questão "Como viveremos juntos?", provocando uma variedade de respostas, leituras e interpretações. A Exposição Internacional, que acontece no Giardini, no Arsenale e no Forte Marghera, apresenta 112 participantes de 46 países, cujas contribuições estão organizadas em cinco escalas: Entre seres diversos, Como novas habitações, Como comunidades emergentes, Através de fronteiras e Como um único planeta. Para responder à pergunta "Como viveremos juntos como comunidade?", o escritório chileno ELEMENTAL propôs uma intervenção, e o ArchDaily se reuniu em Veneza com Alejandro Aravena para discutir a ideia por trás do projeto KOYAÜWE. A proposta cria um espaço que recupera a tradição dos "parlamentos" (diálogos e negociações históricas) como meio de abordar o histórico conflito chileno-mapuche.
Esta semana, destacamos as vagas abertas em dois escritórios de destaque localizados na região do Delta do Rio Yangtze: o Senshang Design, de Hangzhou, e o Dayi Mingliang Architects, de Xangai. Com linguagens singulares, ambos atuam de forma dinâmica em diferentes campos da arquitetura e buscam talentos para integrar suas equipes.
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Imagine se a luz, além de nos permitir enxergar o mundo, fosse também capaz de transmitir informações e significados. Padrões mensuráveis de iluminação natural, traduzidos em níveis de ‘lux’ recomendados para determinadas tarefas, levaram a uma compreensão quantitativa da luz. No entanto, a arquitetura se apropria da luz natural não apenas para cumprir requisitos formais e padrões matematicamente calculados. A iluminação natural é utilizada, sobretudo, para transmitir emoções, revelar espaços e construir atmosferas. Dito isso, poderíamos afirmar que a iluminação é uma forma de linguagem utilizada pelos arquitetos para se comunicar com as pessoas? Desde uma perspectiva semiótica, poderemos melhor compreender como a luz e a sombra contribuem para a construção de significado na arquitetura.
Vladimir Belogolovsky conversa com Antoine Predock sobre o projeto Bahías, uma comunidade de 13 casas que será construída em breve na Costa Rica, inspirada por uma visão de folhagem construída.
Sejam produzidos com matérias primas orgânicas ou sintéticas, tecidos têm sido amplamente utilizados na arquitetura desde os tempos mais remotos. No entanto, sua aplicação em larga escala veio a acontecer apenas após a revolução industrial e a popularização de novas tecnologias—ou seja, a possibilidade de se produzir membranas têxteis de alta qualidade e em grandes dimensões, capazes de cobrir edifícios inteiros e vencer grandes vãos. Comumente utilizadas de forma tencionada, as membranas têxteis ajudaram a moldar o imaginário da arquitetura contemporânea, sendo utilizadas em pavilhões, estádios e edifícios dos mais variados tipos e tamanhos.
"Albañilas, construyendo sin patrones" é um documentário de curta-metragem lançado em 5 de maio de 2021, realizado pela Frente de Organizações em Luta #FOL — organização presente em mais de 10 províncias da Argentina —, que reúne os depoimentos de Brenda, Natalia, Claudia, Isabel, Nora, Ana e Moni. Com um olhar profundamente pessoal, elas descrevem como se aproximaram desse ofício para a criação do salão da #FOL.
Diante de um cenário empresarial em constante evolução, as empresas de engenharia precisarão trabalhar de maneira mais inteligente e ágil do que nunca para se manterem competitivas.
A entrada de luz natural, a melhoria das condições de ventilação e a possibilidade de potenciar a ligação com a natureza, sem que isso implique uma perda de privacidade, têm levado os pátios a se tornarem elementos frequentemente adotados e incorporados em muitos projetos arquitetônicos.
Os pátios caracterizam-se por serem áreas abertas ou semicobertas, localizadas no interior de edifícios e têm seus perímetros delimitados por paredes, galerias ou outros elementos. Estes espaços, externos mas contidos, em muitos casos desempenham um papel crucial na configuração e organização do projeto e, em alguns casos, representam a conexão entre os moradores e o exterior.
O que é um render? Apenas uma imagem para ganhar concursos e clientes? Ou é uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento de um edifício?
Perguntamos a nossos leitores quais são os limites da renderização no desenho arquitetônico, e a quantidade de respostas foi imensa. Depois de ler e compilar todos os comentários recebidos de profissionais da construção, estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, há um grande consenso de que devemos pensar não apenas na renderização como um elemento de venda, mas como um elemento chave na verificação do projeto.
O plástico é um material incrível. O grande problema é a forma como estamos usando-o e descartando-o na natureza. Foi com essa ideia em mente que o Museu do Plástico foi criado, para mostrar o papel vital que o plástico desempenha nas nossas vidas, bem como as possibilidades que o seu reaproveitamento e reciclagem oferecem. Inaugurado em Madri no dia 8 de maio, não conterá apenas plástico, mas será construído inteiramente a partir desse material. Através das peças que se encontram no interior, como objetos essenciais para os cuidados de saúde, comunicação, construção, alimentação e mobilidade sustentável, o visitante poderá conhecer tudo o que o plástico nos proporciona quando é feito o seu uso correto.
É inútil dizer que a arquitetura é uma profissão que flutua de acordo com a economia. Todos nós conhecemos histórias ou até sentimos na pele as consequências de um período de recessão. Para a industria da construção civil, a depressão econômica se traduz em um estado de espera, na escassez de novos projetos e portanto, em um impacto negativo considerável em termos de novos contratos e vínculos empregatícios—sem mencionar as terríveis consequências para a massa de trabalhadores informais, entre eles, arquitetos e arquitetas. É evidente que a economia opera em ciclos, ora com períodos de vacas magras, ora com momentos de vacas gordas. Quando no entanto, uma mal temporada coincide com uma situação de crise na qual a população global continua a crescer rapidamente e o valor da terra a atingir níveis exorbitantes, é inegável que a arquitetura não passará ilesa por tal momento. Ainda assim, existem aqueles que, ao invés de culpar a economia pelos altos e baixos da profissão da arquitetura e da industria da construção civil, afirmam que é ela a principal responsável pelas principias crises econômicas globais.
Para além de ver a casa como simples abrigo e proteção, hoje há uma complexidade muito maior de funções integradas àqueles programas elementares do habitar. Não pensamos mais somente nos espaços de dormir, cozinhar e banhar, mas sim em uma série de novos programas, que exigem novos espaços e configurações. Dentre esses novos programas, o lazer surge como uma atividade integrada ao morar, na forma de quintais, piscinas e salas de televisão.
ELDMØLLA Sauna / Arkitekt August Schmidt + Workshop NTNU-Trondheim + Arnstein Gilberg + Ina Samdal. Image Courtesy of Workshop NTNU-Trondheim
Pelas suas características específicas, a arquitetura das saunas é interessante pois nos dá lições relacionadas à eficiência e beleza da simplicidade. Geralmente são estruturas arquetípicas muito básicas, com uma distribuição clara e funcional, criadas para conter diferentes níveis de calor e umidade. Graças a este banho de vapor, as pessoas que nele se encontram liberam toxinas e melhoram a circulação sanguínea, sendo muito utilizadas em climas frios, em estreita relação com a natureza e a presença de água.
Para funcionar, estes espaços normalmente herméticos contêm uma série de bancadas internas com diferentes dimensões e uma fonte de calor que deve atingir temperaturas entre 80 e 90° C, incluindo, se necessário, uma chaminé para expelir a fumaça. A madeira é o material escolhido por excelência, utilizando na maioria dos casos espécies nativas que mantêm o seu aspecto rústico e textura natural. A seguir, revisamos 9 saunas projetadas por arquitetos, incluindo alguns de seus detalhes de construção.
Por definição, “estrutura” é um termo bastante abrangente e amplamente utilizado em diferentes disciplinas. Na arquitetura, por sua vez, a expressão “estrutura” pode ser utilizada tanto para referir-se a uma obra construída quanto para descrever o conjunto de elementos portantes que compõe um edifício, responsáveis por distribuir e transmitir suas as cargas até o solo.
A pandemia do coronavírus impôs novas necessidades e mudanças significativas em nossas vidas: nas relações, no trabalho, nos hábitos de consumo e no aumento da desigualdade. De fato, o tema dos espaços de trabalho surgiu em um momento histórico no qual as pessoas viram suas próprias liberdades limitadas pela primeira vez na era pós-moderna.
A maioria das pessoas foi forçada a trabalhar em casa e, desde o início da quarentena, a reflexão sobre o futuro dos espaços de trabalho tornou-se inevitável. Dados interessantes mostram que o coronavírus apenas impulsionou uma prática que vinha se consolidando há anos em alguns países. Segundo a Global Workplace Analytics e FlexJobs, entre 2005 and 2015, o número de profissionais nos Estados Unidos que realizam pelo menos 50% de seu trabalho em casa ou em outro local fora de seus escritórios cresceu 115%, e hoje esse número chega a 4,7 milhões, ou seja, 3,4% da força de trabalho.
Com mais de 56 milhões de habitantes divididos entre nove estados, a região Nordeste do Brasil conta com um litoral de aproximadamente três mil quilômetros que vão do Delta do Parnaíba, no Piauí, ao sul da Bahia. Internacionalmente conhecido por suas praias, que realmente fazem jus à fama, a região é tão culturalmente diversa como geograficamente abrangente, apresentando manifestações culturais riquíssimas das quais faz parte a arquitetura.
Celebramos neste artigo a mais trivial das tipologias arquitetônicas, a casa, em exemplos construídos nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Projetos que mostram cuidado primoroso em relação ao entorno e escolha dos materiais ou, ainda, que fogem de estereótipos e lugares-comuns quando se pensa na arquitetura produzida no Nordeste brasileiro.
As Case Study Houses (1945-1966), iniciativa patrocinada pela Arts & Architecture Magazine e imortalizada pelas icônicas fotografias em preto e branco de Julius Shulman, pode conter alguns dos exemplos mais famosos da arquitetura americana moderna na história. Projetadas para enfrentar a crise habitacional do pós-guerra com construção rápida e materiais baratos, ao mesmo tempo em que adotavam os princípios do design modernista e tecnologias contemporâneas avançadas, as Case Study Houses foram moldadas por seu foco central em materiais e projeto estrutural. Enquanto cada uma das casas foi projetada por diferentes arquitetos para uma variedade de clientes, esses objetivos compartilhados unificaram os muitos projetos em torno de várias estratégias estéticas e estruturais básicas: plantas abertas, volumes simples, janelas panorâmicas, estruturas de aço e muito mais. Embora alguns dos materiais e estratégias das Case Study Houses tenham ficado desatualizados nas décadas seguintes, esses produtos e recursos exclusivos viriam a definir uma era histórica da arquitetura nos Estados Unidos.
https://www.archdaily.com.br/pt/961990/como-os-materiais-moldaram-as-case-study-housesLilly Cao
A cozinha comunitária Solar Kitchen de Auroville, ecovila no sul da Índia com população de 3000 pessoas. Foto de Luiza Tripoli
De diversas formas a observação sobre a área rural e suas comunidades podem trazer ensinamentos para a implementação de dinâmicas sustentáveis nas cidades. Ao estudar especificamente as ecovilas, pontos importantes sobre a relação entre humanos e biosfera se tornam explícitos, principalmente em um espaço de importância a todas elas: a cozinha.
Na cultura ocidental capitalista é visível a dicotomia presente entre natureza e humanidade. O homem forma sua identidade como algo externo à natureza, e na maioria das vezes superior à ela. Como consequência dessa ruptura conceitual aparecem também as quebras espaciais. A cidade é vista como um produto humano, na qual os moradores destas, para entrarem em contato com a natureza, precisam encontrar os seus remanescentes em parques ou praças. Os “vazios” de ocupação humana, como as florestas, são vistas como falhas, espaços que a humanidade ainda não transformou.
Pavilhão Barcelona. @ Flickr Renato Saboya. Used under Creative Commons
A alusão da síntese entre arte e arquitetura, embora remonte à origem da disciplina, alcança, nas vanguardas artísticas do início do século XX, significado e função social diferentes, constituindo uma das características mais marcantes do Movimento Moderno. Uma integração presente nas obras de grandes nomes do movimento como Mies van der Rohe, Le Cobusier, Oscar Niemeyer, para citar alguns.
Seguindo nossa busca para redefinir como a arquitetura é percebida hoje, e expondo suas diferentes interpretações, o ArchDaily deu espaço para seus usuários responderem a quatro questões fundamentais: “O que é arquitetura? O que a arquitetura pode fazer? Qual é a sua posição arquitetônica? Qual a sua metodologia de projeto? ” Com cerca de 200 respostas por questão, recolhidas em todo o mundo, as ideias partilhadas são na sua maioria complementares e não conflituosas, sublinhando uma compreensão geral do papel e da essência da arquitetura.
O fogo é um fator crucial a ser considerado no projeto de edifícios. Desde os sistemas construtivos e a disposição dos ambientes até as rotas de fuga e os sistemas de combate a incêndio, o fogo é uma força poderosa que molda os espaços que habitamos. Este vídeo aborda alguns desses fatores enquanto o apresentador, Stewart Hicks, acende uma fogueira em uma cabana no norte de Michigan. Ao longo do processo de escolha das lenhas, montagem, acendimento e contemplação do fogo, ele explica como a construção de edifícios se relaciona com os princípios para se estruturar uma boa fogueira. Ele aborda as teorias de Gottfried Semper, a evolução do fogo no ambiente doméstico, os aspectos a se considerar na construção em wood frame, o Princípio de Bernoulli, os sistemas de combate a incêndio e muito mais. Puxe uma cadeira, traga os ingredientes para fazer s’mores e divirta-se com algumas curiosidades sobre o fogo.