Treze anos atrás, o então prefeito de Maceió, Cicero Almeida, inaugurou duas grandes obras na cidade, os viadutos Washington Luiz e João Lyra. A expectativa, na época, era de que ambos trouxessem uma possível solução para os problemas de mobilidade urbana na capital a partir de uma maior fluidez do tráfego na região. Porém, com o passar do tempo, o que se pôde observar foi um aumento da frota de veículos na cidade que trouxe de volta o fantasma dos congestionamentos nos horários de pico, e as obras que prometiam solucionar a mobilidade da cidade já não eram mais suficientes.
https://www.archdaily.com.br/pt/963959/parem-de-construir-viadutos-para-resolver-problemas-de-mobilidadeRuan Victor Amaral
É inquestionável que os ambientes influenciam diretamente no comportamento e nas emoções de seus usuários. Estima-se que os seres humanos passem cerca de 90% de seu tempo de vida em espaços internos, por isso é tão importante que eles favoreçam positivamente nossa capacidade cerebral. Um termo específico para relacionar os estímulos que o cérebro recebe dependendo do ambiente em que está é neuroarquitetura. Diversos estudos têm sido publicados sobre esse tema, a maioria sobre o impacto em ambientes de trabalho. Este artigo pretende abordar sobre esse conceito, enfatizando sua importância no projeto de espaços destinados a crianças na primeira infância.
Alguns pesquisadores definem que o início do Antropoceno se deu com a Revolução Industrial, outros com a explosão da bomba nuclear ou até no advento da agricultura. Isso ainda não é um consenso científico. Mas a noção de que as atividades humanas vêm gerando alterações com repercussão planetária, seja na temperatura da Terra, nos biomas e ecossistemas, é algo cada vez mais disseminado. O antropoceno seria uma nova era geológica marcada pelo impacto da ação humana no planeta Terra. Isso é particularmente perturbador se considerarmos que se toda a história da Terra fosse condensada em 24 horas, os humanos só apareceriam nos últimos 20 segundos. Seja na extração massiva de recursos naturais, liberação de carbono dos veículos e indústrias, é sabido que boa parte da culpa é da construção civil, sobretudo na produção de resíduos sólidos, por conta de desperdícios e demolições. No Brasil, por exemplo, os Resíduos da Construção Civil podem representar entre 50% e 70% da massa dos resíduos sólidos urbanos [1]. Muitos acabarão descartados irregularmente ou utilizados como aterros soterrados por tempo indeterminado.
Nesta reedição, Martin C. Pedersen conversa com John Englander, autor de Moving to Higher Ground: Rising Sea Level and the Path Forward, sobre o aumento “irrefreável” do nível do mar. O artigo explora a importância de se planejar para esse desafio imediatamente. De fato, "temos algum tempo, mas não todo o tempo do mundo", afirma John Englander.
Nos últimos anos, assistimos a um maior reconhecimento do esforço coletivo que é a arquitetura e a crescente valorização das diferentes profissões que participam no processo de projeto. Dentro de cada edifício extraordinário, a engenharia estrutural desempenha um papel essencial na materialização da ideia arquitetônica. O artigo destaca as contribuições passadas e presentes da engenharia para o ambiente construído, personalidades que ficaram à sombra dos arquitetos apresentando suas intenções de projeto e a colaboração entre engenheiros e arquitetos hoje.
Massimo Paolini compartilha conosco o seguinte artigo intitulado 'Barcelona: destruições de uso'. O texto apresenta os últimos projetos e debates em torno do futuro da cidade.
"Arquitetura sem arquitetos" é um projeto dirigido pela artista mexicana Sandra Calvo que ocorreu no período de 2011 a 2014 no bairro de Villa Gloria – um complexo de casas autoconstruídas localizado em Ciudad Bolívar, distrito na zona sul de Bogotá – em colaboração com uma família de moradores, que consistiu na criação de uma estrutura de fios que refletisse os desejos latentes de sua própria moradia por meio de práticas construtivas e de design.
O sudoeste dos Estados Unidos é amplamente conhecido por seus projetos cívicos e monumentais. Essas propostas estabelecem expressões icônicas e contemporâneas que transcendem as tradições vernáculas. Localizados em diferentes regiões do Texas, Novo México e Arizona, os projetos são concebidos com uma estética moderna e novas ideias. Novas experiências espaciais e abordagens formais estão sendo exploradas por arquitetos/as locais e internacionais. Em contraste com os espaços íntimos e discretos da arquitetura residencial da região, esses edifícios se consolidam como marcos urbanos de destaque e pontos de convergência em suas respectivas cidades.
Em um artigo originalmente publicado na Metropolis, a autora Lauren Gallow destaca uma transformação urbana na Califórnia, liderada por um grupo de organizações locais e designers. O projeto "substitui um beco anteriormente perigoso por áreas de lazer, arte pública e vegetação nativa", revelando o potencial inexplorado desse espaço público frequentemente negligenciado.
À primeira vista, construir uma piscina na orla costeira pode parecer uma decisão pouco coerente. Afinal, por que alguém escolheria se banhar ali com a imensidão do mar ou do rio a poucos passos de distância? No entanto, apesar da nossa primeira impressão, em muitos casos essas obras acabam se tornando infraestruturas realmente significativas para pessoas com mobilidade reduzida, crianças ou outras pessoas para as quais o mar ou o rio pode trazer algum tipo de insegurança. Nesta perspetiva, as piscinas costeiras apresentam-se como dispositivos de conexão entre as pessoas e a paisagem, possibilitando a utilização dos territórios marítimos e fluviais para que mais pessoas possam desfrutar da água com segurança.
A pandemia de COVID-19 representa um momento de ruptura para o nosso mundo e promete impulsionar mudanças transformadoras no design, desde a maneira como vivenciamos nossas casas e escritórios até o planejamento de nossas cidades. A série de webcasts Design Disruption explora essas transformações — abordando também questões como as mudanças climáticas, a desigualdade e a crise habitacional — por meio de conversas com mentes visionárias da arquitetura, do design, do planejamento urbano e do pensamento contemporâneo, propondo soluções criativas e reimaginando o futuro do ambiente construído.
Países com clima predominantemente tropical ou equatorial, como o Brasil, permitem que as casas possuam uma relação mais fluida entre interior e exterior, não havendo necessidade, em grande parte do território nacional, de soluções arquitetônicas que limitem a conexão entre estes espaços para manter o ambiente aquecido. Em locais marcados por temperaturas mais quentes, soluções que buscam a integração entre espaços internos e externos podem ser bem-vindas, pois promovem maior ventilação e iluminação naturais para o ambiente residencial, além do seu característico apelo estético.
Um projeto de escala relevante, raramente é obra de um único homem. Desde os primórdios levantamentos de celeiros em aldeias, realizados nos séculos 18 e 19 até a força-tarefa padrão hoje em dia, uma edificação requer muitas mãos a bordo, trazendo diferentes contribuições e conhecimentos para moldá-la e executá-la.
Población Quebrada Márquez. Image Cortesía de Isis Zúñiga Campos
Compreendendo a relação entre as histórias em quadrinhos e a representação arquitetônica, a tese de Isis Zúñiga Campos nos convida a percorrer o conjunto habitacional “Quebrada Márquez”, demonstrando como essas narrativas construídas a partir de desenhos e imagens são capazes de transmitir e representar tanto os modos de habitar quanto as experiências arquitetônicas que nos cercam. Através da implementação de diversos recursos gráficos, o desenho dos personagens constitui parte fundamental para a compreensão do habitar. De fato, como descreve a autora, a arquitetura sem pessoas não é arquitetura. Embora os quadrinhos ainda tenham um longo caminho a percorrer na representação das formas de habitar, enquanto isso, eles nos ensinam quais são os percursos, os espaços e os usos que as pessoas fazem a partir de uma perspectiva mais próxima da realidade.
A seguir, a autora nos conta os detalhes em suas próprias palavras.
Dentre os escritórios mais amplamente difundidos e consolidados no mundo, o OMA - Office for Metropolitan Architecture, fundado na década de 1970 por Rem Koolhaas, Elia Zenghelis, Madelon Vriesendorp e Zoe Zenghelis, definitivamente faz parte do panteão dos mais famosos. Fato curioso é que, embora receba grandes comissões e já tenha construído obras emblemáticas em diversos países, o escritório é frequentemente associado a uma abordagem menos centrada no projeto arquitetônico, extrapolando os limites rígidos do campo disciplinar e englobando outras áreas de atuação.
O atelier mearc foi fundado em Xangai em 2012. O estúdio busca entregar resultados inovadores e de espírito investigativo em projetos de arquitetura, interiores e instalações. O escritório prioriza a observação do cotidiano, investigando as conexões profundas entre o comportamento humano e o espaço para transformá-las em ponto de partida para suas criações; explora ativamente o valor singular intrínseco de cada projeto; incentiva a pesquisa exploratória inicial e, ao mesmo tempo, compromete-se com a prática de técnicas construtivas locais; além de focar no projeto arquitetônico, valoriza a colaboração com consultores especializados para garantir a viabilidade econômica e técnica de cada obra.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131419/vagas-em-xangai-atelier-mearc-arquiteto-a-arquiteto-a-assistente-estagiario-aMilly Mo
A arquitetura moderna da Austrália possui raízes diversas. Fundamentados em projetos emblemáticos como a famosa Ópera de Sydney, os projetos contemporâneos do país abraçam radicalmente novas ideias estéticas. Indo além da tradicional construção em terra batida (pisé) para criar formas articuladas, as propostas modernas surgem como híbridos multiculturais de natureza tanto derivada quanto importada. Exemplificando essa dinâmica, os projetos educacionais australianos reinterpretam a arquitetura vernacular para expressar a cultura contemporânea. Representantes de uma linguagem de design genuinamente australiana, esses projetos partem da história dessa nação-continente para criar espaços de aprendizado, lazer e reflexão.
No clássico filme de Jacques Tati, Mon Oncle (1958), a casa, como materialização cenográfica da “máquina de morar”, é a protagonista. Seus aparatos tecnológicos, por vezes indomáveis, são os que ditam as regras. A proprietária da casa, Madame Arpel, é uma tecnocentrista típica, maravilhada com toda a tecnologia que a cerca acreditando que ela seja a solução para todos seus problemas diários. No lado oposto de Arpel está seu irmão, Mr. Hulot, que chega para uma visita e se desentende com toda essa inovação. Ao longo da sua estadia, conhecemos uma casa que se mostra muito complexa e ao mesmo tempo não permite o controle do usuário.
Pouco conhecida pela maioria das pessoas, o Cáucaso do Norte é uma região extremamente complexa e remota, composta por uma enorme variedade de diferentes etnias, línguas, religiões e, conseqüentemente, arquiteturas. Em sua herança construída encontramos desde edifícios da era czarista a mesquitas, assim como mosaicos tradicionais da era soviética, monumentos e edifícios de estilo brutalista. Cenário de eventos polêmicos e disputas históricas, o norte do Cáucaso é um território culturalmente heterogêneo e está localizado na fronteira entre a Europa e a Ásia, entre a antiga União Soviética e o Oriente Médio, entre a fé Cristã e o mundo Islâmico. Ilustrado com fotografias de Gianluca Pardelli, Thomas Paul Mayer e Nikolai Vassiliev, este artigo é um convite à descoberta da historia e da arquitetura desta peculiar região do planeta: o Ciscáucaso, ou Cáucaso Norte.
Uma janela sem caixilho é exatamente o que o nome sugere: uma opção de envidraçamento contínuo que não apresenta nenhuma moldura aparente ao redor de seu perímetro. Como um novo fenômeno do design, os painéis de vidro sem caixilho são utilizados em varandas, boxes de banheiro, portas de vidro e janelas sob medida para jardins de inverno, criando o efeito de uma "parede de vidro", que é uma marca registrada da arquitetura contemporânea. O envidraçamento contínuo oferece diversas vantagens, a começar pelo seu excepcional valor estético, que maximiza a entrada de luz natural nos ambientes e confere um toque contemporâneo e elegante à edificação. Para além do apelo estético, as janelas sem caixilho são de instalação simples e extremamente rápida, garantindo o mínimo de transtorno para proprietários e proprietárias e custos de instalação reduzidos.
The Cali Industrial por Futuris Architects. Imagem cortesia de Futuris Architects
A habitação é uma das funções primordiais da arquitetura, circunscrevendo inúmeras tipologias e abrangendo uma variedade de questões. A seleção com curadoria desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca diferentes formas de habitação enviadas pela comunidade do ArchDaily. De empreendimentos urbanos a microcasas, de uma profunda conexão com a paisagem a tecnologias de ponta, este artigo explora o tema da arquitetura residencial, apresentando diferentes abordagens ao redor do mundo.
Com uma estratégia para reabilitar a típica quadra urbana de Barcelona para abrigar moradias para a terceira idade, uma torre de energia líquida zero na Itália e uma villa poética na Grécia, a seleção abrange uma infinidade de escalas e cenários habitacionais. Além disso, um conceito de microcasas impressas em 3D aborda a escassez de moradia, enquanto um empreendimento urbano na Índia resgata os valores das aldeias tradicionais. Os projetos a seguir revelam diversas ideias em torno da arquitetura residencial em suas inúmeras formas.
“Desde a Revolução Industrial, linhas de montagem ditaram um mundo feito de partes enquadrando a imaginação de arquitetos e designers que foram treinados a pensar nos seus projetos como resultados de pedaços com funções distintas”, essa foi uma frase proferida pela arquiteta israelense e pesquisadora do MIT Media Lab, Neri Oxman em sua palestra do TED intitulada “Projetando na intersecção entre tecnologia e biologia”.
Neri reforça que a maneira tradicional de se construir é feita do mesmo modo há milênios e precisa ser reinventada. De fato, fomos ensinados a construir edifícios e cidades de forma racionalizada, em partes, sem pensar no todo. Até hoje essa lógica ainda é ensinada nas universidades.
Paul Rudolph, Rudolph Apartment at 23 Beekman Place, New York (1977-1997). Corte Perspectivado, 1997. Desenho digitalizado | 4732 x 3416 px. O Arquivo Paul Rudolph, Biblioteca do Congresso, Divisão de Impressão e Fotografia, LC-USZ62-123771. O corte mostra a complexidade do espaço que Timothy Rohan descreve como exemplar da abordagem de Rudolph ao domínio privado.
Um número crescente de teóricos e profissionais está discutindo o impacto de gênero e raça na profissão e na teoria da arquitetura. Questões ligadas à relação entre o ambiente construído, orientação sexual e identidade de gênero, no entanto, permanecem particularmente pouco estudadas, talvez por causa de sua relativa invisibilidade e consequências discriminatórias menos claramente identificáveis; elas também são completamente negligenciadas pela teoria do design no mundo francófono. Este artigo corrige parcialmente a situação.
Conhecida antigamente como “ciclópica”, essa técnica se baseia na utilização de grandes blocos de pedra que, sobrepostos e ligados entre si, sem qualquer tipo de argamassa, permitiam materializar várias estruturas. As civilizações às quais se atribui o uso desta técnica são muito diversas e é possível vê-la aplicada a diferentes funções que vão desde a construção de muralhas defensivas até templos e tumbas. Em geral, esse tipo de sistema costuma estar associado a qualquer construção antiga que utilize grandes elementos de pedra, cujo aparelhamento é mais ou menos poligonal.