No artigo desta semana da Metropolis Magazine, Kelly Beamon explora “a simbologia do telhado em duas águas”, analisando como muitos arquitetos contemporâneos têm se apropriado desta tipologia fundamental para ressignificar a sua própria essência. De acordo com Beamon, o telhado em duas águas é uma das mais tradicionais soluções arquitetônicas de cobertura, utilizada amplamente tanto em regiões de clima frio quando temperado, a qual está composta por dois planos inclinados e opostos os quais se encontram para formar a cumeeira. Como uma das soluções construtivas mais emblemáticas na arquitetura residencial dos EUA, este artigo procura analisar como este tradicional recurso tem sido reinventado ao longo das últimas décadas.
No momento em que escrevo este artigo, o Brasil está na mais grave crise humanitária de sua história — não apenas uma “crise sanitária”, como se costuma comentar. A pandemia da COVID-19 matou, até 30 de abril de 2021, 411.854 de pessoas e, apenas nos últimos dias, a média móvel de mortes começou novamente a arrefecer — tendo chegado ao máximo de 3.125 em abril.
Epidemiologistas, microbiologistas, infectologistas etc. observam que o impacto da pandemia nas cidades brasileiras é fortemente idiossincrático: cada qual tem condições peculiares a considerar, antes de podermos ousar generalizações. Por outro lado, estima-se uma alta subnotificação (até um décimo dos casos reais), que, inclusive, varia entre cidades. Contudo, feitas as reservas, o que podemos observar no quadro geral?
Arquitetura e automação são dois conceitos que na era moderna de projeto e avanços tecnológicos andam de mãos dadas - ou não? Por um lado, há um leve temor de que "robôs substituam os arquitetos", tornando a profissão mais automatizada e menos criativa. Por outro lado, a tecnologia tornou a prática da arquitetura mais eficiente, em termos de processo e custo. Até onde a tecnologia nos levará? Nosso trabalho será substituído pela tecnologia? A resposta curta é, provavelmente não.
No artigo do Commom Edge desta semana, Duo Dickinson faz uma análise de seu percurso como arquiteto, das salas de aula à prática profissional e finalmente, a volta à escola de arquitetura como professor. Explorando a fundo as transformações na prática da arquitetura ao longo destes anos, Dickinson afirma que “ninguém mais acredita que as nossas escolas de arquitetura estejam hoje preparadas para educar os profissionais que a arquitetura precisará daqui a dez anos”. Nesta jornada, o autor explica como o ensino da arquitetura evoluiu ao longo do tempo, apontando possíveis direções para garantir que o ensino da arquitetura permanece relevante no futuro.
O Havaí se tornou um lugar que define o paraíso. De praias imaculadas e um clima quente a paisagens naturais e vulcões ativos, as ilhas são o lar de paisagens e cultura incríveis. Com estilos de construção indígenas e modernos, a arquitetura do estado está intimamente ligada ao meio ambiente. Reinterpretando técnicas e tradições de construção histórica, a arquitetura havaiana contemporânea equilibra o desejo de honrar o passado enquanto celebra novas experiências e a cultura moderna. Isso levou à formação de espaços incríveis para habitar.
Talvez um dos mais emblemáticos espaços relacionados à profissão do arquiteto, o canteiro de obras é onde se materializa o projeto, onde a técnica é posta em prática, pondo à prova o projeto e o projetista. Amplamente praticado como espaço de trabalho alienante, o canteiro de obras já foi espaço de aprendizado de ofícios, de repassar conhecimento. Hoje, com a evolução das técnicas construtivas, processos milenares correm o risco de cair no esquecimento. É dentro deste contexto que o Castelo de Guédelon, localizado próximo ao vilarejo de Treigny, na França, está inserido.
Há anos, o setor da construção civil vem enfrentando uma escassez de mão de obra especializada, algo que tem impulsionado o desenvolvimento de novas tecnologias e sistemas automatizados de construção. A recente crise sanitária apenas exacerbou essa tendência, fazendo com que muitas empresas de automação—que antes se dedicavam principalmente à fabricação de automóveis—voltassem sua atenção à indústria da construção civil. Neste contexto, espera-se que a automatização dos meios de produção na engenharia e na arquitetura cresça até um 30% ao longo dos próximos anos. No artigo a seguir procuramos explorar as atuais capacidades desta tecnologia e as futuras possibilidades que ela ainda poderá trazer para os processos de construção, além de como tem sido integrada na atual prática e as possíveis mudanças que ela poderá nos trazer no futuro.
Em meio à paisagem montanhosa de Blumenau, cidade localizada no estado de Santa Catarina, na região Sul do Brasil, encontra-se uma pérola da arquitetura moderna religiosa assinada por Gottfried Böhm, que faleceu recentemente com 101 anos: a Igreja São Paulo Apóstolo, construída entre os anos de 1953 e 1963.
Treze anos atrás, o então prefeito de Maceió, Cicero Almeida, inaugurou duas grandes obras na cidade, os viadutos Washington Luiz e João Lyra. A expectativa, na época, era de que ambos trouxessem uma possível solução para os problemas de mobilidade urbana na capital a partir de uma maior fluidez do tráfego na região. Porém, com o passar do tempo, o que se pôde observar foi um aumento da frota de veículos na cidade que trouxe de volta o fantasma dos congestionamentos nos horários de pico, e as obras que prometiam solucionar a mobilidade da cidade já não eram mais suficientes.
https://www.archdaily.com.br/pt/963959/parem-de-construir-viadutos-para-resolver-problemas-de-mobilidadeRuan Victor Amaral
É inquestionável que os ambientes influenciam diretamente no comportamento e nas emoções de seus usuários. Estima-se que os seres humanos passem cerca de 90% de seu tempo de vida em espaços internos, por isso é tão importante que eles favoreçam positivamente nossa capacidade cerebral. Um termo específico para relacionar os estímulos que o cérebro recebe dependendo do ambiente em que está é neuroarquitetura. Diversos estudos têm sido publicados sobre esse tema, a maioria sobre o impacto em ambientes de trabalho. Este artigo pretende abordar sobre esse conceito, enfatizando sua importância no projeto de espaços destinados a crianças na primeira infância.
Alguns pesquisadores definem que o início do Antropoceno se deu com a Revolução Industrial, outros com a explosão da bomba nuclear ou até no advento da agricultura. Isso ainda não é um consenso científico. Mas a noção de que as atividades humanas vêm gerando alterações com repercussão planetária, seja na temperatura da Terra, nos biomas e ecossistemas, é algo cada vez mais disseminado. O antropoceno seria uma nova era geológica marcada pelo impacto da ação humana no planeta Terra. Isso é particularmente perturbador se considerarmos que se toda a história da Terra fosse condensada em 24 horas, os humanos só apareceriam nos últimos 20 segundos. Seja na extração massiva de recursos naturais, liberação de carbono dos veículos e indústrias, é sabido que boa parte da culpa é da construção civil, sobretudo na produção de resíduos sólidos, por conta de desperdícios e demolições. No Brasil, por exemplo, os Resíduos da Construção Civil podem representar entre 50% e 70% da massa dos resíduos sólidos urbanos [1]. Muitos acabarão descartados irregularmente ou utilizados como aterros soterrados por tempo indeterminado.
Nesta reedição, Martin C. Pedersen conversa com John Englander, autor de Moving to Higher Ground: Rising Sea Level and the Path Forward, sobre o aumento “irrefreável” do nível do mar. O artigo explora a importância de se planejar para esse desafio imediatamente. De fato, "temos algum tempo, mas não todo o tempo do mundo", afirma John Englander.
Nos últimos anos, assistimos a um maior reconhecimento do esforço coletivo que é a arquitetura e a crescente valorização das diferentes profissões que participam no processo de projeto. Dentro de cada edifício extraordinário, a engenharia estrutural desempenha um papel essencial na materialização da ideia arquitetônica. O artigo destaca as contribuições passadas e presentes da engenharia para o ambiente construído, personalidades que ficaram à sombra dos arquitetos apresentando suas intenções de projeto e a colaboração entre engenheiros e arquitetos hoje.
Massimo Paolini compartilha conosco o seguinte artigo intitulado 'Barcelona: destruições de uso'. O texto apresenta os últimos projetos e debates em torno do futuro da cidade.
"Arquitetura sem arquitetos" é um projeto dirigido pela artista mexicana Sandra Calvo que ocorreu no período de 2011 a 2014 no bairro de Villa Gloria – um complexo de casas autoconstruídas localizado em Ciudad Bolívar, distrito na zona sul de Bogotá – em colaboração com uma família de moradores, que consistiu na criação de uma estrutura de fios que refletisse os desejos latentes de sua própria moradia por meio de práticas construtivas e de design.
O sudoeste dos Estados Unidos é amplamente conhecido por seus projetos cívicos e monumentais. Essas propostas estabelecem expressões icônicas e contemporâneas que transcendem as tradições vernáculas. Localizados em diferentes regiões do Texas, Novo México e Arizona, os projetos são concebidos com uma estética moderna e novas ideias. Novas experiências espaciais e abordagens formais estão sendo exploradas por arquitetos/as locais e internacionais. Em contraste com os espaços íntimos e discretos da arquitetura residencial da região, esses edifícios se consolidam como marcos urbanos de destaque e pontos de convergência em suas respectivas cidades.
Em um artigo originalmente publicado na Metropolis, a autora Lauren Gallow destaca uma transformação urbana na Califórnia, liderada por um grupo de organizações locais e designers. O projeto "substitui um beco anteriormente perigoso por áreas de lazer, arte pública e vegetação nativa", revelando o potencial inexplorado desse espaço público frequentemente negligenciado.
À primeira vista, construir uma piscina na orla costeira pode parecer uma decisão pouco coerente. Afinal, por que alguém escolheria se banhar ali com a imensidão do mar ou do rio a poucos passos de distância? No entanto, apesar da nossa primeira impressão, em muitos casos essas obras acabam se tornando infraestruturas realmente significativas para pessoas com mobilidade reduzida, crianças ou outras pessoas para as quais o mar ou o rio pode trazer algum tipo de insegurança. Nesta perspetiva, as piscinas costeiras apresentam-se como dispositivos de conexão entre as pessoas e a paisagem, possibilitando a utilização dos territórios marítimos e fluviais para que mais pessoas possam desfrutar da água com segurança.
A pandemia de COVID-19 representa um momento de ruptura para o nosso mundo e promete impulsionar mudanças transformadoras no design, desde a maneira como vivenciamos nossas casas e escritórios até o planejamento de nossas cidades. A série de webcasts Design Disruption explora essas transformações — abordando também questões como as mudanças climáticas, a desigualdade e a crise habitacional — por meio de conversas com mentes visionárias da arquitetura, do design, do planejamento urbano e do pensamento contemporâneo, propondo soluções criativas e reimaginando o futuro do ambiente construído.
Países com clima predominantemente tropical ou equatorial, como o Brasil, permitem que as casas possuam uma relação mais fluida entre interior e exterior, não havendo necessidade, em grande parte do território nacional, de soluções arquitetônicas que limitem a conexão entre estes espaços para manter o ambiente aquecido. Em locais marcados por temperaturas mais quentes, soluções que buscam a integração entre espaços internos e externos podem ser bem-vindas, pois promovem maior ventilação e iluminação naturais para o ambiente residencial, além do seu característico apelo estético.
Um projeto de escala relevante, raramente é obra de um único homem. Desde os primórdios levantamentos de celeiros em aldeias, realizados nos séculos 18 e 19 até a força-tarefa padrão hoje em dia, uma edificação requer muitas mãos a bordo, trazendo diferentes contribuições e conhecimentos para moldá-la e executá-la.
Población Quebrada Márquez. Image Cortesía de Isis Zúñiga Campos
Compreendendo a relação entre as histórias em quadrinhos e a representação arquitetônica, a tese de Isis Zúñiga Campos nos convida a percorrer o conjunto habitacional “Quebrada Márquez”, demonstrando como essas narrativas construídas a partir de desenhos e imagens são capazes de transmitir e representar tanto os modos de habitar quanto as experiências arquitetônicas que nos cercam. Através da implementação de diversos recursos gráficos, o desenho dos personagens constitui parte fundamental para a compreensão do habitar. De fato, como descreve a autora, a arquitetura sem pessoas não é arquitetura. Embora os quadrinhos ainda tenham um longo caminho a percorrer na representação das formas de habitar, enquanto isso, eles nos ensinam quais são os percursos, os espaços e os usos que as pessoas fazem a partir de uma perspectiva mais próxima da realidade.
A seguir, a autora nos conta os detalhes em suas próprias palavras.
Dentre os escritórios mais amplamente difundidos e consolidados no mundo, o OMA - Office for Metropolitan Architecture, fundado na década de 1970 por Rem Koolhaas, Elia Zenghelis, Madelon Vriesendorp e Zoe Zenghelis, definitivamente faz parte do panteão dos mais famosos. Fato curioso é que, embora receba grandes comissões e já tenha construído obras emblemáticas em diversos países, o escritório é frequentemente associado a uma abordagem menos centrada no projeto arquitetônico, extrapolando os limites rígidos do campo disciplinar e englobando outras áreas de atuação.
O atelier mearc foi fundado em Xangai em 2012. O estúdio busca entregar resultados inovadores e de espírito investigativo em projetos de arquitetura, interiores e instalações. O escritório prioriza a observação do cotidiano, investigando as conexões profundas entre o comportamento humano e o espaço para transformá-las em ponto de partida para suas criações; explora ativamente o valor singular intrínseco de cada projeto; incentiva a pesquisa exploratória inicial e, ao mesmo tempo, compromete-se com a prática de técnicas construtivas locais; além de focar no projeto arquitetônico, valoriza a colaboração com consultores especializados para garantir a viabilidade econômica e técnica de cada obra.
https://www.archdaily.com.br/pt/1131419/vagas-em-xangai-atelier-mearc-arquiteto-a-arquiteto-a-assistente-estagiario-aMilly Mo