Recorte do periódico “Tribuna da Mulher”, em sua edição 748, 1952. Fonte: Hemeroteca Digital Brasileira, livre uso em domínio público
A desigualdade de gênero na prática da profissão da arquitetura é fruto de um processo múltiplo, no qual o papel das narrativas tecidas cotidianamente pelo jornalismo é ainda pouco estudado. Aqui, apresentaremos como duas arquitetas foram retratadas pela imprensa diária carioca nos anos de 1950, buscando problematizar como seu deu a construção de uma imagem profissional não dissociada da esfera pessoal.
As grandes cidades e a rotina conturbada da vida urbana cada dia mais revelam a necessidade de momentos de relaxamento visando saúde física e mental. Essa preocupação se tornou ainda mais evidente depois dos longos períodos de quarentena da pandemia de Covid-19, quando a desconexão com a rotina ficou ainda mais difícil. Assim, nos últimos anos, cada vez mais as pessoas têm procurado atividades e lugares que proporcionem esse descanso.
Enquanto a cidade continua a evoluir e se transformar, cantos mortos na paisagem urbana começam a emergir, reduzindo, em consequência, os níveis de atividades no nosso ambiente construído. Essas "zonas mortas" se referem a áreas onde falta engajamento ativo, elas permanecem vazias e privadas de pessoas, já que não se mostram mais úteis ou atraentes. Enquanto a pandemia de Covid-19 se aproxima do fim, a primeira questão que podemos enfrentar após a pandemia é a retomada do nosso ambiente urbano. Um sopro de vida em uma paisagem urbana cansada e desatualizada...
O elemento focal na criação de um ambiente urbano ativo e saudável é o aumentar a vitalidade através da ocupação e criação de espaços. Criar lugares diversos e interessantes para morar, florescer, e trabalhar. Aqui estão cinco estratégias regenerativas que animam a paisagem urbana e produzem ambientes resilientes, atraentes e flexíveis.
Dubai planeja construir um quarto de seus edifícios com tecnologia de impressão 3D até 2025, uma iniciativa que demonstra o potencial dessa tecnologia em rápida evolução para redefinir e expandir os limites da construção tradicional. Desde que a impressão 3D foi introduzida nos setores de construção civil, engenharia e arquitetura, ela vem ganhando cada vez mais popularidade no mercado. Um relatório de julho de 2021 da Grand View Research projeta que o mercado global de construção por impressão 3D crescerá 91% apenas entre 2021 e 2028. Por trás dessa expectativa de crescimento acelerado estão, por um lado, a rapidez e o baixo custo da construção com impressão 3D e, por outro, sua capacidade de viabilizar habitações de interesse social e oferecer infinitas possibilidades de projeto. Assim, à medida que arquitetos e arquitetas se adaptam a uma nova era tecnológica onde velocidade e eficiência são elementos-chave nos processos de projeto e execução, a ascensão da impressão 3D mostra-se extremamente promissora. Esta tecnologia pode, inclusive, remodelar a construção civil como a conhecemos.
Seja apreciada em um restaurante ou preparada em casa, uma coisa é fato: a comida une as pessoas. Por essa razão, os arquitetos passaram a colocar as cozinhas no coração das casas, oferecendo aos moradores um espaço para cozinhar, jantar e passar bons momentos com seus familiares e amigos. No entanto, nem todas residências comportam cozinhas espaçosas, já que algumas casas são muito pequenas e outras não têm uma configuração espacial favorável para isso. A seguir, exploraremos como arquitetos e designers utilizam diferentes layouts de cozinha em diferentes situações e para diferentes usuários.
Kiev, Ukraine / Statue of Berehynia on the top of Independence Monument on the Maidan Nezalezhnosti. Image via Shutterstock
Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia iniciou uma invasão em larga escala no território ucraniano. Sendo a maior crise de refugiados e o maior conflito armado no território europeu neste século até o momento, esta guerra está mobilizando pessoas em todo o mundo para pressionar as autoridades a encerrar o conflito armado. Personalidades e instituições do campo da arquitetura participaram desses atos de solidariedade, emitindo declarações, condenando ações e até encerrando atividades na Rússia. Da UIA ao MVRDV, e até organizações russas como o Instituto Strelka, o mundo da arquitetura está denunciando esses atos de violência e apoiando um cessar-fogo imediato.
Quando pensamos em saúde, pensamos em médicos, enfermeiras, cirurgiões, radiologistas e anestesistas – as pessoas que tratam doenças e salvam vidas.
Mas esquecemos um grande grupo de pessoas que os tornam bem-sucedidos em salvar vidas – especialistas em codificadores médicos, gerentes de serviços de saúde, arquitetos e engenheiros hospitalahres e outros que correm nos bastidores para trazer resultados positivos para a saúde.
Na arquitetura, o mais comum é desenhar apenas para os humanos. No entanto, abranger o escopo do projeto para outras espécies é um exercício que vem sendo proposto em diversas encomendas. De um mobiliário específico até o design de interiores todo pensado para o animal, as possibilidades de criar um ambiente mais lúdico e confortável, tanto para humanos quanto para os animais, são diversas.
A região central de São Paulo estampa as contradições das nossas cidades. Por um lado, verificam-se imóveis ociosos em regiões bem atendidas por infraestruturas urbanas, por outro lado, cresce o número de pessoas em situação de rua, alojadas em barracas e estruturas precárias improvisadas.
Embora o principal evento trágico tenha ocorrido em 1941, durante toda a ocupação o espaço foi utilizado como local de extermínio pelas forças alemãs. Com efeito, entre 70 e 100 mil pessoas perderam suas vidas em Babyn Yar. Sem uma arquitetura destinada à tragédia e apenas uma paisagem remanescente, não há espaço de memorialização para o reconhecimento público.
O The Second Studio (antigo The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos profissionais de arquitetura David Lee e Marina Bourderonnet, o programa recebe diversos profissionais do campo criativo para conversas espontâneas, abrindo espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com franqueza e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros apresentam dicas para colegas de profissão, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações descontraídas sobre a vida cotidiana e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
No episódio desta semana, David e Marina debatem a saúde mental e o burnout na arquitetura, abordando como o problema é percebido por diferentes gerações; por que olhar para outros/as colegas e profissões pode ser útil, mas também prejudicial; a paixão como solução e como problema; a complexidade inerente da arquitetura; a desvalorização dos/as profissionais de arquitetura; se o ensino acadêmico deve ou não mudar; a instabilidade de uma prática baseada em projetos; e as principais razões pelas quais a saúde mental fragilizada e o burnout persistem na arquitetura, bem como as maneiras de enfrentá-los.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135272/the-second-studio-podcast-o-problema-da-saude-mental-e-do-burnout-na-arquiteturaThe Second Studio Podcast
O termo "arquiteto" pode ser aberto à interpretações tal como "artista". No entanto, a definição universalmente reconhecida do papel é considerada como aquele que projeta e planeja edifícios, um membro fundamental em termos de construção de edificações. A arquitetura como profissão, no entanto, apresenta-se como uma ocupação muito diversificada. Como uma arte e ciência em todos os sentidos, oferece aportes sobre uma vasta gama de assuntos que podem ser aplicados a uma variedade de empreendimentos diferentes.
Muitas vezes aos estudantes de arquitetura são oferecidos caminhos tão rígidos, limitados por essas ideias míopes de que um arquiteto deve seguir uma direção específica para florescer no campo. Quando na verdade é interessante notar as vastas oportunidades que surgem quando se dá a oportunidade de diversificar. Aqui estão os arquitetos que se ramificaram e se tornaram designers de moda de sucesso…
Imagem de termografia infravermelha que mostra a falta de isolamento térmico de uma residência. Imagem de Ivan Smuk. Image via Shutterstock
Como poderíamos analisar o impacto ambiental gerado pelas edificações? Que estratégias poderiam ser desenvolvidas para melhorar a qualidade de vida das pessoas e alcançar uma relação de harmonia com o meio ambiente? Ano após ano, cada vez mais questionamentos se somam à lista de decisões de projeto de milhares de arquitetos e arquitetas em todo o mundo que buscam tomar medidas e implementar políticas para promover a melhoria do desempenho ambiental de suas construções, diminuindo o consumo de energia e de recursos, bem como reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e a geração de resíduos.
Com prédios envidraçados de todos os lados e salas brilhantemente iluminadas de maneira monótona, não é supresa que queiramos espaços internos e externos que sejam menos claros. Refúgios de sombra no sol escaldante, salas escurecidas e contrastes são bem recebidos pelos olhos como um oásis. O alto consumo de energia e o aumento da poluição por iluminação no mundo todo mostram o quão sério o problema do excesso de luz é, e sua contribuição alarmante para as mudanças climáticas. Para um futuro melhor, é imperativo explorar maneiras de projetar e focar no potencial da escuridão.
Pela primeira vez na história a população urbana superou a rural. Hoje 55% das pessoas vivem em centros urbanos e as projeções mostram que esse número deve chegar a quase 70% em 2050. Isso representa um aumento de 2.5 bilhões de pessoas vivendo em áreas urbanas. Dessa forma nos perguntamos, qual é o modelo de urbanização que queremos para as próximas décadas? A resposta a essa pergunta depende da compreensão do aumento nos índices de urbanização como um desafio não só para as áreas urbanas mas também para as áreas rurais e periurbanas – sejam elas produtivas ou naturais.
Tsz Yan Ng é diretora, professora, pesquisadora e artista de uma empresa com sede em Michigan, cujo trabalho interdisciplinar e colaborativo busca desafiar e melhorar as práticas modernas de construção e processos de manufatura. “Não mudamos a maneira como construímos há tanto tempo”, disse Ng. “Precisamos pensar nisso de forma mais produtiva – não apenas economicamente – mas como uma coleção de vozes diferentes. A arquitetura é um ecossistema global de pessoas, onde a soma é maior do que as partes.”
Royal Manor Mobile Home Park. Imagem Cortesia de MH Village
O futuro das casas fabricadas pode reinventar algo que já existe amplamente nos Estados Unidos – os estacionamentos de trailers. Por todo o país, essas pequenas casas estão sendo reimaginadas por arquitetos, que estão utilizando materiais mais sustentáveis e técnicas de construção inventivas para criar casas acessíveis e ressignificar a conotação negativa que já cercou esse tipo de moradia.
Casa John Chapman. Imagem cortesia de Plus Architecture
As moradias estudantis assumem muitas formas ao redor do mundo, porém, a tipologia mais comum é um alojamento fechado. Enquanto os futuros alunos escolhem as universidades com base no rigor acadêmico, programas esportivos, atividades extracurriculares e futuras oportunidades de carreira, eles agora querem saber como será viver dentro e fora do campus. Isso forçou os arquitetos a repensarem os projetos tradicionais de dormitórios buscando algo mais inovador que reflita melhor o que os alunos querem (e esperam) em suas residências universitárias.
Essa frase chamou a atenção durante a palestra de Diébédo Francis Kéré no AAICO (Architecture and Art International Congress), que ocorreu no Porto, em Portugal, entre 3 e 8 de setembro. Após ser introduzido por ninguém menos que Eduardo Souto de Moura, Kéré iniciou sua fala com a simplicidade e humildade que pautam seu trabalho. Suas obras mais conhecidas foram construídas em locais bastante remotos, onde materiais são escassos e a força de trabalho é dos próprios moradores, utilizando os recursos e técnicas locais.
Qual é, exatamente, o sentido da crítica de arquitetura? A palavra “crítica” deriva do termo grego krinein, que significa separar, peneirar, distinguir, discernir, examinar ou julgar. Segundo Wayne Attoe, arquiteto e educador que discorre sobre a crítica de arquitetura em seu livro Architecture and Critical Imagination (infelizmente hoje fora de catálogo), isso não significa necessariamente desaprovar ou apontar falhas. A crítica pode ser favorável ou desfavorável; pode elogiar ou condenar.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134199/para-que-serve-a-critica-de-arquiteturaMichael J. Crosbie
Ao longo do último século, os carros foram o elemento dominante no planejamento de cidades e municípios. Pistas para veículos, expansão de faixas, estacionamentos e garagens foram sendo criados e usados enquanto continuamos nossa dependência pesada em carros, deixando os planejadores urbanos com a tarefa de desenvolver maneiras criativas para tornar as ruas mais seguras para ciclistas e pedestres. Mas muitas cidades, especialmente algumas na Europa, se tornaram exemplos de ideologias progressistas sobre como projetar novos espaços para nos tornarmos livres dos carros e repensar as ruas para torná-las mais amigáveis aos pedestres. Será que já estamos experimentando a morte lenta dos automóveis pelo mundo e favorecendo os que preferem caminhar ou andar de bicicleta? E se sim, como isso pode ser feito em uma escala ainda maior?
Biblioteca Jose Vasconcelos / Taller de Arquitectura X / Alberto Kalach. Image Cortesía de Taller de Arquitectura X / Alberto Kalach
Ao longo dos anos, o design de interiores evoluiu de acordo com as necessidades que vão se apresentando, mas sobretudo de acordo com as experiências que se busca provocar no usuário. Nos últimos dois anos, testemunhamos uma mudança radical e um interesse especial por este assunto, pois a pandemia nos obrigou a prestar mais atenção na configuração dos espaços que habitamos. Isto fez com que surgissem projetos muito mais integrais, que atendem ao bem-estar do usuário, combinando cores, experiências sensoriais, tecnologia e elementos naturais que promovem a saúde.
Março é o mês em que se comemora o St Patrick's Day, ou Dia de São Patrício, uma homenagem ao padroeiro da Irlanda que faleceu no dia 17 de março de 461. Para além da comemoração religiosa, o St. Patrick's Day, é marcado por grandes festas nas ruas, bares e pubs de países de colonização inglesa como Canadá, Estados Unidos e, claro, a República da Irlanda.
A República da Irlanda está localizada na Ilha da Irlanda, a noroeste da Europa Continental e faz fronteira com a Irlanda do Norte, um dos países que compõem o Reino Unido, do qual conquistou sua independência logo no começo do século XX, em 1919, após um intenso conflito. Desde a Guerra da Independência o país tem lutado para valorizar e reconhecer sua cultura local, incluindo sua arquitetura, histórica ou contemporânea. Conheça um pouco mais da arquitetura do país através da obra dos sete escritórios contemporâneos reunidos a seguir.
Fundado em 2017, o Studio 10 é um escritório de design multidisciplinar com foco em arquitetura. Baseado nas cidades de Shenzhen e Hong Kong, o estúdio dedica-se a oferecer serviços personalizados e de alta qualidade em arquitetura, interiores, design de produtos e outras soluções criativas. Nosso escopo de pesquisa e projeto abrange tanto os ambientes urbanos de maior densidade do mundo contemporâneo quanto áreas rurais de baixa densidade. Como um estúdio multidisciplinar, compreendemos a arquitetura e o espaço como os mediadores mais importantes e onipresentes entre o ser humano e seu entorno natural, social e cultural. Em nossa prática, a arquitetura e o espaço não são apenas abrigos no ambiente ou meios de percepção do entorno, mas também catalisadores e geradores para a revitalização de comunidades urbanas e rurais, bem como para a melhoria ambiental. Ao longo desse processo, refletimos continuamente sobre nosso papel, buscando promover o progresso econômico, cultural e social por meio do espaço construído, em busca de um equilíbrio e de uma harmonia atemporais entre as pessoas e o meio ambiente.
Visando reconectar o ser humano à natureza, exploramos tratamentos não ortodoxos de formas e materiais no projeto, expressando o desejo de humanizar a arquitetura. Ao reintroduzir processos artesanais da era pré-industrial e pré-digital em nosso processo projetual, a arquitetura e o espaço tornam-se um híbrido de razão e intuição. Também investigamos constantemente materiais naturais e industriais recicláveis, reciclados ou reutilizados, ressignificando seu uso de forma inovadora para promover a conscientização e a sensibilidade ambiental.