A geração Z compreende o grupo de pessoas nascidas a partir de 1995. Cresceram junto com a popularização da internet e interagem com o mundo integrando todas as formas de tecnologia disponíveis.
A diversidade de mídias disponíveis, a velocidade no tráfego de informação, a interatividade no ambiente virtual e o uso cotidiano desses ativos tecnológicos comuns nos dias de hoje, influencia o comportamento dos indivíduos dessa geração, imprimindo polivalência, agilidade e curiosidade.
Acompanhando o lançamento de nosso primeiro livro, The ArchDaily Guide to Good Architecture, já disponível para compra, analisamos durante o mês de setembro diferentes definições e pontos de vista sobre a "boa arquitetura". Explorando temas como materialidade, contexto e abordagem, nossa equipe de conteúdo desenvolveu artigos que buscam questionar e descrever alguns dos aspectos que fazem uma arquitetura ser boa.
Veja a seguir uma seleção de artigos que colocam esta pergunta em perspectiva, reunidos sob os temas: cidades, materiais, história, contexto e interiores. Leia também, ao fim, um trecho do livro do ArchDaily.
Ao nascer e ao se pôr, o sol invade os espaços interiores e os inunda com alegria como nenhum teto ou aparelho de parede poderia fazer. Esses momentos, no entanto, são breves e difíceis de pegar em meio a uma agenda pesada.
O que é uma boa arquitetura? Há mais de dois mil anos, Vitruvius teria respondido que boa arquitetura é aquela que contempla três princípios básicos: firmitas (firmeza), utilitas (utilidade) e venustas (beleza), como descreveu em seu tratado De Architectura, e provavelmente, ninguém o teria questionado. Hoje, essa ampla pergunta é capaz de despertar centenas de respostas, todas pessoais e subjetivas, que têm a ver com a vivência e experiência de cada um.
Em parceria com a editora gestalten, publicamos recentemente nosso primeiro livro: The ArchDaily Guide to Good Architecture. Uma pausa para olhar para os mais de 40.000 projetos curados durante os últimos 15 anos, extrair suas contribuições e responder a uma pergunta ambiciosa: O que é boa arquitetura?
Quisemos que vocês — nossos queridos leitores — também enfrentassem essa questão com uma chamada aberta de opiniões. Após ler uma imensa quantidade de comentários recebidos, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, foi uma surpresa encontrar de forma generalizada convergências no entendimento de que, antes de tudo, a boa arquitetura não esquece por que e para quem existe. Leia algumas das principais respostas a seguir.
O paisagismo é um componente fundamental em diversos tipos de projeto, sobretudo para pensar a integração das edificações com seus entornos e estabelecer articulações entre ambientes. O uso da vegetação confere diversas qualidades aos espaços, e apesar de figurar mais usualmente nas partes externas, o uso de jardins internos pode ser um fator de transformação total na atmosfera dos projetos.
Considerando o tempo, a energia e o impacto ambiental de um processo de construção, a arquitetura deve explorar diferentes metodologias que funcionam com o ambiente construído existente. Por exemplo: Como dar vida a um edifício esquecido? A reutilização adaptativa oferece novas oportunidades a edifícios abandonados, seguindo a ideia de que a boa arquitetura deve ser durável, inovadora e reciclável.
Os arquitetos não devem projetar apenas para o presente, mas também devem pensar em como adaptar os edifícios para o futuro. Em vista da situação atual do mundo em relação à crise climática e aos recursos naturais disponíveis, a reutilização adaptativa explora estratégias para a sustentabilidade e a inovação projetual, trabalhando para reduzir o consumo de energia, com menos emissão de carbono e impacto social positivo.
A importância do contato com a natureza é tema de diversos estudos. Uma pesquisa da Escola de Saúde Pública de Harvard aponta que morar perto de bosques, parques e jardins está associado a um menor risco no desenvolvimento de doenças renais e respiratórias, além de reduzir a depressão. Porém, quem vive em grandes centros urbanos, nem sempre consegue suprir esta falta, seja pela falta de parques, de tempo ou mesmo pela distância da área verde mais próxima. Em tais casos, uma alternativa é levar a natureza para dentro de casa, apostando no poder das plantas como parte integrante da decoração.
Playa de La Barceloneta, Fotografía Ingus Kruklitis / Shutterstock. Image Cortesía de CityMakers
CityMakers está trabalhando com o ArchDaily para publicar uma série de artigos, conversas e entrevistas com os diferentes atores da co-produção de cidade por trás do CityMakers Barcelona Lab 2022, um evento que acontecerá de 14 a 18 de novembro. Nesta ocasião, Camilo Osorio, Arquiteto e Mestre em Desenvolvimento Urbano e Territorial na Universidade Politécnica da Catalunha - Barcelona Tech, apresenta seu artigo "Barcelona: Alegria e Ordem". Os dotes naturais e artificiais de uma cidade exemplar".
Skyline de Londres. Foto de João Barbosa via Unsplash
O grande debate continua: como projetar e construir uma cidade moderna de modo que toda a população se beneficie? Tradicionalmente, assume-se um dos lados dessa disputa urbana. De um lado, estão os NIMBYs (sigla em inglês para “Não no meu quintal”), que se opõem a novos empreendimentos em seus bairros; de outro, os YIMBYs (“Sim no meu quintal”), defensores do desenvolvimento urbano por diferentes razões. No entanto, essas siglas genéricas não dão conta das questões reais que levam as pessoas a se posicionarem nessa eterna queda de braço entre o “Não! Não construam isso!” e o “Sim! Construam!”
Seja para um momento de pausa, descontração ou até mesmo para um wifi gratuito, as cafeterias costumam abrigar uma série de situações que envolvem mais que apreciar uma xícara de café. Um lugar tranquilo e agradável, que além de tudo ofereça uma boa bebida quente, é um grande atrativo para quem busca por uma cafeteria para passar algumas horas.
Nesse sentido, um projeto paisagístico que integre o verde a estes ambientes pode aumentar significativamente o conforto dos clientes, ao amenizar temperaturas e oferecer uma barreira contra a poluição atmosférica, sonora e visual. Além disso, após as restrições impostas pela pandemia de Covid-19, espaços abertos, com ventilação natural e jardins passaram a ser prioridades para muitos projetos, inclusive cafeterias.
Habitação Comunitária Aranya / Vastu-Shilpa Consultants . Imagem Cortesia de Vitra Design Museum
Em quase todas as línguas indianas, um termo coloquial para "família" (ghar wale em hindi, por exemplo) se traduz literalmente como "aqueles que estão em (minha) casa". Tradicionalmente, os lares indianos abrigavam gerações de uma família sob o mesmo teto, formando bairros próximos de parentes e amigos. A arquitetura residencial, portanto, foi influenciada pelas necessidades desse sistema familiar. Espaços de interação social são essenciais na habitação coletiva, assim como estruturas que se adaptam às necessidades de mudança de cada família. A relação matizada entre cultura, tradições e arquitetura é maravilhosamente manifestada na sintaxe espacial da habitação indiana.
Hoje, 7 de outubro de 2022, foi anunciada nas redes sociais a notícia do falecimento do arquiteto mexicano Fernando González Gortázar. Nascido na Cidade do México, ele passou a maior parte de sua vida na cidade de Guadalajara, onde se graduou em 1966 e despertou um grande interesse pela escultura por meio de diversas oficinas realizadas com o mestre Olivier Seguin.
A cada ano, a TIME publica a TIME100 Next, uma lista, inspirada em sua conhecida TIME100, que busca reconhecer 100 pessoas de todas as indústrias do mundo cujas carreiras estão em ascensão. Como resultado, a lista de 2022 da TIME100 Next apresenta desde músicos e profissionais médicos, a funcionários do governo, líderes de movimentos e denunciantes de alto nível ao lado dos principais diretores executivos, todos selecionados pelos jornalistas da revista. Entretanto, na lista deste ano figura a única profissional representante da classe: a arquiteta mexicana Frida Escobedo.
O Chile possui uma rica e vasta arquitetura patrimonial, que gradativamente vem ganhando relevância por meio de diferentes iniciativas voltadas à renovação desses edifícios para lhes dar uma segunda vida. As edificações e infraestruturas encontravam-se deterioradas, em desuso ou danificadas, mas possuem grande valor arquitetônico, representando uma contribuição importante para a reconstrução da história das cidades chilenas.
Em nossa condição de seres humanos, não podemos viver sem histórias. Precisamos delas para preencher as lacunas que existem em nossa realidade, para viver em nossa imaginação esses milhares de vidas diferentes das nossas e, em alguns casos, impossíveis.
Poderíamos classificar como “boa arquitetura” aquela que tem uma ou várias histórias para nos contar? Aquela que é uma história por si só? Uma pergunta tão subjetiva como essa certamente gera diferentes respostas, mas uma resposta possível é “sim”. E um exemplo disso é o projeto do Túmulo Brion, uma das principais obras-primas do arquiteto veneziano Carlo Scarpa.
O papel da área de entrada de um edifício é fundamental em um mundo onde as primeiras impressões são tudo. Ela antecipa o que está por vir, marca o ponto de partida de uma jornada arquitetônica e define o tom para o restante do interior. Como uma “passagem” prática entre diferentes lugares, a entrada conecta e une, mas, ao mesmo tempo, separa, protege e garante a segurança tanto de moradores(as) quanto de visitantes. Desse modo, cada aspecto transmite características formais específicas para cumprir essa função; desde a posição da porta até a forma do limiar e a estrutura do teto.
Vivemos em um mundo onde o vivenciado, o lembrado e o imaginado, assim como os diferentes momentos no espaço e no tempo relativos ao passado, presente e futuro, estão inseparavelmente misturados. Recentemente, estão sendo oferecidos vários meios para acessar outros planos de existência, utilizando tecnologias imersivas como realidade virtual e aumentada (VR e AR), criando um caminho para o metaverso no qual somos transportados para espaços que são capazes de ser mais ‘reais’ do que qualquer coisa que vivenciamos atualmente.
As práticas de construção em todo o mundo, bem como a especificação e o uso de materiais de construção, vêm sendo identificadas como fatores determinantes no aquecimento global. Estudos mostram que o setor da construção civil desempenhará um papel central para atingir as metas de redução de emissões de CO2 até 2030 estabelecidas na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), bem como a neutralidade de emissões de CO2 (zero líquido) até 2050.
A contribuição do setor da construção para atingir essas metas deve se concentrar na construção sustentável, o que pressupõe estruturas ecoeficientes que consumam menos energia e apresentem uma pegada de carbono reduzida ou mesmo nula.
Edifícios verdes são estruturas que, desde a concepção e construção até a operação, reduzem ou eliminam os impactos negativos no clima e no meio ambiente, preservando recursos naturais preciosos e melhorando a qualidade de vida.
A saúde pública e o ambiente construído têm uma longa história de interdependência — relação que foi catapultada para o centro das atenções em meio à pandemia da COVID-19. A crise global nos tornou profundamente conscientes de como o design, seja para edifícios médicos específicos ou outros tipos de edificações, pode afetar nossa capacidade de responder a emergências sanitárias, bem como o nosso bem-estar diário. Profissionais mais atentos a essa conexão integram um grupo de nicho na arquitetura e no design que também possui experiência médica.
A história e a formação cultural das Filipinas estão refletidas na paisagem construída por todo o país, com suas estruturas e habitações que expressam várias influências das nações que ocupavam as ilhas.
Quando falamos sobre arquitetura e habitações filipinas, de modo geral, podemos pensar na primeira casa filipina conhecida: Bahay Kubo. A Bahay Kubo é uma pequena cabana composta por nipa, bambu e outros materiais regionais. Comumente, muitas pessoas ainda optam por adotar este tipo de habitação, que se modernizou com o passar do tempo e permanece como conceito em casas contemporâneas.
Foto de Rihards Sergis, via Unsplash. Edição: ArchDaily
O TikTok é uma rede social para compartilhamentos de vídeos curtos e que oferece amplos recursos para editá-los. É possível incluir filtros, legendas, trilha sonora, gifs, fazer cortes e usar a criatividade à vontade. Como no Instagram e no Twitter, você pode seguir o perfil de outras pessoas e interagir, curtindo as publicações, fazendo comentários e até compartilhando pelo WhatsApp.
Gleba A. Foto de: Azul Serra. Acervo do escritório Vigliecca, editado por ArchDaily
A configuração do bairro de Heliópolis é consequência de um histórico de ocupações irregulares e de urbanização complexa. Os enfoques do poder público na região nas últimas décadas têm sido os mais variados, sem que, tenha sido possível superar o caráter informal do território, especialmente no que diz respeito à implementação total e articulada da infraestrutura urbana. Foi para abordar esse contexto que o escritório Vigliecca & Associados foi convidado a desenhar os conjuntos habitacionais para as Glebas A e H, realizados, respectivamente, em 2004 e 2013.
https://www.archdaily.com.br/pt/989815/urbanizacao-de-heliopolis-os-desafios-da-intervencao-na-cidade-informalAlexandre Kok, Caio França, Gabriela Rudge, Lara Girardi, Lia Soares, Maria Clara Calixto, Marina Liesegang, Marina Saboya, Pedro Trama, Tamara Silberfeld e Valentina Kacelnik
Visualização da proposta de infraestrutura cinza do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA. Resposta ao Estudo de Gestão de Risco de Tempestades Costeiras de Back Bay do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA / Curtis + Rogers Design Studio. Imagem cortesia de Miami Downtown Development Authority
Uma forte mobilização local e uma campanha na mídia convenceram o Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA a realizar um novo estudo ampliado para um projeto de US$ 6 bilhões visando proteger Miami de futuros furacões, inundações costeiras e impactos climáticos. Críticos da proposta argumentavam que o plano inicial do órgão, que previa uma série de diques e comportas, afetaria negativamente a identidade de Miami, desvalorizaria propriedades e bloquearia o acesso a importantes parques da orla, exacerbando as desigualdades existentes no acesso ao espaço público.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134701/protestos-levam-corpo-de-engenheiros-do-exercito-dos-eua-a-repensar-plano-de-protecao-contra-tempestades-de-miamiJared Green