Fábrica abandonada de automóveis Packard, em Detroit. Imagem: Albert Duce
Ruínas de construções elegantes ilustram de forma eloquente o pior que pode acontecer a uma cidade após o fim de um ciclo econômico. As famílias abastadas não têm mais dinheiro para manter seus casarões, e mesmo os edifícios da classe média são parcialmente abandonados quando seus donos, desempregados ou em dificuldades, mudam-se em busca de oportunidades noutros lugares.
Desocupado, sem uso, o patrimônio degrada-se lentamente. A história das cidades está repleta de exemplos, em todas as épocas e continentes: Roma ao fim da Antiguidade clássica, Veneza no início da Idade Moderna, Paraty após a mudança na Rota do Ouro, Detroit nos dias de hoje.
Plaza Marostica, Véneto, Italia. Imagen de leoks. Image vía Shutterstock
Você já se perguntou por que os tabuleiros de xadrez estão presentes em tantos parques, praças e outros espaços públicos, ou que papel o jogo desempenha no espaço? A realidade é que, ao longo do tempo, tanto os esportes quanto os jogos contribuíram para reduzir a ansiedade e melhorar a saúde mental da população. O xadrez é um dos jogos mais antigos que, com seu caráter intelectual e cultural, permite que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo possa jogá-lo, independentemente das barreiras que língua, idade, sexo, habilidade física ou classe social possam impor.
O arquiteto carrega uma enorme responsabilidade ao projetar uma edificação, uma vez que influenciamos no seu estado de espírito através do conforto que a edificação proporciona. E, no caso de um incêndio, a edificação deve estar devidamente preparada para evitar danos aos ocupantes e ao patrimônio. A forma como o incêndio irá evoluir, após se iniciar, dependerá em grande parte dos materiais que constituem a edificação e como a mesma foi projetada. É por isso que há tantas diretrizes que devem ser seguidas durante as etapas projetuais. Mas, além das legislações contra incêndio, há outras como a de conforto térmico, acústica e acessibilidade. Ao especificar um material ou produto para uma parte da edificação, o projetista deve estar muito atento se ele atende às mais distintas demandas, muitas vezes simultaneamente. Um exemplo de material é o dos Painel de metal isolado (Insulated metal panel - IMPs), que apresenta propriedades térmicas superiores, diversas possibilidades de aparência e boa resistência ao fogo.
Há cerca de um ano, a palavra bem-estar tinha um efeito diferente do que hoje. A pandemia da Covid 19 cristalizou a necessidade que todos temos de saúde mental e física, e tivemos de parar para refletir sobre nosso ritmo de vida e o impacto da tecnologia e de tudo que nos cerca nas nossas vidas.
Designers e arquitetos estão olhando para o amanhã precisando pensar em como criar ambientes seguros, funcionais e confortáveis. De plantas baixas mais abertas a materiais que ajudam a mitigar a propagação de doenças, os profissionais estão olhando para o futuro considerando o que nos dá espaço para respirar e viver juntos.
Em um momento de questionamento do "novo agora", especialmente diante dos novos desafios da Covid-19, cidades ao redor do mundo defendem mudanças estruturais e ações coletivas. A Berlin questions, uma conferência anual de vários dias que serve como plataforma para o diálogo transdisciplinar, abordou o presente imediato em sua edição de 2021, intitulada “Metropolis: The New Now”, criando um espaço para debate. Dedicado a soluções locais para desafios globais, o evento adotou um formato híbrido — ocorrendo em diversos locais de Berlim e também online —, assemelhando-se ao mundo em que vivemos.
O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com Lesley Lokko, arquiteta, acadêmica e romancista, durante a Berlin Questions, para discutir sua palestra “África como o laboratório para o futuro”, suas visões sobre o futuro do ensino de arquitetura e o futuro das grandes cidades nos âmbitos social, cultural e urbano.
Assunto de muitas discussões técnicas que envolvem normas de acessibilidade, e detalhamento extenso, os gradis metálicos desempenham uma dupla função nos projetos de arquitetura, sendo tanto um elemento de apoio e segurança em uma construção, quanto um elemento de identidade do projeto. Neste artigo exploraremos as diferentes formas desses metais serem vistos e inseridos no projeto.
A Graham Foundation anunciou a concessão de 69 novas bolsas para pessoas de todo o mundo que apoiam projetos de arquitetura. Os projetos subsidiados representam diversas linhas de pesquisa com ideias originais que avançam nossa compreensão do ambiente projetado. Selecionados entre mais de 500 propostas, os projetos financiados incluem exposições, publicações, filmes e performances que promovem estudos acadêmicos rigorosos, estimulam a experimentação e fomentam o discurso crítico na arquitetura. Os projetos inovadores são liderados por profissionais de arquitetura, artes visuais, curadoria, cinema, história e fotografia, tanto consagrados quanto emergentes, entre outras áreas.
Um dos grandes desafios das nossas cidades hoje em dia é conciliar dois objetivos prioritários que, por vezes, parecem irreconciliáveis: reduzir a desigualdade e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Por um lado, nosso planeta está em um momento crítico no qual nenhuma ação deve ser desconsiderada. O crescimento urbano ocorre sempre às custas de áreas verdes, razão pela qual devemos controlar nossos assentamentos. No entanto, também é fato que existem normas ambientais que, além de não serem adequadas para cumprir o fim a que se propõem, geram efeitos discriminatórios contra as populações mais excluídas. É sobre essas populações que costumam recair de maneira mais rigorosa as exigências administrativas em matéria ambiental, bem como as sanções pelo seu descumprimento. Há alguma forma de superar essa aparente dicotomia?
A “Cidade Rainha” do Canadá tornou-se famosa por seu boom imobiliário. Sendo o local mais populoso do país, Toronto é também um dos mercados imobiliários de luxo mais aquecidos do mundo. Polo de artes, negócios e mídia, a cidade situa-se em um planalto inclinado com um sistema singular de ravinas. Embora ostente uma arquitetura incrível e projetos de alto padrão, Toronto corre o risco de uma correção no mercado habitacional. O rápido aumento nos preços dos imóveis, a supervalorização e a construção excessiva têm contribuído para a situação delicada da cidade. Em meio a essas condições instáveis e de incerteza, novos projetos residenciais continuam a ser construídos.
Muito falamos das questões acústicas quando se trata de projetos em desenvolvimento, porém, quando nos deparamos com um projeto já construído, seja um apartamento alugado ou um pequeno comércio, muitas vezes lidamos com ruídos que saem do nosso controle e podem impactar inclusive na saúde física e mental das pessoas. Neste artigo buscamos explorar dicas práticas de como lidar com esses ruídos, buscando amenizá-los e melhorar o convívio e a vivência nos espaços.
Serpentine Gallery Pavilion. Imagem Cortesia de Toyo Ito & Associates, Architects
Analisando a obra construída do arquiteto japonês Toyo Ito (n. 1941)— particularmente alguns de seus projetos mais impressionantes como a Mediateca de Sendai (1995-2001), a Serpentine Gallery de Londres (construída em 2002 em colaboração com Cecil Balmond), o Edifício TOD Omotesando (Tóquio, 2004), a Biblioteca da Universidade de Arte de Tama (Tóquio, 2007) e a Taichung Metropolitan Opera House (2009-16)—é possível observar um altíssimo grau de inovação em suas estruturas e nas organizações espaciais não hierárquicas de seus edifícios. Embora todas esses projetos pareçam ser bastante diferentes entre si, há algo que os une—que é o compromisso do arquiteto em romper com os limites entre o interior e o exterior, dissipando barreiras físicas e integrando seus programas através de um espaço contínuo e fluido. Neste sentido, é possível perceber que o arquiteto, vencedor do Prêmio Pritzker de 2013, busca não apenas construir edifícios, mas explorar e desenvolver continuamente um sistema de espaços integrados em sua arquitetura. Dito isso, é de se imaginar que enquanto ele permaneça sentado em sua prancheta, estaremos sempre a descobrir novos desdobramentos de uma obra em constante processo de evolução.
Versátil não só em relação ao ambiente em que pode ser utilizada, mas também na harmonização com diferentes materiais de construção, a técnica do cimento queimado tem sido muito escolhida pelos arquitetos brasileiros para projetos de casas nos últimos anos.
O resultado, obtido por uma mistura de areia, cimento e água preparada in loco, é uma alternativa de baixo custo que possui boa durabilidade quando se tem uma manutenção adequada e regular. O efeito tem se tornado tão procurado que também é possível encontrar porcelanatos e tintas com textura semelhante.
O estudo de Mogilevich sobre como a administração Lindsay aproveitou a vontade política e popular para construir praças de bolso (pocket parks), defender o fechamento de ruas, introduzir refeições ao ar livre e reduzir a desigualdade socioeconômica racial poderia apontar o caminho a seguir para arquitetos e planejadores modernos. Imagem cortesia de Minnesota Press
Na reedição desta semana do The Architect's Newspaper, a autora Karen Kubey, urbanista especializada em habitação e saúde, questiona se a invenção do espaço público foi "inventada ou acordada". Baseando suas ideias no livro de Mariana Mogilevich, The Invention of Public Space, o artigo questiona se os espaços públicos são um produto de negociação na cidade.
A forma como os materiais se moldam na arquitetura e o modo como projetamos. Embora os arquitetos geralmente considerem a origem e a fabricação de materiais, os próprios produtos físicos também se moldam e adaptam à medida que cruzam as linhas geográficas e nacionais. Quando a matéria migra, por sua vez, projeta suas próprias ideias, conta a história de uma arquitetura que transcende a construção e o clima, bem como as fronteiras reais e imaginárias.
Incluir estratégias de sustentabilidade dentro dos projetos arquitetônicos não é uma simples tendência, é uma necessidade. Cada vez mais percebemos a importância de tratarmos com responsabilidade os recursos naturais, assim como entender os fatores climáticos que envolvem o desenho de um projeto.
Dentre diferentes estratégias, ativas ou passivas, a incorporação da energia solar é uma das mais procuradas no âmbito da arquitetura residencial. Além de receber incentivos em diferentes partes do mundo, o uso de sistemas solares lidera a procura dentro das soluções sustentáveis justamente porque os benefícios da sua instalação podem ser vistos em um curto espaço de tempo com uma redução de até 95% dos gastos mensais com energia. Ademais, a vida útil de um painel solar pode chegar até 25 anos, funcionando de forma totalmente autônoma e requerendo apenas uma limpeza básica uma vez por ano.
Depois do atraso de um ano devido à pandemia de Covid-19, as Olimpíadas de Tóquio foram iniciadas na penúltima semana do mês de Julho. Nesta edição três novas modalidades estreiam na maior competição do mundo: o basquete 3x3, o surfe e o skate. Trazendo medalhas para países como Japão, Estados Unidos, Brasil, Austrália, Rússia, Sérvia, China e Letônia, e envolvendo mais um grande número de atletas e nações, esses esportes carregam a cultura urbana em seus movimentos e histórias e são parte importante das relações na cidade.
Frequentemente, quando as pessoas pensam em edifícios, elas costumam imaginar estruturas retangulares - ou, pelo menos, estruturas com plantas ortogonais e ângulos rígidos. Certamente, não edifícios com plantas circulares. A raridade da planta circular vem em parte do fato de que escolhas mal feitas de projeto podem levar a desperdício de espaço e arranjos internos inadequados, especialmente se os móveis e eletrodomésticos forem retangulares. No entanto, planos circulares bem projetados podem ter um efeito dramático, gerando configurações espaciais extraordinárias que atendem a uma variedade de necessidades estéticas e funcionais, enquanto desafiam o processo de especificação de materiais. Abaixo, listamos 18 edifícios com plantas circulares, considerando suas diversas estratégias de projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/966236/como-resolver-plantas-circulares-adequadamenteLilly Cao
Cidades boas para as crianças são cidades boas para todos. São cidades mais humanas, que constroem comunidades mais sustentáveis e fortes. Por isso, mobilidade urbana e primeira infância têm tudo a ver. São intrínsecas, inerentes uma à outra. As crianças e seus cuidadores - sejam pais, avós, tios, primos ou babás - vivem mais a cidade do que muitos adultos em sua rotina diária casa-trabalho. E precisam dela para crescer bem, física e socialmente. As cidades devem ser provocadoras desse desenvolvimento integral e necessário. Sem a participação ativa na vivência dos espaços urbanos ele não acontece como deveria. E produzimos o emparedamento da infância, algo que não faz bem nem às pessoas nem às cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/966173/mobilidade-urbana-e-primeira-infancia-a-transformacao-das-cidadesRoberta Soares / ITDP Brasil
Paris, a cidade que nasceu às margens do Sena, cresceu a partir de uma pequena ilha – a Île de la Cité – para se tornar a vasta metrópole que hoje se estende além de Ménilmontant, o vingtième arrondissement.
A capital francesa tem muito a oferecer. Séculos de história deixaram um legado de estruturas significativas que também serviram de cenário para histórias de amor, guerras e revoluções. Seja para admirar recantos escondidos, marcos icônicos e joias prestes a serem inauguradas, ou para enriquecer sua própria história de vida, você encontrará tudo o que procura nesta cidade.
Esta lista, sem ordem de preferência, busca servir de guia e inspiração para sua próxima viagem a Paris. Se você ama arquitetura, caro/a leitor/a, não precisa procurar mais.
Nos deparamos diariamente com uma abundância de imagens de interiores de apartamentos e casas, frequentemente espaços amplos e bem iluminados, pés-direitos generosos e com grandes aberturas. Espaços integrados e semi-abertos, varandas e sacadas que dissimulam os limites entre espaços interiores e exteriores, cozinhas impecáveis e estantes de livros do piso ao teto. Entretanto, por trás das imaculadas paredes brancas destes elegantes espaços domésticos, escondem-se outros ambientes menos cândidos: espaços sem ventilação ou iluminação natural, os quais ainda hoje, são dedicados às pessoas responsáveis por manter a imagem da casa casta, pura e impoluta.
Neste país de muitas contradições, a organização espacial de nossos ambientes domésticos—estejam eles localizados em uma estrutura do século passado, em uma casa dos anos 50 ou em um apartamento cheirando a novo—reflete um legado “colonialista” enraizado em nossa cultura e que insiste em perseverar até os dias de hoje. Proprietários e patrões, ou pelo menos uma boa parte deles, nunca se deteve a refletir sobre as atuais condições dos espaços habitados por seus subordinados e trabalhadores domésticos, não apenas em relação ao espaço físico em si, mas principalmente em termos de salubridade, conforto e qualidade de vida.
Quando fluxos migratórios não se dirigem a grandes centros urbanos surge a manifestação de uma arquitetura espontânea para suprir a necessidade de abrigo e proteção, função primordial de uma habitação. O uso de técnicas que se adaptam e improvisam com os materiais disponíveis no local traz novas possibilidades de imaginar a arquitetura e o modo como o humano desenvolve o entorno para servir a seus desejos e necessidades. Na impressionante Chapada Diamantina, em Igatu, o garimpo levou aproximadamente trinta mil pessoas para morar numa região distante e sem infraestrutura, impondo à criatividade humana o desafio de solucionar a questão de moradia, que foi respondida através da interação com o próprio entorno: as pedras.
Arquitetura é talvez a forma mais expressiva da cultura, representando o zeitgeist de um local específico e contando a história de como ele evoluiu ao longo do tempo. Permite aos visitantes transportar-se na história para compreender as influências que moldaram o mundo em que vivemos. A arquitetura barroca, em particular, foi um dos estilos arquitetônicos mais ornamentais e decorativos. Traduzida para "curiosa ou estranha" em francês, já foi usada como uma palavra depreciativa, que significa ruidosa, excêntrica e excessiva - e a arquitetura barroca foi realmente isso.
Há um ano, no dia 4 de agosto de 2020, a terceira maior explosão não nuclear já registrada na história devastou metade da cidade de Beirute, destruindo o porto e a porção leste da capital libanesa. Uma das maiores tragédias urbanas dos tempos modernos, matou mais de 200 pessoas, feriu milhares e deixou cerca de 300 mil desabrigados, danificando mais de 80 mil estabelecimentos comerciais, residenciais e públicos. Sentida em países vizinhos, a explosão gerou cerca de US$ 15 bilhões em danos materiais — tudo isso em tempos de Covid-19, crise política, agitação social e colapso econômico.
Um ano depois, pouca coisa mudou. Apenas ficou mais difícil para a população de Beirute. Um ano depois, tudo na cidade ainda os lembra daquele dia. As principais questões permanecem sem resposta, nenhum resgate ou plano de ação foi colocado em marcha por instituições governamentais; na ausência completa do Estado, a sociedade civil se mobilizou para assumir com suas próprias mãos os esforços de reconstrução.
As pessoas têm necessidades fundamentais que devem ser atendidas para sobreviver, que incluem: oxigênio, água, comida, sono e abrigo. Eles também possuem demandas secundárias, uma das quais é o acesso à luz do dia. Ao pensar em como os edifícios podem manter as pessoas saudáveis, é importante lembrar que a luz natural é essencial para o bem-estar; de fato, os ritmos circadianos humanos dependem dela.