À primeira vista, Quarticciolo é um bairro atraente de Roma. Trata-se de um complexo de habitação social em escala humana, composto por edifícios de média altura vermelhos e amarelos dispostos em torno de pátios internos e jardins. Projetado pelo arquiteto Roberto Nicolini durante o regime fascista, esse aspecto de vilarejo não é encontrado nos massivos conjuntos residenciais do pós-guerra em outras partes da capital. À semelhança de outros/as arquitetos/as racionalistas, Nicolini se inspirou na cidade antiga. Baseando o traçado em uma malha ortogonal clássica, ele permitiu apenas uma estrutura alta: a Casa del Fascio (sede do partido fascista), uma torre fortificada que se impõe sobre a praça principal. A maioria dos edifícios foi construída entre 1938 e 1943 para abrigar uma população de classe trabalhadora que foi transferida à força do centro histórico de Roma para a periferia, abrindo caminho para as grandes obras públicas de Mussolini.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135137/reconstruindo-e-destigmatizando-o-bairro-quarticciolo-em-romaMarina Engel
Os ruídos –especialmente aqueles que não podemos controlar– afetam profundamente tanto a saúde física quanto a mental. Sejam provenientes da rua, da vizinhança do andar de cima ou do cômodo ao lado, pesquisas sugerem que eles podem aumentar o estresse, reduzir a produtividade, interferir na comunicação e contribuir para o desenvolvimento de problemas como a hipertensão arterial. Em última análise, a qualidade acústica define a experiência de uso e (literalmente) dá o tom para o restante do interior. A má notícia é que a maioria dos materiais de construção convencionais utilizados hoje na arquitetura moderna –concreto, vidro, alvenaria– possui superfícies extremamente duras e propriedades acústicas limitadas, o que faz o som reverberar várias vezes e força as pessoas a elevarem a voz para se fazerem entender. Somado ao crescimento da densidade urbana e à adoção de layouts de uso misto nos projetos, tudo isso resulta em ambientes de vida e trabalho cada vez mais barulhentos, desconfortáveis e dispersivos.
Burgess Creek Promenade, Steamboat Springs, Colorado. Imagem cortesia de Wenk Associates
A necessidade de se adaptar rapidamente às mudanças climáticas assumiu, com razão, o centro das atenções. No entanto, as conexões entre as mudanças climáticas e a gestão de águas pluviais frequentemente passam despercebidas. As mudanças climáticas impactam o ciclo hidrológico ao aumentar a escassez de água e a frequência e intensidade das inundações, além de contaminar os cursos d'água. Gerenciar melhor as águas pluviais é fundamental para a gestão dos recursos hídricos e para a proteção de nossa segurança e da saúde do meio ambiente.
Como resposta a um mundo em rápida transformação, a flexibilidade tornou-se prioridade absoluta no design de interiores contemporâneo. Isso explica, por exemplo, a crescente demanda por espaços amplos e multifuncionais em detrimento de layouts rígidos e fechados — como demonstra a tendência das cozinhas integradas. Essa mudança nas necessidades espaciais sugere que projetar para o presente e para o futuro significa criar espaços capazes de se adaptar facilmente a múltiplos usos: em um dia, uma sala pode ser destinada a um grande evento; no outro, pode ser necessária para atividades menores e mais reservadas. Diante disso, materiais, produtos e outros elementos do design de interiores devem responder à altura, integrando tecnologia e inovação para criar espaços flexíveis e, ao mesmo tempo, funcionais.
O mistério das cores nos intriga desde a infância. Misturar tintas para criar novos tons ou observar os raios de sol e cristais formando arco-íris torna-se uma parte fascinante da nossa infância muito antes de ouvirmos falar em química e óptica. À medida que crescemos, a cor continua a desempenhar um papel fundamental em como vivenciamos o mundo, impactando o humor, as emoções, a produtividade e o comportamento. Isso explica por que os seres humanos são naturalmente atraídos por certas tonalidades; trata-se de algo intrínseco ao cérebro humano. Há uma percepção comum, por exemplo, de que as paletas de vermelho, laranja e amarelo geram uma sensação de calor e alegria, ao passo que tons de marrom, cinza e preto evocam tristeza e melancolia. Naturalmente, o mesmo se aplica ao design e ao ambiente construído, pois, juntamente com a textura, a luz e a sombra, os espaços ao nosso redor são definidos por tons e nuances que moldam o que vemos e como nos sentimos. Assim, a cor acaba transformando a maneira como percebemos, sentimos e vivenciamos a arquitetura.
Entre todas as tendências inusitadas de design de interiores residencial que estão voltando com força, o poço de conversa — ou espaço de conversa rebaixado — é talvez uma das mais inesperadas. Esse famoso elemento dos anos 1970, simultaneamente retrô e moderno, oferece um refúgio acolhedor na residência, totalmente livre das distrações da televisão e do cinema. Longe de ser um local para se conectar a dispositivos eletrônicos, trata-se de uma ampla área projetada para que as pessoas se sentem e conversem de verdade — um espaço de que, talvez, todos nós precisemos atualmente.
Tying the Knot - Atlanta Legacy Makers por OBJ. Imagem cortesia de OBJ
Uma das principais responsabilidades de urbanistas e designers é criar locais na cidade para encontros, manifestações, lazer e descanso. A seleção a seguir de espaços públicos não construídos apresenta projetos que expandem essas áreas para além de margens ou orlas fluviais, devolvem às comunidades locais espaços antes subutilizados e buscam otimizar áreas frequentemente negligenciadas. Intervenções desse tipo são fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população e tornar as cidades mais agradáveis de se viver.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily. Localizados próximos a um patrimônio mundial da UNESCO na Itália, sobre um lixão ilegal em Dallas, no Texas, ou em uma cidade medieval no norte da Espanha, os projetos reunidos nesta curadoria mostram como arquitetos/as e urbanistas reconhecem o potencial dos espaços urbanos.
Em junho de 2020, a estátua do traficante de escravizados do século XVII Edward Colston foi derrubada na cidade de Bristol, no sudoeste da Inglaterra. Antes disso, o monumento ficava sobre um pedestal em um proeminente parque público, até ser arrastado e jogado no porto de Bristol por manifestantes do movimento Black Lives Matter. O ato desencadeou um confronto com o passado há muito esperado no Reino Unido e em outras nações ocidentais — um debate que exige uma análise mais profunda sobre os monumentos que ocupam nossas cidades e sobre quão profundamente o imperialismo pode estar interligado a elementos do ambiente construído. Diante disso, a eterna questão que se coloca é: o que fazemos com esses edifícios?
Cortesia de ODA - As renderizações são baseadas em iterações preliminares do projeto e não refletem o desenho final aprovado.
Se a cultura de rua é o amálgama que mantém coeso o ambiente urbano, o que acontece quando seus habitantes não precisam mais sair de casa? Esta é uma das questões fundamentais enfrentadas por profissionais da arquitetura hoje, décadas após o movimento do Novo Urbanismo ter popularizado — ou melhor, resgatado — o conceito de ruas de uso misto, e mais de sessenta anos depois de Jane Jacobs ter defendido, de forma célebre, as ruas caminháveis como essenciais para a construção de comunidades urbanas vibrantes.
Há muito ficaram para trás, naturalmente, os dias em que as ruas da cidade eram nossa única alternativa ou opção de acesso ao comércio e a outros serviços. Hoje, a internet nos oferece tudo isso e muito mais: compras remotas, transações bancárias, educação e até mesmo cuidados de saúde. Paralelamente, as redes sociais transformaram a forma como nos comunicamos com as pessoas em nossas redes de amizades e vizinhança. Tudo isso para dizer que já não precisamos sair para interagir socialmente ou obter serviços; nós escolhemos fazer isso.
Trata-se de um componente essencial do processo de projeto, no qual as ideações espaciais são traduzidas em forma construída – o desenvolvimento do protótipo. Projetos de arquitetura, ao longo da história e na prática contemporânea, recorrem a protótipos para realizar testes técnicos e estéticos, permitindo compreender melhor a integridade da proposta. É a fronteira difusa entre o experimental e o prático.
Em março de 2021, a ACO e a AIT-Dialog lançaram com sucesso um tour virtual pelos sete continentes do mundo, convidando arquitetos/as, urbanistas, engenheiros/as e arquitetos/as paisagistas a fazerem parte do "beyond.aco | architecture across continents". Agora, a jornada continua: participe do próximo evento ao vivo em 8 de novembro de 2022 e assista a palestras inspiradoras de palestrantes internacionais.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily que dialogam diretamente com seus contextos locais, oferecendo espaços seguros para grupos vulneráveis e em situação de risco. De um santuário para meninas desabrigadas no Iraque a um projeto de habitação social no primeiro arranha-céu de Praga, esta seleção reúne propostas focadas nas pessoas, em suas necessidades e aspirações. Muitos desses projetos utilizam materiais locais, como tijolos de argila, para reduzir os custos de construção. Além disso, propõem a reutilização de edifícios existentes e buscam engajar a comunidade local tanto na construção quanto na apropriação dos espaços propostos.
Continue lendo para conhecer 10 projetos com engajamento social, acompanhados de suas descrições enviadas pelas equipes de arquitetura.
Está oficialmente aberto o concurso internacional para o projeto de desenho urbano da área central da Cidade da Ciência do Oeste (Chongqing)! Convidamos calorosamente equipes de design de destaque de todo o mundo a participarem. International Solicitation for Urban Design of the Center Area of Western China (Chongqing) Science City is now open for pre-qualification! Design teams from home and abroad are welcome to participate.
Vista de parterres inclinados y mobiliario urbano propuesto para la Plazuela de Acho, como antesala a la Plaza de Toros de Acho. Image Cortesía de Equipo Río Rímac, PROLIMA
Em um contexto de recuperação integral do Centro Histórico de Lima, o Projeto Especial Paisagístico do Rio Rímac (PEPRR) desenvolve uma proposta para a regeneração dos emblemáticos espaços da Alameda e Plazuela de Acho. Este projeto — em conjunto com as outras 50 intervenções propostas no plano diretor do PEPRR — busca desencadear uma recuperação multidimensional do entorno ribeirinho e patrimonial e, ao mesmo tempo, defender e fortalecer o caráter cidadão dos espaços públicos de Lima por meio de uma abordagem sistêmica que articula mobilidade, ambiente urbano, patrimônio e paisagem.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135275/nova-alameda-e-plazuela-de-acho-em-lima-outros-futuros-para-a-paisagem-historica-do-rimacDiego Vivas
CityMakers está trabalhando em parceria com o ArchDaily para publicar uma série de artigos, conversas e entrevistas com os diferentes agentes da coprodução da cidade que estão por trás do CityMakers Barcelona Lab 2022, evento que acontecerá de 14 a 18 de novembro. Desta vez, Víctor Torres, arquiteto e mestre em Planejamento Territorial e Gestão Ambiental pela Universidade de Barcelona, apresenta seu artigo "Renaturalizar a Cidade a partir da menor escala: O Bairro".
“Historia de las villas en la ciudad de Buenos Aires. De los orígenes hasta nuestros días” é o livro de Valeria Snitcofsky que reconstrói os antecedentes históricos das villas na cidade de Buenos Aires. Fruto de uma pesquisa iniciada em 2003, cujos avanços se materializaram em uma monografia de graduação e em uma tese de doutorado, a obra propõe um percurso que se inicia no final do século XIX. O trabalho se alinha ao objetivo da Fundación Tejido Urbano, focado em promover a pesquisa e a produção de conhecimento sobre a problemática do hábitat e da habitação.
Jim Polshek, que faleceu aos 92 anos na semana passada, foi um premiado arquiteto (Medalha de Ouro do AIA, 2018), designer, defensor público e educador (diretor da faculdade de arquitetura de Columbia de 1973 a 1987). Nascido em Akron, Ohio, no Meio-Oeste americano, ele abriu seu próprio escritório em 1963, fundando o James Stewart Polshek Architects. Com o tempo, o escritório ganhou reconhecimento internacional como Polshek Partnership Architects. Em 2010, os sócios rebatizaram a empresa como Ennead Architects, na qual ele continuou atuando como consultor de projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135301/james-stewart-polshek-reflexoes-sobre-uma-vida-na-arquiteturaMichael J. Crosbie
Cortesía de Alejandro Merino Guerrero, Gianella S. Díaz Castañeda
No âmbito do projeto "Preparação inclusiva, resposta eficaz: Fortalecimento dos sistemas comunitários de preparação e proteção contra desastres por meio de uma abordagem inclusiva e de gênero, das comunidades da região de Cantagallo em Lima", desenvolvido pelo consórcio composto pela Plan International, COOPI - Cooperazione Internazionale e Humanity Inclusion, o escritório Arquitectura del Medio de Alejandro Merino e Gianella Díaz busca implementar uma obra demonstrativa na Comunidade Shipibo Konibo de Cantagallo, no distrito do Rímac, Lima, considerando aspectos ambientais e o potencial de replicabilidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135248/conibox-modulo-habitacional-em-contexto-de-emergencia-para-a-comunidade-shipibo-konibo-em-limaDiego Vivas
O hotel de luxo, como tipologia arquitetônica, é singular. Com efeito, trata-se de uma comunidade autossuficiente, um edifício que submerge o/a visitante abastado/a em seu contexto local. Ainda que possam ser comunidades fechadas em si mesmas, esses hotéis também são receptáculos do caráter socioeconômico mais amplo de um lugar, onde a vida de luxo frequentemente convive lado a lado com assentamentos informais, nos exemplos mais extremos de desigualdade social.
Profissionais de arquitetura buscam constantemente estratégias projetuais que visam selecionar os melhores produtos para criar atmosferas marcantes em seus projetos. As soluções adotadas nos projetos, especialmente em interiores, são fortemente influenciadas por tendências que refletem o que a sociedade mais valoriza em cada momento. Mas como os interiores estão sendo projetados hoje em dia? Com foco em ambientes naturais e na interação com seu contexto, a arquitetura prioriza materiais e texturas locais, luz natural e o uso de mobiliário minimalista que permite a continuidade espacial.
Abaixo, apresentamos uma seleção de projetos inspiradores que, utilizando produtos de marcas espanholas, demonstram essas tendências contemporâneas, desde o uso de materiais naturais até a maximização da luz natural.
Realidades Alternativas | AR 2022. Imagem cortesia de Charette _ Por Lau Yee Mu, Ang Hui Yi, Melissa Ho Er Shwen _ Chia Hui Yen - Primeiro Prêmio
Além de diversos outros fatores fundamentais, o sucesso de um projeto de arquitetura depende muito de como ele é comunicado a seus/suas usuários/as e construtores/as. A maioria dos/as arquitetos/as opta por renderizações realistas geradas por computador para apresentar seus projetos, enquanto outros/as preferem explorar diferentes técnicas, traduzindo suas narrativas arquitetônicas por meio de colagens de fotos, esboços, animações, modelos em miniatura hiper-realistas, passeios virtuais, diagramas e, ocasionalmente, roteiros.
A seleção com curadoria desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos enviados pela comunidade do ArchDaily que são apresentados por meio de diferentes mídias. De um esboço feito à mão para uma requalificação costeira na Noruega a uma composição abstrata de fotografia e desenhos arquitetônicos na Polônia, esta seleção de projetos não construídos apresenta diversas tipologias arquitetônicas e suas visualizações singulares. O artigo também inclui projetos dos Países Baixos, Hungria, Polônia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão.
Movimentos artísticos históricos e suas características visuais pavimentaram consideravelmente o caminho para a arquitetura moderna. Ao longo dos anos, arquitetos e arquitetas vêm adotando técnicas e abordagens estilísticas para criar suas próprias composições, fundindo ambas as disciplinas. O cubismo, um dos estilos mais influentes do século XX, e bastante criticado por sua experimentação com uma abordagem artística não representacional, é talvez a inspiração arquitetônica mais significativa. Assim como esse movimento artístico radical rejeitou o conceito então enraizado de que a arte deveria imitar a natureza, profissionais da arquitetura também seguiram essa tendência, projetando estruturas que se apropriaram das características vanguardistas do cubismo para criar edifícios que, até hoje, permanecem como marcos icônicos da profissão.
Projeto DIT: “Construindo um espaço para as crianças”. Imagem via Equipo Proyecto DIT (Gian Franco Pedreschi Rubio, Sergio Iván Puch Olivos, Jhordano Jesús Alfredo Zabanick Uriol)
No Peru, as ollas comunes (cozinhas comunitárias) são iniciativas comunitárias autogestionárias localizadas em áreas vulneráveis. Diante do cenário de insegurança alimentar e educativa provocado pela pandemia, elas assumiram um papel de vital importância no desenvolvimento das crianças, transformando o espaço em escolas comunitárias de bairro. Nesse contexto, surge "DIT: Construyendo un espacio para los niños", projeto selecionado na XII Bienal Iberoamericana de Arquitectura y Urbanismo. Por meio dele, a equipe de arquitetura composta por Gian Franco Pedreschi, Sergio Iván Puch e Jhordano Zabanick, juntamente com a comunidade do Assentamento Humano (A.H.) Horacio Zevallos, intervém no espaço público anexo a uma cozinha comunitária no distrito de Rímac, melhorando a qualidade de vida dos moradores locais.