Todos os anos, o festival Concéntrico em Logroño, na Espanha, reúne arquitetos/as e designers de todo o mundo com o intuito de usar a criatividade para construir uma cidade melhor. Na edição deste ano, alguns temas transversais se destacaram como pontos de interesse fundamentais para os/as profissionais de arquitetura e design participantes. Diversas instalações urbanas buscaram ajudar os cidadãos a redescobrir pontos de interesse em suas cidades e arredores, enquanto outras desafiaram as ideias frequentemente engessadas sobre como uma casa deve se parecer e funcionar. Muitos/as designers viram oportunidades no conceito do brincar livre, uma vez que essa atividade exploratória pode ativar espaços públicos subutilizados e engajar pessoas de todas as idades.
Desde 2015, o festival Concéntrico já apresentou 91 instalações e pavilhões ao longo de suas sete edições. O festival é conhecido principalmente por reunir arquitetos/as e designers emergentes, que recebem total liberdade para experimentar em novas vertentes do design ambiental. O festival é organizado pela Fundação Cultural dos Arquitetos de La Rioja juntamente com Javier Peña Ibáñez, idealizador da iniciativa, em colaboração com a Prefeitura de Logroño, o Governo de La Rioja, a Garnica e as Bodegas LAN, além de outras 30 instituições de apoio.
In Out Office / Alfredo Häberli. Imagem cortesia de Andreu World
Profissionais de arquitetura de interiores e de design costumam afirmar que um espaço de escritório bem projetado se traduz em maior produtividade, criatividade e satisfação no trabalho — contudo, o impacto é ainda maior do que a maioria costuma imaginar. Estudos recentes sugerem que o bom design impacta positivamente a cultura da empresa, fomenta o senso de comunidade e cria um ambiente saudável, feliz e motivador. De fato, ele influencia diretamente o recrutamento e a retenção de talentos: “o design do espaço de trabalho aumenta significativamente a atratividade das empresas empregadoras para profissionais em potencial”. Iluminação adequada, um layout flexível e recursos biofílicos são fatores importantes a serem considerados na fase de planejamento. No entanto, para atender plenamente ao conforto e ao bem-estar de quem utiliza o espaço, esses elementos devem ser combinados com um excelente design de mobiliário. Afinal, integrar peças ergonômicas de alta qualidade é uma maneira simples de elevar o ânimo, além de aprimorar a funcionalidade e a estética ao criar ou redecorar o espaço de trabalho.
Os estudos sobre as mulheres começaram oficialmente na China no início da década de 1980. À medida que a sociedade se desenvolvia, as mulheres despertaram e passaram a assumir papéis de maior relevância. Embora já houvesse mulheres atuando na arquitetura há um século, Lin Huiyin só foi reconhecida como a primeira arquiteta do país na década de 1920, devido ao desenvolvimento tardio da profissão na China. Hoje, no entanto, cada vez mais arquitetas ocupam posições cruciais no setor.
The Wood That Makes Our Cities explora os desafios ambientais, econômicos, industriais e técnicos envolvidos no uso da madeira em grandes estruturas e na arquitetura urbana, além de avaliar o futuro da construção em madeira. A publicação resgata os vinte anos de experiência do escritório com a construção em madeira por meio de cinco de seus projetos, contando com contribuições de especialistas em história, pesquisa acadêmica, manufatura, produção madeireira e silvicultura.
Desde a década de 1980, a impressão 3D tem aberto novos caminhos para o desenvolvimento da arquitetura, da engenharia e dos objetos do cotidiano. Diante da digitalização de processos analógicos, torna-se fundamental que os/as usuários/as compreendam as inovações tecnológicas atuais e seus benefícios. O projeto HIVE reinventa a arte e o ofício da construção com argila, combinando o fazer cerâmico tradicional, a geometria inteligente e a precisão robótica para erguer uma parede composta por 175 blocos de argila exclusivos impressos em 3D.
Como o segundo maior escritório de arquitetura do mundo, a Perkins&Will tem a responsabilidade de colocar as pessoas no centro de sua prática projetual, visto que seu trabalho impacta milhões de horas da experiência humana. O foco em sustentabilidade, saúde e justiça é um objetivo compartilhado por profissionais de projeto.
O desempenho das edificações é uma marca registrada da arquitetura no século XXI. Como os edifícios e a indústria da construção civil são grandes contribuintes para as emissões de carbono, os/as profissionais de projeto devem fazer todo o possível para reduzir o consumo de energia e a pegada de carbono de suas obras. Além disso, as edificações precisam contribuir para uma experiência positiva dos ocupantes, melhorando a saúde e a produtividade de quem as utiliza por meio de maior conforto visual e térmico e melhor qualidade do ar. Atualmente, espera-se também que os edifícios tenham um desempenho que extrapole seus limites físicos e impacte positivamente as comunidades do entorno, reduzindo suas contribuições para as ilhas de calor locais e o escoamento de águas pluviais, além de apoiar economias verdes locais e sistemas sustentáveis.
Com as metas de projeto de alto desempenho se tornando uma referência padrão para o mercado, os/as projetistas devem identificar os aspectos de alta performance que desejam contemplar e definir metas para os principais indicadores de desempenho. Ao acompanhar a performance de um edifício em cada etapa do projeto por meio de diversas simulações, as análises de desempenho fornecem um roteiro que conecta gradualmente a performance prevista aos valores projetados como meta.
Clínica Dr. Dragic em Novi Sad, Sérvia, projeto do Studio Fluid, 2015; foto de Ana Kostic. Imagem cortesia de Studio Fluid
Aliando sofisticação estética e baixa manutenção, a superfície sólida (Solid Surface) da Corian® Design auxilia arquitetos/as e designers a criarem espaços saudáveis que proporcionam total tranquilidade. O designboom e o ArchDaily dão continuidade à sua série de webinars em três partes com a fabricante do material, desta vez para explorar o futuro dos ambientes de saúde. Com a participação de representantes do Studio Fluid, da Operamed e da NOAS Sweden, importantes especialistas em arquitetura e design se juntam à conversa, que poderá ser assistida ao vivo — inscreva-se aqui.
Para além das fronteiras tradicionais do minimalismo escandinavo e do wabi-sabi japonês, as estéticas do extremo norte e do extremo oriente revelam mais paralelos do que se poderia supor à primeira vista — afinal, não é por acaso que são tão frequentemente combinadas, dando origem ao termo Japandi.
“Viajar nem sempre é bonito. Nem sempre é confortável. Às vezes dói, chega a partir o coração. Mas tudo bem. A jornada transforma você; ela deve transformar. Deixa marcas na memória, na consciência, no coração e no corpo. Você leva algo consigo. E, com sorte, deixa algo bom para trás.” – Anthony Bourdain
A frase do saudoso Anthony Bourdain se aplica perfeitamente ao desenvolvimento de projetos de arquitetura no exterior. A curva de aprendizado é íngreme, repleta de riscos e recompensas. Como se preparar? Uma excelente referência está na atualização recente do documento de contrato da AIA (American Institute of Architects), o B161 - Agreement Between Client and Consultant for design consulting services where the Project is located outside the United States, publicado originalmente em 2002. A seguir, apresentamos uma breve introdução a esta nova versão do documento, disponível em aiacontracts.org.
Luminárias de teto pendentes Calla. Imagem cortesia de Cocoweb
Caracterizada por uma estrutura simples e telhado de duas águas, a tipologia tradicional de celeiro responde à sua função original: abrigar produtos agrícolas e gado. Nos últimos anos, no entanto, a estética dos celeiros evoluiu drasticamente, despertando o interesse de designers por seu charme rústico duradouro, forma minimalista, ornamentação refinada e modularidade — qualidades que há muito a tornam popular em refúgios de campo. Reinterpretada para se adequar a um estilo contemporâneo, essa tipologia vintage conquistou projetos modernos que buscam oferecer um refúgio da realidade densa e acelerada da vida urbana. Ao reformar fazendas históricas ou construir novas residências projetadas para se assemelharem a celeiros, arquitetos e arquitetas têm se inspirado nas origens industriais das instalações agrícolas tradicionais, mas com um toque moderno.
A seleção curada desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos educacionais e culturais enviados pela comunidade do ArchDaily. A partir de exemplos de diversas partes do mundo, o artigo explora como esses espaços de conhecimento e descoberta são projetados para inspirar e informar.
Com um museu monolítico em Portugal, um centro de patrimônio digital com fachada de mídia na Coreia e um centro de pesquisa em mobilidade na Turquia, esta seleção abrange vários tipos de espaços educacionais e culturais, bem como diferentes abordagens em relação ao ambiente construído ou natural. Os projetos a seguir revelam as ideias que moldam os espaços de conhecimento em diferentes contextos, ilustrando diversas abordagens sobre o que constitui uma instituição cultural.
As escadas costumam ser um elemento inevitável no DNA de uma edificação. Hoje em dia, elas não apenas cumprem uma função prática, mas também se tornaram verdadeiros elementos de destaque, especialmente quando combinadas com uma cor que certamente atrairá olhares. Entre as cores quentes, o vermelho é considerado a mais poderosa. Se, por um lado, evoca sensações de alegria e energia, por outro, remete a alerta e perigo. O vermelho é capaz de estimular uma ampla gama de emoções e, por isso, seu uso deve ser cuidadoso, delicado e bem planejado.
É um elemento arquitetônico essencial, que costumamos notar imediatamente ao olhar para edifícios novos — o telhado. As coberturas que abrigam os edifícios de nossas cidades apresentam tipologias diversas. Telhados planos são comuns nos centros das grandes metrópoles, coberturas em quatro águas são escolhas populares para residências no mundo todo, e o telhado em duas águas é indiscutivelmente o mais comum de todos, sendo o tipo de cobertura mais frequente nas representações estilizadas de uma casa padrão.
Seja integrando-se ao contexto urbano ou destacando-se para atrair a atenção, a fachada conta a história de um edifício. Trata-se de um meio expressivo pelo qual interagimos com a arquitetura, definindo as primeiras impressões e determinando o tom do interior ao experimentar com transparência, movimento, textura e cor, entre outras possibilidades estéticas. Naturalmente, o envelope também desempenha um papel funcional crucial, atuando como barreira protetora contra condições climáticas extremas e impactando diretamente a transmissão de luz, a eficiência energética e o conforto acústico. Os arquitetos e arquitetas enfrentam, portanto, um desafio importante: alcançar o equilíbrio entre uma estética atraente e o desempenho técnico. Para tanto, é fundamental especificar os materiais adequados ainda na fase de projeto.
Com origens na Índia antiga e transmitido oralmente ao longo das eras, o yoga tornou-se uma prática amplamente difundida e popular que engaja o corpo e o espírito para alcançar a quietude da mente e uma autoconsciência clara. Embora existam variadas vertentes de yoga que refletem diferentes origens e tipos de práticas, todas elas exigem uma combinação de movimento físico com consciência mental e espiritual. Os benefícios para as saúdes física e mental que uma prática regular pode proporcionar, mesmo em tempos turbulentos ou difíceis, foram reconhecidos pelas Nações Unidas no Dia do Yoga de 21 de junho de 2022, sob o tema "Yoga pela Humanidade".
À primeira vista, Quarticciolo é um bairro atraente de Roma. Trata-se de um complexo de habitação social em escala humana, composto por edifícios de média altura vermelhos e amarelos dispostos em torno de pátios internos e jardins. Projetado pelo arquiteto Roberto Nicolini durante o regime fascista, esse aspecto de vilarejo não é encontrado nos massivos conjuntos residenciais do pós-guerra em outras partes da capital. À semelhança de outros/as arquitetos/as racionalistas, Nicolini se inspirou na cidade antiga. Baseando o traçado em uma malha ortogonal clássica, ele permitiu apenas uma estrutura alta: a Casa del Fascio (sede do partido fascista), uma torre fortificada que se impõe sobre a praça principal. A maioria dos edifícios foi construída entre 1938 e 1943 para abrigar uma população de classe trabalhadora que foi transferida à força do centro histórico de Roma para a periferia, abrindo caminho para as grandes obras públicas de Mussolini.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135137/reconstruindo-e-destigmatizando-o-bairro-quarticciolo-em-romaMarina Engel
Os ruídos –especialmente aqueles que não podemos controlar– afetam profundamente tanto a saúde física quanto a mental. Sejam provenientes da rua, da vizinhança do andar de cima ou do cômodo ao lado, pesquisas sugerem que eles podem aumentar o estresse, reduzir a produtividade, interferir na comunicação e contribuir para o desenvolvimento de problemas como a hipertensão arterial. Em última análise, a qualidade acústica define a experiência de uso e (literalmente) dá o tom para o restante do interior. A má notícia é que a maioria dos materiais de construção convencionais utilizados hoje na arquitetura moderna –concreto, vidro, alvenaria– possui superfícies extremamente duras e propriedades acústicas limitadas, o que faz o som reverberar várias vezes e força as pessoas a elevarem a voz para se fazerem entender. Somado ao crescimento da densidade urbana e à adoção de layouts de uso misto nos projetos, tudo isso resulta em ambientes de vida e trabalho cada vez mais barulhentos, desconfortáveis e dispersivos.
Burgess Creek Promenade, Steamboat Springs, Colorado. Imagem cortesia de Wenk Associates
A necessidade de se adaptar rapidamente às mudanças climáticas assumiu, com razão, o centro das atenções. No entanto, as conexões entre as mudanças climáticas e a gestão de águas pluviais frequentemente passam despercebidas. As mudanças climáticas impactam o ciclo hidrológico ao aumentar a escassez de água e a frequência e intensidade das inundações, além de contaminar os cursos d'água. Gerenciar melhor as águas pluviais é fundamental para a gestão dos recursos hídricos e para a proteção de nossa segurança e da saúde do meio ambiente.
Como resposta a um mundo em rápida transformação, a flexibilidade tornou-se prioridade absoluta no design de interiores contemporâneo. Isso explica, por exemplo, a crescente demanda por espaços amplos e multifuncionais em detrimento de layouts rígidos e fechados — como demonstra a tendência das cozinhas integradas. Essa mudança nas necessidades espaciais sugere que projetar para o presente e para o futuro significa criar espaços capazes de se adaptar facilmente a múltiplos usos: em um dia, uma sala pode ser destinada a um grande evento; no outro, pode ser necessária para atividades menores e mais reservadas. Diante disso, materiais, produtos e outros elementos do design de interiores devem responder à altura, integrando tecnologia e inovação para criar espaços flexíveis e, ao mesmo tempo, funcionais.
O mistério das cores nos intriga desde a infância. Misturar tintas para criar novos tons ou observar os raios de sol e cristais formando arco-íris torna-se uma parte fascinante da nossa infância muito antes de ouvirmos falar em química e óptica. À medida que crescemos, a cor continua a desempenhar um papel fundamental em como vivenciamos o mundo, impactando o humor, as emoções, a produtividade e o comportamento. Isso explica por que os seres humanos são naturalmente atraídos por certas tonalidades; trata-se de algo intrínseco ao cérebro humano. Há uma percepção comum, por exemplo, de que as paletas de vermelho, laranja e amarelo geram uma sensação de calor e alegria, ao passo que tons de marrom, cinza e preto evocam tristeza e melancolia. Naturalmente, o mesmo se aplica ao design e ao ambiente construído, pois, juntamente com a textura, a luz e a sombra, os espaços ao nosso redor são definidos por tons e nuances que moldam o que vemos e como nos sentimos. Assim, a cor acaba transformando a maneira como percebemos, sentimos e vivenciamos a arquitetura.
Entre todas as tendências inusitadas de design de interiores residencial que estão voltando com força, o poço de conversa — ou espaço de conversa rebaixado — é talvez uma das mais inesperadas. Esse famoso elemento dos anos 1970, simultaneamente retrô e moderno, oferece um refúgio acolhedor na residência, totalmente livre das distrações da televisão e do cinema. Longe de ser um local para se conectar a dispositivos eletrônicos, trata-se de uma ampla área projetada para que as pessoas se sentem e conversem de verdade — um espaço de que, talvez, todos nós precisemos atualmente.
Tying the Knot - Atlanta Legacy Makers por OBJ. Imagem cortesia de OBJ
Uma das principais responsabilidades de urbanistas e designers é criar locais na cidade para encontros, manifestações, lazer e descanso. A seleção a seguir de espaços públicos não construídos apresenta projetos que expandem essas áreas para além de margens ou orlas fluviais, devolvem às comunidades locais espaços antes subutilizados e buscam otimizar áreas frequentemente negligenciadas. Intervenções desse tipo são fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população e tornar as cidades mais agradáveis de se viver.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily. Localizados próximos a um patrimônio mundial da UNESCO na Itália, sobre um lixão ilegal em Dallas, no Texas, ou em uma cidade medieval no norte da Espanha, os projetos reunidos nesta curadoria mostram como arquitetos/as e urbanistas reconhecem o potencial dos espaços urbanos.