Os renders, enquanto composições capazes de comunicar o aspecto tridimensional de um projeto a partir de um suporte bidimensional — isto é, a imagem — permitem uma noção prévia do que a obra arquitetônica ainda virá a ser. Mas, ao contrário do que muitas vezes se imagina, a renderização não é sinônimo de uma representação realista da arquitetura.
Por se tratar de uma ferramenta de comunicação projetual, um render pode assumir diferentes estilos a depender não apenas do projeto em questão, mas também do público a quem é direcionado e, além de tudo, da identidade do arquiteto, arquiteta ou escritório de arquitetura responsável pela obra.
Imagem: Ricardo Wolffenbütte/Prefeitura de Florianópolis
Se usasse suas composições para tratar do urbanismo de Florianópolis, Zininho — autor do hino da capital dos catarinenses — certamente chegaria à mesma conclusão: jamais algum poeta teve tanto para cantar.
E não é para menos: a irregularidade urbana em Florianópolis é tamanha que dados confiáveis sobre o tema só vieram à tona muito recentemente. O próprio Diretor de Urbanismo estimou as ocupações irregulares em 40% a 45% do total.Somente com a proposta de revisão do Plano Diretor, do final de dezembro de 2021, descobrimos que a irregularidade varia de 5,21% na parte continental para 81,84% no distrito do Rio Vermelho. Seis dos treze distritos têm mais de 40% da sua mancha urbana em núcleos informais, e apenas quatro não ultrapassam os 20%.
Valladolid é uma cidade de pouco menos de 50 mil habitantes, localizada no leste de Yucatán. Fica exatamente no meio do caminho entre Cancún e Mérida, e a cerca de 40 minutos da zona arqueológica de Chichén-Itzá. Inicialmente, os turistas que chegavam ali o faziam apenas como escala em seu trânsito pela península. No entanto, sua gastronomia e sua arquitetura fizeram com que deixasse de ser um ponto de parada involuntário para se tornar um destino turístico por si só.
Em 1940, o nutricionista estadunidense Victor Lindlahr escreveu o livro "Você é o que você come", consolidando a ideia de que aquilo que colocamos em nosso corpo afeta diretamente nossa saúde física e mental. Mais recentemente, chefs influentes assumiram essa causa e impulsionaram uma reformulação nos serviços de alimentação escolar e hospitalar, nos aproximando de uma aceitação universal sobre a forte correlação entre bem-estar e alimentação, além de consolidar a compreensão de que o aprendizado, o comportamento e a recuperação médica podem ser aprimorados com a dieta adequada.
Um edifício neutro em carbono é alcançado quando a quantidade de emissões de CO2 é equilibrada por iniciativas positivas para o clima, de modo que a pegada líquida de carbono ao longo do tempo seja zero. Considerando sua capacidade inigualável de absorver CO2, plantar árvores é muitas vezes visto como a melhor solução de compensação de carbono. Mas à medida que as cidades se tornam mais densas e a quantidade de espaço horizontal disponível para áreas verdes reduz drasticamente, os arquitetos têm sido forçados a explorar outras abordagens. Para enfrentar esses desafios climáticos e conectar as pessoas à natureza, as paredes verdes externas tornaram-se uma tendência crescente em cidades cada vez mais verticais. Embora haja pesquisas para afirmar que estes podem impactar positivamente o meio ambiente, muitos questionam se eles podem realmente contribuir para uma arquitetura neutra em carbono. A resposta pode ser bastante complexa, mas parece apontar para: até certo ponto através de um bom projeto.
Em 1854, o escritor estadunidense Henry David Thoreau escreveu a obra clássica “Walden”, relatando sua experiência de vida nos bosques e enaltecendo as vantagens da vida simples e autossuficiente. Logo no início do livro, o autor comenta que, caso alguém queira fazer uma viagem de 48 km para visitar o campo, seria mais rápido andar a pé do que optar por uma locomotiva.
Precisão técnica aliada à preocupação ambiental e caráter exploratório e investigativo fazem de Carla Juaçaba uma das grandes representantes da arquitetura latino-americana na atualidade. Carioca, nascida em 1976, Carla Juaçaba frequentou a Universidade de Santa Úrsula e atribui à essa instituição de ensino muito do seu estilo experimental e interdisciplinar. Não é à tona que durante a sua formação acadêmica seus grandes mestres inspiradores foram o arquiteto Sergio Bernardes e a artista plástica Lygia Pape, insinuando seu interesse pelas múltiplas ramificações disciplinares que podem compor a arquitetura. Nesse sentido, ainda na graduação, Carla trabalhou em conjunto com arquiteta Gisela Magalhães, da geração de Oscar Niemeyer, em projetos de cenografia e expografia.
Raindrop. Imagem Cortesia de Studio Bas van der Veer
Hoje é o Dia Mundial da Água, data criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) que visa a ampliação da discussão sobre temas que envolvam esse recurso. Num contexto no qual a água potável se torna cada vez mais valiosa, apresentamos aqui três alternativas que podem ser implementadas no projeto de arquitetura para economizar e melhor aproveitar o uso de águas na sua residência.
Em dezembro de 2021, chegava em Bogotá, na Colômbia, a jovem nascida e criada da favela do Colombo. Passaporte carimbado, mãos trêmulas e uma mistura de medo e alegria. Eram os primeiros passos para o novo, o desconhecido, a mudança e o aprendizado fora dos muros, a realização do primeiro intercâmbio, de um sonho até pouco tempo distante.
Durante aproximadamente dois meses, aquele seria o meu lar, um lugar que já foi marcado por violência, sangue derramado e insegurança, e ainda considerado um dos países mais desiguais do mundo.
Torre Taikoo Green Ribbon / ARUP. Image Cortesia de Arup
Discutir neutralidade em carbono na arquitetura não deveria pautar somente materiais locais e novas tecnologias, já que muitos são os aspectos que impactam na cadeia produtiva da construção civil. Desde o projeto até a obra, sem perder de vista o contexto e o sistema econômico da nossa sociedade, a indústria da construção é responsável por parte considerável da energia consumida mundialmente. Para interferir em tal realidade é necessário expandir as frentes de atuação, questionando qual o lugar da construção civil em nossa sociedade.
Compreender como as sombras vão agir numa área e ao redor dela é um entendimento necessário para garantir maior qualidade espacial. As sombras podem influenciar na iluminação natural - portanto, na percepção do espaço - e também em questões de conforto térmico. Sendo assim, mapear suas projeções e visualizar seus movimentos durante cada estação do ano pode ser fundamental para aprimorar o seu projeto. A boa notícia é que existem ferramentas simples que ajudam a visualizar isso na sua cidade e em ambientes naturais.
Paredes de argila têm uma alta inércia térmica. Isso significa que funcionam como um amortecedor do clima, criando um atraso térmico no fluxo de calor do exterior para o interior, absorvendo o calor durante o dia e liberando-o durante a noite. O material é especialmente adequado para climas quentes e secos, como o de Gando, onde Francis Kéré construiu sua primeira escola. Após anos estudando no exterior, Kéré retornou à sua comunidade natal com o intuito de construir um espaço para que as crianças pudessem estudar e a adoção dos mesmos materiais historicamente utilizados ali causou estranhamento, como ele contou nesta palestra. Foi a junção dos materiais e técnicas locais com o conhecimento adquirido o que deu força ao projeto.
https://www.archdaily.com.br/pt/978920/como-francis-kere-usa-os-materiais-para-responder-as-condicoes-climaticas-locaisValeria Montjoy and Eduardo Souza
Casa de cultura na aldeia de Itaoca Guarani. Image Cortesia de Grupo ][ Fresta
Trabalhando na interseção entre projetos arquitetônicos o sociais, o Grupo ][ Fresta foi um dos escritórios agraciados pela Premiação IAB 2021 na categoria Urbanismo, Planejamento e Cidades. O trabalho destacado propõe um conjunto de infraestruturas e equipamentos culturais e comunitários em 12 aldeias guaranis e tupis distribuídas em 24 mil hectares de terra ao sul da maior cidade do país.
A indústria de tecnologia no Japão continuou servindo como uma força motriz fundamental, com todo o país sendo conhecido por suas inovações tecnológicas em vários setores. Ultimamente, a maioria das indústrias e empresas começaram a mudar seu foco para o tema do desenvolvimento sustentável, com a inclusão dessas mesmas tecnologias para trabalhar em direção a metas de energia zero.
Em tempos de uma pandemia global em andamento e reuniões constantes de vídeo, mais e mais pessoas têm buscado melhorar suas estantes em casa para não apenas criar cenários de tela apropriadamente elegantes, mas também comunicar credibilidade. Há até uma conta do Twitter sobre o assunto, que mostra que nem todo mundo tem uma coleção de livros para expor ou o espaço adequado para armazenar obras de arte. Seja qual for o seu sonho de prateleira pessoal - mesmo que isso envolva gatos - aqui estão cinco elementos de design que irão ajudá-lo a aproveitar ao máximo uma ferramenta que você não sabia, além de exemplos reais de como eles estão sendo usados para melhorar as estantes em projetos em todo o mundo. Veja a seção de estantes no Architonic para mais inspiração e exemplos de produtos.
Nas discussões arquitetônicas atuais, a sustentabilidade é um tema chave. As empresas de arquitetura adotam o termo como uma parte fundamental de seu ethos de design, e as escolas de arquitetura globalmente integraram o projeto de arquitetura “verde” como um componente central de seus currículos. Essa conversa sobre sustentabilidade também foi filtrada em ações mais individuais que podem ser tomadas em seu contexto imediato. On-line, por exemplo, há muitos guias sobre como tornar sua casa mais ecológica e eficiente em termos de energia.
Quase ninguém compra um automóvel pelo preço indicado com dinheiro em mãos, aqueles que procuram comprar um carro olham também para o custo mensal de possuir um. As casas são nosso maior investimento, e a maioria dos proprietários tem tanto orgulho de sua casa quanto de seu carro e igualmente têm medo do custo de manutenção. Portanto, não é de surpreender que as casas “autossuficientes” usem a mesma tática de vendas, provando seu valor na promessa de não pagar contas mensais de energia.
Estamos muito longe da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e evitar os piores riscos das mudanças climáticas. Mas essa meta ainda é possível, de acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) – e essa esperança deve orientar as decisões político-econômicas desta década, segundo o WWF-Brasil.
No urbanismo, os subúrbios podem ser um tópico controverso. Isso em parte porque o termo possui definições nebulosas e em constante mudança. Em sua forma mais simples, os subúrbios são comunidades residenciais a uma distância que se afasta um pouco do coração das áreas metropolitanas. O contexto americano vê os subúrbios com alguma hostilidade, com práticas racistas como o "redlining", um legado sombrio para determinados locais do país. Num sentido mais superficial, os subúrbios americanos têm sido frequentemente criticados por sua uniformidade visual — retratados como moradias sem alma, ausentes de um senso de comunidade.
No mês passado, vimos os 20 projetos residenciais mais visitados apresentados no ArchDaily durante 2020. Abrangendo quatro continentes e 15 países, os estilos e desenhos variaram amplamente e cobriram uma gama de diferentes climas, contextos visuais e necessidades de clientes. No entanto, notamos uma semelhança entre alguns projetos selecionados localizados principalmente no Vietnã e na Indonésia: a prevalência de jardins suspensos e plantas trepadeiras. Abaixo, examinamos essa tendência com mais detalhes, discutindo como ela é usada nestes projetos específicos e de forma mais geral.
https://www.archdaily.com.br/pt/954425/agregando-jardins-suspensos-a-arquitetura-residencialLilly Cao
Taller Virtual de las Américas (TVA). Image Cortesía de Taller virtual de las Américas
Há mais de uma década, surgiu uma aposta em uma nova maneira de compreender o sistema pedagógico arquitetônico. Com uma influência que alcança hoje países como Argentina, Peru, México, Venezuela, Guatemala e Estados Unidos, o Taller Virtual de las Américas (TVA) consegue reunir sinergicamente educação, coletividade e virtualidade. Nahuel Salcedo e Celeste Gómez Lahoz são os arquitetos que fazem parte do grupo coordenador e lideram ano a ano este projeto. Nesta ocasião, eles nos contam, com mais detalhes, do que se trata.
Os espaços de encontro nas zonas rurais desempenham um papel importante na melhoria da qualidade de vida das comunidades. Em abril de 2022, a Fundação Mi Parque lançou o livro “Espaços públicos rurais: comunidade, arquitetura e paisagem” como uma contribuição e guia para o campo do design, buscando visibilizar e fortalecer a necessidade de espaços de convivência em ambientes rurais. A obra é o resultado de cinco anos de trabalho no território, onde 37 espaços comunitários foram construídos, beneficiando mais de 26.000 pessoas na província de Choapa, região de Coquimbo, no Chile.
Existe uma frase famosa — geralmente atribuída a Winston Churchill — que diz: “A história é escrita pelos vencedores”. Essa crença cínica e amplamente errônea só poderia ser verdadeira se a história fosse fixa, consolidada, estática. Mas ela nunca é, e é precisamente por isso que existem historiadores/as. Talvez seja mais preciso dizer que o primeiro rascunho da história é escrito pelos vencedores. No entanto, como qualquer escritor/a dirá, primeiros rascunhos são sabidamente pouco confiáveis. O mesmo acontece com a história da arquitetura. As mulheres desempenham papéis significativos na área desde o início da profissão, mas não é assim que a história registrou. Um novo livro, The Women Who Changed Architecture (Princeton Architectural Press), uma coletânea de mais de 100 minibiografias de importantes arquitetas, abrangendo mais de um século, espera dar um passo em direção à correção dessa omissão. Recentemente, conversei com Jan Cigliano Hartman, editora do volume, sobre a criação do livro, figuras importantes e negligenciadas, e por que esta não é uma lista definitiva.
San Juan de Lurigancho, Lima, Perú. Imagen de MarcoRosales. Image vía Shutterstock
O IPCC divulgou seu último relatório sobre a crise ambiental, "Mudança Climática 2022: impactos, adaptação e vulnerabilidade". As novas observações advertem que medidas prioritárias urgentes devem ser tomadas sobre a adaptabilidade do ambiente construído, indicando que globalmente o crescimento mais rápido da vulnerabilidade urbana tem sido em assentamentos informais e não planejados, e em centros urbanos de pequeno e médio porte em países onde a capacidade adaptativa é limitada devido a sua renda - uma situação recorrente na América Latina.