Existe algo mais familiar para o ser humano do que a comida? Ela conecta a paisagem à cultura, à emoção, à história e à saúde planetária de modo geral. Compartilhar alimentos e cozinhar para outras pessoas representa um ato básico de cuidado e uma forma de expressar generosidade e hospitalidade, lembrando-nos do quanto dependemos uns dos outros. A comida nos permite refletir de forma simples sobre as relações complexas do habitat e proporciona um espaço comum para nos conectarmos como se estivéssemos em nossa própria casa: ao redor da mesa da cozinha.
Caracterizada por sua ampla variedade de paisagens, biodiversidade e pisos térmicos, a Colômbia vê o desenho de pátios internos em suas residências acompanhar as áreas de estar, descanso, acesso e circulação. Em muitos casos, esses elementos se tornam protagonistas, servindo como a principal fonte de contato com a natureza local.
A história da memorável cortina que dá vida ao DAAily bar no Swiss Corner durante a Semana de Design de Milão vai muito além de seus padrões coloridos e naturais. Conforme explicou o artista de origem suíça Douglas Mandry, criador da obra em colaboração com a Bally e a Christian Fischbacher, durante sua Live Talk junto à instalação no DAAily bar, "Meu trabalho é movido pelas transformações globais que enfrentamos, abordando questões de mudança climática e consciência ambiental por meio de elementos visíveis."
Foram anunciados os resultados da XIV Bienal de Arquitetura Yucateca, na qual foram entregues 17 reconhecimentos, compostos por 1 medalha de ouro, 6 medalhas de prata e 10 menções honrosas em 15 categorias distintas. O júri foi composto pelos arquitetos Edgar Herrera, Manuel Herrera, Felipe Leal e Carlos Rodríguez. Continue lendo para conhecer os vencedores.
Arte Público de Estoy. Image Cortesía de Esteban Barrera
A cidade muda constantemente: monumentos desaparecem, marcos urbanos são esquecidos e novos símbolos surgem, fazendo com que ruas, praças e muros ressignifiquem a paisagem urbana, trazendo novos pontos de referência, histórias e maneiras de compreender a cidade, nossa história e a sociedade.
Pensar, dialogar e reconfigurar a cidade a partir da arte envolve uma série de processos: a investigação dos territórios, de quem os habita, dos entornos socioculturais e de suas formas de relação são pilares fundamentais no momento de projetar e implementar dispositivos que gerem impactos no espaço urbano. A proliferação de intervenções artísticas em grande escala, focadas no puramente estético, nos faz refletir sobre o que de fato enfrentamos no espaço público e quais são os impactos disso em nosso cotidiano.
Como elemento arquitetônico, os elementos vazados têm uma longa história. Utilizados desde a Antiguidade no Egito e na Grécia, bem como na arte tradicional hispano-muçulmana, eles enriqueceram inúmeros espaços com suas formas repetitivas e desenhos intrincados. Até os dias de hoje, mantêm seu valor graças às suas qualidades estéticas e excelentes características funcionais, assumindo grande protagonismo em fachadas e divisórias de múltiplos projetos arquitetônicos contemporâneos – especialmente naqueles de uso residencial.
Burgess Creek Promenade, Steamboat Springs, Colorado. Imagem cortesia de Wenk Associates
A necessidade de se adaptar rapidamente às mudanças climáticas assumiu, com razão, o centro das atenções. No entanto, as conexões entre as mudanças climáticas e a gestão de águas pluviais frequentemente passam despercebidas. As mudanças climáticas impactam o ciclo hidrológico ao aumentar a escassez de água e a frequência e intensidade das inundações, além de contaminar os cursos d'água. Gerenciar melhor as águas pluviais é fundamental para a gestão dos recursos hídricos e para a proteção de nossa segurança e da saúde do meio ambiente.
O slow living é uma tendência inspirada pelo crescente interesse em atenção plena (mindfulness) e sustentabilidade — e por nossa crescente necessidade cultural de escapar dos efeitos negativos do ritmo acelerado da vida digital e do consumo excessivo. No entanto, de que forma exatamente o design de nossos espaços internos e externos pode interpretar essa tendência e nos ajudar a desacelerar?
Fundado em 2004 pelo arquiteto chinês Ma Yansong, o escritório MAD Architects é liderado por Ma Yansong, Dang Qun e Yosuke Hayano. Dedicado a explorar o caminho do futuro da arquitetura, o escritório integra o pensamento oriental à prática arquitetônica, criando atmosferas que promovem o diálogo entre o ser humano, a natureza e o cosmos, além de investigar novas práticas culturais na arquitetura. Diariamente, profissionais de arquitetura nos escritórios do MAD em Pequim, Los Angeles e Roma canalizam sua paixão pelo design para expressar e transmitir nossa compreensão do espaço arquitetônico, gerando ambientes fluidos, visionários e tecnologicamente avançados.
O MAD Architects é um estúdio global de arquitetos/as, designers e pensadores/as criativos/as de grande talento. Dedicamo-nos a transformar a experiência e a compreensão do espaço construído que nos cerca e, a partir disso, desenvolvemos projetos visionários, fluidos e tecnologicamente avançados que personificam uma interpretação contemporânea da afinidade oriental com a natureza.
Desde planejamentos urbanos de grande escala até complexos urbanos de uso misto dotados de grande imaginação, museus, teatros de ópera, habitação social, requalificação de centros históricos e obras de arte, o MAD mantém uma perspectiva de design única ao mesmo tempo em que busca estabelecer um equilíbrio harmonioso entre a humanidade, a cidade e o meio ambiente. Atualmente, a atuação global do MAD inclui projetos como o Museu Lucas de Arte Narrativa, a Praça Cultural de Shenzhen Bay, a Estação Ferroviária de Jiaxing, o Grande Teatro de Yiwu, a Biblioteca Cloudscape de Hainan e projetos residenciais em Paris, Roma e Los Angeles.
Nossa equipe de 130 profissionais atua nos escritórios de Pequim, Los Angeles e Roma. Nossos projetos abrangem desde desenvolvimentos urbanos e masterplans de grande escala até edifícios públicos, culturais, residenciais e hoteleiros imaginativos de diversas proporções. Empenhamo-nos em aprimorar o equilíbrio entre as pessoas, o ambiente construído e o entorno natural.
A arquitetura, entendida como qualidade espacial e de projeto, é muitas vezes vinculada diretamente à riqueza, quase um artigo de luxo destinado a ser aproveitado por poucos em nossa sociedade, sobretudo quando nos referimos a projetos habitacionais em países com grande desigualdade social. Apesar da amplitude que a análise de projetos habitacionais pode ter, este texto pretende refletir sobre a produção de habitação coletiva atual, que tem na qualidade do ambiente construído um resultado derivado da compreensão da moradia como mercadoria e não como direito.
O concreto lidera a construção civil no Brasil estando presente em quase 90% das obras. Essa predominância se deve às suas características específicas como o baixo custo, se comparado com outros materiais, durabilidade, alta resistência às intempéries e versatilidade que facilita a sua produção e manejo por ser uma substância plástica que permite ser moldada.
A fim de tirar vantagem dessa última característica, surgem nos projetos diferentes texturas feitas a partir do concreto, seja por sua maneira de aplicação ou tipo de fôrma utilizada. Quando se trata das fôrmas, é importante perceber que, apesar de serem um elemento provisório na obra, podem custar cerca de 10% do total da construção, sendo feitas em diversos materiais como madeira, metal, plástico ou até mesmo papelão.
O cômodo feito para os trabalhadores "descansarem", como é dito no discurso atual em que se tenta camuflar a origem e o significado do conhecido “quarto de serviço”, "quartinho de empregada’’ ou "quartinho da bagunça’’ que normalmente é encontrado próximo a áreas de trabalho da morada contemporânea, tem um significado histórico, cultural, social e econômico dentro do contexto atual que pouco é questionado.
A coprodução tem a capacidade de potencializar processos e atores, bem como de se aproximar de espaços e sistemas que tradicionalmente foram invisibilizados pelas políticas públicas urbanas e pelas agendas arquitetônicas convencionais. Em uma conjuntura de insegurança alimentar, agravada pela pandemia e pelo pós-pandemia, o projeto ‘KNOW - Conhecimento em ação para la igualdade urbana’, por meio de uma metodologia participativa e de uma articulação horizontal entre os agentes envolvidos, busca consolidar a criação de uma rede de cuidados que supere as lacunas multidimensionais para além da insegurança alimentar. Dois projetos-piloto foram desenvolvidos no distrito de San Juan de Lurigancho; as áreas de intervenção foram identificadas em decorrência das carências de infraestrutura para o funcionamento das cozinhas comunitárias, uma situação recorrente em outras periferias de Lima.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135146/conhecimento-em-acao-para-a-igualdade-urbana-praticas-comunitarias-para-a-seguranca-alimentar-em-san-juan-de-luriganchoBelen Desmaison, Lia Elier y Diego Vivas
A segregação residencial na Índia urbana vem do antigo sistema de castas que divide a sociedade em grupos hierárquicos. Os ambientes construídos são um reflexo da ordem social e dos ideais dinâmicos da sociedade. Bairros e cidades são relíquias culturais moldadas por diversas comunidades, algumas com mais voz do que outras. Nas últimas décadas, as metrópoles indianas têm crescido com a urbanização. A segregação residencial que padroniza as cidades da Índia pode ser compreendida através do sistema de castas. A questão, no entanto, é em grande parte interseccional. Forças enraizadas em classe, religião e gênero também estruturam o cenário social do país.
Seja uma pequena varanda, um acesso a uma área verde ou um jardim privado, o espaço exterior tornou-se um privilégio para muitos, especialmente com o início da pandemia de Covid-19 e os vários períodos de lock down subsequentes. O espaço verde na cidade está constantemente sob ameaça do mercado ou de governos que buscam aumentar a densidade habitacional para alimentar uma demanda crescente por desenvolvimento suburbano. Como resultado, os jardins e o acesso a espaços verdes/exteriores têm diminuído nos últimos anos em algumas grandes cidades do mundo, uma vez que a prioridade é abrigar o maior número de pessoas possível em empreendimentos residenciais, muitas vezes desconsiderando características benéficas como o acesso a áreas externas.
Em termos de condições de vida, a falta de acesso a esses espaços apresenta desigualdades evidentes, reveladas em períodos de confinamento e restrições durante a pandemia. As pessoas foram confinadas em suas casas e espaços ao ar livre locais, onde poderiam se exercitar. Quem teve acesso a estes espaços públicos e teve os seus próprios jardins/espaço exterior teve muita sorte no sentido de poder usufruir de um elemento do exterior. Enquanto os menos afortunados em apartamentos e áreas pobres enfrentavam condições claustrofóbicas e desmoralizantes, contidas dentro da concha de suas casas.
No final do século XIX surgia o skate nos Estados Unidos, patenteado oficialmente em 1936, o esporte já enfrentou diversos preconceitos, mas assim como as dinâmicas social e urbana, das quais faz parte, perdurou para demonstrar que sua vivência vai muito além das visões conservadoras e trouxe uma nova forma de vivenciar a cidade ao experimentar movimentos do próprio corpo diante do desenho urbano ou arquitetônico.
Junho é o mês em que se comemora o dia da imigração japonesa no Brasil, país que guarda a maior colônia fora do Japão, somando mais de 2 milhões de japoneses e descendentes. Desde o século XX, famílias japonesas imigraram para as regiões rurais brasileiras, formando uma colônia sólida no interior de estados como São Paulo, chegando a influenciar muitos aspectos da cultura local.
Com 78 metros de altura, o Museu do Futuro (Museum of the Future - MOTF) está longe de alcançar o famoso skyline de Dubai, que apresenta arranha-céus como o Burj Khalifa incomparável - a torre mais alta do mundo. No entanto, com sua forma ousada e fachada impressionante iluminada por mais de 14.000 metros de caligrafia árabe, certamente consegue tomar seu lugar entre os edifícios mais emblemáticos da cidade. O premiado projeto de Killa Design e Buro Happold, descrito por muitos como "o edifício mais bonito do mundo", foi inaugurado em fevereiro de 2022 no Distrito Financeiro de Dubai. Em uma área total construída de 30.000 m², acomoda espaços de exibição para ideologias, serviços e produtos inovadores, além de espaços de teatro, um laboratório e um centro de pesquisa.
No início desse ano presenciei uma situação instigante. Acompanhei, via um amigo arquiteto, a negociação para a contratação de um projeto arquitetônico de uma residência unifamiliar. A proprietária do terreno, uma professora da rede pública, buscou auxílio profissional para construir sua tão sonhada casa, estimada em mais ou menos 60 metros quadrados. Tratava-se de um terreno desafiador, com recortes específicos e uma topografia muito acentuada que era compensada pela vista da cidade. O orçamento limitado e o histórico da proprietária indicavam que essa seria a versão litorânea da famosa Casa Vila Matilde do Terra e Tuma.
O The Second Studio (antigo The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais de áreas criativas em conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Nesta semana, David e Marina discutem os trabalhos e estúdios de conclusão de curso (TCC) na graduação em arquitetura, abordando as diferenças entre projetos de tese, projetos finais (capstone) e dissertações; como escolher o tema do trabalho; como optar pelo orientador ou estúdio correto; o valor de realizar um TCC; os desafios específicos desse processo e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134979/the-second-studio-podcast-preparacao-para-o-tcc-de-arquiteturaThe Second Studio Podcast
Desde que o ArchDaily expandiu seus serviços de recrutamento, recebemos propostas de vagas de escritórios de arquitetura de diversas escalas e localizações, abrangendo cidades de norte a sul da China, como Pequim, Shenzhen e Hangzhou. Atuando em diferentes campos da arquitetura com estilos singulares, esses escritórios buscam atrair arquitetos/as talentosos/as. A seguir, apresentamos uma seleção de 8 escritórios com vagas abertas e seus respectivos projetos de destaque. Convidamos todos/as os/as leitores/as a se candidatarem.
Entre as boas práticas de cidades contemporâneas estão objetivos como a proximidade entre casa e trabalho, a mistura de usos, a busca de uma densidade que permite caminhabilidade e que os térreos dos edifícios sirvam de “olhos da rua”, nas palavras da urbanista Jane Jacobs, voltados para as calçadas. Como exemplos dessas características estão cidades como Paris, com a sua vida de estabelecimentos voltados para o passeio, Barcelona, com suas quadras elaboradas pelo Plano Cerdá, Nova York, com sua intensa vida urbana na ilha de Manhattan, e Hong Kong, com a sua enorme densidade em um pequeno pedaço de terra. Todos esses exemplos estão situados em realidades distintas da vida urbana do Brasil, um país emergente.
A mudança do clima nas cidades brasileiras é um desafio de adaptação e equidade. Inundações, alagamentos, deslizamentos, secas e ondas de calor são cada vez mais frequentes e intensas. Quando atingem o meio urbano, geralmente afetam mais quem é mais pobre. Cidades precisam se adaptar com urgência, a começar pelas áreas e populações mais vulneráveis. Implementar soluções baseadas na natureza de forma sistêmica pode contribuir para a redução de desastres relacionados às mudanças do clima e ainda gerar múltiplos benefícios para a economia, o ambiente e as pessoas.
https://www.archdaily.com.br/pt/983817/solucoes-baseadas-na-natureza-para-adaptacao-em-cidades-o-que-sao-e-por-que-implementa-lasHenrique Evers, Bruno Incau, Lara Caccia e Fernando Corrêa
O design participativo é um processo democrático que visa oferecer contribuições iguais para todas as partes interessadas, com foco particular nos usuários, geralmente não envolvidos diretamente no método tradicional de criação espacial. A ideia baseia-se no argumento de que envolver o usuário no processo de concepção pode ter um impacto positivo na recepção desses espaços. Facilita o processo de apropriação, ajuda a criar locais representativos e valiosos e, assim, cria resiliência dentro do ambiente urbano e rural.