A reinvenção é um dos mitos fundacionais dos Estados Unidos da América. Para quem teve a sorte de chegar aqui nos conveses dos navios, e não acorrentado nos porões, este país oferecia a chance de ser outra pessoa, em outro lugar. Para essas pessoas e para as gerações de imigrantes que as seguiram, a América parecia estabelecer uma distância segura entre seus passados e um futuro sem limites.
Contudo, essa ilusão acabou sendo virada de cabeça para baixo. Por volta da virada do milênio, a reinvenção era um tema recorrente para personagens de filmes obstinados em deixar as pequenas cidades dos Estados Unidos; na arquitetura, esse sentimento se traduziu na construção de cidades dos sonhos em qualquer lugar, exceto aqui. Em Dubai e Xangai, nossas mentes mais brilhantes do design conceberam torres, shoppings e museus hermeticamente fechados, amplamente desconectados da história, da comunidade e do clima.
Profissionais de arquitetura buscam constantemente estratégias projetuais que visam selecionar os melhores produtos para criar atmosferas marcantes em seus projetos. As soluções adotadas nos projetos, especialmente em interiores, são fortemente influenciadas por tendências que refletem o que a sociedade mais valoriza em cada momento. Mas como os interiores estão sendo projetados hoje em dia? Com foco em ambientes naturais e na interação com seu contexto, a arquitetura prioriza materiais e texturas locais, luz natural e o uso de mobiliário minimalista que permite a continuidade espacial.
Abaixo, apresentamos uma seleção de projetos inspiradores que, utilizando produtos de marcas espanholas, demonstram essas tendências contemporâneas, desde o uso de materiais naturais até a maximização da luz natural.
Como parte da programação cultural do Crystal Bridges Museum of American Art, é apresentada a exposição "Architecture At Home", um espaço ao ar livre que reúne cinco protótipos de habitação que buscam iniciar um diálogo sobre a moradia contemporânea. Por meio de pesquisas, cinco escritórios de arquitetura sediados nas Américas projetaram e construíram protótipos de 500 pés quadrados (cerca de 46 metros quadrados) para uma casa contemporânea que se ergue ao longo da Orchard Trail, nos terrenos do museu.
Herdado de técnicas ancestrais, o trato com a pedra natural enquanto material de construção está, historicamente, ligado muito mais à estrutura de uma construção do que à etapa de acabamentos. Com o desenvolvimento da construção civil, as pedras naturais enquanto estrutura foram substituídas por sistemas mais eficientes e baratos, como o concreto armado ou ainda a estrutura metálica e a alvenaria estrutural, abrindo espaço para o aproveitamento das pedras como acabamentos e revestimentos.
Se você tem evitado as notícias recentemente, apresentamos uma rápida atualização: os países europeus e norte-americanos enfrentaram um dos verões mais quentes já registrados na história moderna. Diante disso, os debates sobre a crise climática foram reacendidos, assim como as discussões sobre o papel da indústria de arquitetura e construção no desenvolvimento de soluções para mitigar os efeitos do calor extremo em nosso cotidiano. Enquanto as soluções de resfriamento passivo sempre foram utilizadas em certas partes do mundo — onde os recursos locais e as construções vernaculares se adaptam às altas temperaturas —, outras regiões buscam alternativas tecnológicas e métodos de fabricação inovadores que garantam o conforto humano, o valor estético e a eficiência energética a um custo viável.
Embora o modernismo inicial, com seus arranha-céus emblemáticos e casas de vidro, tenha consolidado a ideia de que edifícios envelopados em vidro são, em sua maioria, ambientes desconfortáveis, superexpostos e sujeitos ao superaquecimento, hoje os fabricantes de vidro demonstram o contrário. Quando bem tratado e posicionado estrategicamente, o vidro pode ser um material extremamente versátil e eficiente, sem comprometer o conforto visual ou térmico dos/as ocupantes.
Matilde Ucelay Maórtua nasceu em 1912 em Madri, no seio de uma família burguesa, profissional e ilustrada, sendo a mais velha de quatro irmãs. A família de seu pai, Enrique Ucelay, de origem basca, ocupara uma posição econômica, política e profissional de destaque na Madri do século XIX, vinculada ao liberalismo político. Por sua vez, sua mãe, Pura Maórtua, também de ascendência basca, provinha de uma família com excelentes condições financeiras e, embora não tivesse uma formação acadêmica formal, sempre demonstrou um enorme desejo de aprender, tendo a oportunidade de realizar diversas viagens para visitar museus e obras de arquitetura.
O co-living é um modelo de moradia comunitária residencial, que se refere a uma forma moderna de habitação coletiva que transformou significativamente a vida em Londres e no Reino Unido como um todo. O conceito de co-living popularizou-se ainda mais com a ascensão de startups do setor habitacional, muitas das quais oferecem moradia acessível em casas e apartamentos compartilhados por um grupo de moradores/as.
Em meio à diversidade programática e à experimentação, o escritório carioca gru.a é um alento aos que desejam se aventurar pelo campo ampliado da arquitetura. Formado pelos sócios Caio Calafate e Pedro Varella em 2013, gru.a demostra o potencial da profissão quando dialoga com outras disciplinas.
Como parte de uma nova colaboração entre os escritórios sediados na Cidade do México, o Esrawe Studio e Francisco Pardo apresentam um novo projeto intitulado "Comunidade Biodinâmica". Localizado em Los Altos de Jalisco, no México, o complexo será construído em um terreno de 820.000 metros quadrados e terá uma área construída total de 29.700 metros quadrados.
Nos últimos anos, a madeira tem ganhado espaço como um material de construção renovável, versátil e esteticamente atraente. Sua resistência, facilidade de manuseio e propriedades isolantes lhe conferem vantagens que outros materiais não conseguem alcançar, tornando-a uma alternativa cada vez mais utilizada por designers, arquitetos/as e construtores/as. No entanto, embora apresente múltiplos benefícios, ela também é suscetível a processos de degradação e apodrecimento, exigindo cuidados de preservação diante da passagem do tempo ou de outras ameaças externas.
Como resposta a esses problemas de durabilidade, antigamente existiam duas possibilidades: aplicar tratamentos químicos ou utilizar madeiras duras tropicais. Enquanto o primeiro caminho gera toxinas nocivas, o segundo incentiva o desmatamento em um contexto de mudança climática. Desse modo – e diante de uma maior demanda pelo material –, foram desenvolvidos métodos alternativos para protegê-lo. Um deles é a acetilação, um processo não tóxico que, além de oferecer alto desempenho, reduz significativamente o impacto ambiental.
Torre en PNC Plaza / Gensler. Image Cortesía de Gensler - Chris Leonard
Seja para uma fachada, janela ou porta, escolher o vidro mais adequado para uma construção pode ser uma decisão complexa. Acompanhando os recentes avanços tecnológicos, as melhorias na fabricação do material resultaram em uma ampla gama de alternativas, que vão desde vidros em uma grande variedade de cores até vidros de baixa emissividade (low-e) que proporcionam eficiência energética. Com tanta variedade no mercado, como definir o melhor tipo de vidro para um projeto? Essencialmente, a resposta depende de duas necessidades: as do espaço e as do/a cliente. Enquanto o tipo de projeto (e seu contexto espacial e climático) pode determinar as dimensões ou a quantidade de luminosidade e os isolamentos térmico e acústico necessários, o/a usuário/a pode influenciar em fatores como segurança ou exigências estéticas de cor e transparência.
A era dos carros movidos a gasolina está chegando ao fim com o advento das baterias e carros elétricos – e com ela, os postos de gasolina e a poluição que eles trazem para as comunidades.
Postos de gasolina, por sua própria natureza, são riscos ambientais. Dos 450 mil locais perigosos somente nos EUA, metade está contaminada por petróleo, com grande parte vindo de tanques subterrâneos vazando de antigos postos de gasolina, gerando riscos de vazamentos e explosões.
Como resposta a desafios globais como mudanças climáticas, discriminação e vulnerabilidade física, designers e engenheiros de todo o mundo desenvolveram materiais de construção inovadores que colocam o bem-estar humano em primeiro lugar em projetos urbanos, de arquitetura e de interiores.
Nas conversas sobre arquitetura que estamos tendo no mundo de hoje, os materiais são um assunto muito difundido. Há discussões sobre a viabilidade do concreto no contexto contemporâneo, sobre como a madeira pode ser obtida de forma mais sustentável e sobre como materiais biodegradáveis, como o bambu, devem ser mais presentes em nossos ambientes urbanos.
Mas também precisamos falar sobre o que acontece nesses prédios – ou seja, os móveis que decoram, aprimoram e tornam habitáveis os prédios ao nosso redor. Os materiais usados para fabricar esses objetos evoluíram constantemente ao longo dos séculos e, à medida que nos aproximamos do final de 2022, vale a pena perguntar – o que o futuro reserva para os materiais que nossos móveis serão feitos?
Remodelación en la calle Molière / PPAA Pérez Palacios Arquitectos Asociados. Image
Ao longo dos anos, o design de interiores evoluiu de acordo com as necessidades que vão surgindo, mas sobretudo com as experiências que procura evocar no usuário. Nos últimos dois anos pudemos testemunhar uma mudança radical e um interesse especial por este tema porque a pandemia obrigou-nos a dar uma atenção específica à configuração dos lugares que habitamos. Isso trouxe consigo projetos muito mais abrangentes que buscam atender o bem-estar do usuário, combinando cores, experiências sensoriais, tecnologia e elementos naturais que promovem a saúde.
Muitos planejadores urbanos preveem que até 2050 mais de 6 bilhões de pessoas viverão nas cidades e, muitas vezes, em condições que expandi-las não é uma opção. Portanto, a única maneira de acompanhar a densidade crescente é construir para cima. Construir mais alto sempre traz inúmeros desafios e também uma competição não tão sutil entre os escritórios de arquitetura para terem seu nome vinculado aos maiores edifícios. Tão logo um arranha-céu é nomeado um dos mais altos do mundo, outro chega à prancheta e leva o título poucos anos depois. Embora o céu seja o limite, como isso afeta a construtibilidade dos projetos e quais feitos de métodos e materiais de construção nos permitiram construir nas nuvens?
De acordo com o World Happiness Report, a Dinamarca lidera a pesquisa dos países mais felizes há anos. Copenhague, capital da Dinamarca, é conhecida por seus edifícios coloridos à beira-mar e sua arquitetura contemporânea radical, ambos refletindo o espírito alegre da cidade. A metrópole marítima é o estudo de caso favorito de um designer urbano com infraestrutura neutra em carbono, facilidade para pedestres e bicicletas, além de uma próspera esfera pública. Os designers dinamarqueses decifraram o código para construir cidades mais felizes, deixando muitos modelos a serem aprendidos.
Imagem produzida a partir de fotografia evidenciando a construção do Viaduto Júlio de Mesquita Filho. Acervo do Museu da cidade de São Paulo, Ivo Justino. http://www.acervosdacidade.prefeitura.sp.gov.br/PORTALACERVOS/ExibirItemAcervo.aspx?id=439575
Que relações entre o campo social da memória e a construção da cidade podem ser identificadas no período da ditadura civil-militar brasileira? Partimos da ideia de que a formação da cidade envolve uma série de disputas e concessões entre os mais diversos entes que compõem a sociedade. Uma vez que, como sabemos, cada agente social possui um lugar de fala diferente dos demais, as suas opressões ou privilégios são transportadas ao campo das memórias, que por sua vez se transcrevem na construção do ambiente urbano. Isto é, as opiniões e vontades de determinadas comunidades, por dotarem de mais recursos, determinam muitas vezes como os lugares serão erguidos e as narrativas tecidas sobre eles.
https://www.archdaily.com.br/pt/986807/o-arco-da-destruicao-politicas-de-apagamento-no-desenvolvimentismo-do-regime-militarLuiza Gibertoni Leite e Pedro Flosi Trama
Cidades e comunidades no mundo todo estão avançando para reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e prevenir os impactos mais perigosos das mudanças climáticas. Em geral, as estratégias focam na redução de emissões em setores como transportes, energia, habitação e resíduos. Mas existe outro setor que muitas comunidades têm subestimado em seus planos climáticos: árvores e florestas.
https://www.archdaily.com.br/pt/986623/5-motivos-para-as-cidades-incluirem-as-arvores-nas-acoes-pelo-climaJohn-Rob Pool, David Gibbs, Sadof Alexander e Nancy Harris
Na arquitetura, um dos desafios enfrentados pelos profissionais são os projetos em terrenos inclinados. As encostas íngremes tornam possível pensar em uma arquitetura em que o visual predomina, como mirantes naturais. Uma oportunidade de trabalhar o contato com o território, a espacialidade e as diferentes alturas. Diversas soluções são possíveis, resultando em uma arquitetura única e sempre contextual.
Selecionamos 10 projetos residenciais no Peru que revelam diversas abordagens arquitetônicas em terrenos inclinados a partir de seus cortes.
Recife, Pernambuco. Imagem: Paulo Lopes/Prefeitura do Recife
Cada vez mais pessoas vivem em espaços urbanos. O Relatório das Cidades Mundiais 2022, da ONU Habitat, revela que esse índice passou de 25% em 1950 para mais de 50% em 2020 e a estimativa para as próximas cinco décadas é que ele chegue a 58%. O levantamento indica ainda que até 2070 o número de municípios em países de baixa renda aumentará em 76% enquanto que nas nações de renda alta e média-baixa essa elevação ficará em cerca de 20%. O estudo observa também que esse cenário mostra a urgência das localidades serem projetadas e gerenciadas de maneira que o seu crescimento futuro não sobrecarregue a infraestrutura, as áreas abertas e os serviços existentes — levando a uma expansão insustentável.
https://www.archdaily.com.br/pt/986625/o-que-e-densidade-urbana-e-quais-sao-suas-vantagens-e-desvantagensSomos Cidade
As florestas de eucalipto na Austrália são conhecidas por queimarem periodicamente. Essa também é uma forma de propagação das suas árvores, já que os frutos dessas espécies, conhecidos como “Gumnuts”, possuem uma camada isolante que é rompida com o calor do fogo. Ao se abrirem, banham o solo queimado com sementes, iniciando um processo de renovação da floresta. Glenn Murcutt, arquiteto australiano, tem uma obra enraizada na paisagem do país. A inovação de suas casas é que elas não negam a possibilidade dos frequentes queimadas, mas trazem elementos que as permitem controlá-los com o mínimo possível de perda. Em suma, as residências são construídas com envoltórias de materiais muito pouco inflamáveis, sempre contam com enormes reservatórios de água e com um “sistema de inundação” que possibilita que a edificação e seu entorno imediato sejam poupados em um incêndio florestal.
Sistema BENO: un sistema constructivo conformado por placas prefabricadas de bovedilla armada que incluyen la instalación eléctrica, muro y estructura de hormigón armado. Image Cortesía de Centro Experimental de la Vivienda Económica-AVE-CEVE-CONICET
Embora o design e o layout dos banheiros que usamos atualmente seja milenar, ainda assim eles são considerados um dos cômodos mais difíceis de projetar e reformar. Existem muitas regras a serem seguidas durante os primeiros estágios do planejamento de um banheiro, especialmente porque envolve “pré-planejamento” e associação de encanamento, circuitos elétricos, conexões em cantos e áreas pequenas de piso. Vamos explorar os fundamentos do encanamento e onde alocar cada acessório para otimizar o layout do banheiro, facilitando seu projeto “faça você mesmo” de reforma ou criando o espaço do zero.