As cidades sempre foram, e sempre serão, locais multifacetados e dinâmicos. Trata-se de assentamentos em constante evolução, moldados pela proximidade com recursos naturais, por fluxos migratórios e pelo capital. Apesar da diversidade de caráter urbano entre diferentes metrópoles, costuma-se dizer que hoje as cidades se parecem mais do que nunca — uma homogeneidade que faz com que uma torre de vidro e aço em Cingapura não pareça fora de lugar no Bandra Kurla Complex, em Mumbai.
Refletindo sobre como serão os materiais do futuro, falaremos de um material que está em alta em Barcelona e que talvez nos leve a responder essa questão sugerindo que, como sempre acontece, tudo volta.
Os ladrilhos hidráulicos há alguns anos voltaram a ser tendência, despertando interesse pelo seu alto valor artesanal e pelos seus diversos desenhos, perfeitos para combinar ambientes tradicionais com detalhes de vanguarda.
Empatitzem / Equal Saree. Image Cortesía de Equal Saree
O Equal Saree é um escritório de arquitetura sediado em Barcelona, liderado por três jovens arquitetas: Helena Cardona Tamayo, Julia Goula Mejón e Dafne Saldaña Blasco. As três estudaram na Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona(ETSAB), da Universidade Politécnica da Catalunha, onde se conheceram cursando a disciplina “Arquitetura e política”, ministrada por Zaida Muxí e Josep Maria Montaner. Além das sócias fundadoras, a equipe é composta por outras 15 arquitetas.
Projetos de arquitetura têm crescido em complexidade a um ritmo exponencial, enquanto os prazos de entrega tornaram-se cada vez mais curtos. Diante dessas demandas, os estúdios especializados em visualização tornaram-se essenciais para arquitetos/as e escritórios com altos níveis de exigência e cronogramas apertados. O Brick Visual, estúdio de visualização de alto padrão com sede em Budapeste, reflete sobre seus 10 anos de trajetória no setor e o estado atual da visualização arquitetônica.
O Brick Visualfoi fundado em 2012 por jovens profissionais ambiciosos cujo sonho era criar representações visuais para os escritórios de arquitetura mais prestigiados do mundo. A partir de um pequeno apartamento no centro de Budapeste, o grupo de especialistas em visualização trabalhava para atender às necessidades de seus clientes, ao mesmo tempo em que construía uma cultura de inovação e excelência artística. Desde então, o pequeno coletivo húngaro transformou-se em uma equipe internacional de quase 100 especialistas, sediados em sua sede estilo loft em Budapeste e em escritórios satélites em Cluj-Napoca, na Romênia, e Verona, na Itália.
Um skyline famoso pode evocar ricas associações e liberar a imaginação, mas a verdadeira experiência de uma cidade acontece em suas ruas. Os primeiros humanos evoluíram para enxergar os primeiros seis metros à sua frente, acima e ao seu redor, de modo a identificar potenciais ameaças na paisagem. Em nosso ambiente urbano moderno, ainda é assim que experienciamos edifícios e lugares. Embora as vistas aéreas e as imagens do Google Earth sejam úteis para referência, a principal experiência do exterior de um edifício é aquilo pelo qual passamos na rua, até aproximadamente o segundo ou terceiro pavimento. A altura de uma edificação não importa necessariamente se a experiência da rua for rica e acessível.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134814/ativando-as-bordas-como-criar-ruas-vivas-e-ativasAmanda Loper, Daniel Simons, David Baker
Lessons Learned é um podcast da Dutch Design Week e do ArchDaily. Em cada episódio, reunimos jovens talentos do design com profissionais consagrados da área para impulsionar suas práticas e ajudar no aprendizado com os erros do passado. O/A jovem talento faz uma pergunta crucial, e os/as designers compartilham seus aprendizados e maiores fiascos.
Seja integrando-se ao contexto urbano ou destacando-se para atrair a atenção, a fachada conta a história de um edifício. Trata-se de um meio expressivo pelo qual interagimos com a arquitetura, definindo as primeiras impressões e determinando o tom do interior ao experimentar com transparência, movimento, textura e cor, entre outras possibilidades estéticas. Naturalmente, o envelope também desempenha um papel funcional crucial, atuando como barreira protetora contra condições climáticas extremas e impactando diretamente a transmissão de luz, a eficiência energética e o conforto acústico. Os arquitetos e arquitetas enfrentam, portanto, um desafio importante: alcançar o equilíbrio entre uma estética atraente e o desempenho técnico. Para tanto, é fundamental especificar os materiais adequados ainda na fase de projeto.
Arquitetura não é simplesmente construir. Há mais de dois mil anos, o arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio definiu duas realidades básicas na construção: firmitas (estabilidade) e utilitas (função). Depois, ofereceu o que transforma a construção em arquitetura: venustas (beleza).
Firmitas foi redefinida neste século como “resiliência”. Após passar ileso por cinco furacões ao longo de trinta anos, este edifício apresenta venustas além de firmitas? O conceito de utilitas é encontrado na utilidade de qualquer projeto: uma edificação, em uso constante, tem beleza além de função?
Na última sexta-feira, 14 de outubro, foi anunciado o resultado do júri para a Etapa Longa do XXXVIII Prêmio de Composição Arquitetônica Alberto J. Pani, organizado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), em colaboração com uma instituição da Associação de Instituições de Ensino de Arquitetura da República Mexicana A.C. (ASINEA), que este ano foi a Faculdade de Arquitetura da Universidade De La Salle Bajío, em León, Guanajuato.
As Cidades Universitárias constituíram a ação arquitetônica e urbana mais contundente dentro do período dos governos progressistas latino-americanos, apesar das influências norte-americanas, pioneiros no conceito de campus [1], os projetos realizados na América Latina aconteceram em contextos diferentes e tiveram desdobramentos muito particulares. Devido ao tamanho e a complexidade destes conjuntos, por exemplo, muitas décadas foram necessárias para que fossem concluídos. Essa condição permitiu a participação de várias gerações de arquitetos, o que conferiu diversidade à sua arquitetura. Outra característica na América Latina é a íntima relação entre os projetos das Cidades Universitárias e Governos desenvolvimentistas, como aponta Gorelik, 2005, que em momentos de prosperidade econômica investiram em políticas públicas.
https://www.archdaily.com.br/pt/990685/do-diagrama-ao-projeto-a-cidade-universitaria-da-universidade-nacional-da-colombiaMaria Julia de Castro Herklotz
A pausa global imposta pela pandemia de COVID-19 abriu uma oportunidade para avaliar o globalismo contemporâneo e a arquitetura que surgiu a seu reboque. Remontando à ampla expansão do livre comércio nos anos 1990, ao fim da Guerra Fria, a promessa cultural do globalismo era simples e aspiracional: a integração global dos mercados aumentaria a interação e o aprendizado entre diferentes culturas. Ao normalizar essas experiências em nosso cotidiano, nos tornaríamos cidadãos e cidadãs globais, livres de preconceitos do passado — todos objetivos bem-intencionados.
De acordo com a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde – OMS, em 2019 foram registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia. Nesse contexto foi criado no Brasil o “Setembro Amarelo”, maior campanha anti-estigma do mundo que incentiva todos à atuarem ativamente na conscientização e na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu.
Grande parte da produção da arquitetura moderna no continente americano foi baseada no modelo dos arquitetos europeus que, com suas obras, lançaram as premissas e ideias fundamentais para a vida moderna. Estes pilares da arquitetura foram transferidos, e consequentemente adaptados, ao território americano, introduzindo, ao mesmo tempo, suas próprias características de acordo com o contexto territorial, sócio-cultural e econômico.
Entendemos que uma boa arquitetura é aquela que serve como modelo para resolver problemas inerentes ao campo em geral. É por isso que certas referências que consideramos hoje como "clássicos" são exemplos de boas práticas arquitetônicas que foram apropriadas por outros arquitetos, a partir da adoção de elementos pertinentes e necessários para alcançar um resultado de acordo com cada contexto particular.
É notório que cidades em todo o mundo precisam empreender esforços para que mais pessoas optem pelos meios mais sustentáveis de transporte – a caminhada, a bicicleta e o transporte coletivo – em detrimento de carros e motos. Mas o que nos leva a escolher um meio de transporte em vez de outro? Quais fatores estão por trás da nossa escolha? Será que são, de fato, decisões conscientes ou apenas “hábitos automáticos”? Compreender este processo é passo importante na promoção de ações para a mobilidade sustentável.
Há alguns dias, tive a oportunidade de conversar com Emilio Hernández, do Centro de Imaginación Oaxaca, um dos participantes daCocina CoLaboratorio. Em nossa conversa, surgiram temas como a participação coletiva, a gestão social do habitat, o altruísmo, o racismo e muitas outras questões de cunho social. Durante o bate-papo, mencionamos as diferentes nuances, luzes e sombras em torno de temas relacionados ao assistencialismo e à “ajuda” às comunidades; bem como o quão contraproducente e violento pode ser agir a partir do privilégio e da verticalidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134221/cozinha-colaboratorio-gestao-social-do-habitat-em-chiapasValeria Rubio García
A vulnerabilidade presente em países da periferia do capitalismo, como é o caso brasileiro, gera uma série de consequências que tanto se evidenciam em estatísticas, quanto se refletem no território ocupado. A periferização e a dificuldade de acesso a direitos fundamentais como saúde, educação e habitação, são parte dessas consequências, cujo combate e enfrentamento se dá por grupos sociais organizados que buscam construir alternativas dentro desse cenário, assim como é o caso dos movimentos sociais e da Usina CTAH, uma prática de arquitetura dedicada ao assessoramento técnico de grupos sociais organizados.
Jinan Cultural Sport and Archives, Centro Público, Muchuan Xu, Minxi Cai, Xin Yan, Jingyi Zhao, Qijun Lu, Shangzhao Yang, Xiaofeng Li, Zhongning Zhang, Guanbao Ye / Vantree Design. Imagem cortesia de A' Design Award & Competition
O A' Design Awards — o principal prêmio anual de design com júri internacional do mundo — foi criado para promover e reconhecer os melhores trabalhos de design em todos os países e disciplinas criativas. O prêmio possui 100 categorias principais, incluindo Architecture, Building and Structure Design, Interior Space and Exhibition Design e Furniture Design, além de outras voltadas ao universo da Iluminação, Paisagismo, Materiais de Construção e algumas "Supercategorias", como Good Industrial Design, Good Architectural Design, entre outras. A edição do próximo ano já está com as inscrições abertas; profissionais de design podem registrar suas propostas aqui.
Ambiente de escritório. Imagem cortesia de weico architects
O escritório weico architecture studio é um ateliê de design contemporâneo e de alto posicionamento, fundado por um grupo de arquitetos/as com sólida experiência de mercado. A atuação do weico abrange arquitetura, design de interiores, planejamento urbano, concepção de projetos e consultoria de engenharia, com especial atenção à convergência interdisciplinar entre design, tecnologia, indústria, economia e ciências humanas. Sob a liderança do arquiteto titular Sun Wei (ex-sócio da HENN na China), o weico, em menos de um ano de existência, já venceu concorrências e assumiu projetos de grande relevância, como a Sede T3, a Sede Internacional da Hengli, o Centro de Customização de Alta Gama da Hongqi e a consultoria para a Fase II da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (Guangzhou), além de figurar como finalista na Base de Pesquisa Científica da CGN e na seleção para a Universidade da Baía, conquistando amplo reconhecimento no cenário nacional.
Em um contexto em que a falta de segurança pública assola cotidianamente as grandes cidades brasileiras, impactando a maneira como nos comportamos no ambiente urbano, é importante observar não apenas como agimos nesse ambiente mas também como o construímos e com quais intenções o modificamos.
Muros altos, grades, câmeras, alarmes e concertinas já fazem parte de uma paisagem que se demonstra amedrontada e parece buscar constantemente uma “proteção” do patrimônio privado, muitas vezes em detrimento da apropriação do espaço público.
Estantes têm uma função clara: organizar, armazenar e expor. Esse papel simples, mas vital, tornou-as uma obrigação em todos os lares, mantendo o local arrumado armazenando livros, roupas, brinquedos ou quaisquer outros itens que, de outra forma, seriam espalhados pelo chão. Embora geralmente encontradas em armários, quartos, banheiros e cozinhas, as prateleiras são úteis onde quer que o armazenamento extra seja necessário. São especialmente ideais para tirar o máximo proveito das salas pequenas, o que sempre se beneficiará de ter espaço mais limpo e sem desordem. Respondendo a essa necessidade crucial de armazenamento e, seguindo uma abordagem rigorosa de 'forma segue a função', as estantes tradicionais são frequentemente compostas por planos horizontais mínimos e planos presos a uma parede - um layout simples que não se destina particularmente a chamar a atenção. Portanto, as pessoas não tendem a pensar em estantes além do armazenamento e, nesse sentido, as inúmeras possibilidades de design que eles oferecem são frequentemente negligenciadas.
A falta de uma política de estacionamento consistente ou coerente cria ambientes dominados por carros que prejudicam todas as pessoas. Imagem: Rodrigo Capote/WRI Brasil
Nos últimos anos, diversos eventos climáticos ocorridos ao redor do mundo assolaram cidades, inclusive as brasileiras. Em 2022, chuvas intensas caíram sobre as ruas da região serrana do Rio de Janeiro, especialmente a cidade de Petrópolis, que registrou 250 deslizamentos em um único dia.
Algo semelhante ocorreu em Pernambuco, onde chuvas acima da média levaram ao deslizamento de barreiras. No final de 2021, no estado da Bahia, as ocorrências ligadas às fortes chuvas deixaram pelo menos 72 municípios em situação de emergência. Assim como nos exemplos anteriores, a ocorrência deixou mortos e diversas famílias desabrigadas. Ao redor do mundo o quadro não é diferente, ainda que os eventos sejam outros.
https://www.archdaily.com.br/pt/990345/a-equidade-nas-ruas-comeca-com-a-reforma-dos-estacionamentosITDP Brasil
Avenida Rio Branco, no coração do Bairro do Recife, se tornou exclusiva para pedestres em 2017. Foto: Adriana Preta/WRI Brasil
A mitigação das mudanças climáticas e a adaptação aos riscos gerados por eventos extremos mais frequentes demandam uma transformação rápida e radical das cidades de todo o mundo, uma vez que elas são responsáveis pela maior parte das emissões globais de gases de efeito estufa. Os impactos de um clima em transformação, no entanto, não são compartilhados de modo uniforme por todas as cidades, e quem sente os seus efeitos mais intensos são justamente as populações mais vulnerabilizadas. Para transformações urbanas de baixo carbono inclusivas e adaptadas aos diferentes contextos urbanos, é necessário aproximar a agenda global do clima à escala local – às pessoas que vivem e conhecem os seus territórios.
https://www.archdaily.com.br/pt/989596/duas-cidades-brasileiras-buscam-abordagens-locais-inovadoras-para-a-crise-climaticaCamila Alberti, Ariadne Samios e Isadora Freire
Ao longo dos anos, a arquitetura de interiores evoluiu de acordo com as necessidades que foram surgindo mas, sobretudo, com as experiências que procura evocar no usuário. Nos últimos dois anos pudemos testemunhar uma mudança radical e um interesse especial por este tema já que a pandemia obrigou-nos a dar uma atenção específica à configuração dos lugares que habitamos. Isso trouxe consigo projetos muito mais abrangentes que buscam atender ao bem-estar do usuário, combinando cores, experiências sensoriais, tecnologia e elementos naturais que promovem a saúde.
Futuros métodos de planejamento para calçadas e espaço de transporte público. Imagem via Global Designing Cities Initiative
Se você mora em uma área urbana, suburbana ou rural, há uma boa chance de que usar uma calçada, de alguma forma, faça parte de sua rotina diária. Seja atravessando uma calçada para chegar ao seu carro em um estacionamento ou andando vários quarteirões em seu trajeto até o centro da cidade, as calçadas são essenciais para criar locais seguros para os pedestres distante das ruas. Mas o que acontece quando as cidades não se responsabilizam pela manutenção das calçadas e elas são deixadas sob cuidado das pessoas que apenas as usam?