A cultura refletida em um material. Os azulejos portugueses narram temas históricos, do religioso ao profano. Conformam a paisagem e os cenários lusitanos ao revestir edifícios, interiores e espaços públicos. E, desta forma, sua expressão segue em constante mudança e adaptação para tecer a ancestralidade mourisca com a contemporaneidade.
Fruto de duas décadas de desenvolvimento, o Grande Museu Egípcio (GEM), no Cairo, é um dos edifícios culturais mais aguardados do mundo, projetado para se tornar uma maravilha arquitetônica e um destacado centro de estudos científicos, históricos e arqueológicos. O vasto megaprojeto bilionário ocupa uma área de cerca de 500.000 metros quadrados, adjacente às Pirâmides de Gizé, sítio declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Em suas galerias, aquele que em breve será o maior museu de arqueologia do mundo exibirá 3.500 anos da história do Antigo Egito, revelada por meio de um acervo de mais de 100 mil artefatos — muitos dos quais serão expostos pela primeira vez.
Nos dois casos, área reduzida, materiais simples e orçamento modesto não foram impeditivos para um projeto arquitetônico virtuoso que tirou máximo proveito das qualidades do entorno e da orientação do terreno, provando que limitações podem servir de impulso para projetos de grande qualidade.
Soluções construtivas tradicionais tendem a funcionar bem para seus respectivos contextos, por terem resistido a centenas de anos de testes e melhoramentos, e utilizarem técnicas e materiais disponíveis localmente. Ainda que a globalização e a democratização no acesso a tecnologias tenha trazido mais conforto e novas oportunidades à humanidade, no setor da construção civil observou-se uma homogeneização das soluções e a dependência nas cadeias de suprimentos globais para materiais e componentes de construção. Isso também constituiu uma ruptura entre a passagem de conhecimentos entre gerações e um apagamento das tradições.
Em relação a soluções passivas de resfriamento de edificações, atualmente há um esforço para recuperar antigas técnicas utilizadas no curso da história em localidades que sempre tiveram que lidar com o clima quente. Isso é ainda mais latente devido ao alto custo energético que o resfriamento impõe, a um cenário de aquecimento global e, principalmente, pelo fato de que dentre as projeções de incrementos populacionais, boa parte das megalópoles se localizarão na África e Ásia, com climas quentes. Pensando em um cenário futuro, é possível se inspirar no passado e aplicar essas técnicas antigas de resfriamento para edificações contemporâneas?
Por duzentos anos, a cidade de Nova York tem sido a maior metrópole dos Estados Unidos e continua a superar suas concorrentes. A cidade é uma das mais antigas e prósperas do país. Sua região metropolitana produz bens e serviços que equivalem em termos monetários à metade do que o Brasil produz. A sua estrutura urbana, capacidade produtiva e elevada renda per capita evidenciam sua posição privilegiada no mundo, e uma das chaves para entender a sua ascensão está no início da sua história e ao longo do seu processo de desenvolvimento. Em 1624, as terras da ilha de Manhattan foram compradas do povo indígena Lenape pelo holandês Peter Minuit, da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, que fundou a chamada Nova Amsterdã. A ilha é uma extensa área plana de 59 km² situada em meio à foz do Rio Hudson e do Rio do Leste. A baía permitia atracar grandes navios e era também um local mais fácil de se defender.
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Paris, França. Foto de Lespinas Xavier, via Unsplash
Até alguns anos atrás, a margem direita do Rio Sena, em Paris, era uma via de trânsito rápido por onde passavam mais de 40 mil veículos todos os dias. Apesar de ter sido nomeada Patrimônio Mundial da Unesco, a via costumava estar totalmente engarrafada nos horários de pico ou funcionar como um corredor para os carros em alta velocidade. Por isso, colaborava para as taxas de poluição atmosférica da cidade, que com frequência costumavam ultrapassar os limites da União Europeia, e para milhares de mortes na capital francesa todos os anos.
https://www.archdaily.com.br/pt/996966/cidade-de-15-minutos-a-visao-de-paris-que-tem-inspirado-um-movimento-globalSalome Gongadze e Anne Maassen
A verdadeira beleza da arquitetura reside em sua capacidade de servir e melhorar a experiência humana, mas esse princípio fundamental nem sempre é respeitado. Muitas vezes, vemos edifícios “públicos” que não se integram ao tecido urbano, são desconectados de seu entorno e não contribuem para a vitalidade e qualidade de vida de uma cidade. Alguns podem até ser muito bonitos, mas se não forem funcionais, confortáveis e acolhedores para as pessoas, seu valor como espaços públicos torna-se bastante questionável. Ícones arquitetônicos como a Ópera de Sydney e o Museu Guggenheim de Bilbao, por exemplo, são celebrados não apenas por suas silhuetas impressionantes ou interiores de tirar o fôlego, mas porque aprimoram a cultura e a vida na cidade, enriquecem a comunidade e oferecem diversas oportunidades de interação e envolvimento do público. É essa abordagem holística de projeto, centrada no ser humano, que permite que esses marcos se tornem partes integrantes da identidade de uma cidade.
Fotografias de Marcel Gautherot presentes no acervo do Instituto Moreira Salles (IMS) editadas pela autora
O Museu de Arte Popular de Recife (MAP), inaugurado em 1955, foi um dos primeiros museus dedicados ao gênero no país. Foi organizado e idealizado pelo advogado e colecionador recifense Abelardo Rodrigues (1908 - 1971) e projetado pelo arquiteto carioca Acácio Gil Borsoi (1924 - 2009). Embora extinto, o projeto do museu foi uma adaptação de uma antiga escola infantil em um espaço com características modernas para a exposição de arte popular, localizado na entrada do Parque Zoobotânico de Dois Irmãos. Os únicos registros deste espaço foram realizados pelo fotógrafo francês Marcel Gautherot (1910 - 1996) no ano de inauguração do museu. Apesar das suas singularidades, estes três personagens estavam especialmente interessados no aspecto popular das narrativas modernas, e por esse motivo, é importante analisar as perspectivas que contribuíram no interesse dos usos dessa noção.
"Nosso planeta está sufocando com plástico", afirma as Nações Unidas. Embora o material feito pelo homem tenha muitos usos valiosos, nosso vício em produtos plásticos de uso único levou a severas questões econômicas, de saúde e ambientais. Aproximadamente um milhão de garrafas plásticas são compradas a cada minuto e cinco trilhões de sacos plásticos são usados todos os anos em todo o mundo - usados apenas uma vez e depois jogados fora. Plásticos e microplásticos chegaram a todos os cantos de nosso ambiente natural, desde os picos das montanhas mais altas até as profundezas dos oceanos. Tanto que eles se tornaram parte do registro fóssil da Terra e criaram um habitat microbiano marinho totalmente novo conhecido como "Plastisfera".
Munique — capital da Baviera desde 1506 — é uma cidade com ricas camadas de história. Seus muitos anos como um crescente epicentro arquitetônico deixaram uma mistura interessante e única de edifícios. De igrejas e catedrais medievais a sinagogas contemporâneas. De arranha-céus a pequenos pavilhões. Do brutalismo ao Art Nouveau. A arquitetura de Munique é verdadeiramente vasta e maravilhosa.
Embora fosse um erro não reconhecer as maravilhas cervejeiras de Munique, a única menção a essa bebida aqui se dará por meio dos impressionantes edifícios que as abrigam (como a nova sede da Paulaner, projetada pelo escritório Hierl Architekten). De fato, outros aspectos da cidade são grandiosos, mas vamos nos concentrar na principal atração de Munique: sua arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1134873/guia-de-arquitetura-de-munique-dos-arranha-ceus-aos-pequenos-pavilhoes-do-brutalismo-ao-art-nouveauVirginia Duran
Como parte do programa de exposições do Museu Experimental El Eco, foi lançada a convocatória para o Pavilhão Eco 2023, onde profissionais que atuam na prática arquitetônica no México possam dialogar com o espaço do museu. Esta edição marca os 13 anos do Pavilhão Eco, concurso iniciado em parceria com o Buró-Buró com a missão de oferecer uma plataforma para a produção arquitetônica com ênfase na experimentação e na reflexão espacial.
A história da visualização na arquitetura passou por diversas transformações ao longo dos séculos. Sua relação intrínseca com a própria arquitetura desencadeou manifestações e críticas que, além de servirem como ferramenta para representar o mundo habitado, influenciam diretamente a percepção deste e a produção dos objetos construídos. No ArchDaily, exploramos, por meio de diversos artigos, as histórias que compõem a representação pós-digital e, especificamente no México, este é um tema que tem sido profundamente explorado.
Escritório LANO FRUITS / Laura Ortín. Imagem cortesia de Laura Ortín
Dos cubículos predefinidos aos escritórios compartilhados em plano aberto, os espaços de trabalho têm transformado suas estratégias de projeto para acompanhar as mudanças no estilo de vida da sociedade. Se, por um lado, os layouts tradicionais estimulavam o trabalho mais isolado (evitando distrações sociais), a adaptação às novas tecnologias e dinâmicas de pensamento impulsionou a produtividade, respeitando a comunicação, a consciência sobre o bem-estar e os benefícios de se sentir confortável no ambiente profissional.
A comunidade de arquitetura tem acompanhado essas tendências de mudança, propondo diversas tipologias de espaços de trabalho, adaptando-se a múltiplos estilos profissionais e organizando-os de modo a criar ambientes de produtividade ideal. Entre eles, escritórios de arquitetura liderados por mulheres espanholas, de diferentes origens e estilos, destacam-se por apresentar layouts que redefinem o conceito tradicional de espaço de trabalho. Abaixo, apresentamos uma seleção de projetos inovadores de reforma, que exemplificam o design de espaços de trabalho flexíveis e dinâmicos.
A luz é um elemento essencial para perceber a arquitetura e para habitar e trabalhar em edifícios. Por isso, profissionais de arquitetura, designers de iluminação, docentes e pesquisadores/as têm escrito livros inspiradores sobre o tema. Essas pessoas compartilharam suas valiosas teorias e transformaram suas experiências em diretrizes para aprimorar o projeto de iluminação natural e a arte da iluminação.
Esta seleção oferece uma valiosa fonte com os melhores livros de design de iluminação para estudantes, profissionais e acadêmicos/as. A lista está agrupada por categorias: iluminação natural, iluminação, iluminação urbana, fachadas de mídia, iluminação paisagística, coleções de luz, cultura, monografias, história, iluminação cênica e arte da luz. Em cada seção, os volumes aparecem em ordem alfabética, com as publicações recentes no início, seguidas pelas clássicas. Descubra obras fascinantes que vão iluminar sua percepção e compreensão da luz e do espaço.
O que é a Cidade de 15 Minutos? É toda cidade construída pela humanidade neste planeta até um século atrás, rebatizada com um nome atraente. Se os centros históricos de uma cidade não foram destruídos no último século, são essas as áreas que mais atraem turistas — pessoas que viajam por continentes e oceanos para vivenciar o melhor que elas têm a oferecer.
Há quarenta anos, um grupo de pioneiros decidiu voltar a projetar Cidades de 15 Minutos. Na verdade, planejaram cidades de 5 minutos, pois não acreditavam que as pessoas caminhariam por 15 minutos — e, no início dos anos 1980, estavam certos, dado o forte condicionamento da época em usar o carro para qualquer deslocamento. Seaside, na Flórida, foi o marco inicial. A revista Time a chamou de “a pequena cidade que mudou o mundo”. Pela primeira vez na história moderna da dispersão urbana, era possível guardar as chaves do carro na gaveta ou pendurá-las na parede e esquecê-las por dias. Ao retornar das férias em Seaside, os visitantes se perguntavam: “Por que não podemos construir assim onde moramos?”. Não demorou para que o Novo Urbanismo nascesse.
No dia 9 de março, comemora-se o nascimento de um dos arquitetos mexicanos mais importantes do mundo, pioneiro do Movimento Moderno no México e cuja obra transcendeu as fronteiras geográficas para ser estudada por diversas gerações de arquitetos e arquitetas, que reescreveram seus ensinamentos para torná-los próprios. Todos os anos, essa data representa o pretexto perfeito para repensar o legado de Barragán para a arquitetura não apenas do México, mas de todo o mundo, e vários têm sido os projetos que, com esse propósito, despertaram o interesse das novas gerações. No entanto, até alguns anos atrás, o registro da obra do arquiteto era pouco acessível, uma vez que mais de 50% dos projetos que ele construiu permaneciam no anonimato devido à falta de um arquivo unificado de sua obra.
Em países tropicais como o Brasil muito se valoriza as áreas externas nos projetos residenciais. Nas casas brasileiras os quintais são utilizados de diferentes maneiras e se configuram também de acordo com o projeto arquitetônico. Sendo grandes ou pequenos, ajardinados, com piscina, ou equipados com outras funcionalidades, quando possível as famílias brasileiras buscam aproveitar ao máximo suas áreas externas.
Após a interrupção da edição de 2019 devido à crise social no Chile, a Bienal de Arquitetura do Chile retornou a Santiago em janeiro de 2023 sob o tema “Hábitats Vulneráveis”, abordando questões como “o déficit habitacional agravado pelo recente aumento de favelas e ocupações informais e irregulares de terras” e “a vulnerabilidade e a deterioração do espaço público, além da fragilidade ambiental no contexto da crise climática”.
“Juntas somos mais fortes”, dizem os cartazes das massivas marchas latino-americanas no Dia Internacional da Mulher. Elas tecem redes em todas as suas esferas de atuação: suas famílias, comunidades e ambientes de trabalho. E o mundo da arquitetura não fica de fora. Entre as arquitetas, esses laços permitem que se mantenham conectadas — como demonstra o caso destas quase 30 redes de mulheres arquitetas na região que apresentamos a seguir.
O conceito de economia circular ganhou uma definição mais precisa em 1990 quando surgiu no artigo Economics of Natural Resources and the Environment(Economia dos Recursos Naturais e do Meio Ambiente), dos economistas e ambientalistas britânicos David W. Pearce e R. Kerry Turner. Na época, o principal intuito da pesquisa era demonstrar que a economia tradicional não incorporava a reciclagem. Desse modo, o meio ambiente assumia um papel secundário, tal qual um simples reservatório de resíduos. A economia circular ganharia forças, portanto, como uma oposição à economia linear, ou tradicional, em que a cadeia produtiva é regida sob o lema “extrair, produzir e descartar”. Um modelo profundamente enraizado na nossa economia, mas que tem se tornado insustentável por diversos motivos como o esgotamento dos recursos naturais, a contaminação do meio ambiente decorrente da produção e descarte, entre outros.
No dia 08 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher, uma data lembrada há anos como um símbolo da luta pelos seus direitos. No entanto, apesar da legislação de muitos países estabelecer direitos iguais para homens e mulheres, a desigualdade de gênero e todas as suas consequências ainda são sentidas diariamente por meninas e mulheres em diferentes partes do mundo. O sistema patriarcal, enraizado em muitas sociedades ao longo dos séculos, foi responsável por uma desigualdade de poder entre os gêneros que, nos casos mais extremos, reflete-se na violência e no feminicídio.
O Feminismo de Dados (Data Feminism), conforme conceituado por D’Ignazio & Klein (2020), introduz o feminismo interseccional na ciência de dados e nos convida a examinar as relações de poder e as dinâmicas de opressão incorporadas nas infraestruturas de dados que sustentam a sociedade atual.
Desde o fogo nas cavernas pré-históricas até a iluminação pública nas cidades inteligentes, a iluminação evoluiu constantemente junto com os avanços da tecnologia. No entanto, nos últimos anos, começou a mudar de forma ainda mais significativa em termos de seu design e funcionalidade devido à crescente conscientização sobre seu impacto no meio ambiente e na saúde das pessoas.