A luz natural é um dos elementos mais críticos na arquitetura. Embora imaterial e difícil de controlar, desempenha um papel crucial na definição de como o espaço é percebido em termos de escala, texturas, materialidade e atmosfera geral. A luz natural também afeta as emoções que as pessoas sentem em um espaço, seja por sua ausência ou abundância. Mas, assim como a luz impacta a arquitetura, a arquitetura também impacta a luz. Através do enquadramento de vistas, criando massas tridimensionais que lançam sombras marcantes, ou esculpindo vazios que criam projeções de luz únicas, alguns arquitetos dominaram técnicas de projeto que integram perfeitamente luz e volumetria — e talvez um dos melhores nisso tenha sido o arquiteto veneziano Carlo Scarpa.
Sempre que a luz incidir sobre uma superfície haverá sombra, não importa o quão insignificante seja seu foco. Os contornos reais dificilmente serão visíveis, mas outras formas virão à tona nesse jogo de claro e escuro. No caso de serem projetadas pela dança solar, soma-se às sombras uma dinâmica latente que pode ser usada para intensificar fenômenos do cotidiano, quebrando a monotonia do espaço. Aberturas ortogonais em um longo corredor ou tramados de peças vazadas em um pátio são exemplos de elementos construtivos que criam manchas de luz e sombra trazendo, além do deleite estético, conforto térmico aos seus usuários. Dessa forma, torna-se evidente que esses elementos intangíveis são partes essenciais em um ambiente tanto que, muito antes de Louis Kahn declarar o poder das sombras, eles já vinham sendo manipulados.
Não importa quão longa, distante ou revigorante seja uma viagem, um dos momentos mais relaxantes de qualquer período de férias é a volta para casa. Aquele instante em que cada músculo do corpo relaxa ao nos sentarmos em nossa própria poltrona, acolhidos pelo conforto de um lar que nem sabíamos que estávamos sentindo falta.
Com a ascensão do Airbnb e de outras plataformas de hospedagem semelhantes — que oferecem casas de verdade (ou pelo menos espaços cheios de personalidade decorados como tal) para viajantes em busca de um conforto mais familiar —, hoteleiros/as, designers e arquitetos/as estão atentos a essa tendência e implementando recursos que transformam o quarto de hotel em um segundo lar.
Figura 10. Proposta para a Avenida Sancho de Rivero com o canal contemporâneo. Imagem via Proyectos Espacio Público- PROLIMA
Como parte das 66 intervenções propostas no âmbito do Projeto Especial Paisagístico Rio Rímac (PEPRR), e desenvolvido pela equipe de Projetos de Espaço Público do PROLIMA (Programa para a Recuperação do Centro Histórico de Lima), o projeto do Passeio e Praça do Canal de Monserrate, no Centro Histórico da cidade de Lima, busca a recuperação integral do histórico bairro de Monserrate, além de valorizar o patrimônio arqueológico do canal, com o objetivo de integrar a memória da paisagem histórica e a identidade dos moradores e moradoras ao espaço público.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138650/passeio-e-largo-do-canal-de-monserrate-renaturalizacao-e-memoria-hidrica-em-um-bairro-tradicional-do-centro-de-limaLidia Espinoza, Varinia Prada y Susana López
A prática artística de Bosco Sodi inaugurou um novo espaço na Cidade do México que abriga seu novo ateliê e funciona, por sua vez, como uma extensão da Fundación Casa Wabi. Este espaço, chamado Sabino 336, foi apresentado pela primeira vez durante a Semana de Arte de 2023, em paralelo com a exposição "Alabanzas", de Sodi, na Galería Hilario Galguera. A exibição, com curadoria de Dakin Hart, apresentou obras da coleção do artista.
A luz é parte constitutiva de diversas disciplinas, dá forma para o mundo como se conhece. Na física, serve como medida de velocidade, explica a visão, o registro de imagens pelo olho, pela lente da câmera. Ao longo da história da arte, a representação da luz – ou ausência dela – pautou movimentos seculares em manifestações diversas com técnicas e suportes igualmente diferentes. O que significa dizer que a luz – e sua derivada, a sombra – são capazes de criar ambientes, atmosferas e sensações diversas, e que podem ser percebidas sobre os objetos e espaços. Dessa forma, a luz é constitutiva também da arquitetura.
Sir David Chipperfield recebeu o Prêmio Pritzker 2023, a mais alta distinção no campo da arquitetura. Conhecido por sua resposta bem trabalhada, precisa e sensível a ambientes complexos, o arquiteto tornou-se reconhecido pela habilidade na restauração e reforma de edifícios, sobretudo instituições culturais, antes de expandir o leque de projetos para incluir novas estruturas. Enquanto as obras já construídas demonstram muitos dos princípios fundamentais da boa arquitetura, os projetos em andamento revelam uma narrativa igualmente relevante: seguir em frente na evolução de sua abordagem a esses princípios.
Muitos dos projetos em andamento mantêm o interesse de Chipperfield em instituições museológicas e culturais, mas ele continua trabalhando com vários tipos de construção. Seu último grande projeto aborda uma das instituições mais notáveis da Grécia, o Museu Arqueológico Nacional. Isso representa mais uma oportunidade para o arquiteto apresentar os museus como instituições que proporcionam uma transformação na vida das cidades onde estão localizados, ao mesmo tempo em que evidenciam as camadas históricas que definem sua arquitetura. Outros projetos, como a Santa Giulia Arena em Milão ou a Elbtower em Hamburgo, ampliam o leque de programas e tipologias abordadas por Chipperfield.
Quando as ruas estão vazias, as calçadas intocadas e as cortinas fechadas, a cidade parece sem vida. Quando as empresas fecham, os escritórios se tornam remotos e a atividade econômica diminui, os mecanismos que operam uma cidade ficam ociosos. Espaços e terrenos vagos são muitas vezes percebidos como “fracassados”, refletindo o declínio urbano e a deterioração econômica. O vazio, no entanto, mantém a esperança de possibilidades e mudanças. Quando os vazios urbanos estão à beira da transformação, o que acontece nesse meio tempo?
Masieri Memorial, Frank Lloyd Wright, 1952. Imagem de domínio público
A história da arquitetura está repleta de marcantes hipóteses nunca concretizadas, tenha sido pela inexequibilidade, radicalidade conceitual e/ou outros critérios específicos. Ainda que fruto das mais prestigiadas mentes do campo, tais ideias não transpuseram as inevitáveis imposições da realidade material, e tampouco puderam sofrer adaptações que as viabilizasse, mesmo que parcialmente. No entanto, a importância desses projetos ultrapassa o tangível. Para além de enriquecer o acervo intelectual da profissão, as propostas outrora naufragadas foram e ainda são insumo para reflexões e fonte de criação para diversas abordagens artísticas.
https://www.archdaily.com.br/pt/997712/como-uma-historia-em-quadrinhos-trouxe-a-vida-uma-obra-nao-construida-de-frank-lloyd-wrightJoão G. Santos
David Chipperfield, vencedor do Prêmio Pritzker em 2023, projetou mais de uma dúzia de museus ao longo de sua carreira, com alguns ainda a serem concluídos. Como uma tipologia de grande impacto urbano e social, Chipperfield e sua equipe aproveitaram com habilidade cada comissão para transformar bairros e cidades, respeitando a essência do local e de suas pré-existências. Seus museus fazem declarações poderosas sem serem invasivas, e isso se reflete na escolha de materiais e soluções construtivas usadas.
Como um minimalismo de grandes dimensões, Chipperfield oferece aos materiais espaço para se desenvolverem e serem compreendidos. Em suas galerias e museus, os materiais parecem expostos, limpos e destacados através do contraste. Eles dão caráter ao espaço enquanto destacam a arte em exibição, gerando atmosferas adequadas para sua apreciação. A regularidade, a continuidade e a repetição ajudam a moldar esse fundo, enquanto a luz filtrada termina a construção da cena certa.
Refletir sobre a moradia contemporânea pode ser um dos temas mais instigantes e relevantes do nosso tempo. Em um mundo que muda a um ritmo vertiginoso, no qual as tecnologias avançam a passos largos, a população cresce e os recursos se tornam escassos, é vital refletir sobre como habitamos e como podemos fazer isso melhor.
Para calcular a quantidade de CO2 emitida por cada país do mundo, o método usado considera as emissões de cada setor da economia das diferentes nações, usando uma abordagem “de baixo para cima” em que as informações partem de dados levantados nos diferentes territórios do mundo. Mas, uma nova abordagem para responder esta pergunta usa dados de satélite da NASA.
O cloreto de sódio, popularmente conhecido como "sal", está onipresente em nossas vidas. Com usos ancestrais e abundante na natureza, ele preserva ecossistemas, degela estradas, desempenha um papel crucial em processos industriais e tempera nossas refeições diárias. Embora já tenha sido tão valioso quanto o ouro, hoje seu valor é frequentemente subestimado, uma vez que não desperta o mesmo interesse científico por suas propriedades físicas, mecânicas ou estéticas quanto outras alternativas de origem natural, como as algas ou o micélio. No entanto, trata-se de um material extraordinário e com potencial ilimitado. Além de ser vital para a sobrevivência humana, o sal é acessível, abundante, antibacteriano, resistente ao fogo, à umidade e ao calor, além de apresentar excelentes propriedades de reflexão e difusão de luz.
Desde 1998, a Bienal de Arquitetura de Veneza tem se baseado em três pilares: os pavilhões nacionais (cada nação escolhe seus próprios curadores e projetos), a exposição internacional (organizada pelo curador da Bienal) e os eventos paralelos (aprovados pelo curador).
Na edição de 2023, a exposição internacional de arquitetura, que tem curadoria de Lesley Lokko, é estruturada em seis partes e conta com 89 participantes. Destes, mais da metade são da África ou da diáspora africana, com equilíbrio de gênero e uma média de idade de 43 anos para os participantes.
Tubulações aparentes em destaque não são uma novidade no campo da arquitetura. Clássicos como o Centro Pompidou e o Sesc Pompeia já adotavam elementos da infraestrutura como objetos que ajudavam a compor a estética do edifício. Soluções que tiveram como inspiração a arquitetura industrial dos anos 50. A qual, na necessidade de remodelar galpões industriais para outros usos, tornou suas instalações aparentes para viabilizar a obra a custos mais baratos e execuções menos complexas. Passadas algumas décadas, hoje encontramos este partido também em outras escalas.
Se a economia circular está cada vez mais presente nos debates de arquitetura e planejamento urbano, é por uma razão: a população mundial que vive nas cidades crescerá para 68% até 2050. O desafio ambiental será significativo à medida que a demanda por recursos naturais, tais como materiais ou energia, aumentar, e parece que a circularidade oferece algumas oportunidades para reduzir este impacto.
Como podemos avançar em direção a um modelo mais sustentável em nossas cidades? Colocamos esta pergunta a nossos leitores e depois de analisar uma enorme quantidade de comentários e opiniões, tanto de profissionais da construção, estudantes e interessados em arquitetura, foi uma surpresa encontrar coincidências e visões sobre políticas e programas que incentivam o consumo responsável e a colaboração entre diferentes setores.
A seguir, conheça os pontos de vista mais recorrentes.
Você pode imaginar poder prototipar uma peça de mobiliário com o toque de um botão e testá-la em apenas algumas horas? Isso pode se tornar uma prática comum mais cedo do que podemos pensar. Alimentado pela inovação material, automação e tecnologia de ponta, uma nova era está surgindo; onde a impressão 3D abre um mundo de possibilidades criativas que transcendem os limites do design tradicional. Sim, móveis ainda são produzidos em massa usando os métodos convencionais - moldagem, corte, dobras -, mas a impressão 3D continua a romper com os aspectos tradicionais da indústria. À medida que a tecnologia revolucionária evolui e se torna mais acessível, isso desencadeou um nível incomparável de expressão e eficiência criativas. O conceito é simples: um design digital é criado usando o software de modelagem 3D e, em seguida, impresso, camada por camada, na forma de um objeto físico, dando vida a geometrias complexas. É um tipo totalmente novo de artesania digital.
O ensino de arquitetura sempre foi fundamentalmente influenciado pelos estilos populares de cada época, mas essa relação também flui na direção oposta. Afinal, todos os estilos precisam surgir em algum lugar, e escolas revolucionárias ao longo dos séculos funcionaram como influenciadoras e geradoras de seus próprios movimentos arquitetônicos. Essas escolas, progressistas em seus tempos, costumam ser fundadas por mentes experimentais descontentes, em busca de algo que não era oferecido anteriormente nem na produção nem no ensino da arquitetura. Em vez disso, trilham seu próprio caminho e levam seus estudantes consigo. À medida que esses/as estudantes se formam e seguem para a prática profissional ou se tornam docentes, a influência da escola se propaga e um novo movimento nasce.
O Museu Jumex apresenta a mostra "O design de Cartier: um legado vivo", uma exposição que percorre a história da Maison por meio de uma seleção de suas joias mais icônicas, em cartaz até 14 de maio de 2023. Com mais de 160 peças da lendária Coleção Cartier, além de coleções particulares e documentos de arquivo, a exibição convida o público a mergulhar na evolução do estilo Cartier, na linguagem característica da Maison, em seu design e savoir-faire. A curadoria ficou a cargo de Ana Elena Mallet, enquanto a museografia foi realizada pela arquiteta mexicana Frida Escobedo. O espaço analisa o design de Cartier, assim como seu artesanato, apresentando uma visão contemporânea sem perder de vista seu rico e complexo passado.
O modernismo no Brasil foi moldado por diversas faces e concepções ligadas ao progresso e, no âmbito da arquitetura, uma das linguagens estéticas utilizadas para tal foram os painéis compostos por azulejos, como em obras dos artistas Athos Bulcão, Cândido Portinari e Burle Marx.
Na região norte, mais precisamente no Estado do Pará, o movimento moderno chega com adaptações aos padrões locais, com o uso amplo de platibandas encobrindo os telhados, jardins utilizando plantas regionais, esquadrias em madeira, fachadas em lajotas cerâmicas, entre outros. Além disso, engenheiros e arquitetos da época, como Ruy Meira e seu sobrinho Alcyr Meira, foram responsáveis pela composição de diversos murais na região, utilizando azulejos inteiros e em cacos.
Como parte de um projeto de pesquisa do Gensler Research Institute (Instituto de Pesquisa da Gensler), realizou-se a primeira Pesquisa da Gensler sobre Espaços de Trabalho no México no final de 2022. O objetivo do estudo consistiu em destacar o papel fundamental que o escritório desempenha ao facilitar um espaço para reuniões presenciais com colegas de equipe e clientes. Os resultados apresentados a seguir revelam algumas lacunas nos ambientes de trabalho corporativos. Além disso, promovem uma melhor compreensão sobre as características que os tornam eficientes, adequados e atraentes para repensar o design de experiências para as pessoas usuárias. Isso representa uma grande oportunidade para aprimorar tanto o trabalho individual quanto o coletivo.
Dubai, Emirados Árabes Unidos. Foto de Truman Adrian Lobato De Faria, via Unsplash
“Uma cidade construída para a velocidade é uma cidade construída para o sucesso.” Esta frase, atribuída a Le Corbusier, um dos mais influentes urbanistas do século XX, condensa um dos mais importantes processos sociais vividos naquele período.
Fundada em Xangai em 2018, a marca de design XISUI é atualmente uma equipe boutique de pequeno porte. Incentivamos cada membro do grupo a expressar seu valor máximo e a desfrutar de um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal. Acumulamos uma vasta experiência prática baseada em design digital e tecnologias de construção, incentivando ações práticas que transformam inovação e imaginação disruptivas em realidade. No caminho da integração da tecnologia digital nas áreas de projeto e construção, nossas obras concluídas concentram-se principalmente em design de interiores, arte de instalação, espaços infantis e estruturas paisagísticas, oferecendo serviços de design conceitual, planejamento estratégico e orientação executiva de construção. O local de trabalho fica no distrito de Jing'an, em Xangai, próximo ao Parque de Esculturas de Jing'an, com fácil acesso a pé pelas linhas de metrô 13, 1 e 2. Convidamos profissionais dedicados/as, pragmáticos/as e que desejam transformar o futuro a se juntarem a nós e crescerem juntos.
Orientados pela filosofia de design de “vanguarda, alegria e criatividade”, utilizamos tecnologias avançadas de design e construção digital para criar espaços imaginativos e cenários narrativos ainda mais ricos. Nossos projetos buscam meios de expressão expressivos que se posicionam na fronteira de nosso tempo, complementados por uma busca contínua pela essência interior, permitindo que usuários de diferentes idades, famílias e origens culturais sintam a emoção sincera, a cultura local e o cuidado genuíno com a vida por trás de cada projeto.
“Como dar à sua casa uma atmosfera Dark Academia”, diz o título de um vídeo popular no YouTube voltado para quem se fascina pela estética associada às artes e às ciências humanas. Subcultura nascida na era das redes sociais, o *Dark Academia* é uma das muitas estéticas da internet que ganharam força na última década. Plataformas visuais como Tumblr, Instagram, Pinterest e TikTok amplificaram essas estéticas virtuais, especialmente durante a pandemia de COVID-19. As redes sociais permitem que o público apoie e crie suas próprias tendências, que rapidamente ganham enorme alcance. Hoje, a criação de tendências estéticas está nas mãos do público geral e ditará o desenvolvimento do design de interiores.