
Considerada uma obra cult, “O Corvo” é um filme emblemático, cujos elementos serviram de inspiração e têm sido adotados por vários cineastas. Marcado pela tragédia real de sua protagonista, cada aspecto emana melancolia, desespero e uma sensação agoniante das sombras em uma cidade onde o sol nunca aparece.
A estética do filme, está marcada dentro de uma época de mudança social onde os temores da sociedade já não vem dos agentes externos como a guerra ou um desastre nuclear, mas sim da própria natureza humana e sua degradação dentro das grandes cidades. Aqui a distopia aparece através da autodestruição dos modelos e das instituições estabelecidas. Prevalece a delinquência sobre a justiça, o abuso das drogas sobre um emprego honesto e o modelo familiar enfraquece, diante de pessoas que procuram, de maneira egoísta, a satisfação dos seus prazeres antes de se preocuparem com o paradeiro dos seus filhos.
Retrata a voz e a estética de uma geração que deseja a mudança, decepcionada com os modelos atuais, incompreendida e cheia de raiva. Geração que encontrou alívio no movimento pós-punk e gótico, cujos porta-vozes foram bandas musicais como Joy Division, The Cure e Big Black, das quais recorreram grande parte da sua indumentária e discurso ideológico.













