
Este artigo foi publicado originalmente em 28 de março de 2015. Para ler as histórias por trás de outros projetos de arquitetura célebres, visite nossa seção Clássicos da Arquitetura.
A Fábrica Fagus é uma das primeiras obras construídas da arquitetura moderna e o primeiro projeto de Walter Gropius. A encomenda ofereceu a Gropius a oportunidade de colocar em prática suas ideias revolucionárias, e o impressionante volume retilíneo, com sua fachada majoritariamente envidraçada, guiaria os rumos do Modernismo ao longo das décadas seguintes.
Antes de trabalhar na Fábrica Fagus, Gropius colaborou com Peter Behrens, o arquiteto responsável pelo projeto do edifício de turbinas da AEG. Embora ambos tivessem grande interesse em arquitetura industrial, suas filosofias de projeto divergiam. Enquanto Behrens introduziu um senso de nobreza à arquitetura industrial com o edifício da AEG, Gropius criticou o projeto por considerar que lhe faltava autenticidade, uma vez que o desenho exterior mascarava seus elementos construtivos. Em vez disso, Gropius defendia que o desenho exterior deveria revelar a lógica construtiva do edifício. Tornar-se-ia sua missão encontrar soluções artísticas para a construção de edifícios industriais em diversos contextos.
Gropius expressou formalmente seus ideais de projeto durante uma palestra no Museu Folkwang em abril de 1911. Em sua conferência, intitulada “Arte Monumental e Construção Industrial”, ele explicou que estações de trem, lojas de departamentos e fábricas já não deviam ser construídas como as das décadas anteriores, precisando evoluir para se adaptar às dinâmicas sociais e culturais em constante mudança. Gropius enfatizou o aspecto social do projeto arquitetônico, sugerindo que a melhoria das condições de trabalho — por meio de maior iluminação natural, ar fresco e higiene — levaria a uma maior satisfação da força de trabalho e, consequentemente, aumentaria a produção global. Essas foram as teorias que guiaram seu projeto para a Fábrica Fagus.
Pouco depois de sua palestra, Gropius reuniu-se com Carl Benscheidt, o proprietário da Fábrica Fagus. Localizada em Alfeld, na Alemanha, a fábrica de Benscheidt, que produzia fôrmas de madeira para a fabricação de botas, estava em meio a um ambicioso projeto de expansão. O arquiteto industrial Eduard Werner já vinha desenhando uma série de edifícios, reformas e ampliações para o complexo. Gropius explicou a Benscheidt que o projeto de Werner não daria à fábrica a imagem progressista que o empresário desejava. Após convencer Benscheidt sobre o valor de sua abordagem e de que a fábrica deveria ser concebida como um projeto artístico, ele foi contratado em maio de 1911 para colaborar no projeto. Como o planejamento já estava em andamento, Gropius e seu colaborador, Adolf Meyer, mantiveram as plantas baixas de Werner e concentraram-se no desenho exterior e interior do complexo.

A Fábrica Fagus é um complexo composto por vários edifícios que abrigam diferentes funções, como fabricação, armazenamento e escritórios. Gropius considerava importante conceber uma estética externa que pudesse ser aplicada a todas essas estruturas. O uso do tijolo — mais especificamente, um embasamento de tijolo escuro com 40 centímetros de altura que sobressai 4 centímetros da fachada — se repete por todo o complexo. O aspecto arquitetonicamente mais significativo da contribuição de Gropius para o projeto é o edifício de escritórios. Ao contrário das demais estruturas, este edifício de três pavimentos e cobertura plana apresenta uma fachada composta por mais vidro do que tijolo. Em vez de utilizar as tradicionais paredes externas estruturais, Gropius tomou a decisão ousada e inovadora de posicionar pilares de concreto armado no interior do edifício para liberar a fachada. Uma série de pilares de tijolo sustenta caixilhos de ferro que dão suporte aos painéis de vidro. Painéis metálicos foram instalados nesses caixilhos para ocultar as lajes de piso. O recurso mais inovador do edifício são os cantos externos totalmente envidraçados, livres de elementos estruturais. O desenho exterior do edifício de escritórios demonstrou com eficácia a ambição de Gropius de melhorar as condições internas enquanto expunha as técnicas construtivas contemporâneas como uma imagem arquitetônica.


A Fábrica Fagus teve sua arquitetura concluída em 1911, embora os interiores só tenham sido finalizados em 1925. O complexo foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO em 2011 por sua influência pioneira no desenvolvimento da arquitetura moderna. Elementos de projeto da fábrica, tais como suas formas geométricas simples, o uso generoso de superfícies envidraçadas e a sensação de leveza, tornaram-se inseparáveis do vocabulário do Modernismo e continuam sendo princípios recorrentes na construção contemporânea.
Após seu trabalho na Fábrica Fagus, Walter Gropius continuou a projetar edifícios industriais de vanguarda e, em 1919, fundou a Bauhaus. O Edifício da Bauhaus foi projetado pelo próprio Gropius e continua sendo sua obra arquitetônica mais conhecida. Graças à sua prolífica carreira dedicada ao Movimento Moderno, Walter Gropius é considerado um dos pioneiros mais importantes do Modernismo.
Referência: Lupfer, G., e Sigel, P. Gropius (Colônia: Taschen, 2005).
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Arquitetos: Adolf Meyer, Walter Gropius
- Ano: 1925
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Fotografias:Flickr user martin


















