
O monumento ao Holocausto Levenslicht (Luz da Vida), composto por 104.000 pedras luminescentes e concebido pelo/a artista holandês/esa Daan Roosegaarde, foi o vencedor na categoria Spatial Media Art, a maior do Media Architecture Awards. A premiação contempla cinco categorias que reconhecem os melhores projetos de integração de displays, instalações interativas e outras mídias em estruturas arquitetônicas, como fachadas e telas urbanas.
Os cinco projetos vencedores demonstram claramente a diversidade da arquitetura de mídia. Essa disciplina relativamente recente combina arquitetura, planejamento urbano, mídias digitais, design e arte. Entre as propostas premiadas estão iniciativas tão diversas quanto um monumento interativo ao Holocausto; o design de um tijolo inovador que funciona como lente, presente em The Digital Bricks na categoria Animated Architecture; ou painéis solares que funcionam como a tela do Novartis Pavillon, o melhor Future Prototype.
O destaque na nova categoria More Than Human foi Touching Night Skies 50°06'44"N 8°40'36"E, uma instalação totalmente analógica que reconecta as populações urbanas com o céu noturno. O protesto cinematográfico de rua SP_Urban Arte Conecta, com projeções em edifícios de quatro cidades brasileiras, foi o vencedor na categoria Participatory Architecture And Infrastructures. Já a categoria Branding Architecture foi declarada deserta nesta edição, pois apenas quatro projetos foram submetidos à avaliação.
O MAA2020 faz parte da Media Architecture Biennale, realizada na semana passada em Amsterdã. Em uma cerimônia de premiação online em 2 de julho, os prêmios foram entregues aos melhores projetos de integração de displays, instalações interativas e outras mídias em estruturas arquitetônicas, como fachadas e telas urbanas. A cerimônia foi transmitida ao vivo e pode ser assistida aqui.
AS CINCO CATEGORIAS
Spatial Media Art
A categoria com maior número de inscritos é a Spatial Media Art, que reúne projetos produzidos em contexto artístico na interseção entre arquitetura e arte de mídia, com instalações que apresentam uma forma inovadora de interação espacial e/ou percepção do espaço.
Artista do projeto: Studio Roosegaarde
Uma instalação de 104 mil pedras luminescentes, distribuídas por 170 municípios na Holanda, em memória das vítimas holandesas do Holocausto. Utilizando luz ultravioleta invisível, as pedras especialmente desenvolvidas com pigmentos fluorescentes acendem a cada poucos segundos, como um sopro de luz. Dessa forma, o Levenslicht não é apenas uma lembrança de histórias emocionantes, mas também um ativador para enfatizar a importância da liberdade no futuro.
“Um tema denso — a memória das vítimas holandesas do Holocausto — torna-se literalmente visível no número incontável de pedras correspondentes. A mente criativa de Roosegaarde concebeu uma paisagem inovadora para o futuro ao contar histórias sem palavras, mas emocionalmente carregadas. Desse modo, uma tragédia de mais de 70 anos atrás torna-se palpável para as gerações mais jovens”, explica o integrante do júri Frank Suurenbroek, professor de Transformação Urbana Espacial na Universidade de Amsterdã.
More-Than-Human
Uma nova categoria introduzida nesta edição é a More Than Human. Ela destaca projetos que exploram a relação entre humanos e não humanos na cidade, contribuindo para futuros urbanos ecologicamente sustentáveis.
Touching Night Skies 50°06'44"N 8°40'36"E
Artista do projeto: Tobias Ziegler – TBSZGLR

O projeto vencedor consiste em uma instalação totalmente negra na praça mais movimentada do centro de Frankfurt (uma das cidades com maior poluição luminosa da Alemanha) que revela apenas o céu noturno. Ao entrar nessa "folly" escura, o/a visitante é cercado/a por paredes pretas e, portanto, invisíveis, restando apenas a visão do céu noturno.
“O conceito simples é poderoso ao criar escuridão dentro da cidade, levantando questões sobre a relação dos seres humanos com o céu noturno, nossa dependência da tecnologia e o impacto da sociedade nos ambientes que criamos e habitamos”, explica a integrante do júri Glenda Caldwell, docente sênior de Arquitetura na QUT, Austrália.
Animated Architecture
Projetos que demonstram designs criativos de fachadas de mídia que ampliam ou alteram a percepção de um edifício ou espaço público ao adicionar camadas de significado e experiências.
Artista do projeto: Science Gallery Melbourne, Arup
Arquitetura: Woods Bagot
Uma instalação de 226 tijolos de vidro polidos e iluminados que se integram à estrutura de tijolos de argila do pavimento térreo de um edifício. Cada tijolo de vidro fica posicionado à frente de uma pequena tela de LED de alto brilho e alta resolução. São exibidas imagens históricas das transições graduais do conhecimento pré-colonial para a colonização ocidental e ocupação das "terras tradicionais" na Austrália.
“Esta experiência de mídia não é apenas um grande desafio técnico, mas também é *site-specific* ao oferecer uma janela poética para o passado”, explica Ava Fatah gen. Schieck, integrante do júri e docente associada na Bartlett School of Architecture, University College London.
Future Trends & Prototypes
Projetos que lançam luz sobre como pode ser o futuro da arquitetura de mídia, tanto por meio de protótipos funcionais quanto de projetos conceituais e especulativos
Artista do projeto: iart
Arquitetura: Novartis Pharma AG, AMDL CIRCLE & Blaser Architekten

Uma fachada de edifício composta por células translúcidas equipadas com painéis solares orgânicos e elementos de LED. Ela exibe mensagens iluminadas e conteúdos visuais, além de gerar sua própria eletricidade. O sistema consiste em uma rede de células translúcidas dotadas de painéis solares orgânicos e elementos de LED.
“Neste projeto, duas tecnologias existentes — luzes de LED e painéis solares — são combinadas de maneira totalmente inovadora, introduzindo, assim, uma nova tecnologia. É isso que o torna um protótipo tão bom”, afirma Filippo Lodi, integrante do júri e profissional que atua na diretoria associada e na equipe de arquitetura sênior do escritório de arquitetura UNStudio em Amsterdã, Holanda.
Participatory Architecture And Infrastructures
Projetos que visam impactar a vida social e política na cidade e capacitar a população para que se torne participante ativa em suas comunidades.
Artista do projeto: colaborativo
Iniciativa: Marília Pasculli

Projeções ativistas organizadas nas fachadas de edifícios em nove locais de quatro cidades brasileiras, utilizando projetores sincronizados posicionados em janelas de apartamentos de artistas e colaboradores/as. Um número significativo de obras visuais expressou mensagens contra a violação dos direitos civis e o abuso do poder público.
“Artistas reivindicaram o direito à saúde pública, à liberdade de expressão e reforçaram práticas sociais e sanitárias diante da desinformação desenfreada. Paralelamente, criaram novas formas de conectar as pessoas de maneira segura e significativa, respeitando as políticas de isolamento social”, explica o/a integrante do júri Dave Colangelo, que também realiza trabalhos artísticos e integra a fundação do Public Visualization Studio.
Este artigo foi escrito por Jeroen Junte. A tradução é gerada por IA.