
“O centro da arquitetura está se deslocando e não pode se sustentar”, escreve a editora convidada Bryony Roberts na edição Log 48: Expanding Modes of Practice. Este momento de transição, em que questões de desigualdade e interseccionalidade vêm à tona, representa “um convite para pensar de forma diferente, uma chance de refazer as perguntas que assombraram o século XX”. Com esse objetivo, Roberts realizou uma série de entrevistas com arquitetos/as experimentais que exploram novas formas de prática profissional, incluindo esta conversa com Mabel O. Wilson.
Mabel O. Wilson é uma pesquisadora e designer que se tornou uma voz proeminente nos debates sobre espaço, política e memória na América negra. Ela é professora titular Nancy e George Rupp de Arquitetura na Universidade Columbia, além de professora de Estudos Afro-Americanos e da Diáspora Africana e diretora associada do Instituto de Pesquisa em Estudos Afro-Americanos. Entre seus livros estão Begin with the Past: Building the National Museum of African American History e Culture and Negro Building: Black Americans in the World of Fairs and Museums. Sua prática interdisciplinar Studio & faz parte da equipe de arquitetura que projetou o Memorial aos Trabalhadores Escravizados Afro-Americanos na Universidade da Virgínia. Ela também é membro fundadora do Who Builds Your Architecture? (WBYA), um coletivo que defende práticas trabalhistas justas em canteiros de obras em todo o mundo. Conversamos em um café ao ar livre perto de Columbia em um dos últimos dias quentes do outono de 2019.
Bryony Roberts: O catálogo da exposição de Torkwase Dyson, “1919: Black Water”, inaugurada na Arthur Ross Architecture Gallery de Columbia em setembro, traz uma excelente conversa entre você e a artista. Você falou sobre a importância de descolonizar as ferramentas de criação e listou algumas delas como “o livro, o argumento, o ensaio e o memorial”. Isso ocorreu após uma conversa mais longa sobre a descolonização da forma. Você poderia falar mais sobre como aborda a descolonização dessas ferramentas em sua própria prática, como alguém que produz livros, formas e argumentos?







