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BL Arquitectos junto com a Arquitectónica participaram do concurso Puerta Las Condes, organizado pela incorporadora INDESA no Chile. O edital do concurso exigia o desenvolvimento de um programa de uso misto com grande quantidade de espaço público e alta densidade urbana na interseção da avenida Apoquindo com a Manquehue (Santiago, Chile).
O poema de Neruda, “Las piedras del cielo”, capturou a beleza e as emoções do Chile. Sua poesia se tornou uma fonte de inspiração e o fio condutor deste projeto, cuja intenção foi criar um sentido de lugar único. O projeto consiste em duas torres, localizadas em alinhamento com as duas ruas ortogonais deste terreno triangular, em um esforço para racionalizar a funcionalidade e reconhecer a malha urbana dominante. Cada prisma retangular é erodido em suas extremidades com cantos suavizados. Os raios de curvatura mudam gradualmente de nível para nível, criando a imagem monumental de pedras de rio. São torres suaves e orgânicas que contrastam com os edifícios altos do entorno rigidamente geométrico, tornando-as únicas no skyline de Santiago. A torre de escritórios configura-se como um volume suspenso em seu lado mais curto, desafiando a gravidade ao flutuar sobre sua base comercial (retail). A torre residencial segue a mesma linguagem orgânica. No entanto, é composta por "duas pedras de rio", uma sobre a outra, abrigando em seu centro jardins para que as pessoas residentes possam se retirar para observar a vista das montanhas acima do movimento urbano.
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Sob as duas torres, uma topografia orgânica de planícies cria plataformas de pedestres, resultando em três níveis de restaurantes, lojas e serviços. Ao se elevarem, essas plataformas se transformam em terraços gastronômicos com amplas pontes que conectam os volumes. Essa configuração também permite a máxima porosidade através da quadra, criando uma série de caminhos que cruzam o quarteirão para conectar os dois bairros que se encontram nessa interseção. A conectividade foi a premissa do projeto, e o fluxo de pedestres irá alimentar as frentes das lojas ao longo dessas circulações. Os subsolos e acessos nos níveis subterrâneos foram localizados de modo a tirar partido das saídas do metrô.

Níveis -9 a -3: estacionamentos e instalações técnicas.
Nível -2: Pavimento articulador, onde se localizam as conexões entre as três rampas principais e a speed ramp central. Além disso, foram posicionadas as docas de descarga, depósitos residenciais e de escritórios, e os bicicletários.
Nível -1: Devido ao seu caráter de integração com o metrô, este pavimento abrigará um comércio (retail) de passagem e conveniência. O formato das lojas é compacto, existindo a possibilidade de desenvolver um programa de quiosques. A partir deste nível, sobe-se para o primeiro pavimento por meio de escadas rolantes e elevadores panorâmicos. A diagonal que une a saída do metrô às circulações verticais potencializa a criação de uma maior frente comercial.
Nível 1: "A Praça". Este pavimento, o mais importante do projeto, organiza-se a partir de um eixo em "X" de circulações que convergem na praça central, o que permite maximizar a frente das lojas e, ao mesmo tempo, gerar a atmosfera interna necessária para construir o sentido de lugar. O perímetro deste nível dialoga com as ruas circundantes, mas também reativa uma área antes negligenciada, gerando oportunidades para opções de gastronomia voltadas para a rua Alonso de Córdova e de serviços em direção à Apoquindo.

Nível 2: Neste pavimento, propõe-se a criação de um destino gourmet, com quatro espaços para restaurantes e/ou bares de médio e alto padrão. O espaço principal, sob a torre residencial, é destinado a um mercado de alimentos frescos (fresh food market, como o Eataly). O terceiro componente é um amplo espaço localizado sob a torre de escritórios, onde serão oferecidos produtos gastronômicos, aulas de culinária e uma cafeteria/deli gourmet.
Nível 3: Este nível de destino abriga um spa e uma academia, que se relacionam ao ocupar as lajes sobre as duas “ilhas” comerciais dos pavimentos inferiores. Essa estratégia permite ampliar a área de telhados verdes e facilitar sua manutenção.
Nível 4: Neste pavimento iniciam-se os programas das torres residencial e de escritórios, que preveem um espaço livre (vazio) entre elas e o embasamento comercial.
Nível 14: Neste andar, aproveitando o espaço livre entre as duas "pedras", localizam-se uma academia, um terraço com piscina e jacuzzi e, voltados para o sul, um salão de festas, uma sala de jantar privativa e uma grande área de lazer com churrasqueira (BBQ).

A sustentabilidade é buscada nas fachadas através do sombreamento dos vidros da pele dupla do edifício de escritórios com brises-soleils que maximizam a entrada de luz natural utilizando prateleiras de luz. A profundidade dos brises permite que os painéis verticais de vidro se sobreponham e acompanhem a curva sem a necessidade de recorrer a vidros com geometrias complexas. Os guarda-corpos perimetrais dos terraços residenciais proporcionam sombreamento e, ao mesmo tempo, minimizam a penetração da água da chuva, além de incentivar o uso do espaço externo. As coberturas do embasamento comercial são propostas como telhados verdes, que proporcionam isolamento térmico e evitam o reflexo solar nas fachadas das torres.

A proposta considera um sistema de envoltória passiva que responde às singularidades de cada orientação segundo seus parâmetros de insolação, entrada de luz natural, riscos de sobre-radiação e condições de obstrução do entorno. No edifício de escritórios, como estratégia passiva, o desenho propõe dois profundos brises horizontais por nível para minimizar o ofuscamento e a penetração da radiação solar em seu interior. Evitar o ofuscamento nos espaços de escritório, minimizando o uso de persianas ou cortinas, contribui para o conforto e a qualidade dos ambientes internos. Nas fachadas leste e oeste, prevê-se um sistema de “dotting” (pontilhismo) para controle solar adicional sobre a envoltória térmica principal do edifício, aumentando sua densidade de obstrução solar nos pavimentos superiores, onde a exposição ao sol é maior. Serão utilizados vidros duplos (DVH) com coating de baixa emissividade (low-E) e tripla camada de prata.

Para o edifício residencial, como estratégia passiva, o desenho propõe terraços profundos que funcionam como amortecedores (buffers) térmicos. Há também a possibilidade de incorporar brises verticais para controlar a radiação nas fachadas leste e oeste. As divisórias internas do edifício de escritórios maximizam o uso de painéis de vidro transparentes, melhorando a distribuição da luz natural e o acesso à vista externa a partir das áreas de uso. O tratamento paisagístico da praça externa e das coberturas dos edifícios (acessíveis) integra vegetação e materiais que reduzem o efeito de ilha de calor urbana. Os critérios de projeto integrado de sistemas passivos e ativos, aliados a sistemas de última geração e à máxima eficiência na geração e distribuição de condições de qualidade ambiental, conforto térmico e saúde das pessoas, configuram-se como as diretrizes de projeto para assegurar a certificação LEED Platinum para o edifício.
Architects
Localização
Av. Apoquindo 6060, Las Condes, Región Metropolitana, ChileAno do projeto
2017Fotografias
Courtesy of INDESA











