
DLA Arquitectos, em parceria com a Kohn Pedersen Fox Associates (KPF), participou do concurso Puerta Las Condes, organizado pela incorporadora INDESA. O edital do concurso exigia o desenvolvimento de um programa de uso misto com uma grande quantidade de espaço público e alta densidade urbana na interseção da Avenida Apoquindo com a Manquehue (Santiago, Chile).
O projeto tem como objetivo se tornar um centro urbano de uso misto e uma nova estação de integração intermodal de transporte urbano, onde a estação de metrô Manquehue se estende e se funde com a trama urbana, resultando em um espaço intermediário entre o ponto de partida e o de destino. Essa proposta é complementada por duas torres residenciais e um edifício de escritórios que intensificam e proporcionam um uso contínuo ao local. O projeto acolhe uma instância vital, um momento de transição e pausa entre o lar e o local de trabalho, oferecendo um espaço de conforto e de grande qualidade espacial, diante da Cordilheira dos Andes.

Formalmente, propõe-se que os edifícios desarticulem a continuidade no nível de pedestres das edificações dispostas ao longo das avenidas Apoquindo e Manquehue, assim como fizeram em sua época as Torres de Tajamar, de modo a diferenciar e destacar sua presença, assumindo o papel de um marco que caracterize o local. Os edifícios estão orientados em direção ao leste, em um gesto de abertura e projeção para o entorno natural oferecido pela Cordilheira dos Andes.
O edifício de escritórios localiza-se na sequência do volume corporativo implantado na Avenida Apoquindo, 5950, com acesso pela esquina da Av. Apoquindo com a O’Connell, integrando uma futura zona de escritórios. Devido à sua altura e forma, o edifício assume um papel de protagonismo, transformando a atual esquina do “Apumanque” na esquina “Puerta Las Condes”. O edifício corporativo foi proposto com 23 pavimentos sobre o embasamento, com um pé-direito de laje a laje de 3,5 m, um núcleo com 8 elevadores e lajes corporativas de 856 m².

Por sua vez, os edifícios residenciais situam-se ao norte do terreno, uma área reconhecida como mais residencial e protegida do ruído do transporte público, dispostos de maneira que a maioria dos apartamentos aproveite a insolação vinda do norte. São propostos dois edifícios residenciais de 20 pavimentos sobre o embasamento, com pé-direito de laje a laje de 3,0 m, um núcleo de 3 elevadores e plantas que contêm de 7 a 8 apartamentos cada, com média de 51 m². São propostos 120 apartamentos de 60 m², do tipo "mariposa", e 180 de 40 m² de 1 dormitório, totalizando 300 unidades e 15.351 m². A planta se desenvolve com uma geometria oblíqua, de modo a evitar vistas diretas para o edifício corporativo, gerando visuais desimpedidos para a cordilheira e, a oeste, resgatando as vistas e a perspectiva que o terreno oferece. O espaço comum é otimizado ao máximo, representando 15,6% da área útil. A habitabilidade do corredor é reforçada por iluminação e ventilação naturais, que também possibilitam ventilação cruzada nos apartamentos. O último pavimento é aproveitado para a instalação de facilities como academia, piscina, mirantes e espaços de convivência. O 4º pavimento, que separa as torres do embasamento, é livre, deixando espaço para a área técnica e terraços privativos, marcando formalmente a separação entre os diferentes programas. Seu sistema estrutural permite que ambos os edifícios residenciais possam ser facilmente convertidos em hotel.

Na base, considerando a implantação das edificações no terreno e os principais fluxos de pedestres, propõe-se um embasamento comercial aberto de 3 pavimentos que abriga lojas e serviços. O embasamento reconhece os principais fluxos no nível de pedestres e a conexão da estação de metrô com o polo financeiro Nueva Las Condes. Para o desenho do embasamento comercial, foram implementadas as seguintes estratégias:
Acessibilidade: o embasamento direciona os fluxos para o interior do projeto.
Localização estratégica: as lojas são posicionadas de forma estratégica para manter uma alta demanda e induzir a circulação a percorrer o embasamento. As escadas localizam-se nas extremidades do volume, direcionando o público para as áreas comerciais e maximizando a extensão percorrida pelos visitantes ao longo das lojas.

Acima do 3º pavimento, propõe-se uma cobertura verde de uso semiprivativo, que separa o embasamento dos apartamentos, viabiliza a instalação de equipamentos e multiplica as áreas de circulação, oferecendo um espaço com proposta paisagística que amplia as opções de habitabilidade. O projeto propõe uma fachada verde para os moradores e moradoras dos pavimentos superiores e gera condições de sustentabilidade passiva.
O nível -1, em conexão direta com a estação de metrô Manquehue, atende a um fluxo rápido e de tráfego intenso, com serviços expressos e de utilidade geral. A partir deste nível, é possível acessar diretamente o térreo ou sair diretamente para as ruas Manquehue ou O'Connell em direção aos destinos de maior demanda. O nível -2 é proposto como um pavimento técnico e de distribuição de garagens e zona de carga, mas também como uma área comercial e de serviços, de modo que o embasamento passa a contar com 5 pavimentos úteis em vez de 3. Neste nível, são disponibilizadas vagas para 613 bicicletas e serviços concessionados associados, tais como vestiários, oficina, guarda-volumes, primeiros socorros e uma loja de artigos para ciclistas. Além disso, propõe-se uma academia, pequeno comércio de conveniência alimentícia, recepção de encomendas on-line (incluindo congelados) e a possibilidade de habilitar áreas para serviços como correios, centro médico, entre outros.

O térreo do embasamento está em contato direto com a calçada, promovendo a projeção da trama urbana para o interior do projeto e respondendo aos grandes fluxos e à alta demanda por espaços de permanência. Propõe-se a presença de comércio, lojas âncoras e praças de convivência. O 2º pavimento do embasamento é proposto como um passeio de pedestres elevado, com lojas de segmentos específicos e maior metragem, áreas e praças de permanência, cafés expressos e quiosques móveis. No 3º pavimento localiza-se a área de restaurantes e alimentação rápida, com terraços que aproveitam as vistas para a cordilheira e o entorno natural.
Os passeios de pedestres externos incluirão árvores, e os pavimentos superiores do embasamento comercial e as coberturas habitáveis contarão com jardins, visando ampliar as superfícies vegetadas para mitigar o efeito de ilha de calor das zonas urbanas e reduzir a temperatura no espaço interno do complexo. Os ventos predominantes na área incidiriam sobre o edifício de escritórios, que atuaria como uma barreira de controle para melhorar a qualidade do ar no interior do embasamento. A fim de potencializar o controle dos ventos a partir da disposição das edificações, propõe-se a inserção de árvores no embasamento que contribuam para atenuar as correntes de ar e gerar um espaço agradável para os pedestres.

Privilegiou-se a orientação norte para os edifícios residenciais, de modo que eles projetem sombra sobre o edifício de escritórios, ao mesmo tempo em que maximizam os ganhos solares nas unidades habitacionais, reduzindo assim o consumo de resfriamento no embasamento e no edifício corporativo. A orientação das habitações para o norte é ideal, pois possibilita um melhor controle da insolação e beneficia as unidades com o sol de inverno. Propõe-se o uso de varandas como brises solares voltados para o norte, protegendo os apartamentos do sol de verão e permitindo a entrada de luz solar durante o inverno. Além disso, a angulação dos apartamentos contribui para mitigar o sol do oeste e direcionar os visuais, evitando o contato visual direto com o edifício corporativo dentro do mesmo complexo. O edifício de escritórios protege sua fachada oeste com brises verticais instalados entre os mullions, para evitar o superaquecimento causado pela insolação vespertina. Na fachada norte, voltada para o interior do projeto, a proteção contra a radiação direta é feita por meio de brises horizontais, solução que se mostra ainda mais eficaz durante o verão.
A envoltória do projeto prevê importantes isolamentos térmicos na cobertura e nas paredes opacas. Utilizam-se vidros de alta eficiência Planistar SUN nas áreas residenciais e Stopray Ultravision 50 nos escritórios. O objetivo de utilizar vidros de alto desempenho é controlar de forma mais eficiente as perdas e ganhos térmicos, otimizando os sistemas de climatização de cada programa. Será incorporado um sistema de climatização com chillers resfriados a água para a refrigeração dos escritórios e do varejo, com suporte de uma torre de resfriamento. Os metais e louças sanitárias do edifício serão de baixo consumo, sendo essa condição uma exigência para os futuros locatários e locatárias.

Para o paisagismo, será utilizado um sistema de irrigação de alta eficiência que aproveita a água proveniente da condensação do sistema de climatização, armazenada em um reservatório para apoiar a rega diária necessária, complementada por água tratada. Serão incorporados coletores solares no edifício residencial, de modo a complementar o sistema de água quente sanitária e calefação. Na fachada norte, os coletores solares serão integrados aos brises de proteção solar, além de se maximizar a instalação de painéis fotovoltaicos na cobertura. O projeto contará com a otimização da envoltória térmica em prol da eficiência energética. A seleção de materiais considerará seus atributos de sustentabilidade, tais como origem regional e conteúdo reciclado. Serão especificados materiais de acabamento com baixas emissões de compostos nocivos à saúde.
Architects
DLA Arquitectos, KPFLocalização
Av. Apoquindo 6060, Las Condes, Región Metropolitana, ChileAno do projeto
2017Fotografias
Courtesy of INDESA





















