
A proposta dos escritórios Prieto Schaffer Arquitectos + OAB foi finalista com o projeto "Edificio Plaza Manquehue" no concurso "Puerta Las Condes", organizado pela incorporadora INDESA. As diretrizes do concurso demandavam o desenvolvimento de um programa de uso misto com grande quantidade de espaço público e alta densidade urbana no cruzamento das avenidas Apoquindo e Manquehue (Santiago, Chile).
O projeto "Edificio Plaza Manquehue" consiste em um complexo edificado que assume a diversidade urbana e é capaz de gerar um grande espaço público, com o objetivo de ativar o interior da quadra. Por essência, a definição deste edifício é a de uma estrutura capaz de conciliar programas com usos diversos em condições de equilíbrio e temporalidade, permitindo a interação de usos comerciais e privados tanto no plano vertical das edificações quanto no plano horizontal da cidade. Desse modo, dá-se vida ao espaço público não apenas no nível da rua, mas também em altura e no subsolo.

As estratégias projetuais desenvolvidas consistem em separar os programas de escritórios e hoteleiro-residencial em dois edifícios autônomos, criando, no quinto pavimento, um espaço de união entre ambos por meio de uma passarela. Nela concentram-se os usos compartilhados de ambos os programas, como um restaurante e uma cafeteria, que integram o complexo em um edifício único.

Entre os edifícios, cria-se um grande espaço público com caráter de praça, abrindo o interior da quadra. Os volumes do projeto respondem a esses espaços e à relação estabelecida entre eles. A volumetria resulta do objetivo de orientar as vistas para os marcos geográficos mais importantes do vale: a Cordilheira dos Andes e o Cerro Manquehue.

A praça será composta por dois elementos: o embasamento — ou plano nobre da cidade — e o subsolo. O primeiro, no nível da rua e estendendo-se até o 4º pavimento, propõe um programa comercial voltado para grandes corporações ou lojas icônicas. Nos subsolos -1 e -2, incorporam-se a infraestrutura e os espaços comerciais destinados a serviços complementares ao hotel e aos escritórios. No subsolo -2, propõe-se estabelecer uma nova conexão com o metrô e, possivelmente, com o espaço urbano do shopping Apumanque, dinamizando, dessa forma, o fluxo de pedestres entre as duas áreas da cidade. A praça é também, por essência, o lugar das esculturas urbanas e de manifestações artísticas e musicais, entre outras atividades capazes de qualificar o espaço público.

A escala definida para o espaço público consiste em uma altura de quatro pavimentos que, somados aos dois níveis subterrâneos, abrigam o programa comercial. Esta zona funciona como um embasamento urbano, cujo objetivo é estabelecer uma transição adequada com o entorno construído. Aproveitando o declive do terreno, os níveis de subsolo se conectam ao exterior através de grandes pátios que conformam o espaço público.
Na zona do embasamento, constituem-se novos limiares para o espaço urbano e para o conjunto das edificações. A partir deles, estabelecem-se as relações entre o exterior e o interior do complexo construído. É nesse embasamento que também ocorre a integração intermodal com o metrô e o programa de uso misto do edifício.

O complexo edificado resultante, devido à grande carga programática, conforma volumes robustos. Diante disso, o envelope das edificações foi trabalhado por meio de dobras, desalinhamentos e vazios em diferentes cotas da fachada. Isso faz com que a percepção volumétrica ocorra em escorço (eliminando a frontalidade), revelando as diferentes escalas do conjunto. Para esse efeito, contribuem as transparências, os reflexos e a opacidade dos vidros em suas respectivas posições na fachada, agregando valor à linguagem formal dos edifícios, que se associa à estrutura de concreto e aço.

O suporte do espaço público é o pavimento. Quanto menos obstáculos ele oferecer à circulação de pedestres, mais adaptável será ao longo do tempo, garantindo um fluxo expressivo de usuários. No nível da rua, propõe-se um pavimento nobre de granito, resistente e de alta qualidade visual. Ele é concebido como uma extensão das calçadas, permitindo atravessar o edifício em diversas direções e facilitando o acesso ao metrô por um espaço central denominado Plaza. Os limites dessa praça são definidos pelas próprias lojas do edifício, e o espaço será dinamizado pelo fluxo de transeuntes, reforçando a identidade de um edifício-cidade.
O sistema de pedestres se amplia para acomodar a circulação e, assim, integrar-se ao comércio. O funcionamento do fluxo de ônibus não é interrompido. Desse modo, contribui-se para a operação adequada da intermodalidade entre o metrô e os pedestres. O sistema de ciclovias é integrado de forma externa ao projeto, gerando uma real complementaridade com os outros modais já consolidados. Por meio de uma variação cromática, destacam-se áreas com pavimento mais escuro, indicando pontos com mobiliário urbano e zonas de destaque, desempenhando um papel semelhante ao de tapetes em uma sala de estar.

Ao buscar a Certificação LEED (Leadership in Energy & Environmental Design), assume-se o compromisso do projeto com a eficiência e a preservação ambiental, bem como com a incorporação de energias renováveis e a escolha responsável de materiais construtivos. O projeto se apoiará em quatro pilares fundamentais: o primeiro é o cuidado com a implantação; o segundo, a redução do consumo de energia; o terceiro, o uso de materiais que diminuam a pegada de carbono; e o quarto, a qualidade ambiental interna.
A divisão da volumetria total da quadra em dois edifícios menores propicia o autossombreamento dos volumes. Essa operação reduz a carga térmica solar que, somada ao aumento das superfícies expostas ao exterior para a perda de energia, ajuda a dissipar melhor o calor acumulado pela radiação. Nos meses de inverno, as fachadas envidraçadas captam o sol em ângulo mais baixo, auxiliando no aquecimento passivo dos ambientes.

A decisão estrutural de deslocar os pilares de carga para o perímetro revela-se uma operação que libera as plantas e permite gerar amplos espaços de trabalho. Ao mesmo tempo, essa solução protege a fachada da incidência solar direta. A estrutura de cada torre corresponde a um sistema de tubo em tubo, composto por um núcleo central de concreto armado e uma fachada estrutural que conforma o segundo tubo. A estrutura perimetral é composta por pilares e vigas de concreto armado; os pilares são modulados a cada 2 metros e conectados por vigas de 30 cm de altura.
Uma laje protendida de 16 cm conecta o núcleo à fachada perimetral. Para reduzir os vãos da laje a 9 metros, projetaram-se pilares de concreto armado no interior dos escritórios, configurando vãos de laje típicos de 9x8 metros. Sobre os pilares e ao redor do tubo central, prevê-se um capitel de concreto de 32 cm de espessura. Os esforços horizontais decorrentes de ventos ou abalos sísmicos serão absorvidos tanto pelo tubo interno quanto pelo tubo externo. O tubo externo aproveita seu maior braço de alavanca, reduzindo as tensões sobre seus elementos estruturais em comparação com uma edificação provida de apenas um núcleo central.

A vegetação proposta seria composta majoritariamente por espécies caducifólias, que proporcionam sombra no verão e liberam a passagem de luz nas áreas de convivência durante o inverno, favorecendo a insolação em dias limpos. Dessa forma, as condições de habitabilidade e conforto térmico desses espaços públicos são asseguradas ao longo de todo o ano. Propõe-se que a maior parte do paisagismo utilize espécies nativas ou de clima mediterrâneo, promovendo o uso racional e controlado da água para irrigação.
Architects
OAB, Prieto Schaffer ArquitectosLocalização
Av. Apoquindo 6060, Las Condes, Región Metropolitana, ChileAno do projeto
2017Fotografias
Courtesy of INDESA



















