
-
Arquitetos: Duque Motta & AA, FIA
- Área: 3344 m²
- Ano: 2022
-
Fabricantes: Topwood



A ideia de infraestrutura de transporte costuma evocar mais hostilidade do que interesse: espaços de trânsito, de encontros constantes com desconhecidos, lugares que ninguém parece reivindicar como seus. Essas estruturas organizam o movimento e oferecem espaços que, muitas vezes, funcionam ininterruptamente. Os projetos não construídos apresentados a seguir contestam essa noção de "terra de ninguém", propondo a infraestrutura como um objeto de arquitetura. Localizadas no Irã, em Montenegro, nas Ilhas Canárias, na Suécia, nos Emirados Árabes Unidos e na Coreia do Sul, essas propostas de projeto oferecem um olhar sobre a cultura e a imagem de seus contextos. Projetadas para caminhões, carros, aviões e pedestres, as propostas proporcionam não apenas uma estrutura funcional, mas também uma atmosfera propícia ao serviço, à espera ou ao encontro. Com isso, oferecem novas imagens para espaços que costumam passar despercebidos.


O New Mexico Literacy Institute (NMLI), um centro educacional com cerca de 2.880 metros quadrados (31.000 pés quadrados) projetado pelo escritório Multistudio em colaboração com o Design Plus Architects, sediado em Albuquerque, tem inauguração prevista para dezembro de 2026. Localizado no Novo México, o projeto é uma iniciativa de legado da governadora Michelle Lujan Grisham e visa oferecer uma instalação de alcance estadual para a alfabetização, atendendo a estudantes de diferentes idades e habilidades. O projeto reúne espaços educacionais, recreativos e comunitários, abordando a alfabetização como um processo que vai além dos limites da sala de aula convencional.

A Força-Tarefa Resilient Futures da SCI-Arc foi criada para repensar os métodos tradicionais de reconstrução após os incêndios de janeiro de 2025 em Los Angeles exporem graves fragilidades nas normas residenciais padrão do sul da Califórnia. Reunindo professores/as, pesquisadores/as e estudantes, a iniciativa oferece apoio prático e direto a proprietários/as de residências desalojados/as em relação à segurança das edificações, toxicidade do solo, fundos de emergência e reivindicações de seguros por meio de reuniões comunitárias públicas.

Projetado pelos/as arquitetos/as franco-japoneses/as Moreau Kusunoki, em parceria com o escritório de arquitetura australiano Genton como arquiteto local, o Powerhouse Parramatta é, segundo o Governo de NSW, o maior projeto de infraestrutura cultural na Austrália desde a Sydney Opera House. O projeto foi anunciado pela primeira vez em 2019, as obras começaram em 2022, e a inauguração estava inicialmente prevista para 2025. O edifício principal foi concluído no início deste ano, abrindo caminho para a abertura neste sábado, 7 de novembro de 2026. O Powerhouse Parramatta faz parte do Powerhouse, o maior grupo de museus da Austrália — uma rede de espaços culturais dedicados às artes, design, ciência e tecnologia. A programação do novo edifício oferece ao público cinco exposições e um Festival de Abertura de 23 dias com palestras, workshops, música e performances relacionadas aos diferentes temas das mostras.

A utopia é comumente compreendida como uma sociedade ou lugar idealizado onde as condições políticas, sociais e de vida são fundamentalmente diferentes do presente. De origem grega, a palavra significa literalmente "lugar nenhum" ou "não lugar". Embora a utopia possa não existir na realidade, o ato de imaginá-la há muito inspira arquitetos/as e pensadores/as urbanos/as a vislumbrar o mundo de outra forma. Diante dos desafios contínuos que as cidades enfrentam hoje — crise climática, poluição, preços exorbitantes da terra, envelhecimento populacional, desigualdade habitacional, escassez de serviços sociais, disparidades socioeconômicas crescentes e injustiças persistentes —, algumas regiões sofrem com o superaquecimento e a degradação ambiental, enquanto outras lutam pelo acesso à natureza, à terra e à comunidade, o que nos faz pensar, na verdade, em um futuro distópico. Ao pensar sobre a utopia nessa condição padrão das cidades contemporâneas, moldadas pela lógica parcialmente fracassada do planejamento urbano moderno, como seria uma cidade mais habitável, sustentável, diversa e inclusiva no século XXI?
Essa foi a questão central que permeou o Utopian Hours 2026, um festival internacional dedicado à produção das cidades. Ao longo de suas palestras, exposições e mesas-redondas, o festival explorou como moldar as paisagens urbanas e quais abordagens de pensamento projetual podem transformar a vida urbana.

A partir do século XIX, com sua Revolução Industrial e emergência dos novos tempos da máquina, a crescente população e as demandas pelo espaço urbano cada vez mais pungentes, na Europa, emergem as primeiras reflexões sobre a cidade e, mais do que isso, inicia-se o processo de estruturação disciplinar do urbanismo como teoria e prática inerentes ao novo momento histórico que se consolidava, e que teria seu produto, em relação às cidades, como apanágio do século XX. Dentro dessa lógica disciplinar que se configurava a partir de uma demanda social, ou muitas vezes, uma demanda política vinculada a pretensões militaristas de ordem e controle urbano, o século XX foi palco de todo o desenrolar dessa sociedade industrial, que tinha a cidade como seu horizonte.





