Anualmente, a empresa dinamarquesa de consultoria Copenhagenizepublica um ranking com as 20 cidades mais adequadas do mundo para o transporte em bicicleta.
A lista foi lançada pela primeira vez em 2011 e atualmente é considerada uma das mais importantes da área, com a empresa se dedicando a promover o uso da bicicleta como meio de transporte - e não apenas para uso recreativo - em suas estratégias de desenho urbano focadas nas pessoas, com as quais presta assessoria para autoridades municipais de todo o mundo.
A Prefeitura de São Paulo sancionou o Estatuto do Pedestre, um regulamento que pretende garantir a segurança e a acessibilidade do principal modo de conhecer e experienciar a cidade: a caminhada. De autoria do vereador José Police Neto, após a publicação no Diária Oficial de São Paulo, no dia 14 de junho, a nova lei passou a ter validade oficial.
Antes y después de la Gran Vía de Madrid. Image Cortesía de Ayuntamiento de Madrid
A Prefeitura de Madri anunciou a reconversão de uma das principais artérias da capital espanhola em um espaço viário mais adequado aos pedestres, com uma ciclovia de duas mãos, vegetação e calçadas mais amplas. O projeto ainda está sendo redigido e buscará potencializar as relações entre as pessoas, facilitando os deslocamentos em bicicleta e contribuindo, assim, para melhorar as condições de vida da cidade.
Projetos pequenos, mas com grande alcance. Está e uma das vertentes exploradas pela Prefeitura de Madri e que toma forma em iniciativas como esta: a Gran Vía será uma via mais humana, restringindo o acesso de veículos motorizados e facilitando os deslocamentos de bicicleta. Com esta medida, a Prefeitura aprofunda sua intenção de humanizar Madri, uma cidade claramente dominada pelo automóvel.
Svante Myrick (de gravata) conversa com os vizinhos de Ithaca no parklet do prefeito. Imagem via Facebook de Svante Myrick
Svante Myrick recusou a vaga de estacionamento que lhe era de direito e a converteu em um pequeno parque de uso público, um parklet, como se convencionou chamar hoje em dia.
Pouco antes havia decidido deixar de usar o automóvel para ir ao trabalho, optando pelas caminhadas, como 15% dos habitantes da sua cidade.
Mas, ainda antes desta decisão, ele havia se convertido, aos 25 anos, no prefeito mais jovem de Ithaca, Nova York, uma pequena cidade de 30 mil habitantes que não que teria espaço nos mapas se não abrigasse em suas terras a Universidade de Cornell.
Em grande parte das cidades do Brasil e do mundo, ainda observa-se a preferência pelo uso do automóvel particular em detrimento do transporte coletivo, o que gera impactos não apenas no trânsito das cidades, como também na qualidade do ar e no aquecimento global.
Uma análise inédita realizada pelo jornal Estadão sobre a contribuição de cada modal de transporte nas emissões de poluentes revela que os automóveis são os responsáveis por 72,6% dos gases de efeito estufa emitidos pelo setor de transporte, embora correspondam ao deslocamento de apenas 30% dos contingente de passageiros.
A Câmara de Vereadores de São Paulo aprovou no último dia 7 de junho o Estatuto do Pedestres, que pretende garantir a segurança e a acessibilidade do principal modo de conhecer e experienciar a cidade: a caminhada. De autoria do vereador José Police Neto, a nova lei precisa ainda ser sancionada pela prefeitura da cidade.
Entre os objetivos do Estatuto, estão o desenvolvimento de ações voltadas à melhoria da infraestrutura que dá suporte à mobilidade a pé, garantindo sua abordagem como uma rede à semelhança das demais redes de transporte; a criação de uma cultura favorável à caminhada, como modalidade de deslocamento eficiente e saudável; a melhoria das condições de mobilidade a pé da população, com conforto, segurança e modicidade, incluindo os grupos de mobilidade reduzida; e a melhoria das condições de calçadas e travessias na cidade de São Paulo.
Vancouver, no Canadá, tem hoje o maior mercado de carsharing no mundo. Foto: Christopher Porter/Flickr-CC
As perspectivas para o futuro do transporte urbano estão diretamente associadas às inovações tecnológicas no âmbito da mobilidade. No começo desde mês, o estudo “Três Revoluções no Transporte Urbano” mostrou que pode haver uma redução de 80% nas emissões se as cidades adotarem três “revoluções” na tecnologia veicular: veículos autônomos, veículos elétricos e compartilhamento de veículos.
Realizado pelo ITDP e pela UC Davis, o documento apresenta essas revoluções e o potencial de mudança de cada uma, caso sejam adotadas, em três cenários: 1) se mantivermos as coisas como estão (business as usual), 2) se duas das três revoluções forem implementadas e 3) se as três mudanças forem adotadas. Se amplamente implementadas, as três revoluções podem representar uma redução de 40% nos custos com transporte urbano até 2050. O compartilhamento de veículos e o uso de fontes renováveis de energia são cruciais para esse resultado.
Clay Cockrell, psicoterapeuta de Nova Iorque, cidade onde os psicoterapeutas poderiam ter um bairro somente para eles, realiza suas sessões ao ar livre. Caminhando, mais precisamente. Em lugares como o Central Park ou o Battery Park, onde o cliente preferir, o lugar da consulta é totalmente flexível. O método é mais ou menos o mesmo que o de qualquer terapeuta. Os honorários também. Só o entorno muda, o que não é pouco: o divã, a cadeira de couro, o tapete persa e a biblioteca são substituídos pelo concreto ou o cascalho da rua ou do parque escolhido pelo paciente.
Caminhar é muito mais que cobrir uma distância com os pés. É também uma das mais básicas ferramentas para alcançar o que comumente chamamos de esvaziar a mente. Caminhar é um recurso gratuito, facilmente acessível e quase sempre disponível para voltar a um mundo lento em que a mente pode fazer uma conexão livre de interferências com o corpo, e o corpo, por sua vez, com o solo que pisa e o entorno que o rodeia.
O CENTRO DE CURITIBA 10 ANOS APÓS O PRIMEIRO SEMINÁRIO: REQUALIFICAÇÃO, MOBILIDADE, HABITAÇÃO
A situação atual dos centros tradicionais das cidades brasileiras expressa resultados de ações dos diversos agentes que atuam naqueles espaços, sendo eles de natureza técnica, política, econômica, cultural e social. Nos anos 70 do século XX, a expansão urbana foi responsável por transformações territoriais que alteraram suas características originais, promovendo o esvaziamento populacional e paralelamente a diluição física e funcional do centro, que já não supria as necessidades de uma população em franco crescimento.
Em entrevista à revista HAUS, o reconhecido arquiteto e urbanista Jaime Lerner expôs suas intenções de transformar o atual sistema de transporte do centro da maior metrópole do país, São Paulo.
Conhecido no Brasil e internacionalmente como figura de proa das profundas mudanças urbanas pelas quais passou Curitiba nas décadas de 1970 e 1990, Lerner anunciou esta semana a proposta de requalificação urbana em São Paulo para a qual seu escritório foi contratado.
O projeto geométrico de Lab for Planning and Architecture para a Prefeitura de Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha, é uma resposta morfológica que acondiciona as Piscinas de Julio Navarro e Roque Díaz a permitirem uma adequada circulação de pessoas com mobilidade reduzida.
O projeto é um caminho de escadas e rampas com um desenho triangular que se integra à paisagem circundantes; os materiais e os detalhes construtivos se adaptam às diferentes necessidades e condições naturais do terreno. Conheça o projeto a seguir:
São Paulo busca ser uma cidade cada vez mais humana e equilibrada. (Foto: Leonardo Aguiar/Flickr-CC)
No início do ano, São Paulo se tornou oficialmente uma referência mundial em planejamento urbano. Um concurso promovido pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) premiou o Plano Diretor da cidade como um dos quatro melhores projetos entre 146 candidatos de 16 países. O reconhecimento é originado de um projeto que desde sua concepção visou diminuir a desigualdade social e promover o desenvolvimento econômico através de um fio condutor: o transporte coletivo. Entrevistamos o arquiteto e urbanista Gustavo Partezani, um dos responsáveis pela formulação do Plano Diretor Estratégico (PDE) de São Paulo e falamos sobre esse desafio, como o novo plano endereça essas questões e as mudanças já percebidas desde que o documento entrou em vigor, entre outros tópicos.
A crise da mobilidade urbana inspirou a reflexão sobre os modais de transporte e sua relação com eficiência, tempos de trajetos, poluição gerada, infraestrutura necessária, custos de implantação e operação e os impactos na saúde dos usuários. Atualmente, governos realizam grandes investimentos em novas infraestruturas que permitem que populações equivalentes a cidades inteiras se desloquem longas distâncias diariamente. Em São Paulo, por exemplo, o equivalente à população do Uruguai sai da Zona Leste para o Centro todos os dias.
Ciclofaixa da Avenida Beira-Mar é um dos resultados do crescimento da rede cicloviária de Fortaleza. Fotografia: Kaio Machado)
Pode parecer audacioso, mas Fortaleza tem o objetivo de se tornar a cidade mais ciclável do Brasil. Nesse caminho, a mobilidade da capital do Ceará passa por mudanças que beneficiam tanto os moradores quanto os turistas que, além das belas paisagens, agora podem encontrar ciclovias, ciclorrotas e um sistema mais integrado de transporte coletivo.
Ao todo, a rede cicloviária da cidade soma 204,6 km, resultado de um crescimento de 180% desde 2012, quando era de 72,9 km. Dois sistemas incentivam as pedaladas: o Bicicletar, iniciado em 2014, que tem 80 estações de bicicletas compartilhadas pela cidade e surgiu como uma solução de transporte de pequeno percurso para facilitar o deslocamento das pessoas. Atualmente,conta com 133 mil usuários cadastrados e 2.600 viagens por dia, o que já ajudou a evitar que 535 toneladas de gás carbônico fossem emitidas na atmosfera. No último dia 23 de março, foi lançado o projeto Mini Bicicletar, que busca incentivar o uso da bicicleta desde a infância, com ações educativas e opções de lazer para as crianças em espaços públicos.
O designer e planejador urbano estadunidense Jeff Speck tem se dedicado ao longo de sua carreira a difundir os benefícios da caminhabilidade e a promover este aspecto em seus projetos urbanos.
Em 2015 foi realizada a primeira pesquisaPerfil do Ciclista Brasileiro. O estudo revelou uma série de informações de grande valor para a promoção da mobilidade por bicicletas no País, e teve mais de 80 mídias espontâneas. Com os dados em mãos, a organização Transporte Ativo publicou um relatório e um livro e organizou um seminário e apresentações ao longo de 2016.
Viabilizada pela parceria com diversas organizações de todas as regiões do país, a pesquisa foi coordenada pela ONG Transporte Ativo, o Laboratório de Mobilidade Sustentável do PROURB/UFRJ e o Observatório das Metrópoles. Foram entrevistados 5012 ciclistas em dez cidades das diferentes regiões brasileiras e o resultado é um marco na compreensão do modal cicloviário na nossa atual realidade urbana.
Liberar os centros urbanos dos automóveis é uma das medidas que várias cidades do mundo estão adotando, com o intuito de promover a mobilidade sustentável e, assim, melhorar a qualidade de vida dos habitantes.
Nesse sentido, destacam-se as ações de diversas cidades, como Atenas, que restringem a circulação de veículos a diesel quando os níveis de poluição estão elevados, Hamburgo, que planeja conectar todas as suas áreas verdes para facilitar os deslocamentos a pé e de bicicleta, ou Madri, que proibirá a circulação de automóveis na Gran Via em 2019, entre outras cidades.
A meta de Vancouver para 2040 é que utilizar apenas energia proveniente de fontes limpas para abastecer os sistemas de calefação e transporte público da cidade.
Como parte desta meta, a cidade pretende, até 2020, fazer com que 50% dos deslocamentos urbanos sejam realizados a pé, de bicicleta ou em transporte público.