Para serem realmente eficientes, os ônibus precisam de condições especiais, como corredores exclusivos e plataformas elevadas para embarque e desembarque. Imagem: Mario Roberto Duran Ortiz
A crítica mais famosa do espaço desmedido ocupado pelos automóveis foi representada por um cartaz da cidade de Müenster, que compara o espaço ocupado por 60 carros, um ônibus e 72 bicicletas (todos transportando 72 pessoas). A imagem deixa evidente que o espaço ocupado pelos automóveis para transportar o mesmo número de passageiros é espantosamente maior.
O primeiro ônibus a ganhar módulos solares está rodando na cidade alemã Hof, no nordeste da Baviera. Foto: Sono Motors
A empresa alemã Sono Motors tornou-se mundialmente conhecida ao desenvolver o Sion, automóvel elétrico movido a energia solar. Entretanto, por falta de financiamento para apoiar a produção pré-série, o projeto foi encerrado em fevereiro deste ano e o foco agora é atuar na adaptação e integração de sua tecnologia solar patenteada em veículos de terceiros.
O fracasso empresarial pode ser uma boa notícia para o meio ambiente, uma vez que, ao invés de concentrar-se em veículos individuais, o modelo de negócios foi transformado para atender a uma ampla gama de veículos, incluindo ônibus, caminhões e veículos refrigerados.
As autoridades de Los Angeles votaram para implementar o primeiro Park Block, um projeto-piloto que propõe uma malha viária livre de carros. A ideia é abrir o espaço público para pedestres e ciclistas, segundo a NBC Los Angeles. O plano se inspira nas superquadras de Barcelona, que propõe grupos quarteirões sem tráfego de automóveis no distrito de Eixample, liberando parte das ruas apenas para pedestres e trânsito local. Implementado em 2016, o projeto resultou na redução dos níveis de poluição do ar, ruído urbano e acidentes de trânsito.
Fortaleza, Ceará. Foto: Arthur Fonseca, CC BY 3.0 BR, via Wikimedia Commons
Para ajudar nas celebrações do Dia Mundial da Bicicleta, comemorado em 3 de junho, 10 cidades do mundo receberam um presente e tanto: foram selecionadas para receber um importante apoio na construção de infraestrutura cicloviária inovadora e opções de mobilidade sustentável para seus residentes. A iniciativa da Bloomberg Philanthropies ganhou o nome de BICI, abreviação do inglês para Bloomberg para Infraestrutura Cicloviária.
Fortaleza, no Brasil, vai receber um prêmio especial de US$ 1 milhão. Adis Abeba, na Etiópia; Bogotá, Colômbia; Lisboa, Portugal; Milão, Itália; Mombaça, Quênia; Pimpri-Chinchwad, Índia; Quelimane, Moçambique; Tirana, Albânia; e Wellington, na Nova Zelândia, receberão US$ 400 mil em financiamento.
Divulgação: Imagem retirada do Manual de Desenho de Ruas do Recife. Projeto gráfico realizado pelo Bicho Coletivo.
O Manual de Desenho de Ruas do Recife (MDR) surge como um marco significativo no planejamento e nos projetos relacionados à mobilidade urbana da cidade, com foco nos meios ativos ou coletivos de transporte. Elaborado como parte integrante do Plano de Mobilidade do Recife, que foi aprovado no ano de 2021, representa uma abordagem inovadora para a circulação nas vias e estabelece novos parâmetros de desenho que beneficiam a todos os usuários. Com sua proposta de promover um acesso abrangente, seguro, eficiente, sustentável, resiliente e democrático à cidade, o manual propõe transformar a maneira como pensamos e projetamos as ruas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1001880/manual-de-desenho-de-ruas-do-recife-diretrizes-inclusivas-e-sustentaveis-para-todosArchDaily Team
Singapura, China, Dubai (Emirados Árabes Unidos), Londres (Inglaterra), Toronto (Canadá), Hong Kong, Nova York (EUA) e Paris (França) são exemplos de lugares que vêm se verticalizando mais intensamente nos últimos anos e adotando uma série de medidas para conter a expansão de seus territórios ao mesmo tempo em que buscam atender à demanda por mais moradias e infraestrutura. Nesse sentido, essas regiões têm visto crescer cada vez mais o número de arranha-céus ou prédios altos — como também são chamados — sendo construídos em seus bairros, inclusive em áreas centrais e históricas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1001430/arranha-ceus-a-solucao-e-crescer-para-cima-com-terreos-amigaveisSomos Cidade
Cidades em todo o mundo podem salvar milhares de vidas todos os anos por meio de medidas bastante simples: a moderação do tráfego e a gestão das velocidades. Readequar os limites de velocidade veicular nas vias urbanas é uma das iniciativas destacadas pela ONU e a OMS para que países cumpram a meta de reduzir à metade as mortes e lesões graves no trânsito até 2030.
https://www.archdaily.com.br/pt/1001245/5-mitos-sobre-a-reducao-da-velocidade-do-transito-urbanoPaula Manoela dos Santos, Andressa Ribeiro e Adriana Jakovcevic
O transporte nos conecta. É como chegamos à escola e ao trabalho, como visitamos nossas famílias e como acessamos locais para comprar alimentos e receber tratamentos de saúde. Também é como enviamos e recebemos mercadorias e serviços. À medida que as economias e populações crescem, aumenta também a necessidade de meios de transporte eficientes, acessíveis e sustentáveis.
https://www.archdaily.com.br/pt/999059/5-mudancas-para-transformar-o-transporte-e-cumprir-as-metas-climaticasWRI Brasil
Videos
Panorâmica do Corredor Vera Arruda. Imagem via Tribuna Hoje
Esse não é o primeiro texto a falar sobre isso, muito menos será o último. Diversos artigos apontam a inconsistência de vender políticas urbanas que favoreçam o automóvel como soluções de mobilidade. Eu mesmo escrevi em 2021 sobre a necessidade de pararmos de construir viadutos e dizer que eles vão resolver os problemas de mobilidade. Porém, recentemente, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) de Maceió, autarquia vinculada à prefeitura, abriu uma consulta pública para questionar a população sobre a abertura de ruas no maior parque linear da cidade, o Corredor Vera Arruda. O objetivo da proposta é melhorar a “mobilidade” e “fluidez” da região, que “sofre” com congestionamentos nos horários de pico.
https://www.archdaily.com.br/pt/999312/maceio-abrir-ruas-em-um-parque-pode-melhorar-o-transitoRuan Victor Amaral
A nova frota de bikes está sendo gradualmente incorporada. Foto: Prefeitura de Madri
A prefeitura de Madri quer incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Exemplo disso é que, desde 2014, a cidade possui o BiciMAD, um sistema público que dispõe de bicicletas como parte do serviço de transporte da capital da Espanha. A novidade agora é que o programa será gratuito em viagens de até 30 minutos.
Com uma população de mais de 17,5 milhões de habitantes e 23 milhões de bicicletas — sendo mais de três milhões delas elétricas —, a Holanda é uma referência quando o assunto é mobilidade e o desenvolvimento de localidades que priorizam os pedestres e ciclistas em seus projetos urbanos. Cerca de 27% de todas as viagens realizadas no país são feitas pedalando, anualmente são percorridos mais de 15,5 bilhões de quilômetros, apontam dados do governo da nação. Apesar do índice elevado, o objetivo é adotar iniciativas que estimulem ainda mais os municípios a transformarem seus espaços e darem mais lugar para o ciclismo como principal opção para o deslocamento entre trajetos curtos, de até 15 quilômetros.
https://www.archdaily.com.br/pt/998139/fietsgeluk-o-conceito-holandes-de-felicidade-do-ciclismoSomos Cidade
Tecnólogos ambiciosos afirmam há décadas que os carros autônomos são o futuro. No entanto, nos últimos anos, a maior revolução veio dos veículos de duas rodas, não de quatro. Alimentados pela pandemia, aumento dos preços do petróleo, mudanças climáticas e o desejo de estilos de vida mais saudáveis, vivemos agora no meio de um renascimento da bicicleta. Mas para entender como chegamos até aqui, é fundamental olhar para trás. Quando o automóvel foi difundido no início dos anos 1900, rapidamente se tornou um símbolo de progresso com tudo o que ele implicava: velocidade, privatização e segregação. Adotando uma abordagem centrada no carro, os urbanistas tiveram que reorganizar cidades inteiras para separar o tráfego. Os carros ocuparam os espaços públicos que costumavam abrigar a vida dinâmica da cidade e estacionamentos, rodovias e postos de gasolina tornaram-se paisagens comuns. Os pedestres que antes dominavam as ruas foram conduzidos para as calçadas e as crianças relegadas a playgrounds cercados. Ironicamente, as cidades estavam sendo projetadas para carros em vez de seres humanos.
Ciclovia em São Paulo-SP. Imagem: Joana Oliveira/WRI Brasil
De meados do século XX até os dias de hoje, o tempo perdido no trânsito tornou-se uma das principais fontes de sofrimento da vida urbana. Historicamente, a fórmula clássica para combater esse problema foi adicionar cada vez mais faixas de carro e construir viadutos com a promessa nunca realizada de melhorar a fluidez.
A consequência já está bem documentada, cada nova faixa de carro adicionada representa uma barreira a outros meios de transporte e maiores distâncias a serem percorridas por todos. O resultado é a indução da demanda, um convite para que cada vez mais pessoas desejem se locomover por automóvel.
BRT de Curitiba e estação tubo. Foto Mariana Gil/EMBARQ Brasil, via Flickr. Licença CC BY-NC 2.0
A cidade de Curitiba, localizada no Estado do Paraná, tem sido reconhecida no cenário internacional como uma das principais referências do planejamento urbano brasileiro, principalmente pelo sucesso de seu modelo de transporte coletivo. Nesse contexto, é interessante percorrer os caminhos que fizeram a capital paranaense conquistar tal reconhecimento. Abordando o processo de difusão de ideias, este ensaio traz à luz diferentes posições de Curitiba na história do urbanismo: ora importadora de ideias, ora exportadora.
https://www.archdaily.com.br/pt/995427/o-modelo-de-transporte-publico-de-curitiba-na-contramao-das-ideias-estrangeiras-adotadas-no-brasilValdinei de Souza Castro
Conforme a urgência em substituir combustíveis fósseis aumenta, novos modelos de carros elétricos são anunciados com cada vez mais frequência. De carros criados para áreas urbanas a modelos que já trazem painéis solares, a ideia é dar prioridade aos veículos elétricos, com montadoras anunciando mudanças na sua produção e países e cidades criando leis para acelerar a transição energética.
Mobilidade urbana como um direito social. Figura produzida pela autora
É perceptível a exclusão do gênero feminino da formação do espaço, refletindo um lugar de insegurança e de vulnerabilidade. Neste contexto, a mobilidade urbana, tal qual conhecemos, reproduz as desigualdades de gênero, raça e classe existentes em nossa sociedade. Seja por meio da caminhabilidade ou do transporte público, o fato é que a forma como os deslocamentos são realizados não se adequa às necessidades das mulheres, especialmente aquelas autodeclaradas pretas e pardas e com menor renda. Buscamos aqui, portanto, dar especial atenção para o modo como as noções de interseccionalidade têm operado nessa mobilidade urbana como um direito social para todas e todos.
Como resposta a desafios globais como mudanças climáticas, discriminação e vulnerabilidade física, designers e engenheiros de todo o mundo desenvolveram materiais de construção inovadores que colocam o bem-estar humano em primeiro lugar em projetos urbanos, de arquitetura e de interiores.