A janela é aquele elemento arquitetônico que satisfaz nossa necessidade inata de nos relacionarmos com o exterior, fornecendo-nos ventilação e luz. Porém, quanto mais extenso e limpo for, maior será a sensação de "sentir-nos fora". Consequentemente, abrir os espaços para o exterior tornou-se uma exigência comum para quem deseja e precisa habitar espaços flexíveis, adaptáveis e em contato com a brisa e a natureza. Há muitas maneiras de fazer isso, mas nem todas permitem que um invólucro hermético se torne totalmente aberto e contínuo, eliminando os limites entre eles.
A escolha de materiais de construção e a reflexão contínua inerente sobre o alcance e as capacidades da arquitetura são uma maneira alternativa interessante de abordar essa questão. Os materiais utilizados na habitação social devem abordar as possibilidades locais e econômicas e as reais necessidades de acesso à moradia no contexto contemporâneo.
Na busca por fornecer inspiração e ferramentas aos arquitetos para a construção de melhores moradias sociais, analisamos diferentes projetos publicados em nosso site para identificar quais são os materiais predominantes, tanto para a formação de estruturas ou fechamentos, a fim de proporcionar um panorama global de diferentes estudos de caso, considerando principalmente sua localização geográfica e aspecto construtivo.
Diante da questão de quais são os materiais utilizados na habitação social, apresentamos uma compilação de 15 projetos que convidam à reflexão.
Diversificar os materiais de um espaço interno pode melhorar muito sua profundidade e interesse visual. Ao mesmo tempo, adicionar partições ou outras delimitações de espaço interno pode ajudar a organizar o fluxo, a circulação e a visibilidade. O policarbonato, um tipo de termoplástico leve e durável, é um excelente material para tais funções.
Em sua forma bruta, o policarbonato é totalmente transparente, transmitindo luz com quase a mesma eficácia do vidro. Também é mais leve e mais forte do que o vidro e mais resistente do que outros plásticos semelhantes, como acrílico, poliestireno, ABS ou náilon, tornando-o uma boa escolha para projetistas que buscam materiais duráveis, resistentes ao impacto e ao fogo que ainda possam transmitir luz. Como o vidro, é um filtro UV natural e pode ser colorido ou matizado para obter transparência, mas também é valorizado por sua flexibilidade, permitindo que seja moldado em qualquer tamanho ou formato. Por fim, é facilmente reciclável porque se liquefaz em vez de queimar, tornando-o pelo menos mais ecologicamente correto do que outros plásticos termofixos. Por exemplo, o policarbonato reciclado pode reagir quimicamente com o fenol em uma usina de reciclagem para produzir monômeros que podem ser transformados novamente em plástico.
https://www.archdaily.com.br/pt/948128/policarbonato-para-interiores-8-exemplos-de-arquitetura-translucida-em-ambientes-internosLilly Cao
Com muita frequência, arquitetos e designers passam horas procurando texturas e materiais para representar suas visões. Essa luta assume várias formas: desde ficar rolando o mouse pelo Google, Pinterest e bancos de dados em busca da textura perfeita até a criação manual de um padrão ao longo de várias horas ou até dias. Em qualquer dos casos, o resultado é frequentemente penoso e raramente perfeito. Um banco de dados organizado, confiável, gratuito e fácil de usar nem sempre é algo simples de se encontrar.
Architextures iniciou em 2014 como uma biblioteca de arquivos de imagens de alta qualidade, com texturas enviadas por usuários ou criadas pela própria plataforma. Com o tempo, o criador da plataforma, Ryan Canning, percebeu que, em seu trabalho profissional como arquiteto, a variedade de arquivos de imagem estática disponíveis online não atendia às texturas específicas que ele procurava em seus projeto. Frustrado com o processo infinito de pesquisa, edição e sobreposição de texturas no Photoshop, Ryan reinventou o Architextures em 2019 como uma ferramenta interativa onde profissionais como ele poderiam criar texturas especificadas de alta qualidade em segundos. E o mais importante, sendo de uso gratuito para uso pessoal e educacional, com contas profissionais disponíveis por uma pequena taxa para apoiar o desenvolvimento da ferramenta.
Corais são fundamentais à vida marinha. Às vezes chamados de florestas tropicais do mar, formam alguns dos ecossistemas mais diversos da Terra. Eles servem como área de refúgio, reprodução e alimentação de dezenas de espécies no mar, e sua ausência afeta a biodiversidade local. Da mesma forma que a humanidade polui e destrói, também pode remediar e incentivar a criação de mais vida. É por isso que, frequentemente, são noticiados naufrágios de embarcações antigas ou o afundamento de estruturas de concreto para a criação de recifes artificiais. Em Hong Kong, pesquisadores vêm desenvolvendo estruturas impressas em 3D com materiais orgânicos que podem favorecer a criação de novas oportunidades no fundo do mar.
Não é nenhum segredo que as Tiny Homes (casas de pequena escala) tornaram-se extremamente populares nos últimos anos - um significante da vida boêmia minimalista em resposta aos excessos dos dias atuais. De trailers reformados a casas Muji pré-fabricadas e cápsulas Nestron futurísticas, o mundo da arquitetura viu uma variedade de pequenas casas ganharem atenção viral na última década. À medida que essa tipologia se espalha mais pelo mundo, as comunidades dessas casas também proliferaram, surgindo na América do Norte, Nova Zelândia, Leste Asiático e muito mais. Essas comunidades combinam o estilo de vida pitoresco de vida minimalista com espaços coletivos para interação social, reunindo famílias e indivíduos com interesses semelhantes em vizinhanças da moda. Examinaremos várias dessas comunidades abaixo.
https://www.archdaily.com.br/pt/947327/casas-minimas-e-espacos-coletivos-comunidades-de-tiny-houses-ao-redor-do-mundoLilly Cao
Os diferentes modos de dispor peças de alvenaria permitem configurar diversos espaços habitáveis. O tijolo está presente em espaços exteriores e interiores, que através de diferentes composições podem permitir a entrada da luz natural e gerar um ritmo dinâmico nas paredes.
Ao longo da história, o emparelhamento de tijolos constituiu algumas formas pré-determinas de disposição de peças, no entanto, existe uma infinidade de maneiras de distribuição, por este motivo selecionamos 16 projetos que evidenciam o potencial de estudo da posição dos tijolos.
Em Yucatan, arquitetos estão revivendo uma antiga técnica de estuque maia para edifícios contemporâneos, combinando arquitetura moderna com história e cultura regional. A técnica é chamada de “chukum”, um termo derivado do nome popular da árvore Havardia albicans nativa do México. Feito com a casca dessa árvore de chukum, o material tem várias qualidades definidoras que o separam do estuque tradicional, incluindo propriedades impermeáveis e uma cor natural terrosa. Embora o chukum inicialmente tenha caído em desuso após a conquista espanhola da civilização maia, foi redescoberto e reempregado por Salvador Reyes Rios do escritório de arquitetura Reyes Rios + Larrain Arquitectos no final dos anos 1990, iniciando um ressurgimento do uso na área.
https://www.archdaily.com.br/pt/946352/a-beleza-rustica-do-chukum-na-arquitetura-mexicana-modernaLilly Cao
Com a arquitetura vernacular como inspiração, Kathryn Larsen é uma biodesigner que trabalha com algas marinhas. Ao longo de sua carreira, ela tem feito uma investigação intensiva sobre tal material que há séculos é utilizado ao redor do mundo e já comprovou ter resistência à podridão e ao fogo, ser livre de composições tóxicas, com características de isolamento comparáveis à lã mineral e possuir um enorme aporte sustentável. Sua pesquisa busca trazer tal componente para o desenvolvimento de pré-fabricação e outras tecnologias que permitem a criação de novos revestimentos e outros elementos, tais como mantas isolantes e painéis acústicos.
Durante o último Festival do Design Indaba, tivemos a oportunidade de entrevistar Kathryn. Leia a entrevista e saiba mais sobre seu trabalho abaixo.
Desde, pelo menos, a época da Roma Antiga, os seres humanos reconhecem o valor do que agora é conhecido como "agricultura em ambiente controlado", permitindo aos agricultores cultivar plantas durante todo o ano, e não somente em determinadas estações. Embora tenham sido inventadas há centenas de anos, as estufas continuam a ser o meio mais popular de agricultura em ambientes controlados atualmente, com inovações em tecnologia e design que melhoraram a beleza e a eficiência dessa tipologia. Abaixo, exploraremos em detalhes a história e a estrutura das estufas, bem como vários exemplos de projetos de estufas inovadores e experimentais.
https://www.archdaily.com.br/pt/945951/estrutura-e-revestimentos-translucidos-como-projetar-uma-estufaLilly Cao
Malibu Crest, remodelação de uma casa de 1949 do Estilo Internacional, foi desenvolvida pelo Studio Bracket com o objetivo de ampliar a metragem quadrada da estrutura e as vistas panorâmicas para Malibu, mantendo mais de 50% das paredes originais da casa. O projeto foi bem-sucedido, não apenas na renovação de seus espaços internos e reconfiguração do espaço, mas no alargamento das janelas para captar verdadeiramente as vistas da lagoa e das montanhas circundantes. Essa expansão das vistas foi realizada em parte por meio de janelas de cantos abertos e vidros do chão ao teto, fabricados pela Western Window Systems. Esta tecnologia de vidros ininterruptos é uma das formas mais eficazes de abrir um espaço interior para as vistas deslumbrantes de um ambiente natural. Permitem que o espaço interno seja mais aberto para o exterior sem obstruções. A seguir, revisamos suas vantagens estéticas, suas qualidades estruturais e sua aplicação em projetos reais.
https://www.archdaily.com.br/pt/945456/esquadrias-de-canto-ampliando-os-espacos-para-o-exteriorLilly Cao
A densidade sempre foi uma consideração essencial para arquitetos e planejadores urbanos, mas sua importância só aumentou à medida que a população urbana mundial disparou e as cidades se tornaram cada vez mais densas. Durante grande parte da história do planejamento urbano, este termo foi infestado de conotações negativas: superlotação, pobreza, falta de segurança e as chamadas 'favelas'. O movimento da cidade-jardim, iniciado por Ebenezer Howard em 1898, buscou remediar tais males defendendo cinturões verdes e um planejamento anti-densidade. A Ville Radieuse de Le Corbusier é um dos planos urbanos mais conhecidos a partir desses ideais. Ainda na década de 1960, a socióloga Jane Jacobs notoriamente derrubou esses conceitos de planejamento urbano muito influentes: ela apontou que a densidade dos edifícios não tem que ser igual à superlotação; sugeriu que algumas áreas urbanas altamente densas, como sua vizinhança em Greenwich Village, eram mais seguras e mais atraentes do que os projetos de cidades-jardim nas proximidades; e destacou como a concepção americana dos "bairros marginais" costumava estar enraizada em ideologias anti-imigrantes e anti-negros. A densidade não é inerentemente ruim, ela sugeriu, mas deve ser bem feita. Hoje, continuamos a lutar com a questão sobre como projetar para nossas cidades cada vez mais densas - como mantê-las abertas, mas simultaneamente privadas? Livres, mas controladas quando necessário? Em particular, como nos mantemos protegidos - tanto do crime quanto, em épocas de COVID-19, de doenças?
https://www.archdaily.com.br/pt/945652/a-evolucao-do-compartilhamento-dos-espacos-privacidade-e-abertura-em-arquiteturas-cada-vez-mais-densasLilly Cao
Isometric study of unitised curtain wall elements from The Shard. Image Cortesia de The Donnies
Fachadas são a primeira barreira no exterior das edificações. Recebem chuva, neve, ventos, sol e mudanças de temperatura. Sua função primordial é manter o interior intacto da água, das pontes térmicos e torná-lo o mais confortável possível. É por isso que o detalhamento delas geralmente é feito por arquitetos experientes ou empresas especializadas, que entendem bem as capacidades dos materiais e os métodos de construção e saberão especificar as melhores soluções para cada caso. Mas às vezes, ao ver um projeto, alguns detalhes de fachada chegam a embrulhar o estômago de tão complexos, com milhares de linhas de chamadas, hachuras e cotas. Tornar esses desenhos didáticos, técnicos e, acima de tudo, bonitos, é uma tarefa para poucos. Conversamos com Troy Donovan, o criador da conta do instagram @the_donnies, com mais de 188 mil seguidores, que faz esse trabalho como poucos. Leia a entrevista a seguir.
Recentemente, temos visto muitos projetos que fazem uso de fachadas permeáveis, incluindo alguns vencedores do Building of the Year Award, a ponto de se poder considerar esse elemento arquitetônico uma espécie de tendência ou "moda" na produção contemporânea.
Melhorias na iluminação e ventilação naturais e maior permeabilidade visual são algumas das vantagens proporcionadas por esse tipo de fachada. A seguir, compilamos 15 fotografias que mostram exemplos desse elemento, feitas por proeminentes fotógrafos, como Andrés Valbuena, Pedro Nuno Pacheco e Koji Fuji Nacasa & Partners Inc.
Ladrilhos hidráulicos são revestimentos produzidos de forma completamente artesanal, com matéria prima à base de cimento. Trata-se de uma opção bastante versátil pois ele é frequentemente utilizado em áreas públicas, como praças e calçadas; mas também pode ser utilizado em áreas específicas como bordas de piscinas e/ou rampas de estacionamento, por exemplo. Também se faz cada vez mais presente como revestimento de interiores residenciais de alto padrão aplicado como revestimento de piso, parede ou até mesmo de mobiliários. Isso se deve ao seu alto poder de personalização de cores e modelos, conferindo unidade e exclusividade à cada projeto.
O tijolo é um dos materiais mais populares para arquitetos que buscam uma estética mais rústica ou vintage tornando os projetos de apartamentos, restaurantes e lojas mais quentes e convidativos. No entanto, a cor e o tipo de corte do tijolo podem influenciar significativamente a atmosfera que emana. Enquanto o tijolo branco se presta a um design mais minimalista, o tijolo marrom, por exemplo, tende a parecer mais rústico e terroso. Neste artigo, exploramos algumas das cores mais populares de tijolos, descrevemos formas de colori-los artificialmente e listamos projetos recentes que utilizam o material.
https://www.archdaily.com.br/pt/944534/tijolos-e-suas-coresLilly Cao
Feito localmente a partir de um único painel de madeira laminada cruzada ou CLT, a obra Obolin foi projetada por Steven Holl Architects para o Parque de Esculturas e Arquitetura Art Omi, centro artístico que busca explorar a interseção entre a arquitetura e a arte através da produção de painéis, instalações, intervenções paisagísticas e entornos construídos por arquitetos.
O conceito de Design for Disassembly (DfD) ou “projetar para desmontar”, é uma prática que vem ganhando força ao longo dos últimos anos entre arquitetos do mundo todo. Tal abordagem revela uma crescente preocupação com o excessivo consumo de recursos naturais, o desperdício e a baixa taxa de reciclagem na indústria da construção civil. O artigo a seguir pretende analizar em detalhe esta nova tendência na arquitetura, apresentando algumas diretrizes de projeto que contemplam a possibilidade de desmontagem e reciclagem de edifícios no futuro, oferecendo uma melhor compreensão desse conceito e seu impacto na prática profissional da arquitetura e na economia circular.